O bebê na caixa

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Essa foto é simplesmente genial – a invenção certa feita pela pessoa errada. Na verdade é mais do que um berço, é como um mini-quarto para o bebê, com temperatura e umidade controlados e na altura da visão dos pais, onde todo movimento acontece. Na foto também podemos ver uma coberta do lado direito, que era sempre trocada quando necessária.
20090929_aircrib2.jpgB. F. Skinner, o pai do Behaviorismo Radical, criou este berço para sua segunda filha Deborah, uma invenção maravilhosa. Mas a comparação com as “caixas de Skinner” utilizadas em experimentos com pombos e ratos foi inevitável. Ainda mais pelo artigo sobre a invenção que foi publicado na época entitulado “Baby in a Box“, ou “Bebê na Caixa”.
Os críticos de Skinner chegaram a dizer que ele a teria trancado lá dentro por mais de 2 anos, que ela cresceu e o processou e até que ela havia se matado. No entanto, ela publicou um artigo em um jornal em 2004 negando tudo isso – e avisando que ainda estava viva.
Mais algumas fotos podem ser vistas aqui.

O Solista (2009)

20090928_thesoloist.jpgEncontrei aqui uma lista de 10 filme que tem como tema transtornos mentais e resolvi assistir alguns deles. O primeiro que vi foi O Solista (The Soloist, 2009).
Bem legal o filme, baseado na história real de Nathaniel Anthony Ayers, um rapaz com extremas habilidades musicais, principalmente no violino e violoncelo, chegando a estudar na famosa escola de artes Juillard School – mas acabou a largando em dois anos, quando começou a apresentar comportamentos psicóticos como alucinações auditivas. Acabou se tornando um morador de rua em Los Angeles e Steve Lopez, um colunista do joranl LA Times o conheceu e escreveu um livro sobre sua vida, que acabou virando este filme.
O que eu achei mais legal no filme são as críticas sutis feitas às instituições de ajuda e aos próprios tratamentos, toda aquela coisa de medicar ou não, enfrentar efeitos colaterais ou não, terapia de grupo funciona ou não, etc. Sem falar nas condições do centro de apoio que os personagens encontram, embora bem acabadinho, os profissionais lá fazem tudo o que podem.
E o melhor de tudo, mostra o lado humano da pessoa com o diagnóstico de esquizofrenia: primeiro, o esquizofrênico não é burro, e segundo, não é mais agressivo que outras pessoas.
Enfim, o filme é bem legal, e melhor ainda pra quem gosta de música, uma boa diversão pra uma tarde de domingo. Vou deixar aqui o trailer e um link pra uma entrevista (em inglês) com os verdadeiros Steve Lopez e Nathaniel Ayres.

Entrevista com Steve Lopez: link

Uma alternativa à Ritalina para o TDA

Em um episódio do desenho South Park há uma crítica bem curiosa ao grande número de “diagnósticos” de Déficit de Atenção e o enorme uso da Ritalina, mostrando que existem tratamentos alternativos:

O vídeo é bem engraçado, mas é claro que se trata de um programa de comédia, falar sobre os efeitos da punição seria assunto pra outro post, mas ainda assim o vídeo nos faz questionar se a verdadeira causa para o grande número de crianças com dificuldade de concentração está no cérebro delas ou na sociedade.
Mais uma vez irei citar o neurocientista Steven Rose (como neste post):

“Mascarar a dor psíquica indicada pelo comportamento destrutivo pode propiciar um espaço para pais e professores respirarem e para a criança negociar um relacionamento novo e melhor; mas, se a oportunidade não for agarrada, mais uma vez vamos nos encontrar tentando ajustar a mente, em vez de ajustar a sociedade.”

O vídeo eu conheci graças ao Alessandro.

Anorexia: um caso de quase morte

20090920_anorexia2.jpgNa década de 60 a Análise do Comportamento ainda estava engatinhando, mas suas aplicações já traziam resultados quase milagrosos, embora seus procedimentos podiam ser às vezes mal vistos por outros profissionais. Como exemplo disso resolvi mostrar este experimento interessantíssimo publicado em 1965:
A paciente sofria de anorexia nervosa, não comia e estava em perigo de morte. Ela media 1,64m e pesava 23kg e meio. Os autores a descreveram como tendo “a aparência de uma múmia mal preservada a que se dera repentinamente um sopro de vida”.
Antes da terapia, ela vivia em um quarto atraente do hospital com quadros, flores, uma vista agradável, livre acesso à visitas, rádio, televisão e uma radiola. Mas um caso crítico desses precisou de uma intervenção crítica: os experimentadores lhe tiraram seus benefícios e a moveram para um quarto pobre e sem acesso às visitas. Ela podia ficar com seu tricô o tempo todo, mas só teria acesso às visitas, televisão, música e flores como reforços para o comportamento de comer (passo necessário para se fazer o condicionamento operante).
Além disso, as enfermeiras foram instruídas a retirar a atenção e a simpatia que elas usavam para tentar convencer a paciente a comer. Elas só podiam dizer no máximo um “bom dia” ao entrarem em seu quarto, e os experimentadores se encarregaram de tomar as refeições diárias com a paciente. Segundo sua hipótese, a atenção dada pelas enfermeiras poderia estar ajudando a manter a recusa de se alimentar.
Nestes momentos de refeição, os autores modelaram o comportamento de comer conversando com a paciente quando pegava seu garfo, punha comida na boca, mastigava o alimento e assim por diante. Também modelaram a quantidade de alimento ingerido, dando acesso ao rádio ou à televisão quando ela ingerisse maiores quantidades de comida. Mais tarde, quando ela começou a ganhar peso, outros reforços foram introduzidos, ela foi estimulada a escolher seu próprio cardápio, convidar outro paciente para jantar com ela, etc.
À primeira vista parece um procedimento estranho e o pessoal do hospital precisou ser informado das razões deste “tratamento desumano” de retirar os bens de seu quarto, além de serem convencidos de que era mais humano do que deixar a paciente morrer, uma vez que ela já tinha sido internada 8 vezes sem sucesso. A eficácia do tratamento pode ser julgada pelas fotos tiradas da paciente.
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Outros procedimentos também foram estabelecidos para depois que a paciente deixou de residir no hospital: a família foi instruída a não deixá-la comer sozinha, controlar os horários e só conversar sobre bons assuntos nas refeições, entre outros.
Curiosamente, cinco anos depois os experimentadores tiveram notícia da ex-paciente: ela estava se mantendo com 40 quilos e estava trabalhando feliz e com êxito em uma enfermaria de recém-nascidos no hospital de sua universidade!
Adaptado de: Reese, E. P. (1978). Análise do Comportamento Humano.Tradução de G. P. Witter. Rio de Janeiro: José Olympio. (Trabalho original publicado em 1966).

Tratamento para ansiedade: Respiração? Yoga? Meditação?

Uma das coisas mais básicas sobre ansiedade é que apesar dela parecer coisa de outro mundo, como eu disse aqui, ela é algo normal do corpo humano e acontece com todos, seja em menor ou maior grau. E é importante saber disso para ajudar no seu controle.
Seja para enfrentar situações amedrontadoras, para ajudar a prevenir ataques de pânico ou mesmo para relaxar durante momentos do dia, uma técnica muito utilizada na Terapia Comportamental é a Respiração Diafragmática, que envolve respirar utilizando os músculos do diafragma, aumentando assim a captação de oxigênio pelos pulmões. Como consequência disso, a pessoa se sente mais calma e a ansiedade é diminuída.

A leitora Clarissa me fez a seguinte pergunta:

“Felipe, você acha que meditação e yoga ajudam a controlar a ansiedade?”

Eu acredito que sim. Muitas pessoas ficam ansiosas ou estressadas durante grande parte do dia e isso pode trazer más consequências como dor de coluna ou de cabeça, gastrite nervosa, entre outros problemas. A meditação e o Yoga ajudam a pessoa a ter um maior controle sob seu corpo além de fazê-la entrar em contato com um estado de relaxamento.
Outras técnicas de consultório também possuem semelhança com essas atividades, como o Relaxamento Muscular Progressivo, que envolve relaxar a pessoa ajudando ela a perceber seu corpo em relaxamento – assim como falei no parágrafo acima!
Embora seja interessante trabalhar o relaxamento e baixar a ansiedade, é fundamental também no tratamento identificar as situações do dia-a-dia que estão deixando a pessoa ansiosa em primeiro lugar, para que enfim a pessoa possa fazer alguma mudança nesse aspecto, prevenindo outras crises e recaídas!

Lobotomia no Youtube

Acabei de encontrar esse vídeo muito interessante sobre Dr. Walter Freeman e o início da Lobotomia, hoje também conhecida como psicocirurgia – um nome mais bonito para um procedimento que continua porco.

No desespero para encontrar soluções para os problemas comportamentais, a ciência já tentou muitas coisas absurdas, na maioria das vezes não de modo tão científico assim, como no caso da própria lobotomia.
Na busca de melhores tratamentos devemos olhar para trás e nos perguntar se estamos seguindo o caminho certo, aprender com os erros do passado, senão a coisa fica mais ou menos como está hoje: embora este procedimento seja menos utilizado, ainda não foi extinto, e além dele ainda vemos pessoas internadas, abandonadas pelos familiares, tomando diariamente 2, 3, ou até 7 diferentes medicamentos tarja-preta para controlar os comportamentos inadequados. Controlar, mas não resolver. Grande evolução!

Ansiedade: 5 coisas que você deve saber

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  1. Ansiedade é uma emoção natural do ser humano e todos nós a sentimos em determinadas circunstâncias. No entanto, o excesso de medo ou nervosismo pode atrapalhar uma pessoa em sua casa, trabalho ou escola, e é quando podemos dizer que há um transtorno de ansiedade. Estas pessoas devem buscar ajuda.
  2. O transtorno de ansiedade mais comum é o Transtorno de Ansiedade Generalizada. Mas isso é só um nome, o que a pessoa sente pode variar muito: enquanto algumas trabalham bem mas evitam novas responsabilidades, outras mal conseguem ficar em um trabalho, não dormem direito e têm dificuldade para cuidar de si mesmas. Sintomas físicos também podem surgir como dores musculares, de cabeça ou tonturas.
  3. A ansiedade possue outras formas. Em um ataque de pânico, em um curto período de tempo as pessoas sentem falta de ar, coração acelerado, suor e até dor no peito, alguns acham até estar tendo um ataque cardíaco. O Transtorno Obsessivo-Compulsivo é marcado por medos irracionais recorrentes que levam a repetição obsessiva e desnecessária de comportamentos como lavar as mãos ou checar fechaduras de portas. Um outro tipo é o Transtorno de Estresse Pós-Traumático, em que a lembrança de um trauma passado causa a ansiedade.
  4. O tratamento para transtornos de ansiedade inclue psicoterapia ou medicação, ou os dois. Na psicoterapia a pessoa aprende a identificar o que está trazendo à tona sua ansiedade, alem de aprender técnicas para reduzir suas sensações ansiogências.
  5. Transtornos de ansiedade podem ser resolvidos com tratamento. Um tratamento eficaz deixa a pessoa livre dos sintomas e com um melhor controle sobre suas respostas emocionais e psicológicas.

Texto adaptado daqui.

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