Falando Klingon desde criança

20091124_klingon.jpgDesde que o feto está se formando já estamos sujeitos às influências do ambiente, que alteram nosso organismo e nossos comportamentos. Um exemplo disso é a linguagem, que desenvolvemos com nosso ambiente social.
d’Armond Speers, curioso em saber como funciona este processo de aquisição, parece ter ido um pouco longe demais: passou os três primeiros anos da vida de seu filho falando apenas em klingon com ele. Sim, Klingon. A língua daquela raça do universo de Jornada nas Estrelas.

“Eu estava interessado em saber se meu filho, passando pelos seus primeiros processos de aquisição de linguagem, iria a adquirir como qualquer linguagem humana. E ele estava definitivamente começando a aprendê-la.” Disse Speers ao Minessota Daily.

E de onde vem esse interesse? Speers tem um doutorado em linguagem de computadores e sua companhia, Ultralingua, desenvolve softwares de tradução – inclusive Klingon.
Assim como uma criança chinesa no Brasil aprenderia a falar português e vice-versa, uma humana em um planeta klingon aprenderia a falar klingon. Mas acho muito difícil o pai conseguir que a criança fosse exposta somente ao klingon nesses 3 anos (ainda mais sem violar os direitos humanos).
Quem sabe com mais tempo essa criança não se tornaria o próximo Klenginem, que canta, em klingon, as músicas do Eminem (bizarro)!
Fonte: Citypages

A “Seleção Natural do comportamento”

20091124_darwin.jpgTenho três grandes ídolos na esfera científica: Darwin, Sagan e Skinner. E hoje comemora-se 150 anos da publicação do “Origem das Espécies” de Darwin, um livro que mudou radicalmente a biologia, a visão do mundo sobre o homem, e que também serviu de influência sobre Skinner na formulação do comportamento operante. Não sabia? É só fazer as comparações:
A Seleção Natural:

  1. Diferentes membros de uma espécie vivem em um ambiente.
  2. Variações entre os indivíduos, por menores que sejam, podem garantir sua reprodução, transmitindo estas variações para sua prole.
  3. Em pequenos passos, a Seleção Natural “seleciona” as espécies, rejeitando as variações ruins e preservando as boas.
  4. Por fim, estas variações levam à formação de novas espécies, cada vez mais complexas e com suas especificidades.

O comportamento operante:

  1. Diferentes comportamentos são emitidos por um indivíduo em seu ambiente.
  2. Variações entre comportamentos, por menores que sejam, trazem mais reforçadores do que outros, aumentando sua frequência.
  3. Em pequenos passos, o ambiente “seleciona” os comportamentos, diminuindo os que não trazem reforçadores, e aumentando os que trazem.
  4. Por fim, o indivíduo possui novos comportamentos, cada vez mais complexo e específico para cada ambiente.

O comportamento operante é um pouco mais complicado que isso, mas a coisa funciona mais ou menos assim. Enfim, recomendo celebrar o dia visitando os posts do tema dos outros Sciencebloggers e assistindo à apresentação de Richard Dawkins sobre o tema: “There is grandeur in this view of life“.
Atualização: o Alessandro, do Olhar Comportamental, também fez um post do assunto: link aqui.

Entrevista sobre TOC com Denis Zamignani

Vou tentar compensar a recente falta de posts com essa entrevista sobre o Transtorno Obsessivo Compulsivo com o psicólogo Denis Zamignani, que veio pra Goiânia dar umas aulas esse final de semana e eu pude ter o prazer de conhecer!

Mais diversão leva a mais eficiência?

A “escada piano” fez um sucesso tremendo nos últimos dias no Youtube. Se você ainda não viu, recomendo que clique aqui pra dar uma olhada, é realmente muito legal!
Transformar a escada em um piano fez a coisa ficar tão mais divertida que muitas pessoas não se importaram em engajar em um comportamento mais trabalhoso (o de subir escadas) por causa do som que ele produzia. Me lembrou a época que eu fazia academia e nunca ia sem o mp3 no bolso e fones de ouvido, mas nesse caso há uma diferença: a música da escada é contingente ao comportamento, ou melhor, é consequência do comportamento de subir escadas e por isso controla ele.
Outro vídeo bacana é o desta lata de lixo:

Da mesma maneira, o barulho feito ao se jogar o lixo é uma consequência que não só despertou a curiosidade das pessoas mas fez até mesmo com que algumas buscassem outros objetos para jogarem lá dentro. E a lata de lixo acabou ficando 41kg mais cheia do que uma outra ali perto.
É por isso que os professores dão estrelinhas aos seus alunos, que os pediatras sempre tem uma bala ou um pirulito para seus pequenos pacientes, por isso que o psicólogo é sempre atencioso com seu cliente ou que as pessoas mais atraentes são aquelas que sorriem mais.
O segredo está na consequência controlando o comportamento. Infelizmente o som da lata de lixo, que é uma consequência imediata, é muito mais poderosa do que a prevenção da limpeza do parque ou do aquecimento global. Mas felizmente, sabendo destes processos comportamentais, podemos programar consequências de curto prazo como essas para estabelecer novos comportamentos até que as de longo prazo entrem em vigor!

Ansiedade de arrancar os cabelos

Conhece Nip/Tuck? É uma série sobre dois cirurgiões plásticos que lá nos EUA já está na sexta temporada, e que eu gosto muito de assistir pelos personagens estranhos que aparecem em cada episódio, além disso, de vez em quando um ou outro transtorno mental aparece também.
20091106_niptuck.jpg
No último episódio, o terceiro da 6ª temporada, descobrimos que Annie, a filha de um dos cirurgiões apresenta tricotilomania – ela arranca fios de cabelo, principalmente em momentos de ansiedade, às vezes engolindo-os, deixado até parte do couro cabeludo exposto.
Estranho né? Parece coisa de outro mundo, ou até mesmo uma doença. E é assim que o senso comum vê a tricotilomania: como uma doença. Dêem uma olhada nesta reportagem.
Só que essa “doença” tem tratamento: chama-se Terapia Comportamental. Coincidentemente vi na semana passada, na reunião da SBP, um painel expondo os resultados de um caso semelhante intitulado “Tricotilomania: um estudo de caso em terapia comportamental“, orientado pelo Prof. Flávio Borges. E não foi o único trabalho que vi neste assunto: no ano passado um outro feito sob orientação da Profª Ilma Britto, realizado aqui na PUC-GO, também foi divulgado.
A tricotilomania é mais um exemplo de comportamentos que parecem doença, mas que na verdade são comportamentos complexos que podem ser modificados, ou em outras palavras, tem tramento. A terapia produz resultados maravilhosos com transtornos de ansiedade (e outros também), mas é uma pena que tão pouca gente tenha conhecimento disso.

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