Mais diversão leva a mais eficiência?

A “escada piano” fez um sucesso tremendo nos últimos dias no Youtube. Se você ainda não viu, recomendo que clique aqui pra dar uma olhada, é realmente muito legal!
Transformar a escada em um piano fez a coisa ficar tão mais divertida que muitas pessoas não se importaram em engajar em um comportamento mais trabalhoso (o de subir escadas) por causa do som que ele produzia. Me lembrou a época que eu fazia academia e nunca ia sem o mp3 no bolso e fones de ouvido, mas nesse caso há uma diferença: a música da escada é contingente ao comportamento, ou melhor, é consequência do comportamento de subir escadas e por isso controla ele.
Outro vídeo bacana é o desta lata de lixo:

Da mesma maneira, o barulho feito ao se jogar o lixo é uma consequência que não só despertou a curiosidade das pessoas mas fez até mesmo com que algumas buscassem outros objetos para jogarem lá dentro. E a lata de lixo acabou ficando 41kg mais cheia do que uma outra ali perto.
É por isso que os professores dão estrelinhas aos seus alunos, que os pediatras sempre tem uma bala ou um pirulito para seus pequenos pacientes, por isso que o psicólogo é sempre atencioso com seu cliente ou que as pessoas mais atraentes são aquelas que sorriem mais.
O segredo está na consequência controlando o comportamento. Infelizmente o som da lata de lixo, que é uma consequência imediata, é muito mais poderosa do que a prevenção da limpeza do parque ou do aquecimento global. Mas felizmente, sabendo destes processos comportamentais, podemos programar consequências de curto prazo como essas para estabelecer novos comportamentos até que as de longo prazo entrem em vigor!

Discussão - 5 comentários

  1. Rafael disse:

    Muito bom artigo!!
    Eu, que já atuei na área de educação ambiental, achei interessante a aplicabilidade. O real problema da questão ambiental é a falta de consciência para as consequências a longo prazo.
    Mas com a consequência imediata haverá a conscientização para o futuro? Estaremos criando um comportamento por si só nos alvos da manipulação e não uma reflexão sobre os reais problemas?
    O resultado pode ser promissor, mas há alguns revés, acho.

  2. Jéssica Queiroz disse:

    Olá, vi seu blog, achei interessante; e sou estudante de psicologia. Há alguns dias estava envolvida com assuntos da Saúde mental.
    E sobre essa sua postagem, o intuito das pessoas fazerem essa ligação tão rapida com o som ao lixo e sua curiosidade, é bem chamativo o estudo!!!
    Agradeço se manter contato, meu email esta no informativo do comentario.
    Até mais, volto a visitar seu blog.
    =*

  3. Felipe Epaminondas disse:

    Manipulamos a aprendizagem assim como o farmacêutico manipula novos medicamentos – não há nada de errado nisso, faz parte da ciência. Aliás, sempre manipulamos os comportamentos das pessoas ao nosso redor sem perceber.
    A criança aprende que não deve andar descalça na areia assim, até que a consequência a longo prazo, que é evitar doenças, entre em vigor. Ela não gosta de injeção mas um dia aprende que é necessária. Ensinar pessoas a se comportarem manipulando as consequências não impede que elas reflitam sobre o assunto, pelo contrário, se elas tomarem consciência das contingências que a fizeram aprender um comportamento pode facilitar com que elas façam o mesmo por outras pessoas no futuro.

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