A “Seleção Natural do comportamento”

20091124_darwin.jpgTenho três grandes ídolos na esfera científica: Darwin, Sagan e Skinner. E hoje comemora-se 150 anos da publicação do “Origem das Espécies” de Darwin, um livro que mudou radicalmente a biologia, a visão do mundo sobre o homem, e que também serviu de influência sobre Skinner na formulação do comportamento operante. Não sabia? É só fazer as comparações:
A Seleção Natural:

  1. Diferentes membros de uma espécie vivem em um ambiente.
  2. Variações entre os indivíduos, por menores que sejam, podem garantir sua reprodução, transmitindo estas variações para sua prole.
  3. Em pequenos passos, a Seleção Natural “seleciona” as espécies, rejeitando as variações ruins e preservando as boas.
  4. Por fim, estas variações levam à formação de novas espécies, cada vez mais complexas e com suas especificidades.

O comportamento operante:

  1. Diferentes comportamentos são emitidos por um indivíduo em seu ambiente.
  2. Variações entre comportamentos, por menores que sejam, trazem mais reforçadores do que outros, aumentando sua frequência.
  3. Em pequenos passos, o ambiente “seleciona” os comportamentos, diminuindo os que não trazem reforçadores, e aumentando os que trazem.
  4. Por fim, o indivíduo possui novos comportamentos, cada vez mais complexo e específico para cada ambiente.

O comportamento operante é um pouco mais complicado que isso, mas a coisa funciona mais ou menos assim. Enfim, recomendo celebrar o dia visitando os posts do tema dos outros Sciencebloggers e assistindo à apresentação de Richard Dawkins sobre o tema: “There is grandeur in this view of life“.
Atualização: o Alessandro, do Olhar Comportamental, também fez um post do assunto: link aqui.

Discussão - 5 comentários

  1. Breno Alves disse:

    Não concordo com algumas de suas colocações sobre a teoria da seleção natural. No item 2, a variabilidade gerada aleatoriamente pode ser que traga algum benefício para o indivíduo (na grande maioria das vezes não traz) e esse benefício pode se refletir em uma maior chance de deixar mais descendentes que outros indíviduos. A questão não reside em a variação permitir ou não a reprodução. No item 3, a seleção natural não seleciona espécies e sim indíviduos. Até porque, grande parte da competição que um indíviduo participar será contra outros de sua própria espécie. Espécie é só uma maneira que nós inventamos para organizar os seres vivos que vemos (tanto que para bactérias e archeas esse conceito não funciona direito). No item 4, você coloca que a evolução leva a uma maior complexibilidade, fato este que não é verdadeiro. Complexibilidade é algo controverso na biologia, por exemplo, uma ameba tem mais genes que humanos. Quem é mais complexo?
    Abraços

  2. Sério que a ameba tem mais genes que humanos? Hauha, sabia não. Bom, isso que dá psicólogo querer falar de biologia né?
    O item 2 não entendi o que você quis dizer, eu disse que as variações PODEM resultar na reprodução, o mesmo que você.
    O item 3 concordo que ele seleciona os indivíduos, mas pelo menos não podemos negar que as espécies existentes hoje foram selecionadas pelo ambiente, então a “idéia geral” está ok. Assim como o ambiente seleciona uma instância específica de comportamento, e em maior escala uma gama de respostas do mesmo.
    O termo complexidade é controverso nos 2 contextos, pois um comportamento aparentemente simples, como um choro de uma criança, pode ter inúmeras variáveis controlando e consequências a mantendo, o que acaba sendo muito mais complexo do que aparenta. Como a ameba.

    • Alexandre disse:

      Sobre a complexidade, você coloca que a evolução está sempre promovendo o surgimento de espécies mais complexas, o que é um erro. Existem muitos exemplos de “perda de complexidade”, como insetos sem asas que tiveram ancestrais alados (pulgas), espécies de salamandras que “perderam” o pulmão, peixes cavernícolas cujos olhos se deterioraram e a visão é inexistente. Evolução biológica é, de modo muito resumido, mudança e adaptação, e esses exemplos mostram claramente isso. Abraços.

  3. carmen disse:

    ¨¨
    “O problema não é inventar. É ser inventado hora após hora e nunca ficar pronta nossa edição convincente.” C.D.Andrade.

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