Como aprendemos a falar

Pouco tempo atrás falei de uma criança que foi educada a falar somente na linguagem Klingon, um experimento um tanto estranho (link). Também interessado em aprender como é desenvolvida a linguagem, um cientista implantou câmeras em todos os cômodos de sua casa, tendo assim em vídeo os 3 primeiros anos da vida de seu filho. Este experimento foi descrito em um documentário da BBC intitulado “Why do we talk“.
Os humanos se diferem dos outros animais por serem a única espécie que possui o comportamento verbal. Não estou falando de emitir simples sinais ou vocalizações, mas sim de atribuir significados, combinar palavras em frases nunca antes ditas e principalmente interagir com o mundo através das outras pessoas usando somente a linguagem.
Nossos genes preparam o nosso organismo para que tenhamos tudo o que é necessário para desenvolver a fala, no entanto, é na interação com o ambiente através de imitação e aprendizagem por consequências que desenvolvemos nossa fala, seja ela em português, inglês ou klingon.
O documentário que citei acima se encontra no Youtube, pena que sem legendas. Disponibilizarei aqui a primeira parte e recomendo que prestem atenção aos 7 minutos, quando começa a falar do tal experimento, e principalmente aos 7:58, onde mostra a evolução da criança, que começa falando “ga-ga” e termina em “wa-ter”. Incrível!

 

As sinapses da aprendizagem

O Analista do Comportamento trabalha programando contingências ambientais para que as pessoas aprendam diferentes comportamentos, seja em casa, na escola, na clínica ou na empresa, enfim, em qualquer lugar onde existam pessoas (ou animais).
Nestas análises olhamos o ambiente, o organismo e as consequências de seus comportamentos, mas algo que não temos acesso direto são os neurônios desse organismo. Mas pelo que parece, nessas “brincadeiras” também estamos os alterando:

“Verificamos uma formação robusta e quase imediata de sinapses, menos de uma hora após o início do condicionamento”, disse Yi Zuo, professor da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos.

Yi Zuo verificou isso depois de ensinar ratos a passarem por uma certa passagem em uma gaiola para conseguirem alimento.
Acho legal ver estudos que mostram os efeitos neurológicos da aprendizagem. Nos dá esperança ao trabalhar com pessoas com lesões sérias ou transtornos mentais como esquizofrenia crônica. Jill Taylor que o diga.
Embora esse tipo de estudo não seja necessário para fazermos as mudanças de comportamento, podemos sonhar com o “fisiólogo do futuro” fazendo modificações diretamente no cérebro, poupando inúmeras sessões de treino. Será?
Fonte: Jornal da Ciência
Artigo original: “Rapid formation and selective stabilization of synapses for enduring motor memories” – Link

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