Encontrada área responsável por erros da neurociência

Vi no Mindhacks o link para um estudo de 2008 que apontou que incluir uma imagem cerebral em um argumento sobre comportamento humano faz com que o público o aceite mais facilmente, mesmo que atividade cerebral não seja relevante ao tópico em discussão. E isso é bem comum de acontecer, visto que a origem última dos comportamentos costuma estar no ambiente externo.
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“Parte do cérebro que impede análises críticas
quando vê figuras bonitas do cérebro.”

Não me entendam mal, eu gosto muito da área das neurociências, mas é verdade que as vezes eles “reinventam a roda”, como o Neto exemplifica bem aqui.

Discussão - 14 comentários

  1. Rafael Guimarães disse:

    “Origem última” foi ótimo. Além de paradoxal, meio difícil explicar (principalmente para o paciente) que a mudança no comportamento de pacientes com Alzheimer, Parkinson, Esquizofrenia, AVCs, privação de sono, uso de drogas, déficits nas funções cognitivas são originadas no ambiente. Mas foi uma boa tentativa, cara, mas não vem dizer que é ‘reiventar a roda’ entender o funcionamento cerebral e cognitivo, senão poderíamos dizer que por anos os analistas do comportamento têm feito isso de ‘reiventar a roda’, sem pesquisas originais, seguindo sempre a mesma teoria de 1950 (o que não é verdade, eu sei, mas é tão negligente de conhecimento quanto o afirmado aqui por você).
    Abraço.

  2. Cláudio disse:

    Ontem eu postei um comentário, mas parece que não foi. Tentarei repetí-lo.
    Buscar a universalidade da ciência não é esquecer que a resposta para ela não vem de uma só teoria. O grande erro da filosofia behaviorista é achar possível uma psicologia universal, com os preceitos teóricos dela. Pois o blog linkado erra justamente por isso, querer suprimir estudos científicos somente por eles não abordarem suas teorias é ignorante e anticientífico, além disso, na busca para entender como funciona o contracondicionamento, não é possível que ainda existam pessoas que não queiram que sejam feitos experimentos para entender como o processo funciona no cérebro.
    Leitura recomendada para behavioristas: Popper.

  3. Felipe Epaminondas disse:

    Olá Rafael, entendo seu ponto de vista, mas calmaí:
    Primeiro precisamos diferenciar transtornos mentais de doenças neurológicas! Alzheimer e Parkinson são coisas completamente diferentes de uso de drogas e depressão, por exemplo. É por isso que o trabalho conjunto com o psicólogo nos transtornos mentais é indispensável. Apesar de terem um correlato fisiológico (que merece ser desvendado), consulte o DSM-IV e você verá que nenhum transtorno mental possui etiologia neurológica comprovada!
    Já vi algumas vezes notícias em que é apresentado algo “completamente novo” na área da neurociência, quando na verdade, já foi ha mto tempo descrito por outros profissionais, mas como eles têm uma imagem cerebral ali, parece ter mais fundamento, o exemplo que dei é exatamente isso.
    Não disse que eles sempre reinventam a roda, eu sou um grande admirador das neurociências e só estou apontando uma pequena crítica, que aliás, tenho várias críticas também quanto à psicologia e a psiquiatria, por exemplo!

  4. Felipe Epaminondas disse:

    Olá Cláudio!
    O próprio Skinner comentou em “Ciência e Comportamento Humano” que um dia desvendaremos os processos que ocorrem dentro do cérebro quando uma pessoa está, por exemplo, sendo reforçada. Embora este tipo de conhecimento seja bastante interessante e poderá ser bastante útil, não é um pré-requisito para que entendamos a teoria do reforço e a utilizemos com eficácia.

  5. Álvaro disse:

    Rafael, eu vejo totalmente diferente a questão. A idéia não é suprimir a investigação científica, e tão pouco tornar uma teoria universal. A idéia é saber que o contracondicionamento já foi descoberto há anos, e que ao invés de redescobrí-lo, como os neurocientistas do estudo fizeram, seria mais proveitoso por exemplo que investigassem melhor os processos cerebrais correlatos.
    É plágio, aliás, pegar uma descoberta de outro e dizer que foi sua, mudando apenas os termos. A grande descoberta (plágio mesmo será?) anunciada no site da fapesp não foi o funcionamento do processo de contracondicionamento, mas o próprio contracondicionamento.
    E aí, roubar a descoberta de um cientista anterior a vc (Pavlov) e publicar como se fosse sua, em outros termos, é fazer ciência?
    A partir da GRANDE DESCOBERTA falsa deles, inferem o funcionamento de redes mentais cognitivas, grande coisa.

  6. Neto disse:

    Na verdade a minha crítica é exatamente o que o Álvaro explicou. Ao invés de pegarem algo já explicado, desperdiçarem tempo e dinheiro nisso que já é explicado, pq não tentarem fazer evoluir, investigando outras coisas? O processo usado pelos neuros é exatamente o mesmo de Pavlov. Só mudam os nomes.

  7. Rafael Guimarães disse:

    Claudio, acho que é por aí, quando vejo os argumentos de estudantes e professores behavioristas (que não costumam ler epistemologia e metodologia científica, mas falam como se fossem cientistas – apesar não conhecerem os preceitos básicos do estudo científico e mesmo o que é ciência psicológica – só por acreditarem em uma teoria que é científica. Aí, por causa disso, cometem erros enormes no argumento, “em nome da ciência”. Espero não ter sido confuso. Mas faço uma ressalva, óbvio que existe gente assim em todo lugar e toda área e longe de mim dizer que TODO behaviorista é assim. Os que eu discuto ocasionalmente e os que acompanhei durante o meu curso de psicologia são.)
    Felipe, quanto aos transtornos, justamente por ainda não estarem completamente desvendados que nós devemos estudá-los a fundo e de modo interdisciplinar, concordamos nisso. Concordo com todas as suas duas respostas, na verdade.
    Sei que a escaneamento de imagens cerebrais ajuda a parecer que o que os neurocientistas acharam foi algo ‘completamente novo’, mas veja, é sim algo completamente novo para as neurociências. Entende meu ponto de vista? Não digo que às vezes as pesquisas não nos revelem o que já sabiamos com a psicologia cognitiva e a comportamental, mas defendo que é uma outra forma de enxergar e que vem para somar (quando feito com diligência). Vou tentar fazer uma analogia para que os próximos a lerem entendam o que quero dizer, espero ser feliz: é como estudar uma planta, mas nunca poderíamos abrí-la, pois a mataríamos e o conselho de ética cairia em cima da gente. Então, passamos séculos estudando a curvatura da planta para o sol e criando teorias sobre isso, mas agora temos técnicas que nos permitem ver o que acontece dentro da planta enquanto ela se curva, não é uma descoberta que ela se curve, mas é sim muito novo o que estamos estudando agora e necessário, pois podemos ajeitar nossas teorias sobre a curvatura, corrigí-las, só confirmá-las ou até descartá-las.
    Eu sei que todos já tinham entendido, mas eu adoro analogias.
    Álvaro (e Neto), pois isso que você argumenta é suprimir a investigação científica. O exemplo da planta já responde, entretanto concordo com você em um ponto, a divulgação não deve ser “descobrimos algo totalmente novo” e sim “descobrimos o funcionamento cerebral de algo que teorias psicológicas já haviam confirmado”.
    E, cara, é grande coisa sim. É uma teoria experimentalmente testada e que enquanto sobreviver aos testes não estará errada. Como qualquer teoria científica, como qualquer teoria behaviorista.
    “Desperdiçar” dinheiro é o argumento mais utilizado para criticar a ciência, não esperava ver essa aqui. São mais utilizados por estudantes de abordagens não-científicas, mas tudo bem. Vocês sabem que muitos estudos da psicologia experimental são considerados inúteis e um desperdício de dinheiro. Quem decide? A agências de fomento (formadas por cientistas), não nós, opinadores.

  8. Renê disse:

    Felipe,
    Às vezes a psicologia também gosta de reinventar a roda, e o resultado pode ser muito desastroso, como aconteceu neste caso.

  9. Neto disse:

    Rafael,
    “Não digo que às vezes as pesquisas não nos revelem o que já sabiamos com a psicologia cognitiva e a comportamental, mas defendo que é uma outra forma de enxergar e que vem para somar (quando feito com diligência)”
    Somar o que? Que um emparelhamento “contracondiciona” memórias fóbicas? Qual foi o acréscimo desta pesquisa à Ciência?

  10. Rafael Guimarães disse:

    Neto, leia o artigo e talvez você descubra os objetivos da pesquisa e sua relevância. Leia um pouco mais sobre ciência (perceba, ‘sobre’ não é ‘de’) e você vai entender como é o funcionamento dela, foque bem no que tange a “teorias” e “método científico”.
    Abraço.

  11. Neto disse:

    Rafael, falou falou e disse nada. A pesquisa sequer apresentou uma outra forma de ver o fenômeno. Ela simplesmente repetiu o que já se sabe. Ainda insisto que este é um problema que existe devido à falta de diálogo entre as áreas do conhecimento.

  12. Rafael Guimarães disse:

    Neto, falei falei e você não entendeu nada. Fazer o que, né? Boa sorte com as leituras.

  13. pedro paulo disse:

    boa, muito boa
    kkkkkk

  14. Felipe disse:

    Vendo trabalhos como esse chego a acreditar na fantasiosa guerra transcrita por um cientista bem famoso: Localizacionistas VS Distribucionistas.

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