Viciando o cérebro em comidas gordurosas

Segundo esta notícia da CNN, cientistas confirmaram que comidas gordurosas como bacon e batatas fritas podem te deixar viciado, afetando seu cérebro da mesma maneira que drogas como cocaína ou heroína o fazem.
Para chegar a esta conclusão, foi feito um estudo com três grupos de ratos por 40 dias: um grupo se alimentava de ração natural; o segundo grupo comia bacon, salsichas, pães de queijo e outros alimentos gordurosos e calóricos por uma hora do dia, e um terceiro grupo podia se alimentar dessas comidas por até 23 horas no dia.
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Como era de se esperar, os ratos do terceiro grupo ficaram muito mais obesos. E além disso foi também desenvolvida uma “tolerância” à comida: eles precisavam comer cada vez mais para se sentirem satisfeitos, assim como dependentes químicos precisam de doses cada vez maiores das drogas.
Em uma segunda fase do experimento, os pesquisadores aplicaram leves choques aos ratos na presença da comida. Esta alteração fez com que os dois primeiros grupos evitassem a comida. Isso não ocorreu no terceiro grupo: eles continuaram a consumir os alimentos. O mesmo resultado já foi observado em experimentos com ratos consumindo cocaína.
O neurotransmissor dopamina está relacionado aos centros de prazer (ou recompensa) do cérebro, e o estudo mostra que nos ratos do terceiro grupo houve uma diminuição em certos receptores de dopamina, uma mudança também relacionada a dependência química e obesidade em humanos. Os pesquisadores acreditam que essa diminuição possa ser genética.
Pessoalmente não me surpreendeu muito o fato de haverem mudanças nas transmissões sinápticas do cérebro, imagino que alguém viciado em videogames, por exemplo, também apresentará mudanças interessantes de se investigar, mas não quer dizer que o problema seja genético. O próprio estudo mostra como o ambiente externo (principalmente criação e alimentação) podem modificar o comportamento e o organismo.
Hoje em dia comemos muitos alimentos gordurosos que foram processados para serem “viciantes”, como hambúrgeres e salsichas. Nosso organismo não foi feito para estes alimentos: não é isso que nossos ancestrais, nos outros 98% da história humana, comiam – e como consequência disso temos todos esses problemas
20100330_hamburger.jpgDaí a gente come um alimento super gorduroso, o nosso cérebro acha a coisa mais maravilhosa do mundo e logo pede mais. Se continuamos com o hábito, logo os locais que frequentamos nos fazem lembrar desses alimentos (também por condicionamento pavloviano) e nos fazem querer mais. Ao mesmo tempo seu corpo está “se preparando” para receber esses alimentos, então você come a mesma quantidade que antes mas parece que não foi suficiente: você precisa comer um pouco mais para se saciar. Este ciclo pode continuar até você perder o controle e buscar ajuda para emagrecer.
E então fica a pergunta: como é sua alimentação diária? E a do seus filhos?
(Escrever este post me deu uma vontade MUITO grande de comer um sanduíche de fast-food. Que tortura!)

O Jogo da Morte

20100324_milgran.jpgEm 1960, Stanley Milgran, inspirado pelo nazismo e interessado em compreender a submissão à autoridade, criou um experimento separando seus sujeitos em grupos de “educadores” e “alunos”. O experimentador fazia perguntas ao “aluno”, sentado em uma cadeira, e a cada erro, dava uma ordem ao “educador”: liberar um choque no aluno como punição. A cada erro o choque era aumentado e, mesmo com as súplicas do aluno, dois terços dos participantes continuaram administrando os choques até o nível máximo! Obedientes, não?
20100324_jeudemort.jpgNa semana passada foi ao ar na França o “Le Jeu de la Mort“, ou O Jogo da Morte. No programa, 80 voluntários foram recrutados. Foi dito a eles que participariam de um jogo de entretenimento chamado “Xtreme Zone”. Eles fariam perguntas a um candidato e, caso ele errasse, administraria uma punição de 80 à 460 volts! Frente às câmeras ligadas, à apresentadora famosa e aos gritos da plateia 80% dos participantes continuaram até o final do jogo, chegando a aplicar o choque máximo levando o candidato a aparentemente cair morto. Apenas 16 desistiram. Chocante!
Ah, um comentário: nos dois experimentos, a pessoa que recebia o choque era na verdade um ator. O programa francês acabou sendo transmitido em forma de documentário. Mas as pessoas que aplicaram os choques são tão reais quanto a gente – o que é muito assustador.
Nesta matéria da BBC você pode ver um trecho do programa.

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