Beber com os amigos: está no gene?

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Você é daqueles que adoram uma cervejinha no final de semana, assistindo a um jogo de futebol ou então em uma mesa de bar com os amigos? Tanto que, de vez em quando, no outro dia bate aquela dor de cabeça e você diz “nunca mais bebo desse tanto”? Bom, pelo menos agora você tem mais alguém para jogar a culpa: seus amigos.
Uma pesquisa feita na Holanda apontou que indivíduos que carregam uma variação específica de um gene (receptor de dopamina D4, ou DRD4) estão mais suscetíveis a beber mais álcool na companhia de outros bebuns, ou melhor, seus amigos que também gostam de uma cervejinha.
Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores coletaram amostras de saliva de 60 mulheres e 53 homens que relataram beber “socialmente” e posteriormente pediram para que eles avaliassem propagandas sobre prevenção ao abuso de álcool. Entre duas sessões de 10 minutos, os participantes tinham um intervalo, em que sentavam em um bar com livre acesso a amendoins, cervejas, vinhos, refrigerantes e água mineral.
Neste intervalo eles interagiam com outra pessoa, do mesmo sexo, que eles acreditavam ser outro participante, mas que na verdade era também um pesquisador. E adivinha: quando este pesquisador só tomava refrigerante ou água, o participante com o DRD4 se limitavam a meia taça de vinho ou meia garrafa de cerveja. Quando ele ingeria bebidas alcoólicas, os portadores do gene consumiam quase dois copos de cerveja ou vinho, contra apenas um para os não portadores.
É uma pesquisa que ainda precisa de replicações e mais confirmações da hipótese, e é claro que variáveis ambientais e sociais também influenciam na ingestão de álcool, mas que ainda assim já leva a importantes discussões, como por exemplo: ninguém sabe os efeitos da DRD4 no cérebro, mas se essa correlação for confirmada, pode-se imaginar que o mesmo também ocorra com outras drogas além do álcool.
Fonte: Wired, mas vi primeiro no Mind Hacks.

Por que Dunga não é um behaviorista (e nem o Diogo Mainardi)

20100712_mainardi.jpgFiquei sabendo que o jornalista Diogo Mainardi apresentou em sua coluna na revista Veja sérios equívocos com relação ao behaviorismo e à psicologia experimental. O texo chama-se “O caso do Sr. D” e nele Mainardi tenta fazer uma comparação ao modo como o (ex) treinador da seleção Dunga trata a imprensa e os jogadores com o modo como Skinner tratava seus sujeitos experimentais animais.
Sou cuiabano, e já não ia muito com a cara do Mainardi desde 2005, quando ele dissese alguém me oferece 10.000 reais para dar uma palestra em Cuiabá, penso imediatamente que eu aceitaria pagar 15.000 reais para não ter de ir a Cuiabá.
A última vítima de Mainardi foi o behaviorismo. O afirmação infeliz do jornalista foi:

“Dunga só pode ser nosso B. F. Skinner. Ele faz com seus jogadores precisamente o mesmo que, nos primórdios do behaviorismo, B. F. Skinner fazia com os pombos e com os macacos de seu laboratório. Primeiro, prende-os numa gaiola. Segundo, isola-os de qualquer contato com o exterior. Terceiro, raciona seus alimentos. Quarto, condiciona seu comportamento administrando-lhes choques elétricos.”

Já é difícil fazer com que o público leigo (e alunos iniciantes) olhem com bons olhos ao behaviorismo, e uma das razões para isso, acredito eu, é nossa linguagem técnica e rigor experimental. Ao estudar animais em laboratório e fazer pesquisas experimentais com seres humanos podemos passar a impressão de que estamos desumanizando-o, o que não é verdade. É muito comum em vários ramos da ciência começar trabalhando com animais para depois se testar os achados em humanos. Mainardi, infelizmente, acabou ferindo a imagem dos psicólogos behavioristas.
A profª Maria Martha Hübner, juntamente a outros membros da ABPMC, escreveu um texto intitulado “Por que Dunga não é um behaviorista”, mostrando que o behaviorismo e os trabalhos de Skinner não tem nada a ver com o que ele apresenta em sua coluna! Recomendo muitíssimo a leitura, inclusive dos comentários, que pode ser feita neste link. Vou deixar aqui um pequeno pedaço:

“Queremos, sim, construir um mundo mais digno. E os dados da ciência do comportamento vêm sendo profícuos em nos ensinar a como fazer isso. Mas isso depende da capacidade de nossos interlocutores superarem preconceitos históricos e ouvir o que temos a compartilhar à luz do atual desenvolvimento da Análise do Comportamento e do behaviorismo skinneriano.”

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