Criança que não dorme sozinha

Este vídeo eu montei e legendei para ser usado em sala de aula, mas por que não compartilhar por aqui também, já que foi pro Youtube? Gosto dele porque a Supernanny usa algumas técnicas que condizem bem com a teoria da Análise do Comportamento.
No início conhecemos a família: Jen é a mãe de Riley, e ela tem dificuldades para colocá-lo na cama de noite. Ele grita, esperneia e foge do berço.

É difícil saber exatamente por que a criança faz esse berreiro todo, mas podemos levantar algumas hipóteses, como: (1) ela não está com sono; (2) ela tem medo de ficar sozinha ou do escuro e (3) ela está fazendo birra para conseguir atenção dos pais. Identificar as causas do comportamento-problema (ou as variáveis que o mantém) é uma tarefa muito complicada. Na clínica isso pode ser feito pelo terapeuta e cliente juntos, mas com uma criança que pouco fala fica mais difícil.
Vamos analisar as hipóteses levantadas pelos meus alunos:

  1. Ele não está com sono. Isso poderia ser verdade, mas em um momento do vídeo o pai sugere ficar com a criança no sofá até que ela durma. Se isso é algo recorrente, então ela costuma dormir neste horário. Só não dorme sozinha. Ela precisa ser independente e saber a hora de ficar sozinha e a hora de ficar com os pais.
  2. Ela tem medo de ficar sozinha ou do escuro. Não sei se ela tem medo, mas uma coisa é certa: ela fica ansiosa (que é quase a mesma coisa). O que pode ser feito é um emparelhamento da situação de dormir no quarto (que para ela é aversiva) com algo agradável. A Supernanny indica então o uso de voz calma, leitura de histórias, beijos e carinhos. Isso tornaria a situação mais agradável. Também sugeriu à mãe ficar ao lado do berço, para que ele sinta menos ansioso e, a cada dia, se afastar mais um pouco (como uma dessensibilização sistemática).
  3. Ela está fazendo birra para conseguir atenção dos pais. A mãe deve ficar ao lado do berço, para diminuir a ansiedade, mas não olhar nem resonder à criança, pois é esta atenção que poderia estar mantendo a birra. Uma coisa é verdade: se a criança faz birra é porque no passado deu certo. Logo no início vemos a antenção especial que ela recebe ao fazer birra: a mãe pega, fala que o ama, dá tapinhas de leve nas costas, o pai o pega (e sugere ficar com ele no sofá), etc. A intervenção clássica nesses casos é a retirada do estímulo reforçador, ou seja, a mãe não dar atenção à birra. E esta é a parte mais difícil. Devemos lembrar também que se a atenção dos pais é tão importante para a criança e ela precisa desses comportamentos extremos para consegui-la, então provavelmente ela não está a recebendo em outros momentos em que deveria estar conseguindo.

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Sou um grande fã desta Supernanny, acho ela e suas técnicas maravilhosas, certamente ela já estudou Análise do Comportamento. A Supernanny que passa aqui no Brasil eu assisti somente uma vez e lembro que não tinha gostado muito, só não lembro o porquê.

Um ode ao cérebro

Este é o nono vídeo do Symphony of Science, que cria músicas e vídeos baseados em falas e palestras de vários cientistas famosos. Este episódio é dedicado ao cérebro e inclue a participação de Carl Sagan, Robert Winston, Vilayanur Ramachandran, Jill Taylor, Bill Nye e Oliver Sacks.

Um pouco sobre os cientistas (que eu conheço) para você ler enquanto o vídeo carrega:

  • Pessoalmente sou grande fã do Carl Sagan, recomendo muitíssimo a quem não o conhece ler o livro “O mundo assombrado por demônios“.
  • O Ramachandran eu conheci no TED Talks, e gostei bastante de suas apresentações.
  • Jill Taylor é “a cientista que curou seu próprio cérebro“, ela sofreu um AVC seríssimo e recuperou para contar a história em um livro que comentei aqui.
  • Por fim, Oliver Sacks é o neurocientista autor de vários livros interessantíssimos que contam histórias de seus pacientes, como um caso que comentei aqui.
  • Além disso, um de seus livros virou filme: Tempo de Despertar, que confesso que me deixou com uma lagrimazinha no olho!

Com esse elenco sensacional, é claro que o vídeo é divertidíssimo! A mp3 está disponível no site do Symphony of Science.

Como explicar o massacre no Rio?

A notícia que parou o Rio hoje de manhã: um ex-aluno entra armado na escola municipal dizendo que irá fazer uma palestra e abre fogo contra as crianças. Até agora temos dez mortes confirmadas sendo que nove eram meninas. A pergunta que todos fazem é: o que levou essa pessoa a cometer tal crime?
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Inicialmente nem queria comentar sobre o ocorrido, primeiro porque não sou especialista na área criminal e segundo porque sem conhecer a pessoa e sua história tudo o que eu dissesse sobre ele seria apenas especulação (e continua sendo). Mas a breve entrevista da Ilana Casoy no Jornal Hoje me serviu como boa inspiração.
O próprio assassinato em massa já nos diz um pouco sobre seu autor. Alguns matam por prazer, outros para passar uma mensagem, outros por que estão com raiva. Dos tiroteios escolares que temos conhecimento, a maioria envolve ódio, como o de Columbine. A pessoa entra com a meta de matar, como se estivesse revidando algo que aconteceu com ele no passado. Neste caso, ele não atirou pra todo lado, ele mirou nas cabeças e tórax dos alunos, ou seja, ele sabia o que estava fazendo.
20110407_rio2.jpgO garoto poderia fazer isso em mil lugares diferentes, mas escolheu a escola em que estudou. Provavelmente a vida escolar dele não foi boa, a Ilana levantou a possibilidade de bullying, e eu concordo com ela. Além disso tem o fato de 9 das 10 mortes serem meninas, o que me faz indagar se o atirador não sofreu durante a vida escolar ou recentemente por causa de alguma garota.
Junte aí problemas escolares, de relacionamento, familiares, estresse no trabalho ou sei lá mais o quê e o resultado é uma pessoa extremamente frustrada. Daí você mistura um pouco de falta de habilidades para lidar com frustração e problemas do dia a dia e você tem uma pessoa que não vê saída para seus problemas além da morte. Coloque um pouco de sofrimento causado por outras pessoas e você tem o ódio e sede de vingança.
Não estou o isentando da culpa de ter cometido este crime. Ninguém tem o direito de matar inocentes assim. Estou somente dizendo que para explicar o crime de hoje temos que olhara para a história dele, e com certeza encontraremos os fatores que o influenciaram a cometer tal ato.
Geralmente eles já começam o crime com a intenção de se suicidarem. Eles têm plena consciência de que estão fazendo algo errado e se matar serve como uma forma de fugir da pena posterior. No final das contas, ele descontou sua raiva, “se vingou das pessoas que o fizeram mal” (pelo menos na cabeça dele) e acabou com seu sofrimento, com a morte.
Nos EUA isso já virou quase rotina mas este é só o primeiro caso no Brasil. E imagino que mais ainda podem ocorrer enquanto as escolas forem um local de tanta coerção e punição.
Para saber mais sobre o assunto recomendo os ótimos livros da Ilana Casoy.
Atualização: foi divulgada na internet uma carta que o assassino levou consigo. A carta é bastante confusa e dá indícios de alguma psicopatologia, como delírios severos. Em breve farei um outro post sobre o mesmo, levando em conta estes novos dados.

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