O nascimento de uma palavra

O ser humano, assim como vários outros animais, é especialista em imitar os outros. A imitação é fundamental para a existência de uma cultura, e foi tão importante em nossa evolução que hoje vemos claramente como uns imitam os outros (quem tem filhos ou irmãos mais novos sabe bem do que estou falando).

Quando bebês, não conseguimos falar nem andar, mas fazemos um grande esforço para imitar nossos modelos, geralmente nossos pais. Nesta tentativa emitimos diferentes comportamentos que podem não chegar perto do comportamento-alvo, mas aí outro processo de aprendizagem entra em campo: a modelagem.

O bebê fala “a-a”, “ba-ba”, “ga-ga” e outras sílabas sem sentido, mas quando sem querer ele diz “ma-ma” a mãe tem uma reação diferente. Ela sorri e responde “isso mesmo, mamae!”, brinca com ele e chama todo mundo para ver a nova palavra que seu filho aprendeu a dizer. Isso é reforçar a resposta de dizer “mama”. É a modelagem de comportamento acontecendo.

Isso é o que a teoria diz e nós conseguimos imaginar alguns exemplos a partir do nosso dia-a-dia, mas imagine se pudéssemos ver isso acontecendo na prática. O pesquisador do MIT Deb Roy, pensando nisso, instalou câmeras em toda sua casa e filmou as interações de seu filho bebê por 3 anos seguidos.

Cinco anos depois, ele tem dados incríveis sobre a modelagem do comportamento verbal, como o “gaga” de seu filho se transformando em “water” e outras palavras. Além disso, seus dados também mostram em que cômodos da casa as palavras mais foram ditas, mostrando o contexto em que elas ocorrem. Genial!

Para entender um pouco mais, recomendo assistir à sua apresentação no TED (se o vídeo não abrir aqui, clique no link):

Surdos “sentem a música” e aprendem a ser djs

Uma das coisas que aprendi com B. F. Skinner foi que não existe “talento inato” – tudo que fazemos são comportamentos e, como tal, podem ser treinados. Podemos achar que Ronaldinho Gaúcho nasceu com o talento para jogar futebol mas com certeza ele só apresenta este talento de hoje porque em sua história de vida ele deve ter tido muito mais experiências com futebol do que eu, e por isso joga bem melhor do que eu.

O mesmo raciocínio vale para qualquer outro comportamento. Cada pessoa, em sua história, teve mais ou menos experiências com diferentes habilidades. Já vi gente desistindo de fazer arquitetura ou design por “não saber desenhar”. Mas desenhar é um comportamento, portanto pode ser treinado e desenvolvido. Embora herdemos genes de nossos antepassados (e eles podem nos ajudar ou atrapalhar), eles não determinam nossos comportamentos.

Estou falando disso por causa deste vídeo que encontrei, sobre uma escola de djs para deficientes auditivos:

[youtube_sc url=http://www.youtube.com/watch?v=f4o30C7X8aQ]

Incrível! Embora estes alunos possuam suas deficiências auditivas, isso não os impede de trabalhar com a música, somente altera as condições necessárias para isso. A professora então busca maneiras de adaptar o conteúdo ao aluno, facilitando a sua aprendizagem: ela estimula os outros sentidos, que são o tato (com a vibração da caixa de som) e a visão (com o software de áudio).

Este é só um exemplo de como, se nos esforçarmos, podemos fazer o que quisermos. Ah se todos os professores tivessem essa dedicação…

“Se soubermos que um indivíduo tem certas limitações inerentes, poderemos usar mais inteligentemente nossas técnicas de controle, mas não podemos alterar o fator genético.” – B. F. Skinner, em Ciência e Comportamento Humano (1953)

Novas “drogas legais” invadem as baladas

Enquanto aqui no Brasil o consumo de crack não para de crescer, assim como as “cracolândias” em diferentes regiões, lá fora outro tipo de drogas está aumentando de consumo: as drogas sintéticas. O sistema de saúde inglês abriu uma clínica só para seus usuários.

As drogas sintéticas são aquelas criadas em laboratórios, e muitas vezes são substâncias legais que simulam os efeitos de entorpecentes ilegais, por isso são também chamadas de “legal highs” ou, no Brasil, “drogas disfarçadas”.

Entre essas podemos citar a mefedrona (“miau-miau”), o GHB (“boa-noite cinderela”) e a quetamina (um anestésico para cavalos).

Mas não é porque são legais que são menos prejudiciais ao organismo: como costumam ser substâncias novas, muitos dos seus efeitos colaterais ainda são desconhecidos. Além disso, por serem drogas diferentes, a pessoa não acostumada pode facilmente tomar uma overdose.

A maioria destas drogas têm efeito estimulante e costumam ser utilizadas em baladas. Os jovens querem evitar a cocaína ou o ecstasy e buscam alternativas como a mefedrona (que em agosto de 2011 foi proibida no Brasil). Um outro exemplo é o A3A, um pó muito mais poderoso que a mefedrona cujos efeitos, que podem incluir taquicardia, ataques de pânico e sintomas psicóticos, podem durar dias.

Curiosamente, estas drogas costumam ser usadas por pessoas empregadas, com alto nível de educação, que as compram pela internet. Ou seja, um público bem diferente das cracolândias. Imagina se isso vira moda no Brasil…

Fontes: UOL e Telegraph

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