Como sua linguagem corporal define quem você é

Provavelmente você já ouviu falar do termo “linguagem corporal”. Basicamente, isso quer dizer que a nossa postura pode transmitir emoções ou intenções. A postura corporal tem o poder de influenciar os julgamentos de outras pessoas e acabar decidindo quem vai receber um novo emprego ou quem vai conquistar outra pessoa na balada.

Mas uma nova ideia têm sido apresentada por Amy Cuddy, professora e pesquisadora na Escola de Negócios de Harvard: a nossa postura corporal pode influenciar a nós mesmos! Será mesmo? Sorrimos quando estamos felizes, mas será que ficaremos mais felizes se forçarmos o sorriso?

Para testar isso, ela pediu para seus sujeitos experimentais adotarem uma posição de “alto poder” (como da foto) ou de “baixo poder” (como inclinados, se fechando, ou com a mão no pescoço).

Após dois minutos eles participavam de um jogo de apostas. Curiosamente, 86% dos sujeitos da condição de “alto poder” apostavam, contra 60% dos sujeitos da condição de baixo poder. Outro dado observado foi o nível de testosterona (o hormônio de dominância) dos sujeitos: os sujeitos de “alto poder” tiveram um aumento de 20% nos níveis de testosterona, enquanto do outro grupo tiveram um decréscimo de 10%. Quanto aos níveis de cortisol (o hormônio do estresse), foi observado um decréscimo de 25% no grupo de “alto poder” e um aumento de 15% no grupo de “baixo poder”.

Conclusão: nosso comportamento não-verbal influencia como nós pensamos e sentimos sobre nós mesmos, ou seja, nosso corpo influencia nossa mente.

Por isso, é melhor prestar mais atenção à sua postura em uma palestra, entrevista de emprego ou outras situações em que você possa estar sendo avaliado. Quem sabe alguns minutos exercitando uma boa postura corporal pode fazer a diferença!

Eu tentei fazer um pequeno resumo da apresentação dela no TED, mas quem quiser conhecer melhor a pesquisa recomendo assisti-la na íntegra clicando aqui.

“Don’t fake it till you make it. Fake it till you become it.” – Amy Cuddy

Entrevista à TV FURG

Esta semana estive em Rio Grande (RS) para ministrar uma palestra na XXI Semana Acadêmica de Medicina da FURG. No dia 03/10, antes da palestra, participei de uma entrevista à FURG TV, em que falamos sobre vários temas como terapia familiar, suicídio, desastres naturais, psicopatologia e blogs.

O vídeo da entrevista já está disponível no Youtube:

[youtube_sc url=”http://www.youtube.com/watch?v=dUQnkyL0x0Q”]

Neuroses de guerra

Apesar de toda a destruição, as guerras contribuíram bastante para o desenvolvimento de vários campos da ciência. Muitos investimentos em tecnologia são feitos pensando-se nas aplicações militares, além disso, os sobreviventes das guerras, que geralmente carregam consigo sequelas físicas e psicológicas, são um campo fértil para pesquisas nos campos da medicina e psicologia.

Nos anos 1917 e 1918, o Major Arthur Hurst filmou soldados franceses sobreviventes da Iª Guerra Mundial, um filme que ficou conhecido como War Neuroses (Neuroses de Guerra). Muitos deles sofriam de transtornos nos movimentos. Estes soldados estavam sob tratamento no Hospital Militar de Netley e as imagens gravadas mostram recuperações surpreendentes.

[youtube_sc url=”http://www.youtube.com/watch?v=AL5noVCpVKw”]

Para ver as outras partes: link

Curiosamente, como descrito por Jones (2011), nem todas as imagens são reais. Algumas das filmagens “antes” do tratamento foram encenadas para as câmeras, ou seja, o paciente estava atuando, imitando seu estado antes do tratamento. Isto pode ser comprovado em algumas cenas, em que alguns arredores e pessoas não mudam de posição.

Hoje em dia uma filmagem dessa seria considerada imoral e anti-ética, mas na época não era tão incomum. Além disso, segundo Hurst, os fins justificavam os meios.

Fonte: Neuroskeptic

ResearchBlogging.org Jones E (2012). War neuroses and Arthur Hurst: a pioneering medical film about the treatment of psychiatric battle casualties. Journal of the history of medicine and allied sciences, 67 (3), 345-73 PMID: 21596724

Procrastinação: por que deixamos tudo para última hora?

O vídeo a seguir mostra uma entrevista feita com o prof. Roberto Banaco no programa “Sem Censura” da TV Brasil, cujo tema é a procrastinação – a arte de deixar para fazer as coisas na última hora.

Para quem não o conhece, o Prof. Banaco é um dos grandes nomes da Análise do Comportamento no Brasil e recentemente foi destacado como estando entre os “dezoito renomados profissionais da cidade de São Paulo” em reportagem da Revista Veja São Paulo.

É suborno presentear um bom aluno?

Imagino que essa dúvida passe pela cabeça de muitos pais e professores: eu posso dar estrelas ou presentes para o bom aluno?  Será que desta maneira eu não estaria “subornando” a criança e ensinando ela a se comportar só para ganhar presentes? A resposta é fácil: sim, você pode presentar o bom aluno, mas com certas ressalvas, que explicarei a seguir.

A criança pode até gostar de ir à escola, mas ela gosta muito mais da hora do recreio e de brincar com os amigos do que de ter que aprender cálculos matemáticos e regras gramaticais. A prática de se “presentear” os bons alunos com estrelas, pontos, ou coisa parecida funciona porque isto serve como um incentivo (nos termos da análise do comportamento, serve como um reforçador arbitrário).

Este reforço acaba fazendo com que a criança continue estudando e se sinta estimulada. No entanto, no “mundo real”, ela não vai ganhar sempre estrela e o pai não terá dinheiro infinito para presenteá-la após todo bom comportamento. É por isso que é necessário que a criança, ao estudar, fique sob controle dos reforçadores naturais deste comportamento.

Reforçadores naturais são aqueles naturalmente presentes no ambiente da pessoa. No caso da criança, o reforçamento natural ocorre quando ela consegue ler sozinha um gibi, calcular o dinheiro do lanche, etc. Quanto estes reforçadores passam a fazer efeito, ela não precisa mais dos arbitrários.

Mas isso não vale só para as crianças, mas também para nós: você gosta do seu trabalho ou está somente sob controle de reforçadores arbitrários (como o dinheiro)? Se você não se sente bem no seu dia-a-dia, a resposta pode estar nos reforçadores que o controlam (ou na falta deles)…

Teorias na psicologia: quanto mais complexas melhor?

Infelizmente esse quadrinho mostra uma realidade nos cursos de psicologia. Vemos alguns autores que escrevem muito sobre nada e acabam sendo reverenciados, como se ser mais complexo o fizesse ser mais verdadeiro.

Acredito que o que falta é conhecimento da ciência em geral: um dos objetivos da ciência é explicar como as coisas funcionam (ou por que as pessoas fazem as coisas que elas fazem) buscando regularidades. Estas regularidades tornam um fenômeno mais fácil de ser compreendido, pois quando conhecemos a lei que o governa podemos prever quando e como este fenômeno ocorrerá novamente, assim como eu sei que  se eu soltar uma bola no ar ela vai cair no chão por causa da lei da gravidade. Isso simplifica as coisas para nós.

Conhecendo as “leis” que governam o comportamento humano (como as leis do reflexo, do reforço, da extinção, etc) eu posso, a partir delas, compreender e modificar o comportamento.

Ou seja, a ciência do comportamento simplifica estes fenômenos explicando-os em leis que nos facilitam a compreender e agir sobre as pessoas. E facilita a tal ponto que eu sou capaz de explicá-las para amigos, colegas, clientes, alunos e leitores deste blog – a ciência deve ser acessível.

Se uma teoria é complexa a ponto de, para eu aprender o básico dela, eu precisar quebrar a cabeça, ler dezenas de livros e confiar mais na autoridade de quem a criou do que nos resultados promovidos por ela, então sinto muito, não é uma boa teoria.

Análise do Comportamento e Psicopatologia

Este vídeo tem sido compartilhado pela internet e eu o recomendo bastante, tanto para leigos quanto para estudantes de psicologia. Nele a Profª Drª Maura Alves Nunes Gongora (UEL) fala sobre Análise do Comportamento e esclarece algumas dúvidas comuns como: qual a diferença do trabalho do psiquiatra e do psicólogo? Qual o papel da bioquímica nos nossos comportamentos? Como a Análise do Comportamento explica problemas clínicos?

Como aumentar a serotonina do cérebro sem drogas

A serotonina é uma das principais substâncias químicas presentes em nosso cérebro. Sabemos hoje que ela tem um papel importante na regulação do humor e por isso o tratamento farmacológico para a depressão e outros transtornos psicológicos costuma envolver modificar os níveis serotoninérgicos.

Mas não seria melhor para nós prevenir a depressão do que esperar chegar ao fundo do poço para começar um tratamento? Enquanto não temos vacinas ou medicamentos preventivos, existem algumas atividades que parecem aumentar os níveis de serotonina no nosso cérebro:

  1. Pensar positivo – Estudos estão sendo feitos para verificar como nossos pensamentos influenciam o metabolismo do nosso cérebro. No entanto, não é novidade que a psicoterapia, por exemplo, pode alterar este metabolismo. Tente ver o lado bom das coisas (e pessoas) ao seu redor e não focar somente nos problemas.
  2. Sair de casa – Se expor à luz do sol pode fazer nosso corpo produzir mais serotonina. Curiosamente, em análises post mortem, os níveis de serotonina de pessoas que morreram no verão costumam ser maiores dos que os que morreram no inverno. Sair de casa também acaba sendo uma boa oportunidade para se engajar em novas atividades e conhecer mais pessoas.
  3. Praticar exercícios físicos – Sabe-se que praticar exercícios regularmente tem um efeito antidepressivo e ansiolítico. Os melhores resultados são vistos quando a pessoa está acostumada a fazer exercícios aeróbicos, ou seja, os resultados não vêm da noite para o dia.
  4. Mudar sua dieta – Algumas substâncias podem melhorar o nosso humor no dia-a-dia, como o triptofano e a α-Lactoalbumina (presente no leite). Além disso, uma boa alimentação poderá te fazer se sentir melhor e melhorar a autoestima.



Essas dicas não são novas, mas acho legal ver um artigo sério demonstrando estas afirmações através de referências científicas. Costumo sempre dizer que nenhum comportamento vem “do nada”, portanto, se a pessoa está deprimida ou simplesmente um pouco triste, é importante rever os aspectos do seu dia-a-dia para encontrar as fontes dessa tristeza. Ninguém consegue mudar o que sente sem mudar o que faz.

ResearchBlogging.orgYoung SN (2007). How to increase serotonin in the human brain without drugs. Journal of psychiatry & neuroscience : JPN, 32 (6), 394-9 PMID: 18043762

Cérebro humano perde bilhões de neurônios em nova análise

Nós humanos, sempre nos achando muito especiais, acreditávamos que tínhamos aproximadamente 100 bilhões de neurônios em nosso cérebro. No entanto, uma nova pesquisa liderada por Suzana Herculano-Houzel acabou de diminuir este número para 86 bilhões.

Cérebro humano

14 bilhões de neurônios a menos pode parecer pouco, mas é o equivalente ao cérebro de um babuíno.

“Para chegar a esse número, os pesquisadores utilizaram 4 cérebros de homens com idades de 50, 51, 54 e 71 anos. O método envolveu dissolver as membranas celulares das células nervosas, criando uma mistura homogênea. Pega-se então uma amostra da sopa e conta-se o numero de núcleos celulares neuronais e cria-se uma estimativa para o número total.”

Na verdade, esta diminuição não que dizer que estejamos “mais burros”. Quando nos referimos ao cérebro, tamanho não é documento: o cérebro de uma baleia, por exemplo, possui 200 bilhões células nervosas e pesa 9kg.

O que realmente importa é a complexidade do cérebro e a forma como estas células se interagem. Saber que nós humanos somos capazes de fazer tanta coisa como ir até a Lua com 14 bilhões de neurônios a menos do que acreditávamos ter me faz sentir ainda mais inteligente!

Fonte: The Guardian

Surdos “sentem a música” e aprendem a ser djs

Uma das coisas que aprendi com B. F. Skinner foi que não existe “talento inato” – tudo que fazemos são comportamentos e, como tal, podem ser treinados. Podemos achar que Ronaldinho Gaúcho nasceu com o talento para jogar futebol mas com certeza ele só apresenta este talento de hoje porque em sua história de vida ele deve ter tido muito mais experiências com futebol do que eu, e por isso joga bem melhor do que eu.

O mesmo raciocínio vale para qualquer outro comportamento. Cada pessoa, em sua história, teve mais ou menos experiências com diferentes habilidades. Já vi gente desistindo de fazer arquitetura ou design por “não saber desenhar”. Mas desenhar é um comportamento, portanto pode ser treinado e desenvolvido. Embora herdemos genes de nossos antepassados (e eles podem nos ajudar ou atrapalhar), eles não determinam nossos comportamentos.

Estou falando disso por causa deste vídeo que encontrei, sobre uma escola de djs para deficientes auditivos:

[youtube_sc url=http://www.youtube.com/watch?v=f4o30C7X8aQ]

Incrível! Embora estes alunos possuam suas deficiências auditivas, isso não os impede de trabalhar com a música, somente altera as condições necessárias para isso. A professora então busca maneiras de adaptar o conteúdo ao aluno, facilitando a sua aprendizagem: ela estimula os outros sentidos, que são o tato (com a vibração da caixa de som) e a visão (com o software de áudio).

Este é só um exemplo de como, se nos esforçarmos, podemos fazer o que quisermos. Ah se todos os professores tivessem essa dedicação…

“Se soubermos que um indivíduo tem certas limitações inerentes, poderemos usar mais inteligentemente nossas técnicas de controle, mas não podemos alterar o fator genético.” – B. F. Skinner, em Ciência e Comportamento Humano (1953)

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