Surdos “sentem a música” e aprendem a ser djs

Uma das coisas que aprendi com B. F. Skinner foi que não existe “talento inato” – tudo que fazemos são comportamentos e, como tal, podem ser treinados. Podemos achar que Ronaldinho Gaúcho nasceu com o talento para jogar futebol mas com certeza ele só apresenta este talento de hoje porque em sua história de vida ele deve ter tido muito mais experiências com futebol do que eu, e por isso joga bem melhor do que eu.

O mesmo raciocínio vale para qualquer outro comportamento. Cada pessoa, em sua história, teve mais ou menos experiências com diferentes habilidades. Já vi gente desistindo de fazer arquitetura ou design por “não saber desenhar”. Mas desenhar é um comportamento, portanto pode ser treinado e desenvolvido. Embora herdemos genes de nossos antepassados (e eles podem nos ajudar ou atrapalhar), eles não determinam nossos comportamentos.

Estou falando disso por causa deste vídeo que encontrei, sobre uma escola de djs para deficientes auditivos:

[youtube_sc url=http://www.youtube.com/watch?v=f4o30C7X8aQ]

Incrível! Embora estes alunos possuam suas deficiências auditivas, isso não os impede de trabalhar com a música, somente altera as condições necessárias para isso. A professora então busca maneiras de adaptar o conteúdo ao aluno, facilitando a sua aprendizagem: ela estimula os outros sentidos, que são o tato (com a vibração da caixa de som) e a visão (com o software de áudio).

Este é só um exemplo de como, se nos esforçarmos, podemos fazer o que quisermos. Ah se todos os professores tivessem essa dedicação…

“Se soubermos que um indivíduo tem certas limitações inerentes, poderemos usar mais inteligentemente nossas técnicas de controle, mas não podemos alterar o fator genético.” – B. F. Skinner, em Ciência e Comportamento Humano (1953)

Campeonato de basquete de ratos

Na graduação de psicologia, aprendemos que as leis que governam a aprendizagem de novos comportamentos nos humanos são as mesmas que de qualquer outro animal. Ensinamos nossos alunos a treinar um rato a pressionar uma barra (e ganhar comida) como um primeiro passo para que, um dia, eles possam treinar o seu cliente a emitir novos comportamentos que sejam importantes para ele.

Estas aprendizagens são simples mas não fáceis, pois requerem muito treino. Para entender isso é só pensar em quanto tempo você levou para aprender a falar, a ler, escrever ou a exercer sua profissão. Tudo isso levou tempo…

Em Curitiba, o prof. Hélder Russo teve uma ótima ideia para estimular seus alunos: além de treinar o comportamento de “pressionar a barra”, resolveu treinar o jogar basquete. O resultado você pode ver no documentário a seguir:

Os alunos tiveram três meses para treinar seus ratos e no final foi realizada uma competição com cerca de 50 pessoas na torcida. Depois de 5 minutos o rato Albert venceu Elvis por 36 a 35.

Mais vídeos e informações sobre os treinamentos estão disponíveis no blog criado pelo pessoal do laboratório: Jogos de Análise Experimental do Comportamento. Estão de parabéns!

Enxergando o que o cérebro vê

Esta pesquisa deve ser uma das que mais me impressionou no ano: um grupo de Berkeley reconstruiu vídeos a partir da atividade neuronal de uma pessoa!

Eles apresentavam aos seus sujeitos algumas horas de vídeos aleatórios enquanto uma máquina de RMf (ressonância magnética funcional) monitorava suas atividades cerebrais usando a técnica inovadora dos pesquisadores.

Depois que o aparelho já tinha montado um conjunto de informações sobre o cérebro do sujeito, era apresentado a ele um novo vídeo do Youtube (que ele não havia visto antes) e a partir da atividade cerebral a máquina tentava reconstruir o vídeo. E não é que o resultado ficou parecido?

Clique aqui para ver o resultado de outros três sujeitos.

É claro que não ficou perfeito, mas temos que lembrar que é uma técnica nova e este é só um primeiro passo. O autor do artigo ainda comenta que este método poderá um dia ser usado para assistirmos o sonho ou as alucinações de alguém. Medo!

Eu me pergunto quando poderemos fazer o contrário: enviar sinais elétricos e fazer com que a pessoa veja algo. Quem sabe os filmes e games do futuro não serão assim?

Vi primeiro no Neurobonkers.

ResearchBlogging.orgNishimoto S, Vu AT, Naselaris T, Benjamini Y, Yu B, & Gallant JL (2011). Reconstructing Visual Experiences from Brain Activity Evoked by Natural Movies. Current biology : CB PMID: 21945275

Como as pessoas controlam outras

A análise do comportamento usa muito os termos “manipulação” e “controle” e isso causa muita estranheza entre os leigos e novatos pela conotação negativa destas palavras. Mas na verdade, o analista do comportamento está se referindo ao controle de variáveis que interferem no comportamento.

É importante para um professor saber como ter mais controle sobre sua turma, ou seja, que variáveis do meio ou de seu próprio comportamento ele pode alterar para melhorar o comportamento de sua turma. Assim como é importante para o terapeuta saber as variáveis que controlam o comportamento que traz tanto problema pro seu cliente. Em tudo que fazemos estamos sob controle de estímulos do ambiente.

No entanto, existe um tipo de controle que pode nos trazer efeitos colaterais indesejados: o controle aversivo. Este controle envolve a apresentação de um estímulo punitivo (como levar uma surra) ou a retirada de algo reforçador (como ficar de castigo ou perder acesso ao videogame).

Todos os organismos tendem a fugir ou evitar aquilo que lhes é aversivo, então neste tipo de controle a pessoa busca maneiras de evitar a consequência, o que não é nada agradável. O vídeo a seguir apresenta um exemplo (bem cômico) de controle aversivo:

O Panda usa da punição para que as pessoas façam o que ele quer. No final dá certo, o rapaz no supermercado compra seu queijo, mas não porque ele gosta e sim para evitar a punição. É o controle pelo medo.

Embora a punição funcione ela produz estresse e respostas emocionais negativas. A melhor alternativa sempre será o uso do reforço positivo. No entanto, infelizmente, muitas empresas e escolas funcionam quase que exclusivamente pelo controle aversivo…

Criança que não dorme sozinha

Este vídeo eu montei e legendei para ser usado em sala de aula, mas por que não compartilhar por aqui também, já que foi pro Youtube? Gosto dele porque a Supernanny usa algumas técnicas que condizem bem com a teoria da Análise do Comportamento.
No início conhecemos a família: Jen é a mãe de Riley, e ela tem dificuldades para colocá-lo na cama de noite. Ele grita, esperneia e foge do berço.

É difícil saber exatamente por que a criança faz esse berreiro todo, mas podemos levantar algumas hipóteses, como: (1) ela não está com sono; (2) ela tem medo de ficar sozinha ou do escuro e (3) ela está fazendo birra para conseguir atenção dos pais. Identificar as causas do comportamento-problema (ou as variáveis que o mantém) é uma tarefa muito complicada. Na clínica isso pode ser feito pelo terapeuta e cliente juntos, mas com uma criança que pouco fala fica mais difícil.
Vamos analisar as hipóteses levantadas pelos meus alunos:

  1. Ele não está com sono. Isso poderia ser verdade, mas em um momento do vídeo o pai sugere ficar com a criança no sofá até que ela durma. Se isso é algo recorrente, então ela costuma dormir neste horário. Só não dorme sozinha. Ela precisa ser independente e saber a hora de ficar sozinha e a hora de ficar com os pais.
  2. Ela tem medo de ficar sozinha ou do escuro. Não sei se ela tem medo, mas uma coisa é certa: ela fica ansiosa (que é quase a mesma coisa). O que pode ser feito é um emparelhamento da situação de dormir no quarto (que para ela é aversiva) com algo agradável. A Supernanny indica então o uso de voz calma, leitura de histórias, beijos e carinhos. Isso tornaria a situação mais agradável. Também sugeriu à mãe ficar ao lado do berço, para que ele sinta menos ansioso e, a cada dia, se afastar mais um pouco (como uma dessensibilização sistemática).
  3. Ela está fazendo birra para conseguir atenção dos pais. A mãe deve ficar ao lado do berço, para diminuir a ansiedade, mas não olhar nem resonder à criança, pois é esta atenção que poderia estar mantendo a birra. Uma coisa é verdade: se a criança faz birra é porque no passado deu certo. Logo no início vemos a antenção especial que ela recebe ao fazer birra: a mãe pega, fala que o ama, dá tapinhas de leve nas costas, o pai o pega (e sugere ficar com ele no sofá), etc. A intervenção clássica nesses casos é a retirada do estímulo reforçador, ou seja, a mãe não dar atenção à birra. E esta é a parte mais difícil. Devemos lembrar também que se a atenção dos pais é tão importante para a criança e ela precisa desses comportamentos extremos para consegui-la, então provavelmente ela não está a recebendo em outros momentos em que deveria estar conseguindo.

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Sou um grande fã desta Supernanny, acho ela e suas técnicas maravilhosas, certamente ela já estudou Análise do Comportamento. A Supernanny que passa aqui no Brasil eu assisti somente uma vez e lembro que não tinha gostado muito, só não lembro o porquê.

Um ode ao cérebro

Este é o nono vídeo do Symphony of Science, que cria músicas e vídeos baseados em falas e palestras de vários cientistas famosos. Este episódio é dedicado ao cérebro e inclue a participação de Carl Sagan, Robert Winston, Vilayanur Ramachandran, Jill Taylor, Bill Nye e Oliver Sacks.

Um pouco sobre os cientistas (que eu conheço) para você ler enquanto o vídeo carrega:

  • Pessoalmente sou grande fã do Carl Sagan, recomendo muitíssimo a quem não o conhece ler o livro “O mundo assombrado por demônios“.
  • O Ramachandran eu conheci no TED Talks, e gostei bastante de suas apresentações.
  • Jill Taylor é “a cientista que curou seu próprio cérebro“, ela sofreu um AVC seríssimo e recuperou para contar a história em um livro que comentei aqui.
  • Por fim, Oliver Sacks é o neurocientista autor de vários livros interessantíssimos que contam histórias de seus pacientes, como um caso que comentei aqui.
  • Além disso, um de seus livros virou filme: Tempo de Despertar, que confesso que me deixou com uma lagrimazinha no olho!

Com esse elenco sensacional, é claro que o vídeo é divertidíssimo! A mp3 está disponível no site do Symphony of Science.

Casey Heynes: O garoto que reagiu ao bullying

Você já deve ter visto esse vídeo, ficou extremamente famoso na internet e foi até parar no Jornal Hoje:

Ele mostra Casey Heynes reagindo a um garoto com um ataque após ser provocado e ter levado socos no rosto e na barriga. Este ato o fez ser aplaudido e apoiado por milhões de pessoas no mundo todo. Casey ainda é visto como um herói para muitos, mas por que tanta gente aplaude a violência?
O bullying não é uma coisa nova. Todos nós ou fomos vítimas de bullying ou vimos acontecer quando éramos novos. Mas só recentemente o assunto ganhou essa dimensão, muito provavelmente porque as antigas vítimas hoje assumem cargos que podem fazer alguma coisa, como Obama, que disse já ter sido vítima de bullying.
Semestre passado uma aluna minha quis investigar o fenômeno e entrevistou vários professores dos colégios da região e percebemos algo que ainda não havia passado pela minha cabeça: embora todos os professores soubessem o que era bullying, diziam que não aconteciam em sua sala de aula, mas que se acontecesse tomariam providência. Acho difícil que em todas essas turmas em nenhuma houvesse um exemplo sequer,e por isso este ano tenho alunos que irão fazer observações diretas junto à entrevistas.
Saber o que é bullying todo mundo sabe, os jornais falam muito disso. Mas como identificar se isso ocorre na minha sala de aula ou com alguém da minha família? E se ocorre, como ajudar a criança ou como agir com os bullies? Pouca gente sabe. Infelizmente, nisso quase não se fala! No caso dos garotos do vídeo, ambos levaram suspensão pois a escola não tolerava violência. Tornar o ambiente escolar mais aversivo certamente não é a melhor escolha, mas é o que todos aprendemos a fazer desde cedo: punir.
Me pergunto se as escolas seriam palcos de tantas brigas e intimidações se seguíssemos mais as dicas que Skinner nos passou sobre aprendizagem. Eu mesmo não tenho a resposta, terminarei o post com o vídeo da entrevista com Casey e a promessa de que voltarei a falar no assunto.

Obrigado ao Sedentário pelo link legendado!

Os estranhos poderes do efeito placebo

Encontrei este vídeo nas internets e resolvi legendar para compartilhar aqui. Ele mostra alguns fatos sobre o efeito placebo.

Engraçado que o placebo funciona tão bem que muitas pessoas até mesmo ganham a vida com ele, sob o nome disfarçado de homeopatia.

As misteriosas anotações dos psicólogos

Seja em uma consulta terapêutica, uma sessão de observação ou em alguma visita, o psicólogo sempre precisa fazer anotações, seja na sua cabeça ou no papel. O difícil é que quase sempre só na cabeça não é o suficiente.
Começarei o ano, após um bom período de férias, dividindo com vocês esse vídeo que me foi recomendado por uma colega, que mostra uma sessão bem cômica envolvendo a curiosidade da cliente frente às anotações da psicóloga. Ainda não vi os outros da série, mas parecem interessantes também.

Link: Multishow

Medicamentos depressivos para pessoas efusivas

Você provavelmente já ouviu falar de medicamendos antidepressivos, ou seja, aqueles que tiram a pessoa do “fundo do poço” que é a depressão. Mas provavelmente ainda não conhecia os medicamentos depressivos, recomendados para pessoas irritantemente contentes:

Na verdade se trata de uma brincadeira, o vídeo foi feito pelo pessoal do The Onion, que trabalha com humor.
Mas ele realmente parece verdadeiro e quase nos convence que o medicamento é uma boa ideia. As falas dos personagens são típicas da vida real, como o psiquiatra dizendo “se você está um pouco feliz, tudo bem, é normal, mas se está demais…” ou a paciente “agora sei que estava doente e precisava de medicamento“.
Não que depressivos não se beneficiem com medicamentos, pelo contrário, mas o vídeo fez uma brincadeira muito boa com a tendência atual de problematizar tudo como doença.

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