{"id":10,"date":"2009-12-07T20:28:32","date_gmt":"2009-12-07T23:28:32","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/quimicaviva\/2009\/12\/blogs_microblogs_ensino_e_apre\/"},"modified":"2009-12-07T20:28:32","modified_gmt":"2009-12-07T23:28:32","slug":"blogs_microblogs_ensino_e_apre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/quimicaviva\/2009\/12\/07\/blogs_microblogs_ensino_e_apre\/","title":{"rendered":"Blogs, microblogs, ensino e aprendizado"},"content":{"rendered":"<div align=\"justify\">&#8220;Nossos estudantes mudaram radicalmente. Os estudantes de hoje n\u00e3o s\u00e3o mais as pessoas para as quais nosso sistema educacioal foi criado.&#8221;<\/p>\n<p>Com esta frase, de autoria de Mark Prensky, os autores do artigo &#8220;Can Weblogs and Microblogs Change Traditional Scientific Writing?&#8221;, Martin Ebner e Hermann Maurer, iniciam a apresenta\u00e7\u00e3o de um estudo extremamente interessante, realizado com alunos da Graz University of Technology da Austria.<\/p>\n<p>Ao levantar quest\u00f5es como:<br \/>O surgimento da web 2.0 e do e-Learning 2.0, houve uma mudan\u00e7a radical de comportamento?<br \/>Os estudantes que est\u00e3o ingressando nas universidades n\u00e3o s\u00e3o mais compar\u00e1veis aos de alguns anos atr\u00e1s?<br \/>Como as novas tecnologias de ensino on-line s\u00e3o aceitas pelas pessoas que ingressam nas universidades?<br \/>Ser\u00e1 que estas pessoas apenas consomem conhecimento ou tamb\u00e9m contribuem com seu trabalho e id\u00e9ias?<br \/>Estas pessoas sabem como criar e manter um blog e outras ferramentas similares?<br \/>Qual o real benef\u00edcio que estas pessoas podem obter de trabalhar com estas ferramentas?<br \/>O quanto os professores impedem estas pessoas de aprender, n\u00e3o oferecendo novas maneiras de aprender e de realizar trabalho em comunidade?<br \/>Se as pessoas est\u00e3o se tornando cada vez mais &#8220;m\u00f3veis&#8221;, porque elas n\u00e3o podem aprender de maneira &#8220;m\u00f3vel&#8221;?<br \/>Seria este o desafio do futuro?<br \/>Por que n\u00e3o podemos adaptar comunica\u00e7\u00e3o informal, distribui\u00e7\u00e3o e estruturas de consumo em processos de aprendizado?<br \/>Pois, parece bastante \u00f3bvio que atualmente as crian\u00e7as, estudanetes e professores est\u00e3o praticando um tipo diferente de aprendizado e de ensino.<\/p>\n<p>Os autores do trabalho consideraram seriamente a possibilidade de desenvolver novas abordagens de ensino, integrando blogs e microblogs (tipo Twitter) aos processos de cria\u00e7\u00e3o, reflex\u00e3o e discuss\u00e3o de conte\u00fado did\u00e1tico. Desta forma, em outubro de 2006 a Graz University of Technology criou uma blogosfera para todos os membros da universidade. Cada membro desta comunidade podia, ent\u00e3o, criar seu pr\u00f3prio blog e escrever, colaborar na elabora\u00e7\u00e3o e repartir o conte\u00fado criado em seu blog. Os autores do trabalho utilizaram uma disciplina, &#8220;Aspectos Sociais da Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o&#8221;, para aplicar sua id\u00e9ia e verificar como os estudantes aceitariam estas atividades.<\/p>\n<p>A disiplina em quest\u00e3o \u00e9 ministrada anualmente a 200 alunos, sendo obrigat\u00f3ria para estudantes de inform\u00e1tica, de maneira a estimular uma vis\u00e3o cr\u00edtica nos alunos de como a inform\u00e1tica influencia a sociedade humana na atualidade. Durante esta disciplina os estudantes assistem a 17 apresenta\u00e7\u00f5es de profissionais da \u00e1rea, sobre temas como &#8220;Intera\u00e7\u00e3o Computacional Humana&#8221;, &#8220;eSa\u00fade&#8221;, &#8220;Blogs como mundos virtuais&#8221;, e tamb\u00e9m sobre o uso de inform\u00e1tica em engenharia civil. Os estudantes devem:<br \/>a) realizar uma reflex\u00e3o sobre as apresenta\u00e7\u00f5es que viram, e formar sua pr\u00f3pria opini\u00e3o.<br \/>b) discutir sobre as apresenta\u00e7\u00f5es assistidas.<br \/>c) observar crit\u00e9rios de qualidade nas discuss\u00f5es sobre as apresenta\u00e7\u00f5es, levando-se em conta crit\u00e9rios, m\u00e9todos e abordagens cient\u00edficas.<\/p>\n<p>Para o desenvolvimento das atividades pelos alunos, foram criados 4 grupos:<br \/>a) o &#8220;escritor cient\u00edfico&#8221;, alunos que deveriam escrever pequenos ensaios sobre t\u00f3picos de sua escolha, com data para entrega;<br \/>b) o &#8220;revisor cient\u00edfico&#8221;, alunos que recebiam os textos escritos pelo grupo anterior e deveriam revis\u00e1-los. Cada estudante deste grupo teve que revisar pelo menos 4 textos. Cada texto teve pelo menos 2 revis\u00f5es;<br \/>c) os &#8220;bloggers&#8221;, que cuidaram de postar os textos criados pelo grupo a);<br \/>d) os &#8220;microbloggers&#8221;, que tinham que postar pelo menos 2 coment\u00e1rios por semana sobre os textos postados pelo grupo dos &#8220;bloggers&#8221;.<\/p>\n<p>Como pode ser percebido pela figura a seguir, formou-se uma verdadeira &#8220;rede&#8221; entre os grupos participantes, que discutiram ativamente a elabora\u00e7\u00e3o, a revis\u00e3o e o conte\u00fado dos textos postados.<\/div>\n<p><\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/quimicavivainternet.jpg\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/quimicaviva\/wp-content\/uploads\/sites\/218\/2011\/08\/internet.jpg\" \/><\/p>\n<\/div>\n<div align=\"justify\">Os autores do artigo dizem que, trabalhando desta maneira os estudantes tiveram que desenvolver a atividade com um bom n\u00edvel de organiza\u00e7\u00e3o. Este fator foi muito positivo, tendo em vista que, pelo m\u00e9todo tradicional (aplicado at\u00e9 ent\u00e3o), os estudantes preparavam seus textos com uma anteced\u00eancia m\u00ednima \u00e0 data de entrega para o professor, sem tempo para discutir seus trabalhos. Trabalhando com os blogs e microblogs, todos os participantes geraram documentos ao longo de todo o semestre, os quais foram amplamente discutidos pela comunidade dos participantes. Foram agregados aos textos eletr\u00f4nicos dos blogs elementos como v\u00eddeos e figuras, normalmente n\u00e3o utilizados quando os textos eram elaborados na sua maneira tradicional.<\/p>\n<p>No fim do curso, os avaliadores na disciplina distribuiram um question\u00e1rio para ser preenchido\/respondido pelos alunos. 149 dos 185 matriculados (81%) responderam ao question\u00e1rio. Dentre os que responderam, 129 n\u00e3o conheciam microblogs, 17 j\u00e1 tinham ouvido falar de microblogs, 2 j\u00e1 tinham utilizado microblogs pelo menos 1 vez e 2 utilizavam microblogs.<\/p>\n<p>Dentre os que responderam, 79% disseram ter lido os textos produzidos pelos &#8220;escritores cient\u00edficos&#8221; e 49% disseram ter lido os textos produzidos pelos &#8220;bloggers&#8221;.<\/p>\n<p>A terceira pergunta apresentada pelos avaliadores da disciplina foi &#8220;O que voc\u00ea pensa da utiliza\u00e7\u00e3o de microblogs na educa\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria?&#8221;. Algumas respostasm foram:<br \/>&#8211; \u00c9 \u00fatil para an\u00fancios &#8211; datas de apresenta\u00e7\u00f5es e compartilhamento de informa\u00e7\u00f5es.<br \/>&#8211; Bom para troca de informa\u00e7\u00f5es &#8211; melhora o desempenho daqueles que divulgam not\u00edcias.<br \/>&#8211; Microblogs podem ser utilizados para discutir v\u00e1rios assuntos.<br \/>&#8211; Microblogs ajudam a compartilhar links e id\u00e9ias.<br \/>&#8211; S\u00e3o \u00fateis para indicar uma postagem de um blog em particular.<\/p>\n<p>Desta maneira, os autores do artigo dizem que a atividade resultou nas seguintes constata\u00e7\u00f5es:<br \/>a) um aumento no poder reflexivo dos estudantes, principalmente por terem desenvolvido a atividade de revis\u00e3o, que levou muitos a apresentarem suas opini\u00f5es.<br \/>b) o grupo dos bloggers escreveram muito mais textos de car\u00e1ter pessoal.<br \/>c) Os alunos se sentiram muito mais motivados para comentar os textos criados pelos &#8220;escritores cient\u00edficos&#8221;, por ser muito mais f\u00e1cil, r\u00e1pido, e de maneira mais curta (menos prolixa). Alguns coment\u00e1rios muito curtos adicionaram muito pouco valor \u00e0 discuss\u00e3o. Mas as discuss\u00f5es mais elaboradas promoveram um aumento no aprendizado dos alunos.<br \/>d) a qualidade dos textos melhorou, n\u00e3o somente pelo fato de pl\u00e1gios poderem ser detectados imediatamente, mas tamb\u00e9m porque os textos criados foram revistos e comentados.<\/p>\n<p>Os autores do artigo conlcu\u00edram que a utiliza\u00e7\u00e3o de blogs e microblogs pode melhorar aulas trazendo recursos da internet para a classe, para que sejam discutidos. Todavia, as novas tecnologias n\u00e3o podem substituir a produ\u00e7\u00e3o de textos. Mas o compartilhamento de id\u00e9ias funciona de maneira muito mais efetiva. Por\u00e9m, a troca de opini\u00f5es deve ser feita de maneira segura e controlada, o que foi realizado pelos &#8220;microbloggers&#8221; utilizando as postagens dos &#8220;bloggers&#8221;. Um dos pontos mais positivos da abordagem utilizada foi que os estudantes escreveram sobre um mesmo t\u00f3pico durante longos per\u00edodos (ao longo do semestre). Em geral, os &#8220;bloggers&#8221; discutiram muito mais suas postagens do que os &#8220;escritores cient\u00edficos&#8221; discutiram seus textos. Ou seja, blogs e microblogs constituem boas ferramentas para promover a reflex\u00e3o de estudantes durante per\u00edodos mais longos, atrav\u00e9s da explora\u00e7\u00e3o e discuss\u00e3o dos t\u00f3picos abordados.<\/p>\n<p>Sinceramente, achei este artigo muito interessante. A refer\u00eancia completa \u00e9: Martin Ebner e Hermann Maurer, &#8220;Can Weblogs and Microblogs Change Traditional Scientific Writing?&#8221;, <i>Future Int<br \/>\nernet<\/i> <b>2009<\/b>, <i>1<\/i>, pp. 47-58; doi:10.3390\/fi1010047. O artigo pode ser baixado livremente <a href=\"http:\/\/www.mdpi.com\/1999-5903\/1\/1\/47\">aqui<\/a>, pois a revista \u00e9 de acesso livre.<\/div>\n<div class=\"zemanta-pixie\"><img decoding=\"async\" class=\"zemanta-pixie-img\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/quimicaviva\/wp-content\/uploads\/sites\/218\/2011\/08\/pixy.gif\" \/><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Nossos estudantes mudaram radicalmente. 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