{"id":280,"date":"2009-12-06T22:31:32","date_gmt":"2009-12-07T01:31:32","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/quimicaviva\/2009\/12\/chimica_di_stradivari\/"},"modified":"2009-12-06T22:31:32","modified_gmt":"2009-12-07T01:31:32","slug":"chimica_di_stradivari","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/quimicaviva\/2009\/12\/06\/chimica_di_stradivari\/","title":{"rendered":"Chimica di Stradivari"},"content":{"rendered":"<p>Antonio Stradivari \u00e9 conhecido como um dos mais renomados luthiers, particularmente por ter feito aqueles que s\u00e3o considerados os melhores violinos de todos os tempos. Estes instrumentos foram feitos entre 1665 e 1737 em Cremona, na It\u00e1lia. Seu trabalho \u00e9 considerado como sendo do apogeu da tradi\u00e7\u00e3o Cremonesa na confec\u00e7\u00e3o de violinos. Stradivari era particularmente cuidadoso no acabamento de seus instrumentos, que chamou a aten\u00e7\u00e3o n\u00e3o somente de m\u00fasicos e historiadores, mas tamb\u00e9m de qu\u00edmicos.<br \/>\nTrabalho publicado na revista Angewandte Chemie International Edition por grupo de pesquisadores franceses coordenados por Jean-Philipe Echard, do Laboratoire de recherche et de restauration, Mus\u00e9e de La Musique, na Cit\u00e9 de La Musique, foi a fundo na an\u00e1lise dos componentes do acabamento de 5 instrumentos feitos por Stradivari: quatro violinos e uma viola d&#8217;amore. Os instrumentos analisados s\u00e3o: um modelo comprido, sem nome, datado de aproximadamente 1692; um modelo Davidoff, de 1708; um modelo Provigny, de 1716; um modelo Sarasate, de 1724; e uma &#8220;viola d&#8217;amore&#8221; da \u00e9poca de 1720.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/quimicaviva\/wp-content\/uploads\/sites\/218\/2011\/08\/angewandte1.gif\" \/>\n<\/div>\n<p>Os pesquisadores se utilizaram de t\u00e9cnicas anal\u00edticas extremamente sofisticadas para a an\u00e1lise do acabamento destes instrumentos, de maneira a minimizar a retirada de material (madeira e acabamento). A camada de verniz, por exemplo, foi analisada espacialmente por espectroscopia de radia\u00e7\u00e3o s\u00edncroton em um micro-infravermelho por transformadas de Fourier (SR-FTIR). A composi\u00e7\u00e3o elementar de \u00e1tomos inorg\u00e2nicos do acabamento foi analisada por microscopia de varredura eletr\u00f4nica cat\u00f3dica de emiss\u00e3o de campo com raios X de dispers\u00e3o de energia (SEM-EDX). Tais t\u00e9cnicas n\u00e3o s\u00e3o destrutivas, ou seja, permitem a an\u00e1lise do acabamento sem que seja necess\u00e1ria a decomposi\u00e7\u00e3o da amostra utilizada. Por fim, a mesma amostra foi analisada por cromatografia gasosa pirol\u00edtica acoplada \u00e0 espectrometria de massas (PyGC-MS), de maneira a investigar a composi\u00e7\u00e3o molecular espec\u00edfica de cada camada da amostra.<br \/>\nO verniz externo do modelo &#8220;Provigny&#8221; mostrou ser constitu\u00eddo de part\u00edculas vermelhas, contendo pigmentos do tipo antraquinonas. A compara\u00e7\u00e3o com v\u00e1rios padr\u00f5es indicou maior similaridade com \u00e1cido carm\u00ednico, componente do carmim de cochonilhas, insetos do continente americano. As part\u00edculas do modelo &#8220;Provigny&#8221; tamb\u00e9m mostraram ser ricas em alum\u00ednio e oxig\u00eanio. Desta forma, os autores chegaram \u00e0 conclus\u00e3o que a camada de corante foi feita se depositando \u00e1cido carm\u00ednico em uma camada de \u00f3xido de alum\u00ednio hidratado, provavelmente AlK(SO4)2.12H2O. A fonte de carmim deve ter sido provavelmente a cochonilha Dactylopius coccus L., abundante \u00e0 \u00e9poca na Am\u00e9rica Central (tais insetos vivem associados a cactos).<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/quimicaviva\/wp-content\/uploads\/sites\/218\/2011\/08\/dactylopius_coccus.jpg\" \/>\n<\/div>\n<p>No caso do modelo Davidoff e da viola d&#8217;amore, estes instrumentos apresentaram uma camada de cor mais opaca. A camada de tinta apresentou alto teor de ferro e oxig\u00eanio, provavelmente na forma de hematita ( Fe2O3) e magnetita ( Fe3O4).<br \/>\nTanto o modelo &#8220;Provigny&#8221; quanto a viola d&#8217;amore t\u00eam uma camada externa resinosa, a qual foi analisada por PyGC-MS. Os principais \u00e1cidos encontrados, \u00e1cido azelaico e sub\u00e9rico, confirmaram a natureza oleosa da resina, uma vez que estes \u00e1cidos resultam da oxida\u00e7\u00e3o de \u00e1cidos graxos insaturados. Os autores tamb\u00e9m identificaram diterpenos derivados da oxida\u00e7\u00e3o de compostos do tipo abietanos e pimaranos, considerados marcadores moleculares de resinas de \u00e1rvores do g\u00eanero Pinaceae.<br \/>\nOs cinco instrumentos apresentaram uma estrutura de acabamento muito semelhante, apesar de terem sido confeccionados ao longo de tr\u00eas d\u00e9cadas. Stradivari aplicou primeiro um \u00f3leo secante para &#8220;selar&#8221; a madeira. Em seguida, aplicou uma camada de \u00f3leo resinoso com tinta. O modelo longo n\u00e3o apresentou qualquer pigmento. O modelo Sarasate mostrou ter sido tratado com o pigmento vermelho &#8220;vermillion&#8221;.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/quimicaviva\/wp-content\/uploads\/sites\/218\/2011\/08\/violinos.jpg\" \/>\n<\/div>\n<p>Os autores assinalam que Stradivari utilizou materiais dispon\u00edveis na sua \u00e9poca para o acabamento de seus instrumentos, e era um luthier extremamente cuidadoso, que dominava perfeitamente a arte da confec\u00e7\u00e3o de violinos.<br \/>\nO artigo de J.-P. Echard, L. Bertrand, A. von Bohlen, A.-S. Le H\u00f4, C. Paris, L. Bellot-Gurlet, B. Soulier, A. Lattuati-Derieux, S. Thao, L. Robinet, B. Lav\u00e9drine, S. Vaiedelich, The Nature of the Extraordinary Finish of Stradivaris Instruments, est\u00e1 no prelo na revista Angew. Chem. Int. Ed. (<a href=\"http:\/\/www3.interscience.wiley.com\/journal\/123201090\/abstract?CRETRY=1&amp;SRETRY=0\">DOI 10.1002\/anie.200906553<\/a>).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antonio Stradivari \u00e9 conhecido como um dos mais renomados luthiers, particularmente por ter feito aqueles que s\u00e3o considerados os melhores violinos de todos os tempos. Estes instrumentos foram feitos entre 1665 e 1737 em Cremona, na It\u00e1lia. Seu trabalho \u00e9 considerado como sendo do apogeu da tradi\u00e7\u00e3o Cremonesa na confec\u00e7\u00e3o de violinos. 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