{"id":58,"date":"2010-02-17T20:22:48","date_gmt":"2010-02-17T23:22:48","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/quimicaviva\/2010\/02\/gingko_biloba_um_fossil_vivo_p\/"},"modified":"2010-02-17T20:22:48","modified_gmt":"2010-02-17T23:22:48","slug":"gingko_biloba_um_fossil_vivo_p","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/quimicaviva\/2010\/02\/17\/gingko_biloba_um_fossil_vivo_p\/","title":{"rendered":"Gingko biloba: rem\u00e9dio?"},"content":{"rendered":"<div align=\"justify\"><i>Ginkgo biloba<\/i> \u00e9 uma planta considerada um f\u00f3ssil vivo, pois pertence \u00e0 fam\u00edlia das Ginkgoaceae, das quais j\u00e1 foram encontrados esp\u00e9cimens petrificados os quais, se presume, estavam vivos h\u00e1 300 milh\u00f5es de anos. Estas plantas se tornaram praticamente extintas durante o Per\u00edodo Terci\u00e1rio (cerca de 60 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s), restando dois de 19 g\u00eaneros com quase 60 esp\u00e9cies.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/quimicaviva\/wp-content\/uploads\/sites\/218\/2011\/08\/g-biloba11.jpg\" \/><\/p>\n<\/div>\n<p>Esta planta \u00e9 amplamente utilizada na medicina oriental (Jap\u00e3o e China), onde foi e \u00e9 empregada para o tratamento de tosse, asma bronquial e at\u00e9 bebedeira pesada. Fitof\u00e1rmacos (medicamentos que t\u00eam extratos vegetais por base) \u00e0 base de <i>G. biloba<\/i> s\u00e3o dos mais utilizados no mundo, inclusive no Brasil, para o tratamento de insufici\u00eancia do fluxo sangu\u00edneo, insufici\u00eancia cerebral, depress\u00e3o, vertigens e tonturas, dores de cabe\u00e7a, d\u00e9ficit intelectual. Por\u00e9m, testes cl\u00ednicos realizados com <i>G. biloba<\/i>, apesar de serem numerosos, s\u00e3o controversos. Ensaios realizados com idosos com sintomas da doen\u00e7a de Alzheimer n\u00e3o apresentaram resultados evidentes. O ch\u00e1 de <i>G. biloba<\/i> tamb\u00e9m \u00e9 bastante utilizado, apesar de conter concentra\u00e7\u00f5es de \u00e1cidos ginkg\u00f3licos 80 vezes maiores do que as recomendadas. E muito provavelmente tamb\u00e9m cont\u00e9m a gingkotoxina.<\/p>\n<p>A gingkotoxina \u00e9 formada na planta atrav\u00e9s de uma via bioqu\u00edmica muito parecida com aquela que leva \u00e0 forma\u00e7\u00e3o da piridoxina, tamb\u00e9m conhecida por vitamina B6. Sendo assim, quando consumida em excesso, a gingkotoxina atua como um competidor da vitamina B6, uma vitamina essencial para o metabolismo dos amino\u00e1cidos. Indiv\u00edduos com car\u00eancia de vitamina B6 apresentam dermatite (inflama\u00e7\u00e3o da pele), anemia, gengivite, feridas na boca e na l\u00edngua, n\u00e1usea e nervosismo.<\/p>\n<p>No Jap\u00e3o, as sementes de <i>G. biloba<\/i> s\u00e3o consumidas como alimento, mas podem causar intoxica\u00e7\u00e3o com sintomas caracter\u00edsticos. Tais intoxica\u00e7\u00f5es j\u00e1 foram registradas 70 vezes, das quais 27% levaram \u00e0 morte. Foram particularmente freq\u00fcentes durante a 2\u00aa Guerra Mundial, quando houve escassez de alimentos no Jap\u00e3o. Pacientes que ingeriram sementes de <i>G. biloba<\/i> apresentaram quadro convulsivo, com v\u00f4mitos e falta de consci\u00eancia. Outras plantas que tamb\u00e9m cont\u00e9m gingkotoxina, como esp\u00e9cies do g\u00eanero <i>Albizzia<\/i>, s\u00e3o respons\u00e1veis por in\u00fameros casos de intoxica\u00e7\u00e3o de gado na \u00c1frica.<\/p>\n<p>Devido \u00e0 sua similaridade com a vitamina B6, esta \u00faltima \u00e9 utilizada como ant\u00eddoto em casos de intoxica\u00e7\u00e3o por gingkotoxina, que est\u00e1 presente n\u00e3o somente nas sementes, mas tamb\u00e9m nas folhas de <i>G. biloba<\/i>, muito utilizadas em fitoterapia. Al\u00e9m disso, v\u00e1rios medicamentos cont\u00e9m quantidades de gingkotoxina entre 11,4 e 58,5 mg, sendo que a quantidade m\u00e1xima reocomendada para ingest\u00e3o di\u00e1ria \u00e9 de entre 0,09 e 11,9 mg. A ingest\u00e3o continuada de medicamentos contendo gingkotoxina pode levar ao surgimento de quadros cl\u00ednicos convulsivos de natureza epil\u00e9ptica. A presen\u00e7a de gingkotoxina em fitomedicamentos e medicamentos comprovadamente atua em detrimento da sa\u00fade dos pacientes.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/quimicaviva\/wp-content\/uploads\/sites\/218\/2011\/08\/gingkotoxina.jpg\" \/><\/p>\n<\/div>\n<p>Desta forma, \u00f3rg\u00e3os reguladores de sa\u00fade na Europa recentemente estabeleceram restri\u00e7\u00f5es na utiliza\u00e7\u00e3o, bem como obrigatoriedade de advert\u00eancia na bula e na embalagem, de medicamentos \u00e0 base de <i>G. biloba<\/i>. No Brasil e no mundo o consumo de fitomedicamentos contendo <i>G. biloba<\/i> \u00e9 extremamente elevado. Talvez por desconhecimento dos potenciais danos \u00e0 sa\u00fade que eventualmente o consumo desta planta pode causar.<\/p>\n<p>Refer\u00eancias<br \/>L. C. Baratto, J. C. Rodighero e C. A. de Moraes Santos: \u201cGinkgo biloba: o ch\u00e1 das folhas \u00e9 seguro?\u201d. (<a href=\"http:\/\/cienciahoje.uol.com.br\/revista-ch\/revista-ch-2009\/266\/ginkgo-biloba-o-cha-das-folhas-e-seguro\"><b>revista Ci\u00eancia Hoje<\/b><\/a>)<br \/><a href=\"http:\/\/www.comciencia.br\/reportagens\/fito\/fito8.htm\"><b>Entrevista com Lu\u00eds Carlos Marques<\/b><\/a>, especialista em Fitoterapia, mestre em Bot\u00e2nica e doutor em Ci\u00eancias. Professor do Departamento de Farm\u00e1cia e Farmacologia da Universidade Estadual de Maring\u00e1.<\/p>\n<\/div>\n<p><span style=\"padding: 5px;float: left\"><a href=\"http:\/\/www.researchblogging.org\"><img decoding=\"async\" alt=\"ResearchBlogging.org\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/quimicaviva\/wp-content\/uploads\/sites\/218\/2011\/08\/rb2_small1.png\" style=\"border: 0pt none\" \/><\/a><\/span><span class=\"Z3988\" title=\"ctx_ver=Z39.88-2004&amp;rft_val_fmt=info%3Aofi%2Ffmt%3Akev%3Amtx%3Ajournal&amp;rft.jtitle=Journal+of+Natural+Products&amp;rft_id=info%3Adoi%2F10.1021%2Fnp9005019&amp;rfr_id=info%3Asid%2Fresearchblogging.org&amp;rft.atitle=++++++%0D%0A++++++and+Ginkgotoxin%0D%0A+++++&amp;rft.issn=0163-3864&amp;rft.date=2010&amp;rft.volume=73&amp;rft.issue=1&amp;rft.spage=86&amp;rft.epage=92&amp;rft.artnum=http%3A%2F%2Fpubs.acs.org%2Fdoi%2Fabs%2F10.1021%2Fnp9005019&amp;rft.au=Leistner%2C+E.&amp;rft.au=Drewke%2C+C.&amp;rfe_dat=bpr3.included=1;bpr3.tags=Chemistry\">Leistner, E., &amp; Drewke, C. (2010).       <i>Gingko biloba<\/i> and Ginkgotoxin<span style=\"font-style: italic\">, Journal of Natural Products, 73<\/span> (1), 86-92 DOI: <a rev=\"review\" href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1021\/np9005019\">10.1021\/np9005019<\/a><\/span><\/p>\n<div class=\"zemanta-pixie\"><img decoding=\"async\" class=\"zemanta-pixie-img\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/quimicaviva\/wp-content\/uploads\/sites\/218\/2011\/08\/pixy22.gif\" \/><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ginkgo biloba \u00e9 uma planta considerada um f\u00f3ssil vivo, pois pertence \u00e0 fam\u00edlia das Ginkgoaceae, das quais j\u00e1 foram encontrados esp\u00e9cimens petrificados os quais, se presume, estavam vivos h\u00e1 300 milh\u00f5es de anos. 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