{"id":61,"date":"2010-02-28T21:52:29","date_gmt":"2010-03-01T00:52:29","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/quimicaviva\/2010\/02\/o_desenvolvimento_sustentado_e\/"},"modified":"2010-02-28T21:52:29","modified_gmt":"2010-03-01T00:52:29","slug":"o_desenvolvimento_sustentado_e","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/quimicaviva\/2010\/02\/28\/o_desenvolvimento_sustentado_e\/","title":{"rendered":"O desenvolvimento sustentado \u00e9 poss\u00edvel?"},"content":{"rendered":"<div align=\"justify\">O livro &#8220;A Ret\u00f3rica da Raz\u00e3o&#8221;, de Albert O. Hirschman (1991) \u00e9 considerado uma obra de essencial import\u00e2ncia para explicar os argumentos de conservadores sobre as atuais mudan\u00e7as sociais segundo o modelo de desenvolvimento sustent\u00e1vel. Segundo Hirschman, os conservadores apresentam tr\u00eas tipos de argumentos que questionam as mudan\u00e7as, e procuram minimizar sua import\u00e2ncia: argumentos perversos, argumentos f\u00fateis e argumentos de amea\u00e7as. O emprego de tais argumentos n\u00e3o somente limita o entendimento entre liberais e conservadores, entre progressistas e reacion\u00e1rios, como tamb\u00e9m pode ser t\u00e3o danoso quanto simplesmente se ignorar maneiras de se promover a sustentabilidade. Argumentos reacion\u00e1rios contr\u00e1rios \u00e0 sustentabilidade est\u00e3o sendo atualmente utilizados para manter o status quo do sistema econ\u00f4mico e social vigente. Desta forma, a an\u00e1lise cr\u00edtica da contextualiza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica de tais argumentos ajuda a prover base para sua compreens\u00e3o e de como estes argumentos s\u00e3o empregados contra mudan\u00e7as potencialmente necess\u00e1rias.<\/p>\n<p>O t\u00earmo &#8220;desenvolvimento sustentado&#8221; engloba v\u00e1rios conceitos sobre a rela\u00e7\u00e3o entre a governabilidade e a sociedade e natureza. Constitui em se estabelecer formas de planejamento e modos de atua\u00e7\u00e3o valorosos e virtuosos, quase como um movimento social. Sendo assim, o &#8220;desenvolvimento sustentado&#8221; atraiu a aten\u00e7\u00e3o tanto de revolucion\u00e1rios como de reacion\u00e1rios, que atuam de forma divergente, sem que, contudo, se manifestem abertamente contra a sustentabilidade. A forma de se questionar a sustentabilidade se baseia, fundamentalmente, em questionar se mudan\u00e7as s\u00e3o ou n\u00e3o realmente necess\u00e1rias. O conhecimento destas t\u00e1ticas conservadoras permite sua an\u00e1lise e tamb\u00e9m conhecer o potencial de certas iniciativas de governabilidade, gest\u00e3o e conviv\u00eancia em ambientes sociais, e tamb\u00e9m como o emprego de tais argumentos contribuem para refor\u00e7ar barreiras de comunica\u00e7\u00e3o entre grupos com vis\u00f5es sociais distintas.<\/p>\n<p>Qual a import\u00e2ncia da sustentabilidade e do desenvolvimento sustentado? Principalmente em criar formas diferentes de se resolver problemas e de di\u00e1logo entre &#8220;partes&#8221; aparentemente opostas, que incluem diversos setores da sociedade e do governo. A sustentabilidade traz consigo uma reorganiza\u00e7\u00e3o dos poderes e das institui\u00e7\u00f5es administrativas, com \u00eanfase em abordagens participativas e integrativas. De tal forma que a an\u00e1lise dos prospectos de sustentabilidade deve ser muito cuidadosa, de maneira a n\u00e3o ser corrompida por falsas premissas b\u00e1sicas, que buscam apenas a atender determinados setores sociais ou interesses de grupos segmentados.<\/p>\n<p>Uma maneira muito question\u00e1vel de se analisar os preceitos e as maneiras de se promover a sustentabilidade \u00e9 de acordo com a filosofia pragm\u00e1tica, a qual, na verdade, deve ser muito mais uma forma de se implementar a\u00e7\u00f5es do que de an\u00e1lise. A ado\u00e7\u00e3o do pragmatismo como base de an\u00e1lise torna muito dif\u00edcil de discernir quais pontos s\u00e3o realmente verdadeiros para se avaliar a sustentabilidade, bem como o que \u00e9 realmente bom e possui valor moral neste contexto. Sendo assim, \u00e9 absolutamente necess\u00e1rio se deixar o pragmatismo de lado e se ampliar o escopo da an\u00e1lise de processos de sustentabilidade, com membros da sociedade aptos a promover tais questionamentos e trazer \u00e0 luz o conhecimento aliado a tais questionamentos. A ado\u00e7\u00e3o de uma &#8220;filosofia pragm\u00e1tica&#8221; pode ser question\u00e1vel por sempre trazer a suspeita de que &#8220;h\u00e1 sempre algo suspeito sob o sol&#8221;, quando tal discuss\u00e3o \u00e9 trazida por um n\u00famero crescente de participantes aptos a apresentarem seus diferentes pontos de vista sobre o desenvolvimento sustentado.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/quimicaviva\/wp-content\/uploads\/sites\/218\/2011\/08\/sustentabilidade1.jpg\" \/><\/p>\n<\/div>\n<p>A sustentabilidade por si s\u00f3 deve ser um conceito pragm\u00e1tico se for para se implementar mudan\u00e7as para a reorienta\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas sociais futuras. O problema \u00e9 que o conceito &#8220;sustentabilidade&#8221; apresenta uma rela\u00e7\u00e3o amb\u00edgua com o conceito &#8220;mudan\u00e7a&#8221;. At\u00e9 h\u00e1 pouco tempo, o conceito de sustentabilidade estava um unicamente relacionado \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o de recursos naturais. O problema \u00e9 que esta maneira de pensar implica em se criar formas de manter os recursos naturais intocados e inexplorados, para que n\u00e3o sejam &#8220;danificados&#8221;. Ora, tal forma de se considerar o desenvolvimento sustentado vai contra a sua ess\u00eancia, que \u00e9 a da experimenta\u00e7\u00e3o, do aprendizado, da restaura\u00e7\u00e3o e da melhoria das rela\u00e7\u00f5es, muito mais do que de simplesmente se &#8220;manter inalterado e intocado&#8221; o acesso e utiliza\u00e7\u00e3o racional dos recursos naturais. Um dos maiores desafios da sustentabilidade \u00e9 de se promover o &#8220;pensamento social&#8221;, de maneira a se minimizar interesses individuais e de certos setores em favor daqueles de car\u00e1ter muito mais amplo para a sociedade. Os argumentos conservadores objetivam simplesmente deixar de lado tal forma de se criar maneiras integradas para proposi\u00e7\u00f5es para a sustentabilidade.<\/p>\n<p>Assim, setores sociais conservadores fazem uso de argumentos perversos, f\u00fateis e de amea\u00e7as para descaracterizar a necessidade de mudan\u00e7a para promover o desenvolvimento sustentado.<\/p>\n<p>Argumentos de perversidade s\u00e3o aqueles que s\u00e3o empregados para dizer que tudo pode apenas piorar e, no contexto da sustentabilidade, apenas tornar todo o processo ainda mais insustent\u00e1vel. Os argumentos de perversidade sustentam que a maneira de se promover a sustentabilidade \u00e9 contra o desenvolvimento e apresenta perigo para o neoliberalismo. Setores conservadores fazem amplo uso de argumentos com a l\u00f3gica da perversidade, em favor da governabilidade. Assim, por exemplo, dizer que a sustentabilidade pode ser o principal entrave para o desenvolvimento \u00e9 um argumento perverso, uma vez que bloqueia qualquer outra possibilidade de se promover desenvolvimento. Por\u00e9m, pelo contr\u00e1rio. As abordagens de governabilidade sustentada que se baseiam em parcerias tornam mais efetivas a utiliza\u00e7\u00e3o de diferentes recursos, formas de conhecimento e de entendimento, de maneira a encontrar novas solu\u00e7\u00f5es para capacitar aqueles que buscam o desenvolvimento sustentado como verdadeiros experimentadores. Somente desta maneira \u00e9 poss\u00edvel se conhecer novas id\u00e9ias, valorizar estas id\u00e9ias e modelar novas pr\u00e1ticas conforme tal abordagem integrativa, e n\u00e3o em normas regulat\u00f3rias.<\/p>\n<p>Ao argumentar em termos de &#8220;governabilidade&#8221;, a abordagem perversa pode atingir seu extremo. Esta estrat\u00e9gia objetiva aumentar a efevitidade e o escopo regulat\u00f3rio, impingindo regras, leis e conformidades, com a proposta de defender &#8220;os interesses p\u00fabicos&#8221;. Assim, em vez de promover a integra\u00e7\u00e3o entre os interesses p\u00fablicos e c\u00edvicos em longo prazo, o resultado \u00e9 que os diferentes setores sociais s\u00e3o levados a agir como corpora\u00e7\u00f5es para defender seus pr\u00f3prios interesses. Perde-se a ess\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o governo-cidad\u00e3o, e tal rela\u00e7\u00e3o \u00e9 reduzida a seu m\u00ednimo denominador comum. Embora nefasto, o argumento da perversidade pode eventualmente levar a algumas a\u00e7\u00f5es de sustentabilidade positivas, como aquelas identificadas pelos movimentos NIMBY (Not In My Backyard &#8211; n\u00e3o no meu quintal), LULU (Locally Unwanted Land Uses &#8211; Usos da terra localmente indesejados) e BANANA (Build Absolutely Nothing Anywhere Near Anything &#8211; N\u00e3o construir nada em local nenhum perto de qualquer coisa). Tais a\u00e7\u00f5es s\u00e3o de confronta\u00e7\u00e3o, teatrais e \u00e0s vezes litigiosas. Por isso, \u00e9 melhor que as propostas de projetos de sustentabilidade sejam apresentadas de maneira expl\u00edcita, enfatizando novas parcerias e formas de consenso, de maneira a que a governabilidade n\u00e3o perca uma forma efetiva e confi\u00e1vel de mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>O argumento da futilidade se baseia na assertiva francesa de que &#8220;plus \u00e7a change, plus c&#8217;est la m\u00eame chose&#8221; (quanto mais se muda, mais tudo fica do mesmo jeito). O argumento da futilidade sustenta que a participa\u00e7\u00e3o social n\u00e3o t\u00eam o menor impacto nas decis\u00f5es a serem tomadas. Que inova\u00e7\u00f5es nos modos de participa\u00e7\u00e3o social no govern<br \/>\no s\u00e3o inefetivas, pois n\u00e3o conseguem romper as barreiras entre diferentes grupos, e que s\u00f3 servem para refor\u00e7ar tais desigualdades e limita\u00e7\u00f5es de pensamento e comportamentos, bem como as diferen\u00e7as nas trocas de experi\u00eancia e de percep\u00e7\u00f5es da realidade. Ou seja, que a participa\u00e7\u00e3o t\u00eam efic\u00e1cia limitada na mudan\u00e7a de diretrizes. E, ainda, que promover estudos e avan\u00e7os em agendas espec\u00edficas s\u00e3o f\u00fateis porque os governos n\u00e3o conseguem incorporar tais mudan\u00e7as e transferi-las em estrat\u00e9gias&nbsp; e a\u00e7\u00f5es efetivas de sustentabilidade.<\/p>\n<p>Na verdade, a l\u00f3gica de futilidade \u00e9 que \u00e9 f\u00fatil, por considerar que a sustentabilidade s\u00f3 \u00e9 v\u00e1lida de resultar na mudan\u00e7a de regras, leis e diretrizes. Tentar estabelecer listas de prioridades, \u00e1reas e maneiras espec\u00edficas de atua\u00e7\u00e3o sustentada \u00e9, de acordo com o pr\u00f3prio princ\u00edpio da futilidade, uma estrat\u00e9gia ing\u00eanua, d\u00fabia e limitante. A resposta para o problema da sustentabilidade como um todo deve ser considerada de maneira integrativa e incrementativa, sem limites definidos. Portanto, o argumento da futilidade apenas tenta refor\u00e7ar que estamos andando, sem sair do lugar.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/quimicaviva\/wp-content\/uploads\/sites\/218\/2011\/08\/sustentabilidade11.jpg\" \/><\/p>\n<\/div>\n<p>O argumento da amea\u00e7a, ou do perigo, tenta mostrar que a emerg\u00eancia de um novo paradigma de uma forma de desenvolvimento sustent\u00e1vel \u00e9 verdadeiramente diab\u00f3lica. Tenta mostrar que se caminharmos para maneiras hol\u00edsticas e integrativas de sociedade sustentada poderemos perder tudo o que conquistamos at\u00e9 aqui. O argumento da amea\u00e7a tem por objetivo mostrar que a \u00eanfase no holismo e integra\u00e7\u00e3o do desenvolvimento sustentado \u00e9 um caminho para se evitar o aprofundamento das formas de prote\u00e7\u00e3o necess\u00e1rias para a preserva\u00e7\u00e3o ambiental.Tal argumento se baseia no princ\u00edpio de que a mesma quantidade de capital (econ\u00f4mico, social, cultural, etc) deve ser transferida de gera\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o, e que \u00e9 absolutamente ing\u00eanuo se pensar que a atividade econ\u00f4mica n\u00e3o deve nunca prejudicar o meio ambiente. N\u00e3o leva em considera\u00e7\u00e3o que a natureza deste capital est\u00e1 sob constante mudan\u00e7a, e que n\u00e3o pode ser substitu\u00edda. Que deve permanecer constante, de maneira a preserva a riqueza e prote\u00e7\u00e3o, para se evitar perturba\u00e7\u00f5es no status quo e no sistema vigentes.<\/p>\n<p>O argumento da amea\u00e7a sustenta que uma sustentabilidade forte ainda deve ser desenvolvida do ponto de vista pol\u00edtico para se tornar palat\u00e1vel. Que uma sustentabilidade fraca \u00e9 a \u00fanica maneira de se adotar princ\u00edpios de sustentabilidade em um mundo de compromissos pol\u00edticos. E que uma sustentabilidade forte pode levar \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o aqueles elementos sociais sobre os quais tudo deve se manter. Ainda, tenta questionar se realmente sabemos como nos planejar e agir de maneira integrativa para que nunca tenhamos perdas. Ou seja, que em um modelo de sociedade sustent\u00e1vel possamos sempre satisfazer nossas vontades, tanto do ponto de vista financeiro como social e ambiental. Um modelo sustent\u00e1vel seria apenas v\u00e1lido se fosse aplicado a pequenos ajustes de desempenho financeiro. Tal \u00e9 o modelo de sustentabilidade adotado pela China &#8211; s\u00f3 pode ser aplicado se for sem perdas econ\u00f4micas e financeiras.<\/p>\n<p>O problema em querer se implementar tal forma de sustentabilidade fraca, que atende \u00e0s necessidades de mercado, \u00e9 que \u00e9 praticamente imposs\u00edvel se estabelecer uma justa medida entre grupos econ\u00f4micos, grupos sociais, entre na\u00e7\u00f5es. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que todos os elementos sociais possam ter sempre todas suas necessidades atendidas, em seu mais alto n\u00edvel. Tentar se estabelecer, arbitrariamente, uma &#8220;justa medida de satisfa\u00e7\u00e3o e felicidade&#8221; para se promover o progresso, apenas refor\u00e7a a identidade do &#8220;Grande Irm\u00e3o&#8221;, e de formas de controle. A engenharia social servir\u00e1 sempre para atender apenas aos interesses daqueles que est\u00e3o no poder, mas nunca para promover uma real integra\u00e7\u00e3o dos diversos setores sociais.<\/p>\n<p>Cientistas sociais devem se debru\u00e7ar sobre as quest\u00f5es que envolvem modelos de desenvolvimento sustentado, de maneira a conhecer e disseminar conhecimento das formas como rela\u00e7\u00f5es culturais e sociais podem ser utilizadas para melhor se aproveitar os recursos naturais. Embora a natureza possa prescindir totalmente da exist\u00eancia da esp\u00e9cie humana, \u00e9 a humanidade que determina os caminhos do verdadeiro desenvolvimento sustentado. \u00c9 imperativo que os diversos setores sociais possam atuar de maneira determinante, junto ao governo e aos \u00f3rg\u00e3os governamentais, de maneira a contribuir para a constru\u00e7\u00e3o de tal modelo. Se n\u00e3o investirmos esfor\u00e7os consider\u00e1veis nesta dire\u00e7\u00e3o, os esfor\u00e7os em busca de melhor qualidade e condi\u00e7\u00f5es de vida correr\u00e3o s\u00e9rios riscos de serem perdidos e, consequentemente, de todas as implica\u00e7\u00f5es em que tais esfor\u00e7os resultam: institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas, filosofia de paz e toler\u00e2ncia, o real sentido de justi\u00e7a social, repara\u00e7\u00e3o e reconcialia\u00e7\u00e3o, e o reconhecimento dos direitos de grupos sociais marginalizados.<\/p>\n<p>A tomada do conhecimento dos argumentos de perversidade, futilidade e de amea\u00e7a de setores sociais conservadores n\u00e3o deve levar \u00e0 animosidade, e sim ao questionamento cont\u00ednuo sobre o real valor de tais argumentos. Afinal, o conceito de sustentabilidade n\u00e3o pode ser erigido em pseudo-concep\u00e7\u00f5es idealistas, tais como de ecotopias e sociedades ideais, e sim em princ\u00edpios de diversidade e mudan\u00e7a. Uma an\u00e1lise interdisciplinar efetiva sobre um modelo de sustentabilidade deve levar em conta os pr\u00f3s e contras argumentos de viabilidade de v\u00e1rios ideais, bem como uma cr\u00edtica fundamentada de vis\u00f5es de mundo muitas vezes opostas, que considere com seriedade a aus\u00eancia de um cen\u00e1rio que seja necessariamente melhor ou a \u00fanica sa\u00edda para a resolu\u00e7\u00e3o de in\u00fameros impasses atuais.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/quimicaviva\/wp-content\/uploads\/sites\/218\/2011\/08\/sustentabilidade_04.jpg\" \/><\/p>\n<\/div>\n<p>O argumento da futilidade deve ser continuamente identificado e combatido, por promover uma falsa vis\u00e3o de que, se problemas atuais n\u00e3o podem ser resolvidos de maneira eficaz, efetiva e r\u00e1pida de acordo com um modelo de sustentabilidade, logo tal modelo deve ser abandonado. Sobretudo, o desenvolvimento de um modelo de sustentabilidade deve se basear no aprendizado cont\u00ednuo de como pode ser constru\u00eddo, uma vez que at\u00e9 hoje nunca foi real objeto de considera\u00e7\u00e3o por parte dos governos e da sociedade. J\u00e1 &#8220;a amea\u00e7a&#8221; pode resultar da implementa\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7as por demais radicais. Etapas j\u00e1 conquistadas devem ser valorizadas, e incluem inclusive o aprendizado social de pr\u00e1ticas de sustentabilidade.<\/p>\n<p>Uma verdadeira filosofia de sustentabilidade implica em uma cont\u00ednua a\u00e7\u00e3o unificadora. Por\u00e9m, como a diversidade de abordagens de sustentabilidade, de acordo com o contexto social, pol\u00edtico e econ\u00f4mico em que se inserem, pode levar a um quadro de an\u00e1lise complexo, \u00e9 absolutamente necess\u00e1rio que se reforcem estudos e pesquisas sobre tais abordagens. Uma abordagem de sustentabilidade pragm\u00e1tica deve mostrar as claras distin\u00e7\u00f5es entre poss\u00edveis caminhos para a realiza\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7as e a simples manuten\u00e7\u00e3o do status quo. E, o que \u00e9 muito mais dif\u00edcil, indicar formas de distinguir a qualidade da mudan\u00e7a ou de preserva\u00e7\u00e3o que est\u00e1 impl\u00edcita nas diferentes estrat\u00e9gias de sustentabilidade.<\/p>\n<p>Considerando-se que a solu\u00e7\u00e3o para os defeitos da democracia \u00e9 mais democracia, a promo\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o, do esclarecimento, da verdadeira troca de id\u00e9ias prospectiva leva unicamente ao refor\u00e7o do conhecimento sobre a verdadeira democracia, que deve estar sobre um processo de cr\u00edtica constante, bem como de renova\u00e7\u00e3o de suas manifesta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma tradu\u00e7\u00e3o livre e aprecia\u00e7\u00e3o do artigo citado abaixo. Muito bom.<\/div>\n<p><span style=\"padding: 5px;float: left\"><a href=\"http:\/\/www.researchblogging.org\"><img decoding=\"async\" alt=\"ResearchBlogging.org\" src=\"http:\/\/www.researchblogging.org\/public\/citation_icons\/rb2_small\n.png\" style=\"border: 0pt none\" \/><\/a><\/span><span class=\"Z3988\" title=\"ctx_ver=Z39.88-2004&amp;rft_val_fmt=info%3Aofi%2Ffmt%3Akev%3Amtx%3Ajournal&amp;rft.jtitle=Sustainability&amp;rft_id=info%3Adoi%2F10.3390%2Fsu2020645&amp;rfr_id=info%3Asid%2Fresearchblogging.org&amp;rft.atitle=The+Rhetoric+of+Sustainability%3A+Perversity%2C+Futility%2C+Jeopardy%3F&amp;rft.issn=2071-1050&amp;rft.date=2010&amp;rft.volume=2&amp;rft.issue=2&amp;rft.spage=645&amp;rft.epage=659&amp;rft.artnum=http%3A%2F%2Fwww.mdpi.com%2F2071-1050%2F2%2F2%2F645%2F&amp;rft.au=Holden%2C+M.&amp;rfe_dat=bpr3.included=1;bpr3.tags=Chemistry%2CBiochemistry%2C+Organic+Chemistry\">Holden, M. (2010). The Rhetoric of Sustainability: Perversity, Futility, Jeopardy? <span style=\"font-style: italic\">Sustainability, 2<\/span> (2), 645-659 DOI: <a rev=\"review\" href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.3390\/su2020645\">10.3390\/su2020645<\/a><\/span><\/p>\n<div class=\"zemanta-pixie\"><img decoding=\"async\" class=\"zemanta-pixie-img\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/quimicaviva\/wp-content\/uploads\/sites\/218\/2011\/08\/pixy24.gif\" \/><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O livro &#8220;A Ret\u00f3rica da Raz\u00e3o&#8221;, de Albert O. Hirschman (1991) \u00e9 considerado uma obra de essencial import\u00e2ncia para explicar os argumentos de conservadores sobre as atuais mudan\u00e7as sociais segundo o modelo de desenvolvimento sustent\u00e1vel. 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