E para inaugurar a seção de quem faz mau uso da ciência, temos o shampoo da seda para cabelos longos que conta com o fenomenal DNA vegetal!


Pois é, o problema está no DNA, vamos aos fatos:
1 – Todos os seres vivos (fora alguns vírus e nem sempre são considerados seres vivos) têm como material genético o DNA, logo, qualquer composto orgânico que não tenha sido muito bem purificado (e geralmente o que se usa no caso de plantas é o extrato vegetal, ou seja, de tudo) sempre vai haver DNA lá no meio – inclusive em laboratórios que trabalham com manuseio de DNA, contaminação é um dos problemas mais sérios. Sendo assim, qualquer shampoo que use extrato vegetal pode noticiar na embalagem que contém DNA Vegetal.
2 – As moléculas de DNA são todas formadas pelos mesmos componentes básicos, os nucleotídeos, e o que muda de um organismo para outro em relação a isso é a quantidade e a disposição dos nucleotídeos (o que vai fazer diferença no contexto celular), mas não suas propriedades químicas, de maneira que o shampoo poderia ter DNA animal, bacteriano, viral, etc. sem que isso fizesse a menor diferença para o cabelo.
3 – Desconheço completamente qualquer propriedade do DNA que traga algum benefício para o cabelo, o shampoo poderia colocar no rótulo “contém proteínas vegetais” ou “contém carboidratos vegetais”, inclusive as chances de alguma proteína ou algum carboidrato fazerem bem para o cabelo é bem maior. A única maneira de o DNA mudar alguma coisa seria sendo incorporado pela célula, e posteriormente traduzido (e preferencialmente transcrito), o que fica complicado principalmente pelo fato de que as células vivas estão no couro cabeludo e não no cabelo, e não é tão fácil assim fazer com que o DNA entre na célula (o pessoal que trabalha com organismos geneticamente modificados que o diga). Além disso acho que não ia fazer muito sucesso um shampoo que gerasse um couro cabeludo transgênico já que nem a soja feita de maneira bem controlada é aceita amplamente (valeu pela dica Lugar)…