pérola
Não são só os shampoos que abusam da boa fé de quem compra. Uma série de produtos, principalmente cosméticos, se aproveitam de clichês e termos comuns para enganar o consumidor. Basta ver o caso do “extrato de pérola”. Vários cosméticos deixam em evidência que contém extrato de pérolas em sua composição, a questão é, qual substância da pérola poderia contribuir para o produto?
sabonete de pérolas

A pérola se forma quando um molusco bivalve se defende de uma partícula que entra na concha recobrindo-a com uma pequena porcentagem de água e diversas camadas de nácar – processo que quando ocorre naturalmente raramente dá origem a uma péroladeodorant esférica, de maneira que para produz a quantidade de pérolas que o comércio demanda, são cultivadas ostras e nelas são injetadas pedaços de conchas para servirem de base para a pérola e ainda sim grande parte das ostras morre no processo. O nácar é feito por uma combinação de cerca de 95% de carbonato de cálcio distribuído por uma matriz orgânica, e além de formar a pérola, também forma a concha, como se pode ver polindo a concha de forma que se retire as camadas mais superiores. O carbonato de cálcio é um mineral insolúvel que forma entre outras coisas o mármore e a casca do ovo e é uma ótima fonte de cálcio para os ossos, mas sua função biógica para os seres humanos acaba aí. Já a matriz orgânica é formada principalmente por diversas proteínas e carboidratos como a quitina, inerte para o ser humano.
Sabendo disso, ao invés de comprar um produto com extrato de pérolas, um produto com cimento ou pó de mármore e casca de camarão ou barata teria os mesmos componentes e provavelmente o mesmo efeito para a pele, nenhum (provavelmente teria alguns efeitos, mas não desejáveis). Ao tentar associar o brilho da pérola causado pela difração de luz das várias camadas de nácar depositadas com o mesmo efeito na pele ou nos cabelos, a indústria de cosméticos está enganado o consumidor, quando existem aplicações muito mais interessantes para o nácar.
leitura recomendada:
Bruet, B.; et al. (September 2005). “Nanoscale morphology and indentation of individual nacre tablets from the gastropod mollusc Trochus niloticus“. J. Mater. Res. 20 (9).
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