homossexualismo no egito

Esse post é sobre um daqueles assuntos que me motivou a criar esse blog. Vamos ver um dos lados da disputa entre os sexos através da evolução. Afinal a Teoria da Rainha Vermelha* também opera dentro de uma mesma espécie.

Os homens e as mulheres têm diferentes interesses na reprodução e hoje veremos um deles.

Lembra-se do que promove a diferenciação entre o sexo masculino e feminino nos seres humanos? Trata-se dos cromossomos sexuais. Normalmente as mulheres portam dois cromossomos, ou seja, XX, e o homem porta uma cópia só do X e outro cromossomo, ou seja, XY.

Eis aí a raiz da discórdia que estamos vendo. Pensando como Dawkins, na teoria do Gene Egoísta, para o cromossomo X é melhor que exista um maior número de mulheres na população, uma vez que elas carregam mais cópias dele. E nós portadores do cromossomo Y saímos em desvantagem. Por quê?

Porque numa população onde haja o mesmo número de homens e mulheres, o cromossomo X representa três quartos dos cromossomos sexuais, uma vez que está presente em duas cópias nas mulheres e em uma de duas cópias no homem. Ao passo que o Y representa metade dos cromossos em metade da população, 1/4.

 Sim meus caros, elas estão em vantagem.

Uma das questões mais acirradas nesse mundo novo da biologia é o homossexualismo. No caso dos homens homossexuais, há uma série de evidências que apontam para uma herença genética da característica, além dos fatores sociais – não vou discutir aqui as implicações éticas e sociais de se provar isso, já que a coisa descamba para o lado Natureza/Criação, determinismo genético e não é o caso hoje.

Do lado genético, as evidências são por exemplo a grande uniformidade de preferência sexual entre gêmeos idênticos e a maior prevalência de homosexuais filhos de mulheres com casos homossexuais na família.

Na presença dessas evidências surge um paradoxo: como uma característica que diminui a fertilidade masculina, uma vez que gays tendem a ter menos filhos, pode ser passada adiante? Afinal, há diversos registros históricos (como o que ilustra essa figura) de comportamento homossexual masculino, e como pode haver a presença constante embora baixa de uma característica que dificulta a própria chance de ser passada adiante?

O segredo está nas mulheres! Um psicólogo e dois matemáticos italianos através do teste de modelos matemáticos (quem quizer vê-los é só aproveitar a fonte lá embaixo) em históricos de famílias ou pedigree, concluíram que o modelo que melhor explica os dados é o de uma herança ligada a pelo menos um gene presente no cromossomo X heterozigoto que aumente a fecundidade das mães.

Traduzindo: a mulher que é XX, sendo esse segundo X portador de um gene que aumente sua fecundidade, que permite que ela tenha mais filhos, pode passar esse gene adiante para seu filho. Este será homossexual mas terá o desbalanço de sua menor fecundidade equilibrado pela maior quantidade de filhos da sua mãe.

No fim das contas, a maior quantidade de filhos dessas mulheres é responsável por manter o balanço que gera homossexuais do sexo masculino. caprichos de um cromossomo X ganancioso. E viva a diversidade!

* Valeu pela dica Stephen!

Fontes:

Camperio Ciani et al. Sexually Antagonistic Selection in Human Male Homosexuality. PLoS One, 2008; 3 (6): e2282

ScienceDaily