Como você faz para perceber se a comida está boa, ou é suficiente? Cheira, prova, dá uma olhada? Pois bem, os cupins batem nela!

Quando escolhemos mal nossa comida, comemos algo ruim e no máximo temos uma indigestão, ou uma conta salgada. Mas para os cupins, a escolha é muito mais importante. Além de alimento, a madeira é a moradia deles e o suprimento pelo próximo período. E as plantas não costumam ser muito legais com quem quer uma parte delas, além de forrar a madeira de lignina, que garante a dureza, ainda são capazes de produzir substâncias tóxicas. E as maneiras de provar o que vão comer são limitadas, além de cegos, não podem simplesmente sair de onde estão e medir fisicamente o tamanho de um galho, com passos como essa formiga, pois se exporiam aos predadores.

Já é sabido que os soldados e operários se comunicam através de vibrações. Enquanto as formigas conversam basicamente usando cheiros, o cupim soldado pode avisar sobre uma invasão batendo a cabeça contra o solo ou se agarrando ao chão firmemente e vibrando o corpo – taí uma cena engraçada, ele agarrado gritando ” **deu!! “.

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Para saber se o cupim doméstico (Cryptotermes domesticus)
descobre o tamanho e a qualidade do que vai comer através de vibrações,
pesquisadores posicionaram operários entre dois pedaços de madeira de
pontas de mesmo tamanho, mas comprimentos diferentes, 2 e 16cm. Assim, o que
eles viam era igual, e não teriam como saber a diferença entre as
tábuas, a não ser medindo.

Os cupins mostraram uma preferência
pelos pedaços de 2cm
, cavando mais túneis, e túneis mais profundos. Ao medir
se as madeiras vibravam, perceberam que sim, as de 2cm
vibravam na frequência de 7,2-kHz e as de 16cm 2,8-kHz, inversamente
proporcional ao tamanho como esperado. Para saber se essa vibração
influenciava na escolha do pedaço, gravaram as vibrações produzidas e
sintetizaram vibrações de mesma frequência. (Ao que parece, o cupim
doméstico prefere pedaços menores de madeira, talvez para evitar
competidores maiores do que eles. Essa preferência por pedaços menores os guia para a madeira de móveis, e é o motivo do cupim doméstico ter se
espalhado mundialmente.)

Ao reproduzirem vibrações diferentes, o
comportamento não mudou. Mas quando vibraram a madeira de 2 cm com a
frequência de 2,8-kHz gravada (vibração do pedaço de 16cm), eles deixaram de preferir a pequena.
Quando tocaram a vibração do pedaço de 2 m no de 16cm (7,2-kHz), os
operários passaram a preferir o pedaço maior. O que mostra que eles se
guiam pela vibração da madeira
.

Mas a coisa não acaba aí. Quando
tocaram a vibração sintética (e não a gravada) na madeira, reproduzindo as mesmas
condições do parágrafo de cima, o comportamento dos cupins não mudou.
Isso mostra que não só eles usam a vibração da madeira para se guiar,
mas também sabem diferenciar as vibrações produzidas por eles das
vibrações de outras fontes
.

E mais ainda. Os cupins tem dois
modos de reprodução sexuada. A primária, onde se formam reprodutores
alados que voam e formam novos cupinzeiros, aqueles cupins que aparecem
aos montes em dias úmidos no verão. Essa fase sofre muitas perdas por
predadores, e só compensa ser formada quando o ambiente está ruim e é
necessário explorar novos locais. Na forma secundária, os reprodutores
são neotênicos, podem se reproduzir sem crescer as asas, e permanecem
dentro do cupinzeiro, povoando um local que já é propício.

Quando
tocaram a vibração do pedaço de 2 cm nele mesmo, para ver se a
preferência pelo menor era reforçada, perceberam outra coisa. Os cupins
passaram a formar menos reprodutores secundários (de permanência) e
formaram mais reprodutores primários, de conquista de novos ambientes
.
Aparentemente, os cupins entendem a vibração gravada como a presença de
mais cupins na madeira, sinal de competição pelo substrato, uma boa
hora para abandonar o local.

Quem diria que os cupins saberiam tanta coisa através da balada da vibração da madeira. Além do tamanho e qualidade, ainda dá para avaliar se há outros inquinos na futura casa.