Reprodução das massinhas de modelar selvagens[Pessoal ligeiro nos comentários! Acertaram em cheio.]

A questão das cores entre os animais levanta uma série de perguntas interessantes além do aposematismo. Uma delas é que, uma espécie que varie bastante de cor evitaria predadores. Ao invés de adotar uma cor que esconda (cor críptica), com várias cores, os predadores não conseguiriam aprender quais são comestíveis e quais não.

Mas como ninguém quer se oferecer como cobaia, um grupo de pesquisa sueco teve uma idéia muito boa. Fizeram rolinhos de farinha coloridos que imitam lagartas, para atrair pássaros. É o tipo de pesquisa barata, que se vale muito mais da criatividade do que de técnicas complicadas.

Foram utilizadas 4 cores, marrom, vermelho, amarelo e verde em 2976 rolinhos. Elas foram divididas em grupos tetracromáticos (com as 4 cores) e monocromáticos (1 cor só) distribuídos em árvores para medir a predação por aves (como na foto do enigma).

A única diferença significativa entre os grupos foi o grupo de 1 cor só, verde. Foi o grupo que “sobreviveu” ou melhor, durou, por mais tempo. Não houve diferença entre os outros grupos de uma cor só e os grupos de 4 cores. E dentro dos grupos tetracromáticos, a cor que mais tempo durou também foi a verde.

Já a cor que acabou antes, tanto nos grupos monocromáticos quanto nos tetracromáticos, foi a cor vermelha, provavelmente porque é a mais contrastante, e os pássaros são animais que usam bastante a visão para caçar.

Vi o artigo no This Week in Evolution, que inclusive deixou uma ótima sugestão para um trabalho científico de baixo custo, comparar o desempenho entre cores crípticas apenas (como grupos formados só de verde e marrom).

Fonte:

Wennersten, L.and Forsman, A. “Does colour polymorphism enhance survival of prey populations?” Proc. R. Soc. B March 18, 2009, doi:10.1098/rspb.2009.0252