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GloFish: um peixinho transgênico fluorescente que você pode ter em casa.

Depois do texto sobre transgênicos, que está rendendo uma discussão legal nos comentários, recebi alguns twits do @jhcordeiro que acho que ilustram bem a posição de alguns ambientalistas. Convidei-o a trazer a conversa para os comentários do texto e, como isso não aconteceu, resolvi deixar aqui os coices as respostas que recebi. Vou aproveitar para estender meus argumentos (em itálico):

@jhcordeiro: @oatila vc novamente confunde melhoramento genetico com transgenia. Erro basico prum biologo. Aquele milho lá tem gene de bacteria?

@oatila: @jhcordeiro Não, ele tem uma alga dentro dele, o cloroplasto! Sei qual a diferença, mas são modificados. E no caso dos enxertos? Transgenia.

Todos nós, animais e plantas, possuímos estruturas que produzem energia dentro das células chamadas mitocôndrias. As mitocôndrias são bactérias que passaram a viver dentro das células, e transferiram uma série de genes para nosso genoma.

@jhcordeiro: @oatila vc nao dá as fontes, entao eu pergunto: d onde tirou q os organicos nao alimentarão o mundo? A IAASTD da ONU pensa o contrario.

@oatila: @jhcordeiro não tenho fontes pra isso mesmo, coloquei mais pela discussão. Mas não vejo alternativa para gerar mais alimentos.

@oatila: @jhcordeiro como aumentar a produção sem aumentar a área plantada, ou explorar novas áreas como solos salinos?

@jhcordeiro: @oatila há varios produtores agricolas organicos mais produtivos q os convencionais. É fato. E esse tipo d producao nao pára d crescer.

Não discordo da agricultura tradicional, nem acho que ela vai ser completamente substituída por transgênicos num futuro próximo. Mas são tantas as possibilidades levantadas pela transgenia que não podemos ignorar. Plantas mais ricas em nutrientes, que usem menos agrotóxicos e até plantas que cresçam em solo impróprio para outros. Se nossa população tende a aumentar em tamanho e em qualidade de vida, consumindo mais alimentos e mais diversos, temos que usar alternativas que não impliquem em uma área de plantio maior.

@oatila: @jhcordeiro mas qual a diferença entre um OGM e um enxerto. Como um enxerto de batata com tomate (que é comum), onde ambos tem toxinas?

@jhcordeiro: @oatila cara, se vc como biologo nao vê diferenca entre X1 + X2 e X + Y, ai fica dificil. Q geneticistas nao leiam seu post… 🙂

@oatila: @jhcordeiro uma histona de bactéria é 98% (X1+X2) similar com a nossa, um gene de batata pode ser 90% similar com o do tomate (X+Y) #comofaz

Aqui acho que o Jorge Cordeiro está criticando plantas com genes de bactérias, como a soja round up da Monstanto. Antes de tudo, a diferença entre organismos não implica na diferença de genes, e mais importante ainda, o ponto principal é qual o gene inserido em um transgênico. Podemos muito bem trocar alguns genes de plantas por genes de bactérias (como as histonas, proteínas que mantém a estrutura do DNA) sem que haja nenhuma mudança. Em compensação fazer uma planta produzir cianureto inserindo genes de mandioca brava não é uma coisa tão legal.

Outro fato importante é que na transgenia geralmente se insere um gene, conhecido. No enxerto, se as plantas trocam material aleatoriamente, não sabemos quantos genes vão parar onde. E de novo, não importa quão próximas são as plantas, e sim quais pedaços são trocados.

Enfim, algumas considerações finais:

Se o problema é colocar um gene de bactéria em uma planta, existem outras alternativas. O que impede a broca do feijão de comer um tomate são as toxinas que o tomate produz, entre outras coisas. Nós comemos ambos, o tomate e o feijão sem problemas. Então é só inserir no feijão o gene que produz as toxinas do tomate, já que a broca é suscetível e nós não. Com isso se produz um feijão que precisa de menos agrotóxicos. – planta com planta, X1+X2

Existem n outras possibilidades, não precisamos ficar presos à soja da Monsanto – que ao meu ver, se for perigosa deve ser banida ou regulada, não cancelamos a produção de todos os remédios por causa dos efeitos colaterais da talidomida.

Outra coisa importante, vários outros países estão desenvolvendo transgênicos. Imagine se surgir uma soja transgênica que diminui em muito o custo de produção, por não usar nem adubo nem agrotóxicos no plantio. Se nós não plantarmos ela no Brasil, quem produz alimentos com soja daria preferência para o produto nacional não transgênico ou para o internacional, mais barato? Não é melhor termos um alimento mais barato e mais acessível? Alimentos orgânicos são muito saudáveis, mas em muitos casos são privilégio de quem tem poder de compra.

Se o pessoal do Greenpeace e afins parasse com esse mimimi enorme e investisse o largo conhecimento que eles têm (e eu não) sobre transgenia desenvolvendo alimentos menos agressivos ao ambiente, e distribuissem aos produtores, estariam fazendo algo muito mais produtivo. A exemplo do prêmio de $1 milhão do PETA para quem desenvolver carne in vitro, ou dos transgênicos que a Embrapa tem produzido.
Mas é muito mais fácil criticar do que fazer…