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Pretendo fazer vários posts sobre plantas carnívoras, e para começar [update: fiquei só nesse mesmo] , veremos a Dionaea muscipula, chamada por Darwin de “uma das plantas mais maravilhosas do mundo” e também conhecida como Vênus Papa-moscas ou aquela planta da boquinha.

ResearchBlogging.orgAs carnívoras têm muito mais em comum com outras plantas do que se pode imaginar. Elas também realizam fotossíntese, captando CO2 do ar e sais minerais do solo. Então elas são carnívoras por quê? O solo onde ficam costuma ser pobre em nutrientes, de maneira que a apreensão e digestão de pequenos animais complementa a deficiência. Ou seja, elas caçam para suprir sais mineiras, e não para obter energia.

Venus.gifA papa-mosca é nativa do leste dos Estados Unidos, da região dos estados da Carolina do Norte e Carolina do Sul. Ela possui uma folha modificada, onde o pecíolo (que normalmente forma o cabinho da folha) passa a fazer  fotossíntese e o limbo (normalmente a parte mais larga da folha) é modificado em dois lóbulos que formam a armadilha.

Ao contrário do que muitos gostariam, sua folha normalmente não passa de 10cm de comprimento. A armadilha possui de 15 a 20 cílios que impedem a saída da presa. Próximas à borda existem glândulas secretoras de néctar, as quais junto ao pigmento antocianina que dá acor avermelhada, atraem os insetos e pequenos artrópodes que servem de presa.

Para que a armadilha se feche, são necessários diferentes estímulos que aumentam as chances de uma captura bem sucedida.

Antes de mais nada, a folha percebe a presa por pêlos-gatilho, que ficam a uma distância da glândulas tal que animais pequenos demais, que não valeriam a pena o processo de digestão (este consome muita energia) não acionam os gatilhos.

Quando a presa é grande, ela atinge o gatilho, mas isso ainda não é o suficiente, como forma de garantir que trata-se de um animal, e não uma gota de chuva por exemplo, o gatilho normalmente precisa de um segundo estímulo, ou outro gatilho precisa se tocado (dentro de um período de cerca de 20s, quanto antes o segundo estímulo mais rápido se dá o fechamento). Após o acionamento, se dá uma comunicação por cálcio e outros sinalizadores (este mecanismo ainda não está completamente elucidado) que promovem o fechamento da armadilha.

O mecanismo do fechamento foi recentemente esclarecido por pesquisadores  que propuseram uma mudança conformacional dos lóbulos movida por energia elástica: os lóbulos têm duas conformações, uma convexa, que é adotada quando a folha está aberta e outra côncava. Quando os gatilhos disparam a mensagem, a folha passa a dissipar a água que mantém a pressão que dá o formato convexo, com isso, o lóbulo passa para o outro estado, o côncavo. Essa mudança é rápida e se dá em até um décimo de segundo.

Quando fechada, a armadilha ainda mantém um espaço entre os cílios que permite a saída de animais muito pequenos. Se os estímulos mecânicos e químicos continuarem, indicando que a presa é grande o suficiente para não escapar, o fechamento se completa e a digestão começa.Na parte interna dos lóbulos, existem várias glândulas digestivas que liberam enzimas que vão degradar as partes macias dos artrópodes. O exoesqueleto feito de quitina não é digerido e permanece quando a armadilha é aberta, sendo levado pelo vento ou pelo chuva.

Essa etapa dura entre dois e doze dias, dependendo da temperatura e do tamanho da presa.
Feita a digestão a armadilha volta a se abrir, desta vez lentamente devido à hidratação, ganhando tamanho durante o processo. As folhas podem se fechar apenas algumas vezes (uma única se a presa for muito grande) e conforme amadurecem perdem a capacidade de apreensão e apodrecem.

Para completar o texto, é bom ver o vídeo (em inglês, mas de fácil compreensão) do mestre Attenborough:

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São fáceis de criar, precisam apenas de bastante sol e água, se viram muito bem para arranjar presas, mas não deixa de ser divertido colocar um bichinho nela.

Para ler mais:

Botanical Society of America
International Carnivorous Plant Society
Dicas de cultivo

Fontes:

Forterre, Y., Skotheim, J., Dumais, J., & Mahadevan, L. (2005). How the Venus flytrap snaps Nature, 433 (7024), 421-425 DOI: 10.1038/nature03185