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Augusto de Franco, um dos palestrantes que captaram a idéia do evento ©liascava

Dia 11 fui ao TEDx São Paulo, que foi fantástico. Uma breve introdução para quem não sabe do que estou falando:

O TED (Technology, Entertainment and Design) é um evento que começou reunindo idéias sobre Tecnologia, Entretenimento e Design na forma de palestras de 20 ou 5 minutos. Isso mesmo, ótimas idéias, um público muito variado e pouco tempo para ligar um ao outro. O resultado é muito bom, uma verdadeira aula sobre como falar claramente.
Com o tempo, o evento foi fazendo muito sucesso e passou a abrangir outras áreas do conhecimento, como ciência. Aliás, vejam qualquer palestra de ciência, são quase todas imperdíveis. Em seguida, começaram os TED independentes, ou TEDx, em outros países.

É aí que chegamos ao meu ponto. Confesso que fui ao TEDx São Paulo esperando muito das palestras de ciência e pouco das demais – viu como eu me referi a elas, as demais?. Felizmente não podia estar mais enganado. Adorei as outras palestras. Paulo Saldiva, Regina Casé, Ronaldo Lemos, Oswaldo Stella, Fernanda Viegas e vários outros palestrantes me deixaram de queixo caído. Se a proposta do TEDx foi inspirar, me atingiu em cheio. Faço questão de postar aqui o que mais gostei conforme os vídeos estiverem disponíveis.

Por outro lado, confesso que me decepcionei com os cientistas. Vi dois extremos: ou eram muito “científicos”, como foi o caso da Francisca Cavalcanti falando “Da planta x extraímos a pomada y, da planta z o remédio w.” ou muito rasos, como Sandro de Souza ou Milena Boniolo, que mal falaram
sobre o que fazem de fato. Não que não tenham agradado, os dois últimos
que mencionei foram bem aplaudidos. Mas eu não fiquei satisfeito, fui
esperando as palestras que são atraentes pela forma e pelo conteúdo
inovador a que fui acostumado pelo TED.

Entendo perfeitamente,
não acho que eu faria melhor. Aliás, pegue um doutorando e peça para
ele apresentar a tese em 15 minutos. Ele vai entrar em pânico. Como
assim resumir tudo isso em só este tempo? Este é o nosso problema.
Estamos acostumados a ter muito tempo, e achamos que a platéia
realmente quer ouvir o que temos a falar. Ou é obrigada, como no caso
de muitas aulas ou defesas de tese. O resultado são apresentações que
não ficam devendo em nada ao chicken, chicken, chicken.

No TEDx, imagino que tentaram sair disso. Os slides foram montados por uma empresa especializada, e estavam bem atraentes. Principalmente os da Milena, que imagino que tenha dado bastante liberdade para montarem a apresentação. Mas o conteúdo realmente ficou devendo. Não vi nada de novo ou de curioso. Tive a impressão de que, com medo de assustar a platéia, deixaram a informação de lado. Acabaram fazendo o oposto do que muitos fazem na academia.

Acho que ainda temos muito o que aprender sobre transformar conteúdo científico em algo atraente. Eu vou tentando por aqui, e vocês fiquem com uma demonstração do que é combinar forma e informação (a legenda em PT está nas opções):

p.s. [1] Vou tentando, mas naquelas. Viram o tamanho que ficou este post?

p.s. [2] Descobri no TEDx que sei ler mentes, e previ tudo o que o Antônio Veiga ia falar. Ainda tenho que usar este dom para algo útil.