H1N1_influenza_virus

Influenza A (H1N1) em microscopia eletrônica. Fonte: Wikimedia.


Textos sobre o influenza não são bem uma novidade aqui. Então aqui vai o que já escrevi sobre influenza e gripe antes de falarmos do que está acontecendo agora:
Vacinação contra o H1N1
Como o vírus que estará na vacina é escolhido
Como e para quem a vacina é distribuída
Como se prevenir contra gripe
Porque a gripe é sazonal
De onde vem o H1N1
De onde veio o H1N1 pandêmico de 2009
Como nomeamos o Influenza
O influenza muda o tempo todo, a cada pessoa infectada, em cada país. Com isso, com o tempo, nosso sistema imune deixa de reconhecer os vírus circulantes e a imunidade que temos não é mais protetora. Os tipos de mudanças que podem fazer isso são dois: mutações pontuais e rearranjos. Estes últimos são mais dramáticos, acontecem quando um influenza ganha novos genes de outras linhagens, como aviárias ou suínas. por isso, a OMS tem duas reuniões anuais que debatem quais os vírus que estão circulando, quanto são ou não combatidos com a imunidade que já temos, e quais devem ser os que causam problema no futuro. Futuro porque, entre a escolha das linhagens vacinais, o cultivo do vírus, o processo de preparo e distribuição é de meses. E de vez em quando, a linhagem escolhida não é acertada, como em 2014, que o H3N2 circulante não era coberto pela vacina.
O H1N1 circulando pelo mundo continua sendo monitorado e não tem nada de diferente ou assustador. Desde setembro do ano passado, a OMS reconhece que a linhagem mais importante é uma chamada de subgrupo 6B, que tem algumas mudanças pontuais. Mas o H1N1 continua sendo amplamente coberto pela vacina de 2015-2016, que estamos recebendo agora e é bem parecida com a de 2014, que ainda temos. A recomendação da OMS é clara, vacinar* grupos de risco: funcionários da saúde, grávidas, crianças e idosos. A explicação dessa preferência está aqui. E os dados que temos da imunidade produzida por quem foi vacinado é de que ela é protetora.
Assim como o Brasil (mais especificamente São Paulo), o México também registrou mais casos e casos mais graves de gripe, que geraram pneumonia. Salvo em situações de influenza de alta patogenicidade, como a gripe espanhola e a gripe aviária causada pelo H5N1, o influenza não é um vírus letal em si. A morte normalmente acontece por causa de complicações da gripe, como a pneumonia, principalmente em casos de imunidade comprometida como os idosos e as crianças. Com base em tudo o que sabemos, o que está acontecendo agora não é um caso de influenza mais severo, mas simplesmente de um vírus que chegou antes da hora. Como o México também está registrando os casos de pneumonia, podemos ter uma estação de gripe adiantada por mudanças como o El Niño.
Apesar de termos estudado bastante a gripe, sua transmissão ainda não é tão compreendida. Os tipos de contágio são dois: pelo ar, através de gotículas e aerosol de saliva quando alguém espirra; e por contato, quando colocamos a mão em uma superfície contaminada por alguém gripado, que espirrou ou passou catarro. A transmissão pelo ar é comprovadamente favorecida por ar frio e seco, por isso aumenta no inverno de países temperados. A hipótese mais forte sobre a transmissão em países tropicais é a de que a transmissão pelo ar é mais comum em países frios e a por contato é mais comum em países quentes (referência no final do texto). Ou seja, lave bem as mãos. E, se for espirrar, cubra o espirro ou espirre no canto do braço, na dobra do cotovelo. Colocamos o tempo todo a mão que ficou em contato com superfícies sujas no rosto. Álcool gel também ajuda, mas nada melhor do que sabonete para destruir o vírus.
O tratamento contra o influenza para quem já pegou o vírus são duas drogas, oseltamivir e zanamivir. São mais recomendados para pessoas dos grupos de risco e casos com sintomas graves. O oseltamivir é o mais conhecido, mas uma re-avaliação recente desacreditou a noção de que ele ajuda a encurtar a duração dos sintomas. Lavar as mãos e tomar a vacina ainda são as melhores indicações.
*se você tem medo da vacina, alguns recados:
[youtube_sc url=”https://www.youtube.com/watch?v=MiIZlSNAu0E”]
 
 

 
Fontes:
[4] Lowen, Anice; Palese, Peter. (2009). Transmission of influenza virus in temperate zones is predominantly by aerosol, in the tropics by contact: A hypothesis. PLoS Currents Influenza:RRN1002.