{"id":361,"date":"2008-06-17T01:11:24","date_gmt":"2008-06-17T04:11:24","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/rainha\/2008\/06\/lembrando-do-telefone\/"},"modified":"2008-06-17T01:11:24","modified_gmt":"2008-06-17T04:11:24","slug":"lembrando-do-telefone","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/rainha\/2008\/06\/lembrando-do-telefone\/","title":{"rendered":"Lembrando do telefone"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/rainha\/wp-content\/uploads\/sites\/254\/2011\/08\/abelha1.jpg\" alt=\"abelha percebendo cheiro lateralmente\" \/>Imagine a seguinte situa\u00e7\u00e3o: voc\u00ea liga para algu\u00e9m, a pessoa n\u00e3o est\u00e1 l\u00e1, mas te passam o telefone de onde ela foi. Sem l\u00e1pis e papel por perto voc\u00ea resolve confiar na sua mem\u00f3ria e manda ver. Depois de repetir umas dez vezes o novo n\u00famero voc\u00ea segue confiante para ligar novamente&#8230; e d\u00e1 ocupado. Nesses quinze minutos que voc\u00ea espera para ligar mais uma vez, cad\u00ea o n\u00famero? Ele estava t\u00e3o claro na sua cabe\u00e7a! Como foi sumir assim?<br \/>\nPois \u00e9, o motivo desse sumi\u00e7o \u00e9 a mem\u00f3ria de longo prazo. Voc\u00ea guardou o telefone apenas enquanto contava com a mem\u00f3ria de curto prazo, e n\u00e3o teve tempo de passar essa informa\u00e7\u00e3o para a mem\u00f3ria de longo prazo. O neurologista e escritor Oliver Sacks descreve em um de seus livros o caso de um paciente sofreu uma les\u00e3o no c\u00e9rebro e se recordava plenamente do seu passado, mas n\u00e3o era capaz de registrar os \u00faltimos minutos, de maneira que sempre &#8220;acordava&#8221; achando que ainda estava no passado (como no filme &#8220;Como se fosse a primeira vez&#8221;). Al\u00e9m dessa assimetria nos tipos de mem\u00f3ria, tamb\u00e9m \u00e9 conhecida a assimetria entre os lados do c\u00e9rebro como a percep\u00e7\u00e3o visual feita pelo hemisf\u00e9rio direito, e a articula\u00e7\u00e3o da fala feita pelo hemisf\u00e9rio esquerdo.<br \/>\nEm colabora\u00e7\u00e3o, cientistas australianos e italianos conseguiram demonstrar que essa assimetria tamb\u00e9m ocorre em invertebrados. Treinando abelhas para reconhecerem o cheiro associado ao alimento usando ambas as antenas para sent\u00ed-lo e depois cobrindo uma das antenas, puderam perceber que durante as primeiras duas horas a abelha s\u00f3 reconhecia o cheiro rec\u00e9m aprendido com a antena direita. Depois de cerca de seis horas, at\u00e9 o fim de um dia, a abelha passava a reconhecer o odor apenas com a antena esquerda, demonstrando que a mem\u00f3ria de longo prazo se estabelece do lado esquerdo do c\u00e9rebro dela.<br \/>\nMais um \u00f3timo artigo da PLoS:<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.plosone.org\/article\/info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pone.0002340\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Rogers et al. <strong>From Antenna to Antenna: Lateral Shift of Olfactory Memory Recall by Honeybees<\/strong>. <em>PLoS ONE<\/em>, 2008; 3 (6) <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imagine a seguinte situa\u00e7\u00e3o: voc\u00ea liga para algu\u00e9m, a pessoa n\u00e3o est\u00e1 l\u00e1, mas te passam o telefone de onde ela foi. Sem l\u00e1pis e papel por perto voc\u00ea resolve confiar na sua mem\u00f3ria e manda ver. Depois de repetir umas dez vezes o novo n\u00famero voc\u00ea segue confiante para ligar novamente&#8230; e d\u00e1 ocupado. 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