{"id":509,"date":"2008-10-08T05:12:12","date_gmt":"2008-10-08T08:12:12","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/rainha\/2008\/10\/hiv-descoberta\/"},"modified":"2008-10-08T05:12:12","modified_gmt":"2008-10-08T08:12:12","slug":"hiv-descoberta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/rainha\/2008\/10\/hiv-descoberta\/","title":{"rendered":"A Descoberta do HIV"},"content":{"rendered":"<p>O pr\u00eamio Nobel de medicina e fisiologia deixou de lado um dos descobridores do HIV na premia\u00e7\u00e3o. Acompanhe a descoberta e o isolamento do v\u00edrus e entenda o que motivou essa decis\u00e3o.<\/p>\n<p>Fim dos anos 70, come\u00e7o da d\u00e9cada de 80. Ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o sexual de 70, o movimento gay estava em pleno crescimento. Muitos gays se relacionavam com mais de 100 parceiros por ano sem camisinha, afinal, n\u00e3o h\u00e1 o risco de gravidez. Tamb\u00e9m crescia o uso de drogas injet\u00e1veis, com seringas sendo compartilhadas por diversos usu\u00e1rios, que evitavam a pris\u00e3o por porte de um kit para injetar pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>Doen\u00e7as antes restritas a uma parcela pequena da popula\u00e7\u00e3o come\u00e7aram a se espalhar muito mais facilmente, tanto pelo contato sangu\u00edneo quanto pelo contato sexual. Imagine que em alguns casos, um homem podia ter mais de 500 parceiros em um ano, gra\u00e7as a festas em saunas gays em cidades com S\u00e3o Francisco, Calif\u00f3rnia.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos e na Europa come\u00e7aram a surgir casos de pacientes homens, com cerca de 30 anos, sofrendo de doen\u00e7as que at\u00e9 ent\u00e3o atacavam apenas idosos e rec\u00e9m-nascidos &#8211; imunocomprometidos &#8211; como candid\u00edase generalizada, pneumonia causada por <em>Pneumocystis carinii<\/em>, citomegalovirose, e em alguns casos, uma forma de c\u00e2ncer rara que s\u00f3 acometia idosos &#8211; o sarcoma de Kaposi. Ao analizar o sistema imune destes pacientes, uma surpresa, embora boa parte dos gl\u00f3bulos brancos estivessem bem, havia um misterioso sumi\u00e7o de linf\u00f3citos T &#8211; especificamente linf\u00f3citos T CD4+. Os linf\u00f3citos T s\u00e3o as c\u00e9lulas que fazem a intera\u00e7\u00e3o do sistema imune com pat\u00f3genos, e sem eles o sistema imune dos doentes era incapaz de atacar micr\u00f3bios inofensivos para a maioria das pessoas. O doente sofria de uma infec\u00e7\u00e3o generalizada, morrendo em decorr\u00eancia de micr\u00f3bios oportunistas.<\/p>\n<p><!--more Continue lendo, tem bem mais...--><\/p>\n<p>Os perfis dos pacientes, a grande maioria homossexual, e os padr\u00f5es epidemiol\u00f3gicos indicavam que fosse uma doen\u00e7a sexualmente transmitida, que passou a ser chamada de GRID (<em>Gay-Related Immunodeficiency Disease<\/em>), doen\u00e7a da imunodefici\u00eancia relacionada aos gays. Mais tarde se percebeu que a doen\u00e7a poderia afetar tamb\u00e9m os usu\u00e1rios de drogas injet\u00e1veis (UDI). Al\u00e9m dos usu\u00e1rios de drogas, os hemof\u00edlicos, que utilizavam frequentemente bolsas de sangue, muitas das quais com sangue de  UDIs que doavam sangue pelo dinheiro pago. A transmiss\u00e3o sexual n\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o era restrita aos gays, come\u00e7avam a surgir casos entre heterossexuais, e consequentemente, casos de transmiss\u00e3o vertical, de m\u00e3e para filho, nos casos de usu\u00e1rias de drogas e prostitutas contaminadas. Tais formas de transmiss\u00e3o fizeram com que o CDC (Center of Disease Control and Prevention), \u00f3rg\u00e3o americano de sa\u00fade p\u00fablica, mudasse o nome da misteriosa doen\u00e7a para AIDS (<em>Acquired ImmunoDeficiency Syndrome<\/em>) ou S\u00edndrome da Imunodefici\u00eancia Adquirida [1].<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1158\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/rainha\/wp-content\/uploads\/sites\/254\/2011\/08\/robert_gallo_19951.jpg\" alt=\"Robert Gallo\" height=\"213\" width=\"180\" \/><br \/>Robert Gallo<\/p>\n<p>Em 1981, numa palestra do CDC sobre a nova doen\u00e7a, Jim Curran lan\u00e7ou o desafio &#8220;onde est\u00e3o os virologistas?&#8221;. Isso chamou a aten\u00e7\u00e3o de um ouvinte da plat\u00e9ia, Robert Gallo. Gallo havia isolado em 1979 um v\u00edrus que infectava linf\u00f3citos T e causava leucemia, que chamou de HTLV-1 (<em>Human T lymphotropic virus type 1<\/em>) [2]. Ao ouvir de uma doen\u00e7a transmitida sexualmente, verticalmente e por contato sangu\u00edneo &#8211; as mesmas formas de transmiss\u00e3o do HTLV-1 &#8211; que destruia linf\u00f3citos T e aparentemente havia surgido na \u00c1frica, como se estava descobrindo, Gallo pensou tratar-se de uma outra variedade de HTLV e p\u00f4s-se a estudar a AIDS.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1159\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/rainha\/wp-content\/uploads\/sites\/254\/2011\/08\/lucmontagnier_1995.jpg\" alt=\"Luc Montagnier\" height=\"286\" width=\"225\" \/><br \/>Luc Montagnier<\/p>\n<p>Na mesma \u00e9poca, no Instituto Pasteur de Paris, Luc Montagnier tamb\u00e9m estudava a AIDS. Em janeiro de 1983, sua aluna Fran\u00e7oise Barr\u00e9-Sinoussi isolou c\u00e9lulas do linfonodo do pesco\u00e7o de um estilista frac\u00eas que sofria de linfadenopatia associada \u00e0 AIDS, <a href=\"http:\/\/www.newscientist.com\/channel\/health\/mg13017703.800-the-strains-of-the-hiv-war.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">chamado Frederic Brugiere<\/a>, cuja amostra foi chamada de BRU. Barr\u00e9-Sinoussi conseguiu detectar nessa amostra a atividade da enzima transcriptase reversa. Essa enzima produz DNA a partir de RNA, processo inverso ao que nossas c\u00e9lulas fazem &#8211; da\u00ed o nome reversa &#8211; e a s\u00f3 era encontrada numa classe especial de v\u00edrus, os retrov\u00edrus &#8211; que recebem esse nome porque possuem RNA como material gen\u00e9tico e o transformam em DNA. O cultivo das c\u00e9lulas de BRU s\u00f3 foi poss\u00edvel com o uso do estimulante de linf\u00f3citos interleucina 2 descoberto por Robert Gallo [3] &#8211; como o pr\u00f3prio Montagnier reconhece em um artigo de 2002 [4]. Na \u00e9poca, os \u00fanicos retrov\u00edrus conhecidos eram o HTLV-1 e HTLV-2, descobertos e estudados por Gallo, o que deu in\u00edcio a uma longa e conturbada colabora\u00e7\u00e3o entre os laborat\u00f3rios.<\/p>\n<p>Em maio de 1983, Barr\u00e9-Sinoussi e Montagnier publicaram um artigo mostrando que o v\u00edrus isolado n\u00e3o reagia aos anticorpos anti-HTLV de Gallo, mas reagia aos anticorpos do paciente. Por se tratar de um v\u00edrus diferente, chamaram-no de LAV (<em>Lymphadenopathy-Associated Virus<\/em> ou v\u00edrus associado \u00e0 linfadenopatia) [5] mostrando mais tarde que ele era mais pr\u00f3ximo de <a href=\"http:\/\/www.interney.net\/blogs\/malla\/2008\/05\/20\/fiv_felinos_ameacados\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">retrov\u00edrus animais<\/a>, os Lentiv\u00edrus. Robert Gallo, correndo atr\u00e1s do preju\u00edzo, conseguiu isolar HTLV-1 de pacientes com AIDS, mas de apenas 2 em 33 casos [6]. Aparentemente o HTLV-1 estava associado mas n\u00e3o causava a doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Gallo solicitou amostras a Montagnier e disse que os v\u00edrus do franc\u00eas n\u00e3o cresciam em cultura celular. Em abril de 1984, a ent\u00e3o secret\u00e1ria do Departamento americano de Sa\u00fade e Servi\u00e7os Humanos (DHSS), Margaret Heckler, anunciou orgulhosamente que Gallo havia descoberto o causador da AIDS, um retrov\u00edrus que ele havia chamado de HTLV-3 numa publica\u00e7\u00e3o recente [7] &#8211; <a href=\"http:\/\/www.dallasvoice.com\/artman\/publish\/article_2666.php\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aparentemente na apresenta\u00e7\u00e3o foram usadas imagens do LAV de autoria de Montagnier<\/a>. Segundo o pr\u00f3prio Gallo em um artigo de 2002, ele foi chamado \u00e0s pressas para o peonunciamento e ela infelizmente n\u00e3o mencionou o trabalho de Luc Montagnier [8]. O grupo do americano desenvolveu um m\u00e9todo de cultivo do v\u00edrus em c\u00e9lulas eternizadas que produziam muito mais v\u00edrus, a partir do qual foi poss\u00edvel o teste e descarte de bolsas de sangue contaminadas, al\u00e9m de trabalhos que mostraram que o HTLV-3 era o causador da AIDS [9] e [10].<\/p>\n<p>Em 1985, o sequenciamento dos genes de LAV e HTLV-3 mostrou que os v\u00edrus eram praticamente id\u00eanticos, diferindo em menos de 2%. J\u00e1 era sabido que esse v\u00edrus mutava muito, diferindo mais de 5% dentro de uma mesma pessoa. As duas amostras s\u00f3 podiam ser o mesmo v\u00edrus. A princ\u00edpio, Gallo acusou Montagnier de se apropriar de seu v\u00edrus em amostras que teria enviado para o laborat\u00f3rio na Fran\u00e7a, apesar da publica\u00e7\u00e3o anterior do grupo franc\u00eas, e de n\u00e3o estar clara a origem da amostra de HTLV-3. O CDC acabou nomeando o v\u00edrus de HIV (<em>Human Immunodeficiency Virus<\/em>) ou v\u00edrus da imunodefici\u00eancia humana em 1986, deixando de lado a disputa pela autoria da descoberta.<\/p>\n<p>Ainda em 1985, Gallo depositou a patente do teste para HIV, e foi processado pelos fraceses, uma vez que o v\u00edrus utilizado no teste era o LAV de Montagnier. A disputa s\u00f3 foi resolvida em 1987, com a interven\u00e7\u00e3o do presidente americano, Ronald Reagan, e do primeiro ministro franc\u00eas, Jacques Chirac. Em 1988 ambos os pesquisadores concordaram em dividir meio-a-meio o direito sobre as patentes.<\/p>\n<p>Em novembro de 1989, John Crewdson escreveu um longo artigo no jornal <a href=\"http:\/\/www.chicagotribune.com\/news\/nationworld\/chi-100608-hiv-discovery-nobel-prizeoct07,0,7068937.story\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Chicago Tribune<\/a> acusando o americano de ter roubado o v\u00edrus da equipe francesa, al\u00e9m de ter comprometido a vida de diversos transfundidos ao manter a disputa pela patente do teste para HIV, que segundo Crewdson n\u00e3o era confi\u00e1vel. Posteriormente a acusa\u00e7\u00e3o foi escrita <a href=\"http:\/\/query.nytimes.com\/gst\/fullpage.html?res=9406E2DD123EF930A35750C0A9649C8B63\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">na forma de um livro<\/a>, &#8220;Science Fictions&#8221;, que <a href=\"http:\/\/www.sciencemag.org\/cgi\/content\/summary\/296\/5573\/1615?maxtoshow=&amp;HITS=10&amp;hits=10&amp;RESULTFORMAT=&amp;fulltext=%28robert+AND+Gallo+AND+1995+AND+science+AND+chemokines%29&amp;searchid=1&amp;FIRSTINDEX=0&amp;resourcetype=HWCIT\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">segue o mesmo tom forte<\/a> de acusa\u00e7\u00f5es a Gallo de apropria\u00e7\u00e3o de trabalho alheio, inclusive nos trabalhos anteriores com HTLV-1.<\/p>\n<p>Em 1990, o NIH iniciou atrav\u00e9s da Roche um processo de investiga\u00e7\u00e3o para tra\u00e7ar a origem do v\u00edrus LAV\/HTLV-3. Em um artigo de 1993 na revista Nature [11], saiu o  duro veredito, as amostras eram do laborat\u00f3rio franc\u00eas. Uma amostra de um paciente gay com saroma de Kaposi (LAI) continha um v\u00edrus extremamente agressivo que havia contaminado a amostra BRU de Montagnier, a mesma amostra que foi enviada para Gallo. Na melhor das hip\u00f3teses, a amostra LAI tamb\u00e9m teria contaminado as culturas de HIV do laborat\u00f3rio americano. Na pior, um aluno de Gallo que passou pelo laborat\u00f3rio franc\u00eas teria roubado o v\u00edrus, e a an\u00e1lise das sequ\u00eancias dos v\u00edrus pegou-os no flagra.<\/p>\n<p>Em 1995, Gallo descobriu que o HIV precisa de um receptor (CD4) e um correceptor para entrar nas c\u00e9lulas, no caso o CCR5 [12]. Com as descobertas de Robert Gallo e Luc Montagnier, foi poss\u00edvel em 1987 o desenvolvimento da primeira droga anti-HIV, o AZT, e em 1995 a introdu\u00e7\u00e3o da terapia com tr\u00eas drogas, o HAART, que at\u00e9 hoje possibilita uma qualidade de vida muito maior para os portadores de HIV.<\/p>\n<p>O isolamento do v\u00edrus HIV \u00e9 digna do pr\u00eamio Nobel, e isso j\u00e1 era sabido desde a d\u00e9cada de 90. Por\u00e9m, o pr\u00eamio dificilmente \u00e9 concedido para descobertas onde h\u00e1 controv\u00e9rsia ou disputa envolvidas. A disputa de autoria entre Gallo e Montagnier foi resolvida apenas 25 anos depois, com a atribui\u00e7\u00e3o do pr\u00eamio <a href=\"http:\/\/nobelprize.org\/nobel_prizes\/medicine\/laureates\/2008\/press.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Nobel de Medicina e Fisiologia<\/a> para Fran\u00e7oaise Barr\u00e9-Sinoussi e Luc Montagnier em 6 de outubro de 2008. O pr\u00eamio tamb\u00e9m foi dado a Harald zur Hausen pela descoberta de que o HPV causa c\u00e2ncer de colo de \u00fatero &#8211; prometo discutir mais tarde isso. Depois de ter recebido diversos pr\u00eamios pela descoberta do HIV, muitos dos quais n\u00e3o citaram Montagnier, Robert Gallo sequer foi mencionado e <a href=\"http:\/\/www.jornaldaciencia.org.br\/Detalhe.jsp?id=59100\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">disse estar desapontado<\/a> por n\u00e3o participar do Nobel, mas entende que s\u00f3 3 pessoas podem ser premiadas em uma categoria no mesmo ano. J\u00e1 Luc Montagnier, disse elegantemente que Gallo &#8220;&#8230;mereceu tanto quanto n\u00f3s.&#8221;.<\/p>\n<p>[update] Para quem acha que hoje em dia o HIV n\u00e3o \u00e9 mais problema para os mais informados, vale uma lida na <a href=\"http:\/\/www.saberebomdemais.com\/barebacking-e-a-roleta-russa-do-sexo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">descri\u00e7\u00e3o da Ester<\/a> sobre o barebacking (algo como montar sem cela), a pr\u00e1tica de festas sem camisinha onde h\u00e1 soropositivos para apimentar o clima com medo.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Fonte:<\/p>\n<p>[1] Para uma \u00f3tima descri\u00e7\u00e3o do contexto em que surgiu o HIV, al\u00e9m de um registro complet\u00edssimo sobre divesas doen\u00e7as, recomendo &#8220;A pr\u00f3xima peste&#8221;, de Laurie Garret.<\/p>\n<div style=\"line-height: 1.1em;margin-left: 0.5in;text-indent: -0.5in\">\n<p style=\"margin: 0pt\">[2] Poiesz, Bernard J., Francis W. Ruscetti, Marvin S. Reitz, V. S. Kalyanaraman, and Robert C. Gallo. &#8220;Isolation of a new type C retrovirus (HTLV) in primary uncultured cells of a patient with Sezary T-cell leukaemia.&#8221; <span style=\"font-style: italic\">Nature<\/span> 294, no. 5838 (November 19, 1981): 268-271. <a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1038\/294268a0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">doi:10.1038\/294268a0<\/a><\/p>\n<p style=\"margin: 0pt\">[3]  Morgan, DA, FW Ruscetti, and R Gallo. &#8220;Selective in vitro growth of T lymphocytes from normal human bone marrows.&#8221; <span style=\"font-style: italic\">Science<\/span> 193, no. 4257 (September 10, 1976): 1007-1008. <a href=\"http:\/\/www.sciencemag.org\/cgi\/content\/abstract\/193\/4257\/1007\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">doi:10.1126\/science.181845<\/a>.<\/p>\n<p style=\"margin: 0pt\">[4]  Montagnier, Luc. &#8220;HISTORICAL ESSAY: A History of HIV Discovery.&#8221; <span style=\"font-style: italic\">Science<\/span> 298, no. 5599 (November 29, 2002): 1727-1728. <a href=\"http:\/\/www.sciencemag.org\/cgi\/content\/summary\/298\/5599\/1727\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">doi:10.1126\/science.1079027<\/a>.<\/p>\n<p style=\"margin: 0pt\">[5]  Barre-Sinoussi, F, JC Chermann, F Rey, MT Nugeyre, S Chamaret, J Gruest, et al. &#8220;Isolation of a T-lymphotropic retrovirus from a patient at risk for acquired immune deficiency syndrome (AIDS).&#8221; <span style=\"font-style: italic\">Science<\/span> 220, no. 4599 (May 20, 1983): 868-871. <a href=\"http:\/\/www.sciencemag.org\/cgi\/content\/abstract\/220\/4599\/868\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">doi:10.1126\/science.6189183<\/a>.<\/p>\n<p style=\"margin: 0pt\">[6] Gallo, RC, PS Sarin, EP Gelmann, M Robert-Guroff, E Richardson, VS Kalyanaraman, et al. &#8220;Isolation of human T-cell leukemia virus in acquired immune deficiency syndrome (AIDS).&#8221; <span style=\"font-style: italic\">Science<\/span> 220, no. 4599 (May 20, 1983): 865-867. <a href=\"http:\/\/www.sciencemag.org\/cgi\/content\/abstract\/220\/4599\/865\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">doi:10.1126\/science.6601823<\/a>.<\/p>\n<p style=\"margin: 0pt\">[7]  Popovic, M, MG Sarngadharan, E Read, and RC Gallo. &#8220;Detection, isolation, and continuous production of cytopathic retroviruses (HTLV-III) from patients with AIDS and pre-AIDS.&#8221; <span style=\"font-style: italic\">Science<\/span> 224, no. 4648 (May 4, 1984): 497-500. <a href=\"http:\/\/www.sciencemag.org\/cgi\/content\/abstract\/224\/4648\/497\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">doi:10.1126\/science.6200935<\/a>.<\/p>\n<p style=\"margin: 0pt\">[8]  Gallo, Robert C. &#8220;HISTORICAL ESSAY: The Early Years of HIV\/AIDS.&#8221; <span style=\"font-style: italic\">Science<\/span> 298, no. 5599 (November 29, 2002): 1728-1730. <a href=\"http:\/\/www.sciencemag.org\/cgi\/content\/summary\/298\/5599\/1728\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">doi:10.1126\/science.1078050<\/a>.<\/p>\n<p style=\"margin: 0pt\">[9]  Schupbach, J, M Popovic, RV Gilden, MA Gonda, MG Sarngadharan, and RC Gallo. &#8220;Serological analysis of a subgroup of human T-lymphotropic retroviruses (HTLV-III) associated with AIDS.&#8221; <span style=\"font-style: italic\">Science<\/span> 224, no. 4648 (May 4, 1984): 503-505. <a href=\"http:\/\/www.sciencemag.org\/cgi\/content\/abstract\/224\/4648\/503\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">doi:10.1126\/science.6200937<\/a>.<\/p>\n<p style=\"margin: 0pt\">[10]  Gallo, RC, SZ Salahuddin, M Popovic, GM Shearer, M Kaplan, BF Haynes, et al. &#8220;Frequent detection and isolation of cytopathic retroviruses (HTLV-III) from patients with AIDS and at risk for AIDS.&#8221; <span style=\"font-style: italic\">Science<\/span> 224, no. 4648 (May 4, 1984): 500-503. <a href=\"http:\/\/www.sciencemag.org\/cgi\/content\/abstract\/224\/4648\/500\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">doi:10.1126\/science.6200936<\/a>.<\/p>\n<p style=\"margin: 0pt\">[11]  Chang SP, Bowman, BH, Weiss, JB, Garcia, ER, TJ White et al. &#8220;The origin of HIV-1 isolate HTLV-IIIB.&#8221; Nature 363, 466 &#8211; 469 (03 June 1993); <a href=\"http:\/\/www.nature.com\/nature\/journal\/v363\/n6428\/abs\/363466a0.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">doi:10.1038\/363466a0<\/a>.<\/p>\n<p style=\"margin: 0pt\">[12]  Cocchi, Fiorenza, Anthony L. DeVico, Alfredo Garzino-Demo, Suresh K. Arya, Robert C. Gallo, and Paolo Lusso. &#8220;Identification of RANTES, MIP-1alpha, and MIP-1beta as the Major HIV-Suppressive Factors Produced by CD8+ T Cells.&#8221; <span style=\"font-style: italic\">Science<\/span> 270, no. 5243 (December 15, 1995): 1811-1815. <a href=\"http:\/\/www.sciencemag.org\/cgi\/content\/abstract\/270\/5243\/1811\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">doi:10.1126\/science.270.5243.1811<\/a>.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O pr\u00eamio Nobel de medicina e fisiologia deixou de lado um dos descobridores do HIV na premia\u00e7\u00e3o. Acompanhe a descoberta e o isolamento do v\u00edrus e entenda o que motivou essa decis\u00e3o. Fim dos anos 70, come\u00e7o da d\u00e9cada de 80. Ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o sexual de 70, o movimento gay estava em pleno crescimento. 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