{"id":710,"date":"2009-03-29T16:05:38","date_gmt":"2009-03-29T19:05:38","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/rainha\/2009\/03\/o_que_voce_acha\/"},"modified":"2009-03-29T16:05:38","modified_gmt":"2009-03-29T19:05:38","slug":"o_que_voce_acha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/rainha\/2009\/03\/o_que_voce_acha\/","title":{"rendered":"O que voc\u00ea acha?"},"content":{"rendered":"<div align=\"center\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/rainha\/wp-content\/uploads\/sites\/254\/2011\/08\/aprovado1.jpg\" alt=\"aprovado.jpg\" width=\"500\" height=\"333\" \/><br \/>\n<br \/>Vai fundo! \u00a9<b><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/carbonnyc\/\" title=\"Link para a galeria de CarbonNYC\" rel=\"dc:creator cc:attributionURL\"><b>CarbonNYC<\/b><\/a><\/b><\/div>\n<p>O que voc\u00ea acha que vai te informar mais sobre uma situa\u00e7\u00e3o nova, saber como outras pessoas reagiram a ela ou saber informa\u00e7\u00f5es diretas sobre o evento? Se voc\u00ea acha que uma descri\u00e7\u00e3o sobre uma novidade \u00e9 melhor do que uma opini\u00e3o, <b>est\u00e1 enganado<\/b>.<\/p>\n<p>Quando imaginamos uma situa\u00e7\u00e3o infeliz, como uma reprova\u00e7\u00e3o em um teste, tendemos a superestimar o qu\u00e3o mal ficaremos. O mesmo quando imaginamos uma situa\u00e7\u00e3o boa, como ganhar um pr\u00eamio, costumamos achar que ficaremos mais felizes do que ficamos de fato. Isso porque pensamos nas partes principais do acontecimento, mas deixamos de lado pequenos detalhes que podem fazer diferen\u00e7a, ou n\u00e3o pensamos a longo prazo.<\/p>\n<p>J\u00e1 a opini\u00e3o de outras pessoas tende a ser v\u00e1lida. Por mais que tenhamos gostos diferentes (<strike>tem at\u00e9 gente que torce para o Corinthians<\/strike> tem at\u00e9 gente que gosta de apanhar) certas prefer\u00eancias s\u00e3o universais. Todos preferem ganhar do que perder, ser feliz do que ser triste, ser amado do que odiado. A opini\u00e3o de algu\u00e9m sobre o que voc\u00ea vai fazer ou experimentar pode ser um \u00f3timo indicativo do que est\u00e1 por vir. (continue no read on)<br \/>\n<!--more--><\/p>\n<p>Se meus argumentos n\u00e3o te convenceram, acompanhe o resultado de<br \/>\num estudo com homens e mulheres em Harvad &#8211; s\u00e9rio, foi l\u00e1 mesmo, nada<br \/>\ndaquele papo de spam de pesquisadores de Harvard disseram que quem n\u00e3o<br \/>\npassou essa mensagem morreu, \u00e9 s\u00f3 conferir a fonte no fim do texto, de<br \/>\numa das mais respeitadas revistas cient\u00edficas:<\/p>\n<p>Na primeira<br \/>\nrodada de experimentos, foi testada a rea\u00e7\u00e3o de mulheres a encontros<br \/>\nr\u00e1pidos. Homens e mulheres solteiros e heterossexuais foram convocados<br \/>\npara uma s\u00e9rie de conversas de 5 minutos em uma sala, e as mulheres<br \/>\navaliavam o qu\u00e3o interessante foi a conversa.<\/p>\n<p>Antes de entrar na<br \/>\nsala, elas eram expostas a uma de duas informa\u00e7\u00f5es. Ou recebiam<br \/>\na ficha com o perfil que os homens haviam preenchido, com prefer\u00eancias<br \/>\ncomo livros, filmes, interesses e outros dados pessoais, ou eram<br \/>\ninformadas da nota que a mulher anterior havia dado para aquele homem<br \/>\nem uma escala. Com base em uma dessas duas fontes, elas marcavam na<br \/>\nescala qual a nota que imaginavam que dariam para o rapaz. Depois de<br \/>\nter dado a nota que imaginavam, recebiam a outra informa\u00e7\u00e3o, perfil ou<br \/>\nnota anterior, para garantir que n\u00e3o haveria diferen\u00e7a do que sabiam<br \/>\nantes do encontro.<\/p>\n<p><b>As mulheres que basearam a expectativa em<br \/>\numa opini\u00e3o anterior divergiram da nota real cerca de 50% menos do que<br \/>\nas mulheres que se basearam nas informa\u00e7\u00f5es preenchidas pelos homens no<br \/>\nperfil<\/b>. E n\u00e3o foi o caso das fichas serem exageradas, pois na<br \/>\nmaioria das vezes, as mulheres haviam subestimado a nota que deram<br \/>\ndepois da conversa. Se o perfil do &#8220;candidato&#8221; fosse exagerado, as<br \/>\nnotas reais teriam sido menores. <\/p>\n<p>Sabe o que \u00e9 pior? <b>75% das mulheres esperavam avaliar melhor o encontro com base na informa\u00e7\u00e3o do que na opini\u00e3o<\/b>. Isso quer dizer que al\u00e9m das pessoas se sa\u00edrem melhor com uma opini\u00e3o, <b>a maioria delas n\u00e3o sabe disso<\/b>.<\/p>\n<p>Para<br \/>\ngarantir o resultado, foi realizado um outro experimento. As pessoas<br \/>\nescreviam uma hist\u00f3ria que seria avaliada por uma banca. A avalia\u00e7\u00e3o<br \/>\npodia ser A &#8211; positiva, B &#8211; neutra e C &#8211; negativa. Em seguida, metade<br \/>\nrecebia uma descri\u00e7\u00e3o detalhada sobre o que significava receber cada<br \/>\nconceito e precisava dizer como se sentiria recebendo o conceito C. A<br \/>\noutra metade via uma declara\u00e7\u00e3o de quem havia recebido o conceito C e<br \/>\ndescrevia como se sentiria tendo a mesma avalia\u00e7\u00e3o que aquela pessoa.<\/p>\n<p>Quando entregaram as hist\u00f3rias, todos receberam conceito C, para se avaliar qual a sensa\u00e7\u00e3o real. <b>Novamente,<br \/>\nquem se baseou na rea\u00e7\u00e3o de outra pessoa se sentiu muito mais pr\u00f3ximo<br \/>\ndo que havia esperado do que quem se guiou pela descri\u00e7\u00e3o<\/b>.<\/p>\n<p><font>E o que um blog tem com isso?<\/font><\/p>\n<p>Nos<br \/>\nexperimentos anteriores, tudo que os participantes tinham em comum, ou<br \/>\nsabiam que tinham, era o fato de estudarem na mesma universidade. <b>O<br \/>\nefeito de uma opini\u00e3o ou cr\u00edtica feita por algu\u00e9m com mais coisas em<br \/>\ncomum, uma pessoa que eu j\u00e1 conhe\u00e7o e me identifico com as id\u00e9ias dela,<br \/>\n\u00e9 muito maior<\/b>.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 um blog. O que me motiva a ler a maioria dos blogs que leio \u00e9 o quanto valorizo as id\u00e9ias do autor. <b>Se sei que as id\u00e9ias dele s\u00e3o dignas de aten\u00e7\u00e3o, a opini\u00e3o dele sobre um filme ou um evento vai ser muito mais v\u00e1lida para mim<\/b> do que ler informa\u00e7\u00f5es sobre aquilo, sejam elas bem descritivas ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>No<br \/>\nmundo de op\u00e7\u00f5es que \u00e9 a internet, um leitor p\u00e1ra para ler (me recuso a<br \/>\nn\u00e3o acentuar) textos com os quais ele se identifica. Nesse contexto, a<br \/>\nopini\u00e3o de quem escreve \u00e9 muito influenciadora, mesmo que ele n\u00e3o saiba<br \/>\n(a maioria das cobaias tamb\u00e9m n\u00e3o achava que as cr\u00edticas seriam mais<br \/>\nrelevantes).<\/p>\n<p>O que voc\u00ea acha?<\/p>\n<p>Fonte:<\/p>\n<div style=\"line-height: 1.1em;margin-left: 0.5in;text-indent: -0.5in\">\n<p style=\"margin: 0pt\">Gilbert, Daniel T., Matthew A. Killingsworth,<br \/>\nRebecca N. Eyre, e Timothy D. Wilson. &#8220;The Surprising Power of<br \/>\nNeighborly Advice.&#8221; <a href=\"http:\/\/www.sciencemag.org\/cgi\/content\/abstract\/323\/5921\/1617\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><span style=\"font-style: italic\">Science<\/span> 323, no. 5921 (Mar\u00e7o 20, 2009): 1617-1619<\/a>.\n<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vai fundo! \u00a9CarbonNYC O que voc\u00ea acha que vai te informar mais sobre uma situa\u00e7\u00e3o nova, saber como outras pessoas reagiram a ela ou saber informa\u00e7\u00f5es diretas sobre o evento? Se voc\u00ea acha que uma descri\u00e7\u00e3o sobre uma novidade \u00e9 melhor do que uma opini\u00e3o, est\u00e1 enganado. 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