{"id":999,"date":"2010-05-18T03:20:22","date_gmt":"2010-05-18T06:20:22","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/rainha\/2010\/05\/no_no_temos_macroevoluo\/"},"modified":"2010-05-18T03:20:22","modified_gmt":"2010-05-18T06:20:22","slug":"no_no_temos_macroevoluo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/rainha\/2010\/05\/no_no_temos_macroevoluo\/","title":{"rendered":"N\u00e3o, n\u00e3o temos macroevolu\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p align=\"left\">No post sobre evolu\u00e7\u00e3o anterior, fui obrigado a admitir que a biologia est\u00e1 cheia de complexidade irredut\u00edvel. Hoje terei de admitir que tamb\u00e9m n\u00e3o temos exemplo de macroevolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/rainha\/wp-content\/uploads\/sites\/254\/2011\/08\/esgana_gato_2.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px;border-left: 0px;float: none;margin-left: auto;border-top: 0px;margin-right: auto;border-right: 0px\" border=\"0\" alt=\"esgana_gato\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/rainha\/wp-content\/uploads\/sites\/254\/2011\/08\/esgana_gato_thumb1.jpg\" width=\"500\" height=\"321\" \/><\/a><\/p>\n<p align=\"center\">Peixe esgana-gato do <a href=\"http:\/\/kingsley.stanford.edu\/\">laborat\u00f3rio de David Kingsley<\/a>.<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;<\/p>\n<p align=\"left\">Recentemente <a href=\"http:\/\/ultimosegundo.ig.com.br\/ciencia\/design+inteligente+ganha+espaco+no+brasil\/n1237599350877.html\">participei de uma reportagem<\/a> da Isis sobre evolu\u00e7\u00e3o que <a href=\"http:\/\/www.novotempo.org.br\/cntn\/?p=959\" rel=\"nofollow\">recebeu<\/a> um coment\u00e1rio bastante interessante: <\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<p align=\"left\"><em>Quanto \u00e0 resist\u00eancia a antibi\u00f3ticos, mencionada por Iamarino, En\u00e9zio questiona: &#8220;\u00c9 esse um exemplo do fato, Fato, FATO da evolu\u00e7\u00e3o? Que evolu\u00e7\u00e3o? Microevolu\u00e7\u00e3o ou macroevolu\u00e7\u00e3o? As bact\u00e9rias continuaram bact\u00e9rias. N\u00e3o houve processo macroevolutivo que \u00e9 o que a teoria geral se prop\u00f5e explicar: um Australopithecus afarensis se transformar em antrop\u00f3logo amazonense.&#8221; [En\u00e9zio \u00e9 amazonense.]<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p align=\"left\">&nbsp;<\/p>\n<p align=\"left\">Trata-se de um argumento muito usado pelos criacionistas, a macroevolu\u00e7\u00e3o. Segundo eles, eventos de evolu\u00e7\u00e3o em microescala, como bact\u00e9rias resistentes a antibi\u00f3ticos, s\u00e3o admiss\u00edveis e reconhecidos, mas o surgimento de novas esp\u00e9cies, um evento macroevolutivo, nunca foi mostrado. \u00c9 o equivalente argumentativo de &#8220;s\u00f3 a cabecinha&#8221;, algo como admitir que placas tect\u00f4nicas se movem e terremotos acontecem, mas ningu\u00e9m nunca viu uma montanha aparecer ou um continente sair nadando.<\/p>\n<p align=\"left\">O problema aqui \u00e9 o Princ\u00edpio da Incerteza de En\u00e9zimo, ou <em>n<\/em>\u00c9zimo. Ele acontece na seguinte situa\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p align=\"left\">Quando tentamos explicar a um criacionista por que ele est\u00e1 errado, e mesmo depois de N argumentos ele continua ignorando qualquer evid\u00eancia, n\u00e3o podemos saber ao certo se isso acontece porque ele \u00e9 ignorante ou por desonestidade.<\/p>\n<p align=\"left\">Da mesma forma, quando criacionistas d\u00e3o exemplos grotescos e completamente toscos, como ignorar que a origem do flagelo bacteriano pode ser explicada, para validar o argumento do DI, n\u00e3o podemos saber ao certo o qu\u00e3o desonestos e\/ou ignorantes a ponto de n\u00e3o entender o que falam eles est\u00e3o sendo.<\/p>\n<p align=\"left\">Dessa forma, podemos determinar apenas uma das duas coisas, o qu\u00e3o desonestos ou qu\u00e3o ignorantes est\u00e3o sendo, nunca os dois ao mesmo tempo. &#8211; este evento deu origem \u00e0 id\u00e9ia de que se tranc\u00e1ssemos o gato do Shr\u00f6dinger e um criacionista numa caixa, o gato entenderia antes o que \u00e9 a evolu\u00e7\u00e3o, mesmo estando meio morto.<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;<\/p>\n<p align=\"left\">Michael Behe, o pesquisador em bioqu\u00edmca que escreveu o Caixa Preta de Darwin, por exemplo, estava sendo completamente desonesto. E quem aponta isso n\u00e3o sou eu, \u00e9 o juiz do caso <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Kitzmiller_v._Dover_Area_School_District\">Kitzmiller v. Dover Area School District<\/a>, quando estavam discutindo se o criacionismo deveria ser ensinado como alternartiva \u00e0 teoria da evolu\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o de Dover, Pensilv\u00e2nia.Veja um trecho da declara\u00e7\u00e3o de Behe que podem ser encontrados na <a href=\"http:\/\/www.talkorigins.org\/faqs\/dover\/day12am.html\">transcri\u00e7\u00e3o de seu depoimento no 12<sup>\u00b0<\/sup><\/a> <a href=\"http:\/\/www.talkorigins.org\/faqs\/dover\/day12am.html\">dia<\/a>:<\/p>\n<blockquote>\n<p align=\"left\"><i><\/i><\/p>\n<p align=\"left\"><i>Acusa\u00e7\u00e3o: E, de fato, <b>n\u00e3o h\u00e1 artigos revisados por pares de ningu\u00e9m defendento o design inteligente suportado<\/b> por experimentos ou c\u00e1lculos peritnentes, que prov\u00e9m relatos detalhados e rigorosos de como o design inteligente de qualquer sistema biol\u00f3gico ocorreu, certo?<\/i><\/p>\n<p align=\"left\"><i>Michael Behe: <b>Sim, est\u00e1 correto<\/b>.<\/i><\/p>\n<\/blockquote>\n<p align=\"left\">&nbsp;<\/p>\n<p align=\"left\">Mais adiante, Behe adimite que n\u00e3o h\u00e1 dado ou pesquisa originais em seu livro, e que nunca publicou um artigo sobre o assunto. Embora j\u00e1 tenha publicado diversos artigos cient\u00edficos em outros temas, todos com dados experimentais. &#8211; conhe\u00e7o <a href=\"http:\/\/www.elivieira.com\/2009\/10\/5-criacionistas-desonestos-do-brasil.html\">um certo pesquisador criacionista que se encaixa<\/a> aqui &#8211; Ou seja, ele sabe a diferen\u00e7a entre ci\u00eancia e cren\u00e7a, e \u00e9 desonesto quando diz que o design inteligente \u00e9 uma alternativa v\u00e1lida. Tanto que <a href=\"http:\/\/www.newscientist.com\/article\/dn8178\">reconheceu que o conceito de teoria que ele aplica<\/a> est\u00e1 mais pr\u00f3ximo do conceito de hip\u00f3tese cient\u00edfica, e tamb\u00e9m poderia abrigar a astrologia.<\/p>\n<p align=\"left\">Como n\u00e3o estamos em um julgamento onde o criacionista pode ser prensado at\u00e9 se explicar, eu n\u00e3o consigo determinar se est\u00e3o sendo desonestos. E longe de mim chamar os criacionistas de desonestos, vou partir dio princ\u00edpio que eles s\u00e3o simplesmente ignorantes.<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;<\/p>\n<p align=\"left\"><strong>N\u00e3o temos macro-evolu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p align=\"left\">O motivo de n\u00e3o termos macro-evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 bem simples. Temos evolu\u00e7\u00e3o. Macro e micro-evolu\u00e7\u00e3o s\u00e3o termos que descrevem pontos diferentes da Teoria da Evolu\u00e7\u00e3o. Nas palavras de Mark Ridley, autor do livro Evolu\u00e7\u00e3o (p\u00e1gina 572), que depois discute mecanismos comuns e diferentes de ambas escalas:<\/p>\n<p align=\"left\">&#8220;A microevolu\u00e7\u00e3o e a macroevolu\u00e7\u00e3o podem ser concebidas como termos vagos, assim como &#8216;pequeno&#8217; e &#8216;grande&#8217;, e como extremos cont\u00ednuos de evolu\u00e7\u00e3o, da menor escala \u00e0 escala m\u00e1xima.&#8221;<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;<\/p>\n<p align=\"left\">Mas os criacionistas distorcem estes conceitos, tratando macroevolu\u00e7\u00e3o como algo completamente separado da evolu\u00e7\u00e3o, e ignorando (voluntariamente?) que ela trata de eventos grandes, que levam milhares ou milh\u00f5es de anos para acontecer. Traduzindo o argumento criacionista de &#8220;micro pode, macro nunca vi&#8221; para nossa escala de tempo, \u00e9 como dizer que embora vejamos o ano passar, nunca presenciamos um mil\u00eanio.<\/p>\n<p align=\"left\"><strong>N\u00f3s n\u00e3o temos a macroevolu\u00e7\u00e3o na biologia, temos apenas evolu\u00e7\u00e3o. Macroevolu\u00e7\u00e3o \u00e9 o nome que damos para este evento em certos casos. E mesmo assim, os f\u00f3sseis s\u00e3o testemunha de que a macroevolu\u00e7\u00e3o acontece, dado um longo per\u00edodo de tempo, e a biologia molecular mostra esta rela\u00e7\u00e3o dos organismos. Por mais que os criacionistas argumentem que n\u00e3o h\u00e1 formas intermedi\u00e1rias, a rela\u00e7\u00e3o entre os organismos revelada pelas mol\u00e9culas mostra linhagens cont\u00ednuas, que variam ao longo do tempo, ao inv\u00e9s de eventos \u00fanicos de cria\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p align=\"left\"><strong>Eventos estes que podem inclusive <\/strong><a href=\"http:\/\/opinionator.blogs.nytimes.com\/2008\/01\/29\/the-repeater\/\"><strong>serem recriados<\/strong><\/a><strong>, como a manipula\u00e7\u00e3o de muta\u00e7\u00f5es do peixe engasga-gato l\u00e1 de cima, que foram capazes de reverter a morfologia de uma esp\u00e9cie de \u00e1gua doce sem espinhos (abaixo) para seu ancestral marinho, com espinhos. E a muta\u00e7\u00e3o que condicionou isto est\u00e1 no promotor do gene, que regula o local e tempo em que ele \u00e9 expresso (<\/strong><a href=\"http:\/\/www.sciencemag.org\/cgi\/rapidpdf\/327\/5963\/302.pdf?ijkey=Ds5gKjw1gFccU&amp;keytype=ref&amp;siteid=sci\"><strong>pdf do artigo aqui<\/strong><\/a><strong>). Pequenas mudan\u00e7as em um gene regulador que proporcionaram uma grande mudan\u00e7a na esp\u00e9cie.<\/strong><\/p>\n<p align=\"left\"><strong>Mais uma vez, criacionistas distorcem conceitos e ignoram fatos, aproveitando \u00e1reas do conhecimento que a biologia ainda come\u00e7a a entender. Anos atr<br \/>\n\u00e1s, este tipo de experimento seria impens\u00e1vel, pois envolve desde conhecimento sobre o desenvolvimento e genes regulat\u00f3rios \u00e0 manipula\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica. Conforme aprimoramos nossos m\u00e9todos, explicamos melhor o mundo natural e diminu\u00edmos as sombras onde o DI ainda persiste.<\/strong><\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;<\/p>\n<p align=\"left\">Quanto ao &#8220;<i>Australopithecus afarensis<\/i> se transformar em antrop\u00f3logo amazonense&#8221;, tenho uma m\u00e1 not\u00edcia.Se algum criador moldou o surgimento do ser humano, uma das preocupa\u00e7\u00f5es que ele teve foi a de aumentar a massa encef\u00e1lica das esp\u00e9cies que desenhou<strike>, e n\u00e3o imagino que ele v\u00e1 contrariar isso agora<\/strike>. Al\u00e9m disso, primatas tem coisas mais importantes e desafiadoras a pensar, <strike>como dire\u00e7\u00e3o e for\u00e7a com que v\u00e3o <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=cg2\">lan\u00e7ar seus argumentos em visitantes no zool\u00f3gico<\/a>,<\/strike> do que o DI.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No post sobre evolu\u00e7\u00e3o anterior, fui obrigado a admitir que a biologia est\u00e1 cheia de complexidade irredut\u00edvel. 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