Formas e formas de divulgar ciência

Educar pessoas quanto às mudanças climáticas e o aquecimento global é muito difícil. Uma porque as pessoas têm uma carga de pré-conceitos que foram aprendidos por aí pela vida. Outra porque entender que você é um agente que pode fazer a diferença implica em mudar hábitos que estão tão fortemente presos e que muitas vezes dependem de um investimento de tempo e dinheiro.
Fato é que existe um problema, que já foi descrito e esmiuçado por cientistas e especialistas do IPCC, e depois entendido e abordado por especialistas políticos e economistas nas reuniões da ONU, principalmente na última convenção do clima, a COP-13. O problema é grande ou não reuniria tanta gente em torno da discussão. Mas grande também devem ser o sentimento de ações pessoais bem praticadas. Trocar uma lâmpada incandescente por uma fluorescente é uma mudança grande na sua vida, embora seja relativamente barata. Deixar o carro em casa um dia da semana e usar transporte público é uma mudança ainda maior. Deixar de consumir carne todos os dias é outra maior ainda. Todas as mudanças de hábitos tem valores imensos, mas são muitas vezes desvalorizadas pela mídia e, pasmem, pelas ONGs.
O leitor ativo do meu blog deve estar se perguntando: “Mas por que falar deste assunto agora?”
Estava fazendo a peregrinação diária pelos blogs que assino quando vejo uma postagem intrigante no Bafana Ciência, com link direto para o post em questão aqui. Como alguns leitores podem perceber, já deixei lá minhas broncas, nos comentários. Recomendo a visita.
Dos cinco vídeos postados, somente um me fez refletir sobre o problema, me fez me sentir confiante para atuar como agente ativo na mudança de hábitos e não me desesperar ou me sentir culpada. Dos três vídeos do Greenpace, três me fizeram sentir culpada e impotente diante do problema. O outro, não consegui identificar a fonte, mas também não me fez me sentir melhor. Aposto que meus leitores vão conseguir identificar no ato o vídeo que eu gostei. Deixo aqui claro que não estou de forma alguma culpando o Bafana pelos vídeos, e sim os produtores dos tais.
Já é dificílimo divulgar ciência nesta área. E é dificílimo mudar hábitos dos quais estamos acostumados e com os quais vivemos bem há anos. E mais difícil ainda é acreditar em aquecimento global quando a temperatura lá fora, no verão, não passa de 18ºC (e lembrar que algumas semanas atrás estava 34ºC). Algumas ONGs poderiam deixar de prestar tamanho des-serviço e começar a agir como agente promotor de discussão, de agente modificador de opinião, provocando atitude e não culpa.
Tenho dito. (Desabafei…)

Discussão - 7 comentários

  1. Caroline disse:

    Paula, realmente so um (o primeiro) video sugere o q o individuo comum pode fazer pra diminuir o aquecimento global. O penultimo (q nao eh do Greenpeace) ate pede pra vc fazer alguma coisa – conter o nivel do mar -, o q parece indicar q devemos, sei la, construir barreiras pra conter o mar! O ultimo ja pede pra q vc se suicide! Nao ha tempo pra mensagens rebuscadas, eh necessario mensagens claras e objetivas pra q cada um possa agir ja.

  2. Dr. Pivomar disse:

    Olá Paula…Primeiro, adorei o blog. Confesso que ainda não o conhecia, ótimos textos e muita informação, já até deixei o “rastro” dele blog lá Bafana.Sobre os vídeos, concordo contigo em relação àquelas campanhas que apelam para o drama e só lhe deixam a sensação de impotência. Mas não condeno o Greenpace como um todo, pois cada campanha que a ONG realiza é feita por uma equipe diferente e trabalha pontos de vista diversos. Têm campanhas que algumas ONGs (WWF, Greenpeace…) realizam não só para divulgar, mas estritamente para ganhar prêmios com elas.Da próxima vez… farei questão de exibir campanhas que valem a pena ver. Nos faça sentir aquela ponta de responsabilidade que nos incita a fazer nossa pequena parte no todo.Abraço, Pivo.

  3. Alcione disse:

    Amei seu blog e o que me chamou mais atenção foi aquele PROCURANDO EMPREGO lá no início! rsrsrsTambém estou na luta, colega!!Abs.Alcione

  4. Atila I. disse:

    Paula, brigado pelo pito, vacilei com o vídeo, coloquei sem ter ouvido!!!Fico feliz da repercursão ter sido tão rápida!!

  5. Folopo disse:

    Oi Paula.Infelizmente, e no Brasil isso ocorre muito mais do que em outros países mais evoluídos culturalmente, as pessoas (me refiro às MASSAS, pois eu, vc, os leitores daqui somos todos uma minoria da realidade que é o Brasil), sa pessoas não estão preparadas para algumas coisas. Novas maneiras de ver as coisas…uma “nova cultura.Mudar nossos hábitos (ambientais) já é uma realidade em países da Europa, e mesmo em muitos estados Norte Americanos.Mas o que o brasileiro quer no fundo é cerveja, futebol e mulher.Não temos mais senso crítico…nos acostumamos a ser mal tratados pelos governantes.As pessoas com vida dificil não têm muitas oportunidades, é impossivel reeducar alguém que trabalha 12 horas por dia pra ganhar um salário minimo.Cadê a educação desse país???bjs

  6. Paula Signorini disse:

    Carol,Eu concordo plenamente. Quanto mais direcionadas forem as campanhas, melhor informado fica o cidadão, já que ele saberá como agir. Voto pela divulgação científica eficiente!Igor,Obrigada por deixar seu rastro. Mas, cá entre nós. Eu esperava mais das ONGs do que a vontade de ganhar prêmios por vídeos. E a pergunta que fica é: Não dá pra unir o útil ao agradável e fazer um vídeo bom com informação boa e ganha prêmio mesmo assim?Alcione,Sorte para nós!Atila,Foi terrível da primeira vez, mas agora até posso me divertir com isso.Folopo,Desencanei de esperar que outras pessoas fizessem por mim (governos, ensino público e privado, ou seja lá quem for). E por isso lancei o blog, e por isso acredito em divulgação científica de qualidade.

  7. Claudia Chow disse:

    Paula, interessante seu ponto de vista, mas acho q essas campanhas de nos fazer sentir culpados faz parte do processo… Acho q tem q ser assim para as pessoas serem sensibilizadas, tem q colocar o dedo na ferida mesmo. Pq infelizmente pessoas como eu e vc sao minoria, conheco dezenas de exemplos de pessoas q nao estao nem um pouco preocupadas com a situacao em q estamos passando. Infelizmente a maioria das pessoas nao aprende com o amor, mas com a dor.

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