O uso inapropriado do Eco

Este texto faz parte da Blogagem Inédita proposta pelo Interney: Trata-se de um assunto não publicado em nenhuma outra fonte. Todas as pesquisas, fotos e entrevistas necessárias para a publicação desse conteúdo foram feitas exclusivamente pelo Rastro de Carbono.
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Depois da chegada da nova onda pró-ambiental, devido ao aquecimento global e toda a ciência e política envolvida no caso, fica cada vez mais comum empresas, indústrias, publicidades, e afins, buscarem clientes prometendo, digamos, “eco-coisas”.
Os produtos que se dizem ecologicamente corretos invadem as propagandas de TV, a gasolina do seu carro, o guarda-roupa, os lançamentos em eletrodomésticos, as prateleiras dos supermercados e toda uma gama de produtos “verdes” começa a invadir nossa vida.
Vamos ao estudo de caso, que pesquisei durante essa semana:
A empresa “eco-coisas” em questão é dona de empreendimentos imobiliários. Entre as vantagens de se ter um imóvel “eco-coisa” estão a captação de água de chuva, um pomar na área comum, rochas vulcânicas vindas de sei lá de onde pras churrasqueiras individuais em cada apartamento e um tal de elevador ecológico, revestido com madeira de reflorestamento com som ambiente e imagens da natureza.
A crítica começa aqui. Som e imagens da natureza no elevador é um consumo de energia absolutamente desnecessário. Fora a área comum com brinquedoteca, sauna, fitness, sala de estudos e mais um sem número de “vantagens” que todo mundo que mora em apartamento sabe que depois da festinha inicial da novidade ninguém mais usa, só mostram o total descaso com o meio ambiente.
Aliás, as empresas “eco-coisas” em geral, mostram que na verdade, a idéia não é promover uma discussão ou uma conscientização sobre o tema, mas sim vender um produto com uma roupagem “verde” que não existe.
Voltemos ao estudo de caso. O empreendimento “eco-coisa” foi lançado esse final de semana, e, como não podia deixar de ser, botou propagandas espalhadas por todo o bairro onde o dito cujo do empreendimento está. Folhetos com propaganda no semáforo, meninas com bandeirolas na esquina, cartazes e cartazes – aqueles que junto com os panfletos estão proibidos pela lei cidade limpa – e garotas menores de idade trabalhando por um dinheiro mínimo pra saírem correndo com as tais propagandas caso alguma fiscalização apareça.
Benditos produtos “eco-coisas”! O mínimo do bom senso e da coerência seria esperar que os tais futuros moradores do empreendimento “eco-coisa” não estejam buscando um empreendimento “verde”. Espero que eles estejam plenamente conscientes de que, de “verde” o produto que eles compram não tem nada. Pelo menos assim, a propaganda não teria servido de nada e seria só mais um empreendimento imobiliário como os vários, todos voltados para o consumo excessivo de toda e qualquer “novidade” que apareça por aí e faça brotar mais dinheiro nos cofres de alguém.
Mando as fotos de um dos cartazes da “eco-coisas” (acima à esquerda) e mais a fachada do apartamento decorado, com holofotes de luz todas as noites apontando o céu de Sampa (à direita).

Discussão - 11 comentários

  1. Lucia Malla disse:

    Só um adendo, Paula: eu estava olhando outro dia a lista de gasto energético de um clube (eles colocaram essa informação no mural, acredita?), a sauna é, porporcionalmente ao seu tamanho e atividade, o maior gastador de energia de todo o clube, porque converte eletricidade em calor. Qualquer “eco-coisa” que contenha “sauna” no rol de ofertas é retórica para ruminantes caírem no sono.

  2. disse:

    é…. se aproveitando mesmo do termo Eco…

  3. Lola disse:

    Oi, Paula,Dá uma passadinha lá no “Consciência” e vê se pode atender ao pedido de ajuda de alguma forma.Beijo.

  4. Stephanie Sarmiento disse:

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  5. Felipe disse:

    Foi justo o que eu comentei no post “produtos ecologicamente corretos”Os responsáveis pela divugação de uma necessária concientização são esses marqueteiros falso-ecologistas.E quem perde com tudo isso é a naturza, pois isso faz é piorar o que já está ruim.. o povo leigo cai nessas falcatruas axando que está “fazendo o bem” mas acontece absolutamente o contrário.Realmente, é uma questão complicada quando se trata de interesess capitalistas.

  6. Dr. Pivomar disse:

    Olá Paula, o Bafana convida você para um Meme, que nos foi repassado peo Carlos Hotta do Brontossauros.Grande abraço!bafanaciencia.blog.br

  7. Stephanie Sarmiento disse:

    Olá, Estou entrando em contato novamente para tratar da Parceria Comercial mencionada via e-mail em 18/03/08.Continuamos interessados no site. Aguardo um retorno para iniciarmos a negociação. Grata e à disposição, Stephanie Sarmiento——————————smarques@hotwords.com.brwww.hotwords.com.br——————————Phone: 11 3178 2514——————————

  8. Kriz disse:

    Oi, Paula. Tudo bem?Confere este link. Achei interessante.http://www.ecoblogs.com.br/Beijos e sorte!

  9. Antonio Gornatti disse:

    Quero deixar claro, antes de escrever, que leio o Blog e concordo com , digamos, oitenta porcento das suas colocações em relação ao meio ambiente …Lá vai: acho que a pior postura que podemos ter no momento é de uma “oposição sistemática” a ações que tenham sido originadas de pessoas de outros segmentos que querem desenvolver “eco-coisas” … Lógicamente ( estamos no Brasil ) que vários oportunistas irão utilizar a causa para “marketear” produtos e serviços… Mas outros muitos irão desenvolver ações que iniciam mudanças, mesmo as pequenas, de atitude. Na minha opinião é isso que importa.

  10. Paula Signorini disse:

    Oi Todos,Primeiro, desculpe a demora em responder e a demora em postar mais coisas…Primeiro, Lucia… que boa esta iniciativa do clube!Kriz… eu vi o blog… achei má o meno até agora.Segundo,Lola e Dr. Pivomar! Vocês são prioridade nas minhas próximas blogagens!Terceiro…Felipe – eu acho que os falsos-“VERDES” desmoralizam os verdadeiros projetos ecológicos.Antonio – Que bom que você concorda 80%! Nem tinha pretensão de que alguém concordasse com 50%!Depois, eu já pensei muito nisso que você colocou aqui. E minhas conclusões são que a gente não deve deixar de fazer críticas porque alguns funcionam bem. Acho que a gente tem sim que elogiar quem faz bem e sim, meter o pau em quem não faz. Esse tipo de marketing só desmoraliza os projetos bons, porque faz pensar que todos devem ser assim “meia-boca”.Fora que “estamos no Brasil” pra mim já não é mais desculpa desde a quinta série… Se o governo não faz leis para pressionar falsos verdes, que a sociedade o faça! E a sociedade somos nós!Abraços a todosPaula

  11. Luz Fernández disse:

    Paula,Muito bem colocado. Algumas empresas estão se vestindo de verde pra jogar em um time no qual não foram escaladas. Mas como são donas do campo ou da bola, acabam entrando. Essa é minha leitura. É triste, mas é realidade.O importante é que a gente, que faz um trabalho sério, tenha essa percepção e não desanime, continue lutando.bjs menina 🙂

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