Fontes de energia: o futuro já chegou?

Quando se debate fontes de enrgia, é comum as pessoas dizerem algo do tipo: “Não deveríamos usar X, deveríamos usar Y porque é muito melhor.” Quando X é uma tecnologia usada atualmente, como petróleo, etanol de cana, hidroelétricas, usinas de fissão nuclear e Y é uma tecnologia que está surgindo: hidrogênio, etanol celulósico, usinas solares e usinas de fusão nuclear.
Geralmente este tipo de argumento é difícil de contra-atacar: quem é contra usinas solares? Somente quem defende o status quo, certo? Na realidade o quadro é muito mais complexo.
No caso das usinas de energia solar, a questão está no custo X eficiência. Nas tecnologias atuais, o custo de se instalar uma usina destas é altíssimo e os beneficios são muito pequenos. Se contarmos ainda os custos energéticos (ou de emissão de carbono) de se produzir células fotovoltaicas, com suas placas de vidro e silício temperado com metais tóxicos, podemos ver o quão longe do ideal a energia solar ainda é. Uma análise de custos revela que um painel solar demora cerca de 15 anos para se pagar, financeiramente e ecologicamente. Isso quer dizer que não deveríamos investir em energia solar? De jeito nenhum! Painéis solares são ótimos para se gerar energia em locais longe de usinas de distribuição, para aquecer a água de chuveiros e para se colocar nos telhados de prédios, onde nenhuma energia seria gerada de outra maneira. O problema é querer substituir usinas termoelétricas por solares…
Seguindo a lista, vamos analisar o caso do etanol celulósico. Muitas empresas dizem que conseguem usar celulose como fonte de etanol. Isto é ótimo, pois podemos usar papéis usados, madeira velha e restos de alimentso para se gerar etanol, além de aumentar o aproveitamento energético da cana-de-açúcar. Maravilha! Só que nenhuma empresa de etanol celulósico conseguiu fazer lucro até hoje, mostrando que ainda é uma tecnologia inviável, pelo menos nas escalas necessárias para se tornar uma alternativa.
E o hidrogênio? Energia limpa com apenas liberação de água? Só que não falaram do custo energético de se fazer este hidrogênio, da baixa capacidade de armazenamento das abterias de hidrogênio (nem sua toxicidade). Novamente, a utilização de células de hidrogênio são um sonho muito distante. Nem vou comentar sobre o delírio da fusão nuclear a frio, que tem muitas qualidades mas ainda nenhuma praticidade.
A lição que devemos levar para casa é que todas estas tecnologias ainda estão amadurecendo, portanto ainda é inviável pensar em implementá-las em grande escala. O que nos resta é apostar em fontes de enrgia não-ideais mas menos impactantes que o petróleo e carvão. Por isso defender o etanol de cana-de-açúcar, hidrelétricas e usinas de fissão nuclear, com todos os seus defeitos, não é um impropério tão grande assim.

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