Somos vítimas do nosso próprio preconceito

Discriminação de gênero, de raça, de crenças são tão agarrados em tantas sociedades, que, por vezes, assumem a falsa alcunha de “cultural”. E nessa “cultura” pessoas se cegam diante do óbvio. Todos praticamos e somos vítimas de prenconceito.
A população brasileira é composta de 53,7% de brancos, 38,4% de pardos, 6,2% de negros, 0,4% de amarelos e 0,4% de indígenas (Enciclopédia do Estudante: geografia do Brasil. São Paulo: Moderna, 2008). Mesmo assim, quantas pessoas de cada etnia você encontra em fotografias que ilustram nossos livros didáticos? Quantas pessoas de cada etnia compõe elecos de novelas, ocupam cargos públicos, têm empregos de alto salário? Quantos negros, índios e amarelos dividem com o seu filho as mesas da escola? A proporção se mantém quando consideramos acessos à internet por etnia?
O mesmo vale para as mulheres… Ah, as mulheres…
Fonte: IBGE, Censo Demográfico 1980, 1991 e 2000 e Contagem da População 1996.
As mulheres são maioria discreta na população brasileira. São pessoas que se unem a mim pelo gênero. Somos, depois dessa característica, tão diferentes! Temos acesso a informações diferentes, características físicas e personalidades diferentes, empregos diferentes, visões de mundo diferentes. E mesmo assim uma força descomunal nos une.
Entretanto, muitas de nós esquecemos essa força e dizemos “cultural”, ou “não percebi nada de errado”, ou ainda “coitado… não quis dizer isso”, ou “você está exagerando” e muitas outras desculpas que damos quando somos vítimas de preconceito. Às vezes é sutil, às vezes chega a doer.
Dói ter que responder em uma entrevista de emprego se você planeja ter filhos, quando isso não é da conta do seu empregador. Dói ter que deixar seu filho que só deve se alimentar do leite materno por seis meses porque você só tem quatro de licença maternidade. Também machuca (e essa dói mesmo) quando você ouve uma mulher dizer que não sente que as chances das mulheres mudaram depois que uma mulher de muita coragem resolveu queimar sutiãs em praça pública, buscando igualdade de gênero. Dói ter que se encontrar em clubes de “luluzinhas” para conseguir discutir aquilo que quero, pois não dá pra falar sobre filhos, moda, maquiagem, fotografia, casa, profissões onde há homens (aparentemente). Dói ser chamada de miss num concurso que avalia conteúdo em textos produzidos por mulheres. 
Pior: dói mais ainda perceber que mulheres como eu, que tem mais similaridades comigo do que o fato de ser mulher pois têm acesso à internet, tiveram o imenso privilégio de estudar, têm empregos, renda, etc., não se darem conta que estão sendo vítimas de preconceito…

Discussão - 2 comentários

  1. Charô disse:

    Fico pensando nos critérios. Somos mesmo um país de maioria étnica branca?

  2. Oi lindona! Tudo bem? Eu tenho quase certeza que não. No censo, por exemplo, os entrevistadores não podem interferir na resposta dos entrevistados. Tenho muitos amigos que foram entrevistadores que diziam que muitas pessoas pardas tinham um sentimento (talvez vergonha, medo de discriminação, etc, etc.) que as fazia responder que eram brancas (mesmo não sendo). Para o censo, pelo menos até onde esse exemplo me deixa supor, o critério é o do próprio entrevistado.
    Beijocas querida!

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