E o Nobel da Paz vai para… what?

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Verdade seja dita logo no começo: de todos os Prêmios Nobel, os que mais me chamam a atenção, e pelos quais eu espero a semana toda e mais um fim de semana com ansiedade são o da Paz, revelado sempre na sexta-feira e o de Economia, sempre na segunda-feira da semana seguinte.

Agora, sexta-feira, estou aqui embasbacada. Prêmio Nobel da Paz de 2009 vai para… expectativa, expectativa… internet lenta… quem será o ganhador desse ano… ansiedade… B-A-R-A-C-K     O-B-A-M-A????????????????


What????????????

Pára tudo, vamos organizar minhas ideias.

Primeiro… um histórico dos últimos três anos:


2006
– Prêmio Nobel da Paz vai para e espetacular Dr. Yunus – por seus esforços e ideia sobre o microcrédito e anos de luta contra a pobreza.


2007
– Prêmio Nobel da Paz vai para IPCC e Al Gore, por seus esforços na luta contra o aquecimento global.


2008
– Prêmio Nobel para Martti Ahtisaari por anos de trabalho como mediador de conflitos.

E tem mais. 1977 – Anistia Internacional. 1979 – Madre Teresa. 1993 – Nelson Mandela. 1999 – Médicos sem fronteira. Para ver a lista completa, clique aqui.

E afinal, qual a justificativa em dar o Prêmio para Obama? “Por seus esforços em fortalecer a diplomacia internacional e cooperação entre pessoas” – em resumo, feito por mim, por “ser um bom presidente”. Estamos tão carentes assim de bons presidentes? [Não responda agora! Você ainda pode levar pra casa um congresso nacional!]

O prêmio concedido à Barack Obama tem cheiro de pressão política. Não que seja a primeira vez que isso acontece na história dos Prêmio Nobel da Paz. Já aconteceu em 1994, por exemplo, ano em que foi dado ao palestino Yasser Arafat e aos israelenses Shimon Peres e Yitzhak Rabin por seus “esforços em criar a paz no Oriente Médio”. Até onde consta, muito pouco evoluiu desde então e, inclusive, temos um muro a lá muro de Berlim construído para separar palestinos de israelenses. Processo de paz? Truco, marreco! Prêmio dado antes da hora, por um processo ainda em construção que acabou em nada.

Dessa vez me soa parecido. É como se a academia dissesse: “Viu? Agora faça por merecer esse prêmio!” ou o clássico “Te vira! Votaram em você, você mal chegou, mas resolve aí a parada!”.

Também não é a primeira vez que um presidente dos Estados Unidos leva a grana pra casa. Em 2002 o ex-presidente americano Jimmy Carter, que ficou no poder do governo americano entre 1977 e 1981 levou o dele. Mas pelo menos ele já tinha feito a sua parte.

Francamente, achei precoce. Esperança a gente tem, claro. Depositamos várias de nossas expectativas no Obama. Mas dar prêmio pela expectativa me soa estranho. É como dar o Prêmio de Medicina ao Rainha Vermelha por ter descoberto a cura da AIDS, ou ao RNAm por ter livrado os humanos de todos os tipos de cânceres do mundo. Concordam? Estou sendo preciosista demais?

Discussão - 16 comentários

  1. Cretinas disse:

    Acho que foi uma tentativa do comitê Nobel de fortalecer a posição doméstica do Obama, para negociações duras como a do pacote de combate ao aquecimento global. Não é raro o Nobel da Paz ser dado como forma de fortalecer um dos lados numa disputa política — esse foi o objetivo, por exemplo, dos concedidos a Mandela, a José Ramos-Horta e a Aung San Suu Kyi.
    O curioso, a meu ver, é que esses prêmios “tônicos políticos” geralmente são dados a pessoas que precisam desesperadamente de apoio moral para peitar ditaduras. Acho que é a primeira vez que o comitê Nobel joga seu peso do lado de uma disputa travada dentro de um país democrático.

  2. Claudia Chow disse:

    Tb fiquei chocada Paula. O cara tá lá faz alguns meses e já sai ganhando Nobel da Paz? Premio de intençao, de expectativa, de promessa esse? De verdade? Acho q o Lula merecia mais! Afinal ele já ta terminando mandato pelo menos…

  3. AC de Souza disse:

    Acredito que um resumo melhor seria: “Evitar as consequências de um crise financeira como a ocorrida em 29-32”
    Como…? Se faz sentido dar um Nobel de *PAZ* para uma solução *ECONÔMICA*? Não sei dizer. Mas que isso evitou outra grande depressão, isso evitou.
    [],
    AC

  4. Cretinas, Clau e AC.
    Meu problema com isso é a base. O prêmio foi dado com base em intenções e não em feitos… A saída da crise econômica deveu-se a mobilização de vários países, tanto do G-20 quanto dos demais – acho difícil dar todo o crédito para o Obama.
    Vou fingir que viajamos no tempo. E que, na real, esse prêmio é de 2020, quando de fato concluirmos que o Obama fez mesmo tudo isso que esperamos que ele faça.

  5. Elga disse:

    Concordo muitíssimo…
    Detesto quando os prêmios não são dados pelo mérito e sim pelos interesses. (Mesmo que sejam os melhores)
    Vejamos o que Obama tem a dizer e fazer sobre isso agora. :T

  6. Joey Salgado disse:

    Bom, pelo menos, esperemos que ele faça jus à nomeação até o fim do mandato, uma vez que o prêmio está dado e não tem volta.
    E, na boa, por mais que o Obama tenha ganho o Nobel, o Lula é quem ainda é o cara (piada infame mode off)… Hehe!
    Inté!

  7. @Paula,
    Eu não quero começar um flamewar —apesar do potencial do comentário— mas… ces’t la vie…
    O Prêmio da Paz é *político*, é da Natureza dele. Por exemplo, dos casos que vc citou acima, durante os anos 2000-2010, , eu discordo de alguns deles com certa veemência — possivelmente até maior que esta contra o Obama (não que isso justifique a presente premiação ;-).
    Ou seja, o processo é sabidamente mais um problema de ‘opinião’ do que de ‘fatos’ — apesar de que, como vc bem apontou, algumas das agremiações foram inquestionáveis. E, em matérias mais opiniativas do que factuais… gregos *e* troianos vão sair insatisfeitos.
    Tem uma piadinha que diz que, de cabeça de advogado e de bunda de nenê, vc pode esperar tudo. Agora a gente pode jutnar a essa lista o Comitê Nobbel. 😉
    []’s.

  8. Tatiana Nahas disse:

    Paula,
    excelente análise! Concordo totalmente contigo!!!

  9. Diego Saci disse:

    Concordo plenamente.

  10. André Souza disse:

    Concordo…Achei um tanto prematura esta premiação…
    Agora, apesar de estar com mais credibilidade (na minha opinião…pelo menos na lista o pessoal fez por merecer), espero que o Obama não pense em unificar os prêmios e NÃO ganhe o Ignobel da paz no ano q vem.

  11. Emanuel Henn disse:

    Oi Paula,
    concordo contigo que o prêmio é por intenção e não por obras reais. Mas acho (escrevi isso no meu blog hoje cedo) que tem haver também com uma crítica à política do Bush, algo como: promover a paz, mesmo que só nas intenções, é melhor que a guerra, seja ela com motivos claros ou não. Então seria um prêmio meio anti-Bush, ou anti-guerra e não realmente pró-Obama.

  12. Sibele disse:

    Oi, Paula!
    O Emanuel tem razão! Ainda mais se pensarmos que o Bush foi o último remanescente de uma corrente política belicista com origem no pós-guerra, desde os anos 50 – resultando na Guerra Fria e todas as suas consequências, e claro, gerando muito dinheiro no desenvolvimento de tecnologias bélicas. Depois da queda do Muro de Berlim, essa corrente política procurou outros quintais para continuar a existir… os países árabes – e o que foi a Guerra do Golfo?
    E agora, parece que Obama quer dar um novo direcionamento político – não para o esforço de guerra, mas para a ciência, a saúde e o meio-ambiente. Inclusive direcionando verbas públicas para esses novos enfoques. E, do jeito que ele já está enfrentando resistências da sociedade americana (veja só o exemplo da saúde – lá ninguém quer o sistema de saúde público que ele está se esforçando para implantar, preferem os planos de saúde…) – compreensível, afinal o americano foi criado nesse clima de exaltação bélica desde a Segunda Guerra – isso dá mais de meio século com o país seguindo essa senda. Ele, Obama, ainda vai enfrentar muita resistência! Assim, esse prêmio Nobel da Paz funciona sim para legitimar e fortalecer esse novo posicionamento político, como Moc, o Cretinas, bem lembrou.
    Vista por esse ângulo, sinceramente, achei válida a premiação. Premiaram só intenções? Mas nesse caso, toda uma nova gama de intenções, inéditas na política americana recente, e que de fato apontam para um novo rumo. E não só para os EUA.

  13. Dri disse:

    eh Paula danada! Continua sustentando ótimas discussões!!!
    bjks da Dri

  14. Oi Sibele! Desculpe mesmo pelos demais comentários, viu?
    Foi o que eu comentei para o João Carlos – contra o Bush todos éramos! Divide o Prêmio entre a gente, oras! E, como também comentei com ele, se qualquer outro democrata tivesse ganhado, a Hillary por exemplo, duvido que esse Nobel ia sair pra ela.
    Eu ainda tenho dúvidas quanto o “fazer” do Obama. Fato é que o Iraque continua ocupado por tropas americanas. E até a Lua a Nasa bombardeou recentemente – para tentar encontrar água na Lua e claro, para reforçar a supremacia americana… O lobby da indústria petrolífera continua, não há definições claras sobre o “fazer” da área ambiental… Enfim… ainda estou pra ver.
    Mas… eu concordo que dar o Prêmio para o Obama signifique sim uma tentativa do Comitê de legitimar e fortalecer algo melhor que o que vimos na era-Bush – e talvez “pressionar” por sucesso. Só achei que foi cedo demais.

  15. Sibele disse:

    Ah, Paula, sobre os outros comentários, tudo bem. Eu estava pensando mesmo que era alguma falha da plataforma, no envio… aí reenviei os comentários – e você postou todos!!! Ficou até engraçado, eu me repetindo ali, rsrs!

  16. Sibele disse:

    E ainda sobre essa questão do Nobel da Paz:
    Paula, não, não foi cedo demais.
    Políticas de Estado são diretrizes de governo. Apontam o caminho, são as referências que norteiam as ações públicas a ser implantadas no curto, médio e longo prazo. A declaração pública de novo direcionamento na política dos EUA representa uma guinada e tanto. Sim, contra Bush todos éramos, mas Obama teve o mérito de explicitar essa rejeição (não só a Bush, mas a toda uma corrente política – e bem resistente, por sinal), materializando-a oficialmente na política de seu governo, e indicando uma alternativa (muito pertinente, por sinal) na direção a tomar.
    Quanto às suas dúvidas quanto o “fazer” do Obama, realmente Iraque, bomba na Lua e lobby petrolífero são fatos. Mas o homem assumiu “ontem”, e já pegou esse trem andando: tudo resultado do direcionamento político anterior… de quem? Bush.
    Claro, eu também ainda estou para ver, mas precisamos lembrar que resultados de políticas públicas como essa assumida por ele só vão aparecer no médio e no longo prazos. E com certeza muito de bom que resultar desse novo posicionamento só será visível muito depois dele ter deixado o cargo. E não é exatamente esse tipo de resultado futuro que os políticos imediatistas, sedentos de votos, procuram evitar a todo custo?
    É uma política para médio e longo, muito longo, prazo. Por isso mesmo NÂO foi cedo demais. Legalizar e fortalecer o máximo possível essas “intenções”, para que elas possam ser implementadas o quanto antes, é louvável e necesssário.
    Será que para as questões ambientais, prementes e imperativas, esse pontapé inicial foi cedo demais? Acho até que demorou!

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