{"id":954,"date":"2018-03-19T21:52:02","date_gmt":"2018-03-20T00:52:02","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/rastrodecarbono\/?p=954"},"modified":"2018-03-19T21:52:02","modified_gmt":"2018-03-20T00:52:02","slug":"o-que-aconteceria-se-os-ministerios-da-agricultura-e-do-meio-ambiente-se-fundissem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/rastrodecarbono\/2018\/03\/19\/o-que-aconteceria-se-os-ministerios-da-agricultura-e-do-meio-ambiente-se-fundissem\/","title":{"rendered":"O que aconteceria se os Minist\u00e9rios da Agricultura e do Meio Ambiente se fundissem?"},"content":{"rendered":"<p>Sabe que tem gente que n\u00e3o merece ser mencionada, n\u00e9? Porque colocar o nome das pessoas\/empresas\/institui\u00e7\u00f5es por a\u00ed \u00e9, de certa forma, fazer propaganda. E t\u00eam pessoas\/empresas\/institui\u00e7\u00f5es que merecem cair no esquecimento. Simples assim.<\/p>\n<p>Mas&#8230; a gente n\u00e3o pode fazer de conta que n\u00e3o v\u00ea certos improp\u00e9rios. Enfim.<\/p>\n<p>Quem fez universidade, quem tem uma fam\u00edlia, quem tem um relacionamento, quem tem um emprego, quem tem amigos (um, que seja!) sabe que equil\u00edbrio \u00e9 fundamental. \u00c9 fundamental que uma balan\u00e7a tenha dois lados, se n\u00e3o, fica parcial. Se n\u00e3o, n\u00e3o se mede nada.<\/p>\n<p>O que aconteceria se dois lados opostos de uma balan\u00e7a se fundissem? O que aconteceria com os projetos de preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente, conserva\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o, reestrutura\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas, reflorestamentos, manejo de vida aqu\u00e1tica,\u00a0gerenciamentos\u00a0de sistemas\u00a0de \u00e1gua, gerenciamentos de res\u00edduos s\u00f3lidos de todas as naturezas, entre outros se fundissem com interesses comerciais de explora\u00e7\u00e3o de recursos da terra e da \u00e1gua para produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e pecu\u00e1ria? Com interesses econ\u00f4micos apenas?<\/p>\n<p>Veja, n\u00e3o h\u00e1 vencedores e isso n\u00e3o \u00e9 uma partida de futebol. N\u00e3o \u00e9 interessante discutir se isso ou aquilo \u00e9 mais importante\/relevante SE n\u00e3o existir uma situa\u00e7\u00e3o de equil\u00edbrio. Porque, me parece \u00f3bvio que para um lado, \u00e9 sempre melhor e mais interessante e mais relevante ter mais \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o, mais corredores ecol\u00f3gicos, mais reflorestamento, mais esp\u00e9cies saindo da lista das amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o. Para outro, \u00e9 \u00f3bvio que \u00e9 sempre melhor ter mais \u00e1reas de pasto, mais \u00e1reas de cultivos agr\u00edcolas, mas \u00e1reas de explora\u00e7\u00e3o de recursos naturais para viabilizar projetos que v\u00e3o trazer lucros para o pa\u00eds. O que significa que, o melhor dos dois mundos seria manter aquele empate t\u00e9cnico saud\u00e1vel.<\/p>\n<p>Enfim&#8230; parece uma discuss\u00e3o de pa\u00eds de terceiro mundo que ainda n\u00e3o conseguiu passar da fase prim\u00e1ria da economia (ow, wait!). Quando ainda estivermos na discuss\u00e3o do agro \u00e9 pop fica dif\u00edcil ultrapassar a barreira da economia prim\u00e1ria. Da explora\u00e7\u00e3o de recursos. Da extra\u00e7\u00e3o pura e simples de mat\u00e9ria-prima (mesmo que isso signifique commodities). Quando eu era crian\u00e7a e queria ser cientista, eu achava (achava mesmo, de verdade) que em alguns anos, talvez quando eu estivesse com a idade que eu estou agora, o Brasil estaria na fase de exportar tecnologia, sabe? Porque temos potencial. Porque temos c\u00e9rebros para isso. E temos dinheiro! Mas&#8230; estava completamente equivocada. Tipo&#8230; os Jetsons ainda n\u00e3o chegaram!<\/p>\n<p>Acontece que a briga tem aliados fortes e sem escr\u00fapulos. A bancada ruralista defende, por exemplo, o fim dos licenciamentos ambientais. Outros loucos sugerem a fus\u00e3o dos dois pratos da balan\u00e7a (Agricultura e Meio Ambiente). Os licenciamentos ambientais, talvez n\u00e3o sejam conhecidos de todos, ent\u00e3o explico &#8211; meio superficialmente porque, na realidade \u00e9 um trabalho extremamente complexo: os licenciamentos ambientais significaram, desde a sua implementa\u00e7\u00e3o com a Lei de Pol\u00edtica Nacional do Meio Ambiente em 1981 um super avan\u00e7o na legisla\u00e7\u00e3o brasileira em rela\u00e7\u00e3o ao meio ambiente. Antes dela, n\u00e3o havia nenhum impedimento, nenhuma fiscaliza\u00e7\u00e3o, nenhuma regulamenta\u00e7\u00e3o sobre a constru\u00e7\u00e3o de obras de qualquer natureza &#8211; n\u00e3o se sabia que tipo de preju\u00edzos o meio ambiente poderia sofrer, no local da obra ou em suas imedia\u00e7\u00f5es. N\u00e3o se sabia porque n\u00e3o se estudava nem o ambiente antes da constru\u00e7\u00e3o, nem o ambiente depois da constru\u00e7\u00e3o. N\u00e3o t\u00ednhamos ideia se, por exemplo, uma ferrovia ia matar um corredor ecol\u00f3gico importante para migra\u00e7\u00e3o de certa esp\u00e9cie ou se o barulho das m\u00e1quinas ia impedir certas esp\u00e9cies de se acasalar, por exemplo. N\u00e3o sab\u00edamos se um lago ou rio ia tornar-se completamente inadequado ou se ia deixar de existir caso constru\u00edssemos uma barragem para um reservat\u00f3rio de usina hidrel\u00e9trica. N\u00e3o sab\u00edamos N-A-D-A.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o sab\u00edamos que tipos de preju\u00edzos uma fazenda poderia trazer para um rio que passasse na propriedade se grandes quantidades de \u00e1gua fossem retiradas para irrigar as planta\u00e7\u00f5es. Como n\u00e3o havia regulamenta\u00e7\u00e3o nenhuma, cada um explorava os recursos naturais pertencentes ao pa\u00eds como bem entendesse (sim, um rio que passa em uma propriedade rural \u00e9 do pa\u00eds, assim como um len\u00e7ol de \u00e1gua subterr\u00e2neo). Ningu\u00e9m \u00e9 dono de um rio, apesar de achar que \u00e9. Enfim&#8230; interessa muito (para pouca gente) que o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente seja controlado pelo Minist\u00e9rio da Agricultura.<\/p>\n<p>Lembre-se: isso n\u00e3o \u00e9 um jogo de futebol. N\u00e3o h\u00e1 vencedores. Sem equil\u00edbrio n\u00e3o resta muita coisa. Nem Agricultura. Nem Jetsons, infelizmente.<\/p>\n<p>P.S. Obrigada Clau! Obrigada Takata! Obrigada Eloi!<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-957\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/rastrodecarbono\/wp-content\/uploads\/sites\/235\/2018\/03\/jetsons-545x362.jpg\" alt=\"jetsons\" width=\"545\" height=\"362\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sabe que tem gente que n\u00e3o merece ser mencionada, n\u00e9? 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