{"id":1941,"date":"2020-12-03T18:59:38","date_gmt":"2020-12-03T21:59:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/covid-19\/?p=1941"},"modified":"2022-02-24T17:28:48","modified_gmt":"2022-02-24T20:28:48","slug":"surfando-as-crises-globais-segunda-onda-da-covid-19-e-ondas-de-calor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/revista\/2020\/12\/03\/surfando-as-crises-globais-segunda-onda-da-covid-19-e-ondas-de-calor\/","title":{"rendered":"Surfando as crises globais: segunda onda da COVID-19 e ondas de calor"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>A pandemia do coronav\u00edrus causou 1,3 milh\u00f5es de mortes no mundo at\u00e9 o momento. A polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica mata 7 milh\u00f5es de pessoas todos os anos. Por que a crise clim\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 vista como crise?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Covid-19 escancarou a vulnerabilidade da globaliza\u00e7\u00e3o e tem sido um experimento n\u00e3o programado sobre os impactos das mudan\u00e7as do clima. Se por um lado, o confinamento afetou a economia e a sanidade mental, por outro, se revelou ben\u00e9fica para o meio ambiente. Como resultado involunt\u00e1rio, as medidas de conten\u00e7\u00e3o da pandemia ajudaram a melhorar a qualidade do ar, com a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de CO2, principal g\u00e1s de efeito estufa (GEE), e dos poluentes t\u00f3xicos, especialmente nos centros urbanos. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Meteorologia (WMO, 2020), o confinamento resultou numa redu\u00e7\u00e3o de 17% nas emiss\u00f5es de GEE em abril, em compara\u00e7\u00e3o com 2019. Entretanto, um estudo da Nature Climage Change reportou que a redu\u00e7\u00e3o nas emiss\u00f5es globais de GEE e de poluentes por causa da pandemia ser\u00e1 &#8220;insignificante&#8221; para alterar o rumo das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas na Terra, levando a uma redu\u00e7\u00e3o de apenas 0,005\u00baC a 0,01\u00baC na temperatura do planeta.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2020\/11\/placa-1024x570.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1049\" \/><\/figure>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta n\u00e3o \u00e9 a primeira vez que vivemos um per\u00edodo de redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de gases poluentes em decorr\u00eancia de uma diminui\u00e7\u00e3o das atividades humanas. Durante a crise financeira de 2008, por exemplo, percebeu-se redu\u00e7\u00f5es destes gases. Mas, ap\u00f3s esse per\u00edodo, as emiss\u00f5es foram retomadas em n\u00edveis ainda maiores em decorr\u00eancia do esfor\u00e7o econ\u00f4mico de recupera\u00e7\u00e3o. Isso s\u00f3 reafirma que as melhorias s\u00e3o ef\u00eameras e pontuais, uma vez que n\u00e3o est\u00e3o acontecendo transforma\u00e7\u00f5es sist\u00eamicas, nos processos decis\u00f3rios, nas estruturas de produ\u00e7\u00e3o de bens, no modelo de consumo, no uso da terra e na matriz de transportes atuais.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Por que a crise clim\u00e1tica n\u00e3o tem o mesmo apelo da sanit\u00e1ria?<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A quest\u00e3o sanit\u00e1ria \u00e9 vista como crise porque pressup\u00f5e a retomada ao estado \u201cnormal\u201d ap\u00f3s ser superada. J\u00e1 a quest\u00e3o clim\u00e1tica, n\u00e3o alcan\u00e7a esse status porque cresce de forma gradual. Mesmo assim, esta \u00e9 uma oportunidade de testemunhar um per\u00edodo prop\u00edcio para reavermos a implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas e o esfor\u00e7o coletivo a fim de descarbonizar a sociedade e a economia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2020\/11\/covid-4948866_1920-1024x685.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1052\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essas mudan\u00e7as v\u00e3o depender das pol\u00edticas de recupera\u00e7\u00e3o das atividades no p\u00f3s-pandemia, mas tamb\u00e9m de um esfor\u00e7o coletivo para garantir sua implementa\u00e7\u00e3o para que essa redu\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja apenas tempor\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, apenas mudan\u00e7as estruturais na economia e nas matrizes de transporte e energia n\u00e3o ser\u00e3o capazes de sustentar redu\u00e7\u00f5es em longo prazo porque s\u00e3o oriundas de respostas individuais. Em vez de atitudes tomadas por imposi\u00e7\u00e3o, como a suspens\u00e3o de voos e a limita\u00e7\u00e3o do uso de carros, \u00e9 preciso maior conscientiza\u00e7\u00e3o para atingirmos as metas de emiss\u00f5es de GEE.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p><em>Doen\u00e7as infecciosas s\u00e3o assustadoras porque s\u00e3o imediatas e pessoais, com impacto direto no dia a dia. A mudan\u00e7a clim\u00e1tica pode parecer impessoal e distante, com causas difusas.<\/em><\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<h2 id=\"wp-block-themeisle-blocks-advanced-heading-cc9df210\" class=\"wp-block-themeisle-blocks-advanced-heading wp-block-themeisle-blocks-advanced-heading-cc9df210\"><strong>5 medidas vi\u00e1veis para reduzir os impactos do clima e evitar novas pandemia<\/strong>s<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">1. <strong>Reduzir o desmatamento <\/strong>ajuda a conter a perda de biodiversidade, motivo de propaga\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as infecciosas transmitidas por animais for\u00e7ados a migrarem para novos habitats porque as florestas onde viviam foram derrubadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">2.<strong> Repensar nossas pr\u00e1ticas agr\u00edcolas<\/strong>, incluindo aquelas que dependem da cria\u00e7\u00e3o de animais em ambientes fechados, mais suscet\u00edveis a transmiss\u00f5es entre animais e humanos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">3. <strong>Combater a polui\u00e7\u00e3o do ar <\/strong>causada pela queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis, minimizando os impactos de infec\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias como o coronav\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">4. <strong>Gerar energia a partir de fontes de baixo carbono<\/strong>, como a solar e e\u00f3lica, reduzindo a emiss\u00e3o de poluentes atmosf\u00e9ricos respons\u00e1veis por problemas de sa\u00fade e mortes prematuras que pressionam os sistemas de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">5. <strong>Fomentar a governan\u00e7a participativa<\/strong>, com forte atua\u00e7\u00e3o dos cientistas para aconselhar os formuladores e gestores de pol\u00edticas p\u00fablicas em respostas baseadas em fatos e na avalia\u00e7\u00e3o de riscos.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Para Saber Mais<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FORSTER, Piers M et al,<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41558-020-0883-0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"> Current and future global climate impacts resulting from COVID-19<\/a>, <strong>Nature Climate Change<\/strong>, v10, n10, p913-919, 2020.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">A autora<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por <strong>Jaqueline Nichi<\/strong>\u00a0graduou-se em Jornalismo e Sociologia, com mestrado em Sustentabilidade pela EACH-USP. Atualmente, \u00e9 doutoranda no Programa Ambiente e Sociedade do N\u00facleo de Estudos e Pesquisas Ambientais (NEPAM-UNICAMP). Sua \u00e1rea de pesquisa centra-se nas dimens\u00f5es sociais e pol\u00edticas das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas nas cidades e governan\u00e7a local.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este texto foi escrito originalmente no blog <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/2020\/11\/25\/surfando-as-crises-globais-segunda-onda-da-covid-19-e-ondas-de-calor\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Natureza Cr\u00edtica<\/a> <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/covid-19\/wp-content\/uploads\/sites\/251\/elementor\/thumbs\/logo_-onj4s5m6vf0hml07f9yn7c6a77kn5fk3fpbt3dhc00.png\" alt=\"logo_\" title=\"logo_\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Os argumentos expressos nos posts deste especial s\u00e3o dos pesquisadores. Dessa forma, produziu-se textos a partir de campos de pesquisa cient\u00edfica e atua\u00e7\u00e3o profissional dos pesquisadores. Bem como, foi revisado por pares da mesma \u00e1rea t\u00e9cnica-cient\u00edfica da Unicamp. Assim, n\u00e3o, necessariamente, representam a vis\u00e3o da Unicamp e essas opini\u00f5es n\u00e3o substituem conselhos m\u00e9dicos.<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/covid-19\/editorial\/\"><br>editorial<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pandemia do coronav\u00edrus causou 1,3 milh\u00f5es de mortes no mundo at\u00e9 o momento. A polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica mata 7 milh\u00f5es de pessoas todos os anos. Por que a crise clim\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 vista como crise? 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