{"id":2767,"date":"2021-08-23T02:40:19","date_gmt":"2021-08-23T05:40:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/covid-19\/?p=2767"},"modified":"2022-02-24T17:25:16","modified_gmt":"2022-02-24T20:25:16","slug":"ciencia-o-que-e-e-como-utilizar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/revista\/2021\/08\/23\/ciencia-o-que-e-e-como-utilizar\/","title":{"rendered":"Ci\u00eancia, o que \u00e9 e como utilizar: receitas pr\u00e1ticas para uma pandemia moderna"},"content":{"rendered":"\n<pre class=\"wp-block-verse has-text-align-center has-small-font-size\"><em>Texto de Rafael Lopes Paix\u00e3o da Silva<\/em><\/pre>\n\n\n\n<p>Como disse um famoso pensador alem\u00e3o do s\u00e9culo XIX, \u201cTudo o que \u00e9 s\u00f3lido se desmancha no ar\u201d. Essa frase  n\u00e3o se refere \u00e0 ci\u00eancia propriamente dita, mas refere-se \u00e0s nossas certezas sobre como se d\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e clamando por materialidade em nossas an\u00e1lises sobre a realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a pandemia do v\u00edrus SARS-Cov-2, algo no reino da ci\u00eancia foi abalado tamb\u00e9m. Primeiro que muito do que se produziu e se sabia sobre epidemias, se desmanchou no ar. Assim que este novo v\u00edrus emergiu, nos colocou frente a contradi\u00e7\u00f5es de como nos relacionamos com o planeta. Mas isso \u00e9 um ponto para outro texto, o ponto aqui \u00e9: a ci\u00eancia foi chamada a desenhar e entender pol\u00edticas p\u00fablicas, para que pud\u00e9ssemos fazer frente a essa crise global que \u00e9 a pandemia de COVID-19.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 aviso que o t\u00edtulo \u00e9 chamativo e impositivo, na linguagem moderna <em><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/covid-19\/voces-sabem-o-que-e-clickbait\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">clickbait<\/a>,<\/em> como forma de ironia, ci\u00eancia n\u00e3o \u00e9 algo \u00fanico e imut\u00e1vel e n\u00e3o h\u00e1 um modo correto de utilizar-se das ci\u00eancias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Esse pensamento \u00e9 a forma como a moderna epistemologia compreende a ci\u00eancia. Epistemologia \u00e9 a tentativa cient\u00edfica de se entender e estudar como se d\u00e1 e se deu o conhecimento humano. Ou seja, a pr\u00f3pria ci\u00eancia. Logo, de forma corol\u00e1ria, isto \u00e9, estritamente consequente a essa constata\u00e7\u00e3o, \u00e9 lugar comum que deva haver uma epistemologia para cada ci\u00eancia. Como assim?&nbsp; Ora, assim como h\u00e1 diferentes ci\u00eancias e formas de se construir esse conhecimento, h\u00e1 diferentes formas de se entender e construir esses processos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mais uma agora, Epistemologia?<\/h2>\n\n\n\n<p>T\u00e1 mas de onde vem todas essas afirma\u00e7\u00f5es? Bom da epistemologia mesmo. Vamos come\u00e7ar por quando ela surgiu. Formalmente a palavra epistemologia \u00e9 cunhada nos fins do s\u00e9culo XV, com <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/John_Locke\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">John Locke<\/a> inserindo pela primeira vez a palavra para algo pr\u00f3ximo do uso moderno. Nessa mesma \u00e9poca, a filosofia se dividia entre duas escolas de pensamento que disputavam o que seria o entendimento do que \u00e9 o conhecimento humano e como ele se deu. A disputa se dava entre os <em>racionalista<\/em> de um lado, representados por <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Ren%C3%A9_Descartes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Descartes<\/a>, <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Baruch_Espinoza\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Spinoza<\/a> e <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Gottfried_Wilhelm_Leibniz\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Leibniz<\/a>, e os <em>empiristas<\/em>, Locke j\u00e1 citado, <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/David_Hume\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hume<\/a> e <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/George_Berkeley\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Berkeley<\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 not\u00e1vel como&nbsp; todos contribu\u00edram com o pensamento matem\u00e1tico, assim como em \u00e1reas ditas hoje em dia de &#8220;humanas&#8221;.&nbsp; Naquela \u00e9poca n\u00e3o havia divis\u00e3o das ci\u00eancias por \u00e1reas de interesse ou qualquer coisa do tipo. Isto \u00e9, todos estudavam diversos aspectos da natureza e com diferentes ferramentas e m\u00e9todos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m a epistemologia s\u00f3 se torna um corpo sintetizado e organizado, seja l\u00e1 o que isso for, ou uma ci\u00eancia formal, perto do fim do s\u00e9culo XIX. E isto vai acontecer com as postula\u00e7\u00f5es e investiga\u00e7\u00f5es das consequ\u00eancias da l\u00f3gica para dentro da matem\u00e1tica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Bertrand_Russell\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Bertrand Russel<\/a>, <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Ludwig_Wittgenstein\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ludwig Wittgenstein<\/a> e <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Alfred_North_Whitehead\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Alfred Whitehead<\/a>, desenvolvem no\u00e7\u00f5es mais estritas da l\u00f3gica moderna. A partir dessas vis\u00f5es come\u00e7am a comandar uma tentativa, que se mostrou falha, de compilar e sistematizar a forma pela qual se daria o conhecimento cient\u00edfico. Isto \u00e9, algo como, se sabemos como se deu o conhecimento cient\u00edfico e suas revolu\u00e7\u00f5es, podemos tentar fomentar isso deliberadamente. Ou pelo menos saber quais s\u00e3o os furos e as tentativas as quais deram errado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Incompletudes do saber<\/h3>\n\n\n\n<p>Esse esfor\u00e7o, principalmente de Russel, que tentou resumir a matem\u00e1tica e a l\u00f3gica em aspectos axiom\u00e1ticos. Ou seja, aspectos m\u00ednimos dos quais tudo poderia derivar, falharam. Russel falha nessa tentativa porque basicamente se constata que qualquer corpo l\u00f3gico, linguagem, como a matem\u00e1tica, \u00e9 incompleto e inconsistente. No sentido que, apesar de ser constitu\u00eddo por e formalizado atrav\u00e9s de l\u00f3gica formal, ainda h\u00e1 possibilidades de que haja paradoxos, furos, inconsist\u00eancias, etc.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">T\u00e1 mas ent\u00e3o nada mais \u00e9 v\u00e1lido, nada mais \u00e9 objetivo, assertivo?<\/h4>\n\n\n\n<p>De modo algum, basicamente o que conseguimos com isso tudo \u00e9 uma compreens\u00e3o que a ci\u00eancia \u00e9 uma express\u00e3o e uma constru\u00e7\u00e3o humana. Ao ser tomada como constru\u00e7\u00e3o humana est\u00e1 sujeita a diversas falhas, contextos e vieses, que v\u00e3o desde fatores impl\u00edcitos, como momento hist\u00f3rico, at\u00e9 fatores expl\u00edcitos, pol\u00edtica de investimento em ci\u00eancia, exalta\u00e7\u00e3o de algumas \u00e1reas e desmerecimento de outras, para citar alguns elementos desta constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Thomas_Kuhn\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Thomas Kuhn<\/a>, f\u00edsico e epistemologista, escreve exatamente sobre isso! A ci\u00eancia significa nada mais que uma sucess\u00e3o, n\u00e3o necessariamente deliberada e organizada, de paradigmas. Estes paradigmas s\u00e3o subscritos por fatores sociais, hist\u00f3ricos e culturais. Ci\u00eancia \u00e9 a quebra do paradigma passado e sua substitui\u00e7\u00e3o pelo novo, essa ideia se contrap\u00f5e fortemente \u00e0 ideia de <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Karl_Popper\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Karl Popper<\/a>, de que a ci\u00eancia seria uma busca sucessiva da verdade.<\/p>\n\n\n\n<p>A principal subvers\u00e3o que Kuhn prop\u00f5e \u00e9 que se quisermos medir o que \u00e9 uma verdade de modo racional, \u00e9 pouco producente pensar a ci\u00eancia como neutra e implicitamente verdadeira. Por qu\u00ea? Exatamente porque ela n\u00e3o adv\u00e9m do mundos das ideias (aqui resvalamos num <em>neoplatonismo<\/em>). A ci\u00eancia n\u00e3o est\u00e1 no mundo das ideias: ela \u00e9 produzida e compreendida pela materialidade humana e pelos atores humanos. Quem seriam estes atores? Sejam eles cientistas, pol\u00edticos, ou at\u00e9 o cidad\u00e3o comum, que usufruem dos avan\u00e7os cient\u00edficos no seu dia a dia, mesmo que quase sempre sem sequer notar isso.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando nos apegamos a essa ideia de ci\u00eancia como neutra, ou a medida do que \u00e9 certo e errado, ou ainda o que \u00e9 necess\u00e1rio e importante pra sociedade, estamos legando \u00e0 ci\u00eancia um papel que n\u00e3o \u00e9 dela.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Ci\u00eancia \u00e9 ferramenta, e n\u00e3o \u00e9 validador de nada<\/strong>.<\/h2>\n\n\n\n<p>Assim como dizer que \u00e9 s\u00f3 um exerc\u00edcio inocente de curiosidade \u00e9 simpl\u00f3rio e ing\u00eanuo. Assim, por ser fruto de nossas rela\u00e7\u00f5es, principalmente pol\u00edticas, a ci\u00eancia est\u00e1 sujeita a toda sorte de idiossincrasias dessas atividades humanas. Idiossincrasias \u00e9: um comportamento (ou tipo de comportamentos) que \u00e9 pr\u00f3prio de uma pessoa ou de um grupo social espec\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Sobre a relev\u00e2ncia de compreender a ci\u00eancia, para mim, cientista&#8230;<\/h3>\n\n\n\n<p>Eu sou f\u00edsico e trabalho com modelagem de epidemias e an\u00e1lise dos dados de sa\u00fade p\u00fablica. E saber sobre epistemologia e filosofia da ci\u00eancia, tais como alguns dos aspectos que apresentei neste texto, , ao menos pra mim, \u00e9 libertador. Mas \u00e9 igualmente exigente tamb\u00e9m. Quando pesquiso e escrevo, sinto-me sempre atento a essas quest\u00f5es. Por exemplo: para qu\u00ea e por quem a minha ci\u00eancia poder\u00e1 e ser\u00e1 usada, apesar das minhas \u00e2nsias e idealiza\u00e7\u00f5es sobre ela?<\/p>\n\n\n\n<p>O cientista, hoje mais que nunca, precisa se ver pelo menos potencialmente como um ator pol\u00edtico, mesmo que n\u00e3o ativamente. Ci\u00eancia, nesses tempos de pandemia, pode servir de respaldo e fonte de credibilidade para que atores pol\u00edticos tomem decis\u00f5es, \u00e0s vezes impopulares e necess\u00e1rias. Por\u00e9m tamb\u00e9m pode servir de respaldo para que o ator pol\u00edtico tome a\u00e7\u00f5es em seu interesse.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Ci\u00eancia: Que tipo de a\u00e7\u00f5es e decis\u00f5es?<\/h4>\n\n\n\n<p>Ao passo que a ci\u00eancia nos fornece dados &#8211; que podem ser desde dados quantitativos, como estat\u00edsticas populacionais, at\u00e9 dados qualitativos, como estruturas sociais &#8211; temos em nossas m\u00e3os <em>ferramentas<\/em> que servem para governantes tomarem decis\u00f5es e conduzir popula\u00e7\u00f5es para um ou outro caminho no combate \u00e0 doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>A COVID-19 \u00e9 letal, mas existem estrat\u00e9gias <em>de governo <\/em>que nos possibilitam como impedir que pessoas morram. Por isto chamamos de \u201cmortes evit\u00e1veis\u201d. N\u00e3o \u00e9 que ningu\u00e9m morrer\u00e1, mas \u00e9 evit\u00e1vel por a\u00e7\u00f5es simples e que demandam a\u00e7\u00f5es coordenadas e coletivas por parte da sociedade. Essas a\u00e7\u00f5es podem ser somente uma pactua\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica com a sociedade para que se possa caminhar numa dire\u00e7\u00e3o desejada.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, outras vezes essas a\u00e7\u00f5es de pol\u00edtica p\u00fablica s\u00e3o mais de interesse do pol\u00edtico, que pode tamb\u00e9m estar se aproveitando do respaldo e da credibilidade que a ci\u00eancia tem com a sociedade, para simplesmente impor seus interesses particulares atrav\u00e9s da estrutura p\u00fablica que ele comanda.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Por fim&#8230;<\/h3>\n\n\n\n<p>Estamos atentos a isso, tanto como cientistas, quanto como cidad\u00e3os. Pois isto nos faz menos suscet\u00edveis ao tipo de sequestro de parte da ordem p\u00fablica por interesse particulares. Isto \u00e9, sequestro de pautas para valer e se cobrir de toda sorte de artif\u00edcios, \u00e0s vezes a pr\u00f3pria ci\u00eancia, para impor-nos esse tipo de a\u00e7\u00e3o. Isso n\u00e3o \u00e9 uma defesa de como a pol\u00edtica \u00e9 uma d\u00e1diva. Mas um chamado \u00e0 realidade e \u00e0 materialidade que \u00e9 necess\u00e1ria ao estarmos sujeitos a a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e seus atores.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Para saber mais<\/h2>\n\n\n\n<p>DESCARTES, Ren\u00e9 (2001) <a href=\"https:\/\/edisciplinas.usp.br\/pluginfile.php\/363690\/mod_resource\/content\/1\/DESCARTES_Discurso_do_m%C3%A9todo_Completo.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Discurso sobre o m\u00e9todo<\/strong><\/a><strong> <\/strong>S\u00e3o Paulo: Martins Fontes.<\/p>\n\n\n\n<p>KUHN, Thomas S (1987) <strong>A estrutura das revolu\u00e7\u00f5es cient\u00edficas,<\/strong> S\u00e3o Paulo:&nbsp; Perspectiva.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>POPPER, K (1972) <strong>A l\u00f3gica&nbsp; da pesquisa cient\u00edfica, <\/strong>S\u00e3o Paulo: Editora Pensamento.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Outras leituras no Especial<\/h2>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/covid-19\/como-se-produz-um-resultado-cientifico-e-o-que-isto-tem-a-ver-com-a-covid-19\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Como se produz um resultado cient\u00edfico e o que isto tem a ver com a Covid-19?<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/covid-19\/sobre-vacinas-metodo-cientifico-e-transparencia-na-ciencia\/\">Sobre Vacinas, m\u00e9tod<\/a><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/covid-19\/sobre-vacinas-metodo-cientifico-e-transparencia-na-ciencia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">o<\/a><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/covid-19\/sobre-vacinas-metodo-cientifico-e-transparencia-na-ciencia\/\"> cient\u00edfico e transpar\u00eancia na ci\u00eancia (parte 1)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/covid-19\/sobre-vacinas-metodo-cientifico-e-transparencia-na-ciencia-parte-2\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Sobre Vacinas, m\u00e9todo cient\u00edfico e transpar\u00eancia na ci\u00eancia (parte 2)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O autor<\/h2>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.twitter.com\/rafalpx\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Rafael Lopes Paix\u00e3o da Silva<\/a> \u00e9 doutorando em f\u00edsica, estuda dados de sa\u00fade p\u00fablica e sua din\u00e2mica e rela\u00e7\u00f5es com o clima \u00e9 F\u00edsico, \u00e9 pesquisador do <a href=\"https:\/\/twitter.com\/obscovid19br\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Observat\u00f3rio Covid-19 Brasil<\/a> e foi convidado pelo editorial para escrever no Especial COVID-19.<\/p>\n\n\n\n<p>Este texto \u00e9 original e escrito com exclusividade para o&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.blogs.unicamp.br\/covid-19\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Especial Covid-19<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/covid-19\/wp-content\/uploads\/sites\/251\/elementor\/thumbs\/logo_-onj4s5m6vf0hml07f9yn7c6a77kn5fk3fpbt3dhc00.png\" alt=\"logo_\" title=\"logo_\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Os argumentos expressos nos posts deste especial s\u00e3o dos pesquisadores. Dessa forma, os textos foram produzidos a partir de campos de pesquisa cient\u00edfica e atua\u00e7\u00e3o profissional dos pesquisadores e foi revisado por pares da mesma \u00e1rea t\u00e9cnica-cient\u00edfica da Unicamp. Assim, n\u00e3o, necessariamente, representam a vis\u00e3o da Unicamp e essas opini\u00f5es n\u00e3o substituem conselhos m\u00e9dicos.<\/h4>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/covid-19\/editorial\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><br>editorial<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto de Rafael Lopes Paix\u00e3o da Silva Como disse um famoso pensador alem\u00e3o do s\u00e9culo XIX, \u201cTudo o que \u00e9 s\u00f3lido se desmancha no ar\u201d. 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