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Muita gente pode não entender o porquê de se estudar neurociências, já que estas estão tão distantes do grande público.
Mostrar que essas ciências têm muito a oferecer para nosso auto-conhecimento, tanto no nível individual como no de nossa espécie como um todo, é difícil especialmente hoje em dia, onde as pessoas acreditam que haja mais rigor cientifico na psicanálise que em estudos neuro -comportamentais, -fisiológicos, -genéticos, etc. Uma pergunta que as pessoas se façam talvez seja: “Para que gastar tempo e dinheiro em pesquisa básica de neuro se há coisas mais urgentes para resolver como HIV, hipertensão e câncer? Deixe o cérebro para os clínicos que está muito bom.”

Por isso, muitas pessoas podem se espantar com Ogi Ogas, o doutorando em neurociências que ganhou recentemente um milhão de dólares no “Show do Milhão” americano (Who Wants to Be Millionaire) usando seu conhecimento sobre memória, aprendizado e tomada de decisão. Sendo esses seus temas de estudo, ele descreve em um artigo como se utilizou objetivamente do seu conhecimento sobre o mecanismo de funcionamento do cérebro para responder as perguntas cabeludas do programa. Técnicas como ficar revolvendo e repetindo o que lhe vem à mente quando feita a pergunta e associar a contextos não diretamente relacionados à resposta, mas que podem ressuscitar lembranças úteis, são algumas que Ogi explica e justifica em seu artigo. Até mesmo o que se sabe cientificamente sobre a intuição foi utilizado por Ogi para suas tomadas de decisão.

A descrição fisiológica das reações emocionais sentidas por ele durante o jogo são um gracejo cientifico que reforça a necessidade de se ler o artigo de Ogi.

Assim, se perguntado o porquê das neurociências, e argumentos nobres como auto-conhecimento e aplicabilidade não forem suficientes, a resposta que pode encerrar a discussão hoje em dia talvez seja: “Bom, um cara ficou milionário por estudar isso”.

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