É do país mais beberrão do mundo que vem este estudo bombástico: o consumo de bebida alcoólica dos pesquisadores está relacionado com a quantidade e qualidade da sua produção científica. Quanto mais doses um pesquisador bebe por semana, menor será sua produção.

Este estudo foi realizado na República Tcheca talvez não por coincidência, afinal este é o país com maior consumo de cerveja do mundo. São 156,9 litros de cerveja por pessoa num ano.

Claro que não devemos ser alarmistas. O estudo é pequeno, foi realizado somente em um país, com pesquisadores de apenas um tema (evolução, ecologia e comportamento de aves). Mas ao comparar pesquisadores de diferentes regiões da Republica Tcheca, a famosa Bohemia, mais beberrona (200 litros por pessoa no ano), e a Moravia, mais moderada (35 litros), houve diferença significativa na produção destes pesquisadores.

Em estudos com estas abordagens sempre temos que ter cautela na interpretação. A bebida tem diferentes significados em cada cultura. Também o consumo é realizado de diferentes maneiras, pode ser um ato social ou solitário, pode ser bem ou mal visto pela sociedade. Assim também a ciência é realizada de maneiras diferentes. Não nos seus métodos (que se forem diferentes deixam de ser ciência), mas na sua dinâmica, financiamento, organização hierárquica, relação inter-pares, etc.

A quantidade e qualidade da produção científica são as principais medidas de sucesso de um pesquisador. Disso vai depender o status e o emprego do cientista. Saber que esses fatores sociais, comportamentais e psicológicos estão diretamente relacionados à sua produção é importante. E quem não é pesquisador precisa ter isto em mente também. Saber que a ciência é uma atividade humana como tantas outras, e está sempre sendo influenciada por esses fatores.

Tomas Grim – “A possible role of social activity to explain differences in publication output among ecologists” – Oikos, 2008

Aqui vai um brinde pra quem não liga pra esse tipo de pesquisa: