{"id":1465,"date":"2009-03-26T12:43:29","date_gmt":"2009-03-26T15:43:29","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/rnam\/2009\/03\/abuso_altera_dna\/"},"modified":"2009-03-26T12:43:29","modified_gmt":"2009-03-26T15:43:29","slug":"abuso_altera_dna","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/rnam\/2009\/03\/abuso_altera_dna\/","title":{"rendered":"Abuso na inf\u00e2ncia altera o comportamento e o DNA"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.childabusecharity.com\/2008\/January\/How-Many-Different-Types-of-Child-Abuse-Go-Unreported.htm\"><span class=\"mt-enclosure mt-enclosure-image\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" alt=\"abuso infantil.jpg\" src=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/rnam\/files\/2011\/08\/child%20abuse22.jpg\" class=\"mt-image-center\" style=\"margin: 0pt auto 20px;text-align: center\" width=\"354\" height=\"401\" \/><\/span><\/a><br \/>\n<br \/>H\u00e1 muito tempo psic\u00f3logos sabem que fatos ocorridos na inf\u00e2ncia podem determinar comportamentos e doen\u00e7as psicol\u00f3gicas na vida adulta. Dentre os mais fortes determinantes est\u00e1 o abuso sexual, que parece correlacionar fortemente com maior taxa de suic\u00eddio, depress\u00e3o, ansiedade, entre outros problemas.<\/p>\n<p><b>Mas qual \u00e9 a biologia do trauma? O que muda no c\u00e9rebro que faz as pessoas mudarem de comportamento?<br \/>\n<br \/><\/b><br \/>Mais uma dica aparece com um estudo feito com c\u00e9rebros de suicidas. Sim, no Canad\u00e1 existe um banco de c\u00e9rebros de suicidas, com o objetivo de estudar os porqu\u00eas das pessoas quererem tirar as pr\u00f3prias vidas. Parece coisa de maluco, mas veja como foi \u00fatil.<\/p>\n<p>Com este banco de c\u00e9rebros bem catalogados, com as informa\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas e entrevistas com parentes, os pesquisadores puderam achar 12 c\u00e9rebros de pessoas que haviam sido abusadas na inf\u00e2ncia para comparar com outros 12 que n\u00e3o haviam sido molestados.<\/p>\n<p>Os c\u00e9rebros de molestados tinham menos receptores de cortisol. Estes receptores retiram o cortisol (subst\u00e2ncia que controla a resposta ao estresse) circulando no c\u00e9rebro que \u00e9 liberado depois de uma situa\u00e7\u00e3o de estresse, e pode prejudicar o funcionamento cerebral se continua circulando por muito tempo.<\/p>\n<p><b>Est\u00e1 tamb\u00e9m no DNA<\/b><br \/>Mas o principal do estudo \u00e9 que ele foi mais fundo na parte molecular. Sabendo j\u00e1 o que procurar, baseados em estudos com animais, olharam o gene que controla a produ\u00e7\u00e3o do receptor, e perceberam que ele estava 40% menos ativo nos molestados. Isso gra\u00e7as a mudan\u00e7as epigen\u00e9ticas.<\/p>\n<p>Epigen\u00e9tica \u00e9 o assunto quente da biologia molecular dos pr\u00f3ximos anos, fique atento. S\u00e3o mudan\u00e7as na leitura do DNA, mas n\u00e3o s\u00e3o muta\u00e7\u00f5es, porque n\u00e3o alteram a sequ\u00eancia dos ATCG, s\u00f3 interferem em como o gene vai ser lido pela c\u00e9lula.<\/p>\n<p>Parece que de alguma forma o evento de abuso aumentou o silenciamento epigen\u00e9tico do gene do receptor de cortisol. Alterando da\u00ed em diante a resposta ao estresse do indiv\u00edduo. <br \/><b><br \/>\u00c9 o ambiente alterando diretamente o DNA da pessoa!<\/b> E estudos em animais mostram que esta altera\u00e7\u00e3o (que n\u00e3o \u00e9 muta\u00e7\u00e3o) pode ser transmitida para os filhotes. Semelhan\u00e7as com Lamarck n\u00e3o s\u00e3o meras coincid\u00eancias: caracter\u00edsticas adquiridas sendo transmitidas.<\/p>\n<p>Por isso, psic\u00f3logos e psiquiatras n\u00e3o podem mais relegar as neuroci\u00eancias moleculares, como \u00e9 feito com a gen\u00f4mica hoje em dia. Esta \u00e9 criticada por ser pouco informativa, quando se descobre, por exemplo, que pessoas que tem uma c\u00f3pia X de um gene t\u00eam 10% a mais de chance de desenvolver alguma doen\u00e7a psiqui\u00e1trica. <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/rnam\/2008\/04\/elementar-e-mui-caro-watson.php\">N\u00e3o h\u00e1 muito o que fazer com esta informa\u00e7\u00e3o<\/a>.<\/p>\n<p>Mas a epigen\u00e9tica tem promessas muito interessantes. Se um evento ambiental alterou t\u00e3o profundamente a fisiologia, isto abre uma oportunidade de terapias para reverter doen\u00e7as, ou mesmo gerar rem\u00e9dios que ajam diretamente nas altera\u00e7\u00f5es epigen\u00e9ticas.<\/p>\n<p>Links:<br \/><a href=\"http:\/\/www.nature.com\/nrn\/journal\/v10\/n4\/full\/nrn2629.html\">The epigenetics of child abuse:<\/a> Nature Reviews Neuroscience<br \/>\n<br \/><a href=\"http:\/\/www.nytimes.com\/2009\/02\/24\/health\/research\/24abuse.html?_r=1&amp;scp=1&amp;sq=abuse%20childhood&amp;st=cse\">New York Times<\/a><br \/><a href=\"http:\/\/www.estadao.com.br\/noticias\/geral,abuso-na-infancia-pode-reprogramar-gene-diz-estudo,328723,0.htm\">Ag\u00eancia Estado<\/a><\/p>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 muito tempo psic\u00f3logos sabem que fatos ocorridos na inf\u00e2ncia podem determinar comportamentos e doen\u00e7as psicol\u00f3gicas na vida adulta. 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