{"id":1614,"date":"2009-09-07T00:01:15","date_gmt":"2009-09-07T03:01:15","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/rnam\/2009\/09\/genes_sinteticos_e_bioterroris\/"},"modified":"2009-09-07T00:01:15","modified_gmt":"2009-09-07T03:01:15","slug":"genes_sinteticos_e_bioterroris","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/rnam\/2009\/09\/genes_sinteticos_e_bioterroris\/","title":{"rendered":"Genes sint\u00e9ticos e Bioterrorismo: a certifica\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a pode prevenir um novo 11 de Setembro?"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"mt-enclosure mt-enclosure-image\"><img decoding=\"async\" alt=\"J0287641.JPG\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/rnam\/wp-content\/uploads\/sites\/252\/2011\/08\/J02876412.jpg\" width=\"161\" height=\"225\" class=\"mt-image-left\" style=\"float: left;margin: 0 20px 20px 0\" \/><\/span>Em 1970, o bi\u00f3logo molecular <strong>Har Gobind Khorana<\/strong>, atualmente professor do <em><strong>MIT<\/strong><\/em>, fez a primeira demonstra\u00e7\u00e3o da s\u00edntese de um gene de modo artificial.<br \/>\nApesar de estarmos em tempos de Caminho das \u00cdndias e do hype indiano por causa dos <strong>BRIC<\/strong> (ou pelo menos da vers\u00e3o Global da \u00cdndia, que \u00e9 <em>photoshopada<\/em> at\u00e9 a alma), o nome desse pesquisador pode n\u00e3o dizer nada mesmo para os bi\u00f3logos. Para dar uma id\u00e9ia de quem \u00e9 esse senhor, <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Har_Gobind_Khorana\">vou deixar esse link com uma curta biografia (em Ingl\u00eas)<\/a>, e me limitar a dizer que ele foi um dos ganhadores do <strong>Pr\u00eamio Nobel de Fisiologia e Medicina<\/strong> em 1968.<br \/>\nO que deu um Nobel \u00e0 ele? Ah, nada muito importante&#8230; Ele S\u00d3 interpretou a fun\u00e7\u00e3o do C\u00f3digo Gen\u00e9tico na s\u00edntese de prote\u00ednas, o que faz dele, no m\u00ednimo, um dos &#8220;padrinhos&#8221; da Biologia Molecular como a conhecemos. Mas voc\u00ea est\u00e1 aqui pr\u00e1 aprender, ent\u00e3o n\u00e3o se sinta culpado por n\u00e3o saber de antem\u00e3o. E, claro, acredite que eu j\u00e1 sabia \ud83d\ude09<br \/>\nBom, voltando \u00e0 s\u00edntese de genes, atualmente existem in\u00fameras empresas de biotecnologia que oferecem esse servi\u00e7o, muitas vezes com um custo inferior a 1 d\u00f3lar por par de base solicitado na s\u00edntese (sem esfor\u00e7o encontrei &#8220;promo\u00e7\u00f5es&#8221; com pre\u00e7os menores ainda). Barato, e, sem d\u00favida, uma ferramenta de extrema import\u00e2ncia para in\u00fameros estudos.<br \/>\nApesar disso, h\u00e1 muito se debate o perigo por tr\u00e1s de um acesso t\u00e3o f\u00e1cil \u00e0 fabrica\u00e7\u00e3o artificial de genes. Existe um temor de que essa tecnologia seja utilizada para a cria\u00e7\u00e3o de novas linhagens de organismos patog\u00eanicos (como v\u00edrus e\/ou bact\u00e9rias), ou ent\u00e3o para que se possa &#8220;ressuscitar&#8221; organismos perigosos j\u00e1 extintos.<br \/>\n<span class=\"mt-enclosure mt-enclosure-image\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" alt=\"biohazard.jpg\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/rnam\/wp-content\/uploads\/sites\/252\/2011\/08\/biohazard.jpg\" width=\"384\" height=\"232\" class=\"mt-image-center\" style=\"text-align: center;margin: 0 auto 20px\" \/><\/span>Como pa\u00edses como EUA e Inglaterra vivem em constante alerta sobre uma eventual a\u00e7\u00e3o terrorista de grandes propor\u00e7\u00f5es como visto em 11 de Setembro de 2001, os pedidos feitos \u00e0s empresas que oferecem o servi\u00e7o de s\u00edntese de genes artificiais possuem mecanismos de verifica\u00e7\u00e3o sobre as encomendas, de modo a se evitar o problema descrito acima. No entanto, como uma das principais a\u00e7\u00f5es de toda e qualquer empresa para maximizar seus lucros \u00e9 diminuir os gastos, existe hoje uma grande discuss\u00e3o em torno do procedimento de verifica\u00e7\u00e3o utilizado, que foi aumentado pela atitude de duas empresas, a <em><strong>DNA2.0<\/strong><\/em> (EUA) e a <em><strong>Geneart<\/strong><\/em> (Alemanha).<br \/>\nH\u00e1 mais de um ano existe na Europa a <em><strong><a href=\"http:\/\/www.ia-sb.eu\/go\/synthetic-biology\/\">International Association of Syntetic Biology<\/a><\/strong><\/em> (<em><strong>IASB<\/strong><\/em> &#8211; Associa\u00e7\u00e3o Internacional de Biologia Sint\u00e9tica), que vem desenvolvendo um <em><strong><a href=\"http:\/\/www.ia-sb.eu\/go\/synthetic-biology\/activities\/press-area\/press-information\/the-code-of-conduct-project\/\">c\u00f3digo de conduta<\/a><\/strong><\/em> que, claro, inclui procedimentos-padr\u00e3o para a an\u00e1lise desses pedidos de genes sint\u00e9ticos. O problema? As duas empresas citadas acima anunciaram a cria\u00e7\u00e3o de um c\u00f3digo pr\u00f3prio de an\u00e1lise que, segundo a mat\u00e9ria da <em><strong>Nature News<\/strong><\/em> que adaptei para escrever esse texto, se escolhido pode ser crucial para a biosseguran\u00e7a global.<br \/>\nMas qual \u00e9 a grande diferen\u00e7a proposta, e por que ela pode significar o aumento do perigo?<br \/>\nAtualmente, o processo de verifica\u00e7\u00e3o dos genes sint\u00e9ticos envolve, num primeiro momento, um passo automatizado, em que os genes de um determinado pedido s\u00e3o comparados com os dados de organismos presentes em listas contra bioterrorismo, <a href=\"http:\/\/www.bt.cdc.gov\/agent\/agentlist.asp\">como essa aqui mantida pelo <em><strong>Centers for Disease Control and Prevention<\/strong><\/em> (<em><strong>CDC<\/strong><\/em> &#8211; Centro para Controle e Preven\u00e7\u00e3o de Doen\u00e7as)<\/a>. Esse passo do processo de verifica\u00e7\u00e3o \u00e9 feito pelo uso de programas de computador como o <em><strong><a href=\"http:\/\/blast.ncbi.nlm.nih.gov\/Blast.cgi\">BLAST (Basic Local Alignment Search Tool)<\/a><\/strong><\/em>, velho conhecido d e qualquer um que tenha trabalhado ou trabalhe com Biologia Molecular. Esse programa busca similaridades entre sequ\u00eancias g\u00eanicas escolhidas pelo usu\u00e1rio, ou seja, ele fornece a porcentagem de &#8220;igualdade&#8221; entre as sequ\u00eancias que voc\u00ea queira comparar.<br \/>\n<span class=\"mt-enclosure mt-enclosure-image\"><img decoding=\"async\" alt=\"biohazard1.jpg\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/rnam\/wp-content\/uploads\/sites\/252\/2011\/08\/biohazard1.jpg\" width=\"240\" height=\"240\" class=\"mt-image-right\" style=\"float: right;margin: 0 0 20px 20px\" \/><\/span>No entanto, apesar de o c\u00f3digo elaborado pelo <em><strong>IASB<\/strong><\/em> especificar que um especialista analise os resultados obtidos pelo computador caso haja uma identifica\u00e7\u00e3o positiva (entre um gene conhecido de um agente patog\u00eanico, por exemplo, e um pedido feito \u00e0 empresa), o c\u00f3digo elaborado pela <em><strong>DNA2.0<\/strong><\/em> e pela <em><strong>Geneart<\/strong><\/em> determina que o processo de verifica\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a dos pedidos termine na parte automatizada, sem verifica\u00e7\u00e3o posterior. Isso far\u00e1 com que a empresa ganhe agilidade na entrega dos pedidos, e, CLARO, far\u00e1 com que as mesmas economizem uma boa grana em gastos com funcion\u00e1rios, visto que o especialista respons\u00e1vel pela verifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 mais necess\u00e1rio.<br \/>\nApesar disso, nenhum especialista acredita que uma lista contendo TODOS os genes &#8220;perigosos&#8221; possa ser criada. Por exemplo, sem a revis\u00e3o de um especialista, pode acontecer de as listas utilizadas no processo automatizado n\u00e3o identifiquem organismos n\u00e3o-patog\u00eanicos que tenham sido modificados geneticamente para formarem algo novo, e potencialmente perigoso.<br \/>\nA defesa de um dos vice-presidentes da <em><strong>DNA2.0<\/strong><\/em>, <em><strong>Claes Gustafsson<\/strong><\/em>, \u00e9 de que a revis\u00e3o de especialistas tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 perfeita, podendo acontecer o mesmo fato, de modo que ele defende que n\u00e3o h\u00e1 uma padroniza\u00e7\u00e3o que possa ser feita para garantir 100% de seguran\u00e7a dos produtos sintetizados. Al\u00e9m disso, ele alega que as autoridades governamentais debatem isso h\u00e1 muito tempo sem chegar \u00e0 um consenso, raz\u00e3o pela qual eles decidiram adotar esse novo c\u00f3digo. Algumas empresas anunciaram a possibilidade de fazer o mesmo que a <em><strong>DNA2.0<\/strong><\/em> e a <em><strong>Geneart<\/strong><\/em>, e uma reuni\u00e3o organizada pela <em><strong>IASB<\/strong><\/em> ocorrer\u00e1 agora em Novembro nos EUA, para que as empresas adotem o c\u00f3digo que a mesma desenvolveu.<br \/>\nA esperan\u00e7a de especialistas em &#8220;boas pr\u00e1ticas de trabalho&#8221;, preocupados com a ado\u00e7\u00e3o do padr\u00e3o exclusivamente automatizado pelas empresas que sintetizam esses genes artificiais, \u00e9 de que o governo dos EUA, o pa\u00eds mais preocupado com biosseguran\u00e7a, manifeste sua prefer\u00eancia pelo c\u00f3digo desenvolvido pela <em><strong>IASB<\/strong><\/em>, &#8220;for\u00e7ando&#8221; a oficializa\u00e7\u00e3o desse padr\u00e3o.<br \/>\nApesar de eu n\u00e3o ter certeza de que esses c\u00f3digos de verifica\u00e7\u00e3o possam realmente ter efeito na prote\u00e7\u00e3o contra a fabrica\u00e7\u00e3o de armas biol\u00f3gicas, creio que h\u00e1 casos em que \u00e9 melhor n\u00e3o se testar a sorte. Junto \u00e0 isso, nunca vou preferir os resultados de um computador, se me derem a op\u00e7\u00e3o de ter os resultados de um computador revisados por um especialista.<br \/>\n\u00c9 torcer para a reuni\u00e3o de Novembro ter sucesso em convencer que, em alguns casos, n\u00e3o se pode simplesmente usar o &#8220;m\u00ednimo denominador comum&#8221; na ind\u00fastria, s\u00f3 porque o concorrente decidiu for\u00e7ar a briga por maior faturamento por diminui\u00e7\u00e3o da qualidade de seus produtos.<br \/>\n* Esse texto foi adaptado de <em><strong><a href=\"http:\/\/www.nature.com\/news\/2009\/090831\/full\/461022a.html\">&#8220;Keeping genes out of terrorists&#8217; hands&#8221;<\/a><\/strong><\/em>, escrito por <strong>Erika Check Hayden<\/strong> e publicado na <em><strong>Nature News<\/strong><\/em> em 31 de Agosto de 2009.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1970, o bi\u00f3logo molecular Har Gobind Khorana, atualmente professor do MIT, fez a primeira demonstra\u00e7\u00e3o da s\u00edntese de um gene de modo artificial. Apesar de estarmos em tempos de Caminho das \u00cdndias e do hype indiano por causa dos BRIC (ou pelo menos da vers\u00e3o Global da \u00cdndia, que \u00e9 photoshopada at\u00e9 a alma), &hellip; <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/rnam\/2009\/09\/genes_sinteticos_e_bioterroris\/\" class=\"more-link\">Continue lendo<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;Genes sint\u00e9ticos e Bioterrorismo: a certifica\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a pode prevenir um novo 11 de Setembro?&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":476,"featured_media":1615,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[10,11,12,17,32,50,57,59],"tags":[60,124,134,168,478,882,935],"class_list":["post-1614","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-biologia-molecular","category-biosseguranca","category-biotecnologia","category-ciencia","category-genoma","category-politica","category-terrorismo","category-trangenicos","tag-11-de-setembro","tag-armas-biologicas","tag-ataque","tag-biologia-molecular","tag-genes-sinteticos","tag-seguranca","tag-terrorismo"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/rnam\/wp-content\/uploads\/sites\/252\/2011\/08\/J02876411.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/rnam\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1614","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/rnam\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/rnam\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/rnam\/wp-json\/wp\/v2\/users\/476"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/rnam\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1614"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/rnam\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1614\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/rnam\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1615"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/rnam\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1614"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/rnam\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1614"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/rnam\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1614"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}