{"id":52,"date":"2018-03-13T05:40:17","date_gmt":"2018-03-13T08:40:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/saedaquiparala\/?p=52"},"modified":"2018-03-14T12:09:14","modified_gmt":"2018-03-14T15:09:14","slug":"ser-mulher-ser-enfermeira-e-ser-cientista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/saedaquiparala\/2018\/03\/13\/ser-mulher-ser-enfermeira-e-ser-cientista\/","title":{"rendered":"\u201cSer mulher\u201d, \u201cser enfermeira\u201d e \u201cser cientista\u201d"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/saedaquiparala\/nossos-colaboradores\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lilian Ayres<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left\">A <span style=\"color: #ff0000\">feminiza\u00e7\u00e3o<\/span> do cuidado na sa\u00fade, desde muitos s\u00e9culos, contribuiu para que a profiss\u00e3o de enfermagem fosse majoritariamente constitu\u00edda por mulheres. A pr\u00e1tica da enfermagem est\u00e1 diretamente associada ao cuidado e sempre esteve vinculada a ideia de um trabalho extensivo do lar e aos atributos femininos como delicadeza, fragilidade, pureza, altru\u00edsmo, disponibilidade e submiss\u00e3o. Para a sociedade brasileira, ainda permanece a vis\u00e3o que esta pr\u00e1tica do cuidado est\u00e1 relacionada com o empirismo, corroborando para a falta de reconhecimento <span style=\"color: #ff0000\">cient\u00edfico<\/span> da nossa profiss\u00e3o.<\/p>\n<figure id=\"attachment_56\" aria-describedby=\"caption-attachment-56\" style=\"width: 109px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-56\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/saedaquiparala\/wp-content\/uploads\/sites\/151\/2018\/03\/137730-OTKIIA-129-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"109\" height=\"109\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/saedaquiparala\/wp-content\/uploads\/sites\/151\/2018\/03\/137730-OTKIIA-129-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/saedaquiparala\/wp-content\/uploads\/sites\/151\/2018\/03\/137730-OTKIIA-129-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/saedaquiparala\/wp-content\/uploads\/sites\/151\/2018\/03\/137730-OTKIIA-129-768x768.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/saedaquiparala\/wp-content\/uploads\/sites\/151\/2018\/03\/137730-OTKIIA-129-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/saedaquiparala\/wp-content\/uploads\/sites\/151\/2018\/03\/137730-OTKIIA-129.jpg 2000w\" sizes=\"(max-width: 109px) 100vw, 109px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-56\" class=\"wp-caption-text\"><strong><a href=\"https:\/\/br.freepik.com\/vetores-gratis\/smiley-enfermeira-e-ferramentas-medicas-com-design-plano_1218015.htm\">Designed by Freepik<\/a><\/strong><\/figcaption><\/figure>\n<p>Atualmente, percebo que a enfermeira est\u00e1 inserida em diversos <span style=\"color: #ff0000\">cen\u00e1rios<\/span> como unidades de sa\u00fade, ambulat\u00f3rios, hospitais, maternidades, secretarias de sa\u00fade, planos de sa\u00fade, exercendo cargos assistenciais e gerenciais. Al\u00e9m disso, a <span style=\"color: #ff0000\">enfermeira<\/span> vem buscando sua legitimidade no campo cient\u00edfico e por isso, temos avan\u00e7os no que concerne \u00e0 inser\u00e7\u00e3o e \u00e0 participa\u00e7\u00e3o dela neste campo por meio da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, como estudante, ou nas universidades e centros de pesquisas, como profissionais. Por\u00e9m, \u00e9 baixa a propor\u00e7\u00e3o de mulheres em cargos como professora associada ou titular nas universidades. De fato, ainda os homens s\u00e3o os predominantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Para obter estes cargos, de acordo com a hierarquia acad\u00eamica, alguns crit\u00e9rios s\u00e3o utilizados, entre eles, a produ\u00e7\u00e3o e a publica\u00e7\u00e3o do conhecimento cient\u00edfico em revistas de \u201calto impacto\u201d. E ainda, \u00e9 necess\u00e1rio ter dedica\u00e7\u00e3o integral ao trabalho, conviver com rela\u00e7\u00f5es competitivas e rela\u00e7\u00f5es de <span style=\"color: #ff0000\">poder<\/span> entre mulher e homem. Neste contexto, depreendo que a enfermeira, ao longo do tempo, vem conquistando e construindo o seu espa\u00e7o na ci\u00eancia, por\u00e9m, ainda precisamos <span style=\"color: #ff0000\">avan\u00e7ar<\/span> e buscar reconhecimento e valoriza\u00e7\u00e3o no campo cient\u00edfico.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Para entender a trajet\u00f3ria da enfermeira na ci\u00eancia, \u00e9 necess\u00e1rio considerar as quest\u00f5es de g\u00eanero que se fazem presentes na vida acad\u00eamica e que determinam e condicionam a nossa produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, bem como, o modelo <span style=\"color: #ff0000\">patriarcal<\/span> em que prevalece na sociedade brasileira o qual influencia diretamente no cen\u00e1rio das universidades e institui\u00e7\u00f5es de pesquisa. Com efeito, ela enfrenta desafios e obst\u00e1culos invis\u00edveis que favorecem essa situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure id=\"attachment_54\" aria-describedby=\"caption-attachment-54\" style=\"width: 170px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-54\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/saedaquiparala\/wp-content\/uploads\/sites\/151\/2018\/03\/mulher-com-um-bebe-que-olha-seu-telefone_1218-568-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"170\" height=\"113\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/saedaquiparala\/wp-content\/uploads\/sites\/151\/2018\/03\/mulher-com-um-bebe-que-olha-seu-telefone_1218-568-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/saedaquiparala\/wp-content\/uploads\/sites\/151\/2018\/03\/mulher-com-um-bebe-que-olha-seu-telefone_1218-568.jpg 626w\" sizes=\"(max-width: 170px) 100vw, 170px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-54\" class=\"wp-caption-text\"><a href=\"https:\/\/br.freepik.com\/fotos-vetores-gratis\/negocio\">Neg\u00f3cio fotografia desenhado por Phduet &#8211; Freepik.com<\/a><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: left\">Adiciona-se, ao ambiente do trabalho, a exist\u00eancia da concilia\u00e7\u00e3o das tarefas dom\u00e9sticas, o ser esposa e o ser m\u00e3e. Apesar de incentivos \u00e0 paternidade e a participa\u00e7\u00e3o do pai na cria\u00e7\u00e3o dos filhos e nas atividades dom\u00e9sticas, percebo que geralmente a <span style=\"color: #ff0000\">mulher<\/span> ainda \u00e9 a respons\u00e1vel principal por esse cuidado e educa\u00e7\u00e3o, al\u00e9m daqueles relacionados \u00e0 casa. Entretanto, ressalto que essa divis\u00e3o sexual do <span style=\"color: #ff0000\">trabalho<\/span> e concep\u00e7\u00f5es de maternidade ou paternidade \u00e9 plural, sendo influenciada por fatores culturais, sociais, econ\u00f4micos e pol\u00edticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">A t\u00edtulo de ilustra\u00e7\u00e3o, entre os anos de 2008 e 2014 me dediquei \u00e0 carreira cient\u00edfica por meio da realiza\u00e7\u00e3o de um mestrado e doutorado na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Concomitantemente, ocupei cargos como enfermeira pesquisadora e assistencial. Al\u00e9m da minha carreira <span style=\"color: #ff0000\">profissional e cient\u00edfica<\/span>, havia as quest\u00f5es pessoais como marido, fam\u00edlia, amigos, casa, entre outros. A escolha da maternidade veio ap\u00f3s o t\u00e9rmino do doutorado em 2014. O meu investimento cient\u00edfico atrelado ao profissional e pessoal resultou em baixa produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, apesar de compor atualmente um cargo como docente em uma universidade federal.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Tal situa\u00e7\u00e3o \u00e9 encontrada em diversas hist\u00f3rias de enfermeiras. Algumas optam pelas fam\u00edlias, outras pela carreira profissional e\/ou cient\u00edfica e outras preferem conjugar essas situa\u00e7\u00f5es. Com isso, convivemos com cansa\u00e7o f\u00edsico e mental, <span style=\"color: #ff0000\">sobrecarga<\/span> de trabalho e sentimentos como culpa, solid\u00e3o, ansiedade, entre outros. E com intuito de minimizar essa situa\u00e7\u00e3o, encontramos no campo cient\u00edfico mulheres que escolhem jornadas reduzidas ou preferem n\u00e3o entrar no \u00e2mbito competitivo das produ\u00e7\u00f5es cient\u00edficas.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Ademais, ao analisar os tipos de pesquisas realizadas pelas enfermeiras h\u00e1 uma concentra\u00e7\u00e3o em pesquisas qualitativas, quantitativas e poucos estudos experimentais que visem avaliar o cuidado de enfermagem baseado em evid\u00eancia cient\u00edfica. Acredito que tal situa\u00e7\u00e3o favorece para a manuten\u00e7\u00e3o da vis\u00e3o que a <span style=\"color: #ff0000\">pr\u00e1tica do cuidado<\/span> est\u00e1 pautada no empirismo, na baixa valoriza\u00e7\u00e3o profissional e falta de reconhecimento cient\u00edfico.<\/p>\n<figure id=\"attachment_65\" aria-describedby=\"caption-attachment-65\" style=\"width: 127px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-65\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/saedaquiparala\/wp-content\/uploads\/sites\/151\/2018\/03\/professora-com-placa_318-59369-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"127\" height=\"127\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/saedaquiparala\/wp-content\/uploads\/sites\/151\/2018\/03\/professora-com-placa_318-59369-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/saedaquiparala\/wp-content\/uploads\/sites\/151\/2018\/03\/professora-com-placa_318-59369-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/saedaquiparala\/wp-content\/uploads\/sites\/151\/2018\/03\/professora-com-placa_318-59369.jpg 626w\" sizes=\"(max-width: 127px) 100vw, 127px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-65\" class=\"wp-caption-text\">www.flaticon.com<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: left\">Desta forma, abordar sobre a enfermeira no campo cient\u00edfico, implica em entender que este contexto \u00e9 marcado por situa\u00e7\u00f5es que limitam, dificultam e determinam a participa\u00e7\u00e3o dela na <span style=\"color: #ff0000\">ci\u00eancia<\/span>. Existem sinais de modifica\u00e7\u00f5es nas rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero, contudo, \u00e9 fundamental tentar construir cen\u00e1rios de trabalhos externos e dom\u00e9sticos que possibilitem rela\u00e7\u00f5es mais equ\u00e2nimes e que contribuam para o crescimento da mulher, sendo este na ci\u00eancia da enfermagem ou onde ela escolher.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Por Lilian Ayres A feminiza\u00e7\u00e3o do cuidado na sa\u00fade, desde muitos s\u00e9culos, contribuiu para que a profiss\u00e3o de enfermagem fosse majoritariamente constitu\u00edda por mulheres. A <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/saedaquiparala\/2018\/03\/13\/ser-mulher-ser-enfermeira-e-ser-cientista\/\" title=\"\u201cSer mulher\u201d, \u201cser enfermeira\u201d e \u201cser cientista\u201d\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":320,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[11,12,10],"class_list":["post-52","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-especiais","tag-dia-da-mulher","tag-enfermeira","tag-mulher"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/saedaquiparala\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/saedaquiparala\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/saedaquiparala\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/saedaquiparala\/wp-json\/wp\/v2\/users\/320"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/saedaquiparala\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=52"}],"version-history":[{"count":13,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/saedaquiparala\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":107,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/saedaquiparala\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52\/revisions\/107"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/saedaquiparala\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=52"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/saedaquiparala\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=52"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/saedaquiparala\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=52"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}