Glitter: comestível ou não? Eis a questão…

por | fev 13, 2026 | Textos | 0 Comentários

Sabe o glitter da fantasia e das maquiagens de carnaval? Já viu ele alguma vez em decoração de doces? Já ouviu falar em glitter comestível? Pois é… Recentemente surgiram notícias sobre a possibilidade de alguns tipos de glitter serem comestíveis. Mas será mesmo? Qual a diferença deste para aquele que usamos em fantasias de carnaval? Vamos falar um pouco sobre o que ele é e como identificar se ele podemos ou não ingerir. 

Camila Satie Kurihara e Mariana Olímpio de Aquino

Glitter comestível, a origem

A polêmica começou quando um influenciador, Dario Centurione, gravou um vídeo para o seu canal, Almanaque SOS, falando sobre a presença de plásticos nesse tipo de glitter. Muitas vezes nas lojas físicas, esses glitters estão ao lado de produtos alimentícios, o que pode induzir as pessoas a acharem que eles também são alimentos.

Os glitters envolvidos na polêmica são feitos a partir de componente de plásticos comuns, utilizados no dia a dia, como o  polipropileno (PP), usado em potes diversos,  o tereftalato de etileno – o famoso “PET”, e o polimetilmetacrilato (PMMA) – usado em alguns tipos de próteses. Esses plásticos não são autorizados para uso na composição de alimentos. Nenhum pó decorativo ou glitter que tenha essas substâncias presentes no rótulo de sua embalagem podem ser utilizados para fins alimentícios ou de confeitaria [1]. Os produtos utilizados em alimentos devem ser fabricados a partir de ingredientes e aditivos alimentares autorizados pela Anvisa [1]. 

Por isso é importante sempre ler os rótulos das embalagens e, na dúvida, pesquisar se a subsistência pode ser ou não ingerida. Ainda, é interessante diferenciar atóxico de comestível: atóxico significa apenas que podemos entrar em contato com o alimento sem risco de contaminação mas isso não indica que seja comestível. O PET, por exemplo, é atóxico e muito utilizado em embalagens de alimentos, mas não devemos ingerir essa substância [2].

Mas e o do carnaval?

No carnaval, muitas pessoas utilizam o glitter em maquiagens para obter um look colorido e com aquele brilho característico dessa época do ano. O que acontece, às vezes, é que as pessoas podem optar por usar os glitters vendidos em papelarias, por exemplo, os quais, muitas vezes, são feitos de plásticos com óxido de ferro, que é a substância responsável por dar cor às partículas. Essas substâncias podem irritar a pele e, até mesmo, agravar quadros de acne, de dermatites e de lesões. Os cosméticos, que contêm glitter na composição, chegam ao mercado após processo de aprovação pela Anvisa, por isso, as fórmulas são adequadas para aplicação na pele, porém, ainda é importante ficar atento a sinais de coceira, vermelhidão e irritação [3].

Sobre a aplicação do glitter na região dos olhos, mesmo que o glitter seja próprio de maquiagem, é muito importante ter cuidado, dado que em contato com os olhos ele pode causar irritações e outros problemas de visão [4].

Então podemos usar ou não?

Seja na maquiagem do carnaval ou na hora de decorar um bolo, deve-se ficar atento à composição do glitter que será utilizado.

No caso das maquiagens, o mais adequado é utilizar os glitters destinados à essa finalidade, ou seja, utilizar os cosméticos que apresentam glitter. E mesmo assim, é importante ficar atento a qualquer sinal de irritação e tomar cuidado, principalmente, com a região dos olhos, além da boca e do nariz.

Já para confeitaria e para qualquer outra aplicação relacionada com alimentação, não se deve utilizar qualquer tipo de glitter ou outro produto que apresente na composição os plásticos citados anteriormente e ficar atento se a embalagem indica que o produto pode ser ingerido ou se é comestível – ser comestível é diferente de ser atóxico!

Além disso, vale lembrar que a maior parte dos plásticos tem potencial de geração de microplásticos, que contribuem para um tipo específico de contaminação das águas [5]. Mas esse é tema para o pós-carnaval! Independentemente do que seja e para qual seja o fim, saiba o que está usando e, na dúvida, pesquise rapidinho os componentes. Boa folia. Um carnaval colorido a todas as pessoas!

Referências Bibliográficas

 

  1. Anvisa suspende quatro marcas de glitter com material plástico. gov.br. 13/11/2025. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2025/anvisa-suspende-quatro-marcas-de-glitter-com-material-plastico. Acesso em: 30 nov. 2025.  
  2. Reis, Silvana. Como o glitter virou ingrediente de bolos e doces? Após vídeo viral, Anvisa faz alerta e confeiteiras reclamam de produtos. G1. 31/10/2025. Disponível em:  https://g1.globo.com/saude/noticia/2025/10/31/como-o-glitter-virou-ingrediente-de-bolos-e-doces-apos-video-viral-anvisa-faz-alerta-e-confeiteiras-reclamam-de-produtos.ghtml. Acesso em: 30 nov. 2025.
  3. Ferreira, Marina; Meireles, Claudia. Carnaval: médica explica como o glitter pode ser perigoso para a pele. Metrópoles. 08/02/2023. Disponível em: https://www.metropoles.com/colunas/claudia-meireles/carnaval-medica-explica-como-o-glitter-pode-ser-perigoso-para-a-pele. Acesso em: 30 nov. 2025.
  4. Francisco, Gabriela. Oftalmologista alerta sobre os riscos da make com glitter no Carnaval. Metrópoles. 01/01/2023. Disponível em: https://www.metropoles.com/vida-e-estilo/beleza/oftalmologista-alerta-sobre-os-riscos-da-make-com-glitter-no-carnaval. Acesso em: 30 nov. 2025.
  5. Estudo mostra como glitter usado no carnaval contamina rios e oceanos. CNN Brasil. Disponível em: <https://www.cnnbrasil.com.br/tecnologia/estudo-mostra-como-glitter-usado-no-carnaval-contamina-rios-e-oceanos/>. Acesso em: 1 dez. 2025.

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