Apertem os cintos, vamos decolar rumo ao conhecimento!

por | jun 10, 2026 | Textos | 0 Comentários

Todo mundo que assistiu “Interestelar” ou “Perdido em Marte”, ou até mesmo outros filmes de ficção científica espacial, como os filmes das franquias “Alien” e “Star Wars”, já deve ter imaginado como seria se tornar um astronauta, que trabalha viajando pelo espaço e descobrindo o universo, ou se perguntado como seriam outros planetas e se existe vida fora da Terra. Mas você já parou para pensar como essas missões são planejadas na vida real? Ou quais são os impactos dessas explorações para a humanidade? Afinal, mesmo com alienígenas, batalhas estelares e outras licenças poéticas, será que esses filmes de ficção científica não têm um pouco de conhecimento científico? Vem com o Sala V desvendar um pouco desse universo! 

 

Autoria de Fernanda Nunes Ribeiro & Mariana Olimpio de Aquino

Revisão de Cyntia Vasconcelos de Almeida & Mayara de Carvalho Santos

 

Apesar do ditado de que “o céu é o limite”, a humanidade sempre buscou por novos horizontes e, com o avanço das missões espaciais, parece que essa expressão nunca esteve tão errada. Mesmo estando bem longe dos mundos de ficção científica, já avançamos muito no ramo da Astronáutica, e os seus resultados são vistos o tempo todo na nossa rotina.

 

Mas nem tem nada no espaço…

Existem muitos motivos para que aconteçam viagens espaciais, com tripulantes ou não. As formas de comunicação como conhecemos hoje só são possíveis graças aos Satélites Geoestacionários, que ficam parados a cerca de 36 mil km em relação ao nível do mar, transmitindo informações como os sinais de internet que possibilitam que você leia esse texto. Além disso, esses dispositivos podem monitorar eventos espaciais, como asteróides, áreas de proteção ambiental e mudanças climáticas, desde furacões até chuvas. Ou seja, se você sabe se vai precisar de um guarda-chuva hoje, saiba que um satélite pode ter te ajudado! [1, 2, 3]

Já nas missões tripuladas, o principal exemplo é a Estação Espacial Internacional (da sigla em inglês ISS), que está em órbita há mais de 20 anos e é um centro de pesquisa de 15 países nas mais diversas áreas. Entre as suas principais conquistas, estão o estudo de medicamentos para doenças genéticas, filtros de ar para vírus como o da COVID-19 e até mesmo a produção de sangue artificial de cachorros e gatos. Tudo isso é possível porque a ISS é um espaço compartilhado por cientistas do mundo todo, e muitas dessas tecnologias não são produzidas na Terra por interferência da gravidade ou outros fatores não controláveis. [3, 4, 5]

E quanto custa essa brincadeira?

Como essas missões espaciais são muito úteis para a humanidade, planejá-las não é só caro, mas também demorado. Nos projetos da NASA, a agência espacial estadunidense, o planejamento se divide em 7 etapas principais [6, 7]:

  • Pré-fase A: quando são definidos possíveis destinos e motivos para as missões espaciais;
  • Fase A: quando são desenvolvidos os conceitos principais da missão;
  • Fase B: onde são produzidos os protótipos para as tecnologias necessárias;
  • Fase C: em que as tecnologias produzidas para a missão são testadas e validadas;
  • Fase D: em que a nave ou satélite é montado, testado e lançado para o espaço;
  • Fase E: onde se mantêm as operações do sistema enquanto estiver no espaço;
  • Fase F: em que se recuperam as informações do projeto e se finaliza. 

Todo esse processo pode durar décadas, já que protocolos de segurança são feitos a todo momento e qualquer falha interrompe a contagem regressiva da missão. No caso da missão Artemis II, que aconteceu em abril de 2026 e foi a viagem tripulada que mais se afastou da Terra, com 406.771 km (252.756 milhas), houve um atraso de quase 4 anos. Com o objetivo de testar as tecnologias Orion que serão usadas numa futura base lunar, a estimativa dos custos dessa missão é de US$ 4,1 bilhões apenas para lançar o foguete, e mais de US$ 10 bilhões para cumprir o objetivo final. Por isso, não espere que um astronauta seja pontual ou mão-de-vaca! [7, 8, 9] 

 

Para onde tudo vai, no fim das contas?

Existem muitos satélites na órbita terrestre e vimos que, ao longo da história, vários foguetes foram lançados ao espaço em missões tripuladas ou não. Esses foguetes, no entanto, geraram fragmentos quando foram lançados, e os satélites que já não funcionam mais continuam lá no espaço. Esses resíduos são exemplos de lixo espacial. 

Mas, afinal, o que é considerado lixo espacial? Lixo espacial é qualquer objeto feito e enviado pela humanidade ao espaço e que não desempenha mais nenhuma função útil. Dessa forma, partes de foguetes que são deixadas para trás no lançamento, satélites inativos e objetos relacionados a missões, como ferramentas perdidas, são exemplos de lixo espacial, e esses resíduos podem gerar alguns problemas, principalmente por causa da alta velocidade que eles têm em órbita [10, 11].

Segundo a Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês), a velocidade orbital relativa de detritos espaciais é de até 56.000 km/h. Isso faz com que até pedaços com centímetros de tamanho possam danificar seriamente ou até desativar uma espaçonave operacional, causando graves acidentes. Além disso, a colisão entre os detritos pode gerar mais lixo espacial, e esses detritos também podem atrapalhar o funcionamento de satélites que são úteis para atividades aqui na Terra, ao se chocarem e danificarem esses equipamentos, por exemplo [10].

Assim, esses lixos espaciais se tornam um problema crescente, mas não podemos simplesmente parar de enviar objetos para o espaço, pois, como vimos, os satélites apresentam grande importância para a gente aqui na Terra. Algumas pesquisas são realizadas na Estação Espacial Internacional e a exploração espacial proporciona diversas descobertas. Então, agências espaciais e pesquisadores pensam que possíveis soluções seriam recolher os detritos de alguma forma e/ou trazer os objetos de volta para a atmosfera terrestre, por exemplo. Para isso, são sempre necessárias pesquisas, investimento em tecnologias e colaboração entre empresas e agências espaciais [10, 12].

 

E as viagens e missões espaciais na ficção científica?

Muita coisa em filmes de espaço sideral, obviamente, não chega nem perto da realidade. Entretanto, existem os filmes e séries que pertencem ao subgênero Hard Sci-Fi, nos quais as histórias se baseiam mais rigorosamente em conceitos científicos e matemáticos [13].

Exemplos de filmes que se encaixam nesse subgênero são “Perdido em Marte”, do diretor Ridley Scott, que é uma adaptação do livro de mesmo nome do escritor Andy Weir, e  “Interestelar”, do diretor Christopher Nolan, que teve uma consultoria do físico Kip Thorne, especialista em ondas gravitacionais e ganhador do Prêmio Nobel de Física em 2017, deixando o filme com um maior rigor científico.

Em “Perdido em Marte”, a plantação de batatas, as manobras e rotas espaciais, por exemplo, que foram retratadas no filme, têm base em conceitos físicos, biológicos e no desenvolvimento tecnológico existente na realidade [14].

Já em “Interestelar”, vemos um buraco de minhoca, o qual, embora não haja evidências experimentais de sua existência, é retratado de forma coerente com a teoria, já que buracos de minhoca, de acordo com a Teoria da Relatividade Geral de Einstein, funcionariam como túneis que conectam dois pontos distintos do espaço-tempo. Em “Interestelar”, o conceito de dilatação temporal também é abordado, pois, ainda de acordo com a Teoria da Relatividade Geral, quanto mais forte for o campo gravitacional, mais lento o tempo passa em relação a um observador distante. E, no filme, vemos a representação da dilatação do tempo quando os personagens estão em um planeta próximo de um buraco negro supermassivo, no qual um ano nesse planeta equivaleria a sete anos na Terra, ilustrando esse conceito da física [15].

Seja na ficção ou na realidade, esse tema de viagens e missões espaciais e o espaço sideral normalmente geram muito assunto e curiosidade… Então sempre busquem conhecimento e continuem falando sobre ciência! Que a força esteja com vocês!

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