{"id":1553,"date":"2022-08-22T19:20:00","date_gmt":"2022-08-22T22:20:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/salav\/?p=1553"},"modified":"2022-11-25T17:44:59","modified_gmt":"2022-11-25T20:44:59","slug":"transgenicos-de-gene-e-de-louco-todo-mundo-tem-um-pouco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/salav\/2022\/08\/22\/transgenicos-de-gene-e-de-louco-todo-mundo-tem-um-pouco\/","title":{"rendered":"Transg\u00eanicos: de gene e de louco todo mundo tem um pouco"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\"><i><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0 \u00a0 Nos \u00faltimos anos, muito tem-se discutido a respeito dos alimentos transg\u00eanicos. Mas, afinal de contas, o que s\u00e3o eles? Eles fazem mal para a sa\u00fade? Por que modificar alimentos? Podem modificar algo nos seres humanos? \u00c9 sobre isso que trataremos no texto deste m\u00eas.<\/span><\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><i><span style=\"font-weight: 400\">Leticia Sayuri, Cyntia Almeida<\/span><\/i><\/p>\n<h1 style=\"text-align: justify\"><b>Transg\u00eanico ou Organismo Geneticamente Modificado (OGM)?<\/b><\/h1>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><i>\u00a0 \u00a0 <\/i>Antes de mais nada, vamos definir o que s\u00e3o os alimentos transg\u00eanicos: s\u00e3o alimentos que tiveram modifica\u00e7\u00f5es em seu DNA, sendo incorporado a ele genes de outro(s) organismo(s). Apesar de muitas vezes o termo transg\u00eanico ser tratado como sin\u00f4nimo de Organismo Geneticamente Modificado (OGM), isso nem sempre \u00e9 v\u00e1lido.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><i>\u00a0 \u00a0 <\/i>Como dito, transg\u00eanico recebe genes de outro organismo. No entanto, como define a Lei de Biosseguran\u00e7a 11.105\/05, existem outros tipos de OGM que s\u00e3o produzidos em laborat\u00f3rio pela modifica\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica mas que n\u00e3o necessariamente incorporam o material de outra esp\u00e9cie. Ou seja, todo transg\u00eanico \u00e9 um OGM mas nem todo OGM \u00e9 um transg\u00eanico.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><i>\u00a0 \u00a0 <\/i>Essa t\u00e9cnica pode, a princ\u00edpio, parecer algo muito artificial. No entanto, ela j\u00e1 ocorre na natureza sem a interfer\u00eancia humana. Um exemplo disso \u00e9 um estudo feito no qual cientistas encontraram DNA de bact\u00e9rias em uma esp\u00e9cie de batata doce [2]. Ou seja, a pr\u00f3pria natureza gera muta\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas que podem (ou n\u00e3o) favorecer a adapta\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie ao meio.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><i>\u00a0 \u00a0 <\/i>Agora, por que isso \u00e9 interessante para o homem?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><i>\u00a0 \u00a0 <\/i>T\u00e9cnicas como essas podem melhorar a produtividade das planta\u00e7\u00f5es. Pode-se adicionar genes resistentes a parasitas em uma planta\u00e7\u00e3o de soja, por exemplo, para diminuir a perda da safra. O bom uso da transgenia, portanto, poderia propiciar uma colheita mais proveitosa, o que tenderia a diminuir o pre\u00e7o dos produtos que chegam at\u00e9 o consumidor.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><i>\u00a0 \u00a0 <\/i>Um bom exemplo \u00e9 o primeiro produto aliment\u00edcio modificado geneticamente, um tomate desenvolvido na Calif\u00f3rnia h\u00e1 quase 30 anos. O objetivo era fazer com que o fruto fosse mais resistente, garantindo que a fruta chegasse conservada ao destino final.\u00a0<\/span><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify\"><b>Tendo feitas as apresenta\u00e7\u00f5es<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><i>\u00a0 \u00a0 <\/i>Quando fazemos uma r\u00e1pida pesquisa sobre transg\u00eanicos ou OGM, com certeza vamos encontrar diferentes questionamentos. Um que \u00e9 bastante recorrente \u00e9: &#8220;Mas, afinal de contas, os transg\u00eanicos podem causar problemas \u00e0 sa\u00fade humana?&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><i>\u00a0 \u00a0 <\/i>Sabemos que a troca de genes entre esp\u00e9cies ocorre naturalmente, como forma delas se adaptarem \u00e0s diferentes condi\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o, poder\u00edamos pensar que o processo de modifica\u00e7\u00e3o feito em laborat\u00f3rio, como se assemelha ao que ocorre na natureza, n\u00e3o ir\u00e1 gerar nenhum preju\u00edzo \u00e0 sa\u00fade humana, certo? N\u00c3O! As modifica\u00e7\u00f5es feitas em laborat\u00f3rio n\u00e3o s\u00e3o, necessariamente, aquelas que ocorreriam naturalmente. Ainda, a depender de qual tipo de gene incorporado, as intera\u00e7\u00f5es com o corpo humano podem ser distintas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><i>\u00a0 \u00a0 <\/i>Portanto, \u00e9 preciso que, para cada modifica\u00e7\u00e3o no c\u00f3digo gen\u00e9tico, um conjunto de estudos que acompanhe os impactos dessas modifica\u00e7\u00f5es seja realizado. E mais: tais estudos n\u00e3o podem ser em um curto prazo, pois muitas vezes as modifica\u00e7\u00f5es levam a doen\u00e7as que se desenvolvem lentamente e pela exposi\u00e7\u00e3o prolongada a uma determinada subst\u00e2ncia, como o c\u00e2ncer.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><i>\u00a0 \u00a0 <\/i>Apesar disso, o Brasil \u00e9 o segundo maior produtor de alimentos transg\u00eanicos, tendo, em 2019, aproximadamente 53 milh\u00f5es de hectares com plantas transg\u00eanicas, o que representa 95% da \u00e1rea plantada de soja, 88% de milho e 85% da planta\u00e7\u00e3o de algod\u00e3o. O maior fornecedor de tais produtos s\u00e3o os Estados Unidos, que, no mesmo ano, apresentavam 71.5 milh\u00f5es de hectares. No total, apenas 29 pa\u00edses fazem esse tipo de plantio, sendo que 71 na\u00e7\u00f5es consomem produtos transg\u00eanicos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><i>\u00a0 \u00a0 <\/i>Mas infelizmente, apesar do pa\u00eds produzir um alto n\u00famero de plantas transg\u00eanicas, os \u00edndices de pesquisa na \u00e1rea s\u00e3o muito baixos e isso ocorre, muitas vezes, por influ\u00eancia de empresas que s\u00e3o produtoras desses alimentos.<\/span><\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify\"><b>Problemas e interesses<\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><i>\u00a0 \u00a0 <\/i>Era de se esperar que, com tantas modifica\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas nas plantas, o uso de agrot\u00f3xicos pudesse ser dispensado, certo? J\u00e1 que, uma vez que possam ser modificados genes das plantas, elas podem ser mais resistentes a pragas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><i>\u00a0 \u00a0 <\/i>N\u00e3o \u00e9 bem assim. Segundo a Embrapa, alguns produtos at\u00e9 apresentam resist\u00eancia a determinadas pestes, por\u00e9m s\u00e3o extremamente espec\u00edficos, o que n\u00e3o garante que a planta\u00e7\u00e3o fique completamente livre do uso defensivo agr\u00edcola.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><i>\u00a0 \u00a0 <\/i>Em 2017, um grupo de pesquisadores brasileiros mostrou que, no per\u00edodo de 2000 at\u00e9 2012, no qual os OGM come\u00e7aram a ser mais usados, o uso de agrot\u00f3xicos n\u00e3o apenas aumentou, como dobrou. Isso porque as plantas de interesse n\u00e3o haviam sido modificadas para serem resistentes a pragas, mas sim, aos herbicidas. Ou seja, desconsiderar os agrot\u00f3xicos n\u00e3o foi considerada uma op\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><i>\u00a0 \u00a0 <\/i>Em alguns casos, a explica\u00e7\u00e3o \u00e9 o fato de que a empresa que fabrica o OGM \u00e9 tamb\u00e9m aquela que fabrica o agrot\u00f3xico. Curioso, n\u00e3o? Por exemplo, a empresa Monsanto vende soja transg\u00eanica resistente ao glifosato (agrot\u00f3xico) que ela mesma produz. No Brasil, ela \u00e9 a \u00fanica empresa respons\u00e1vel pela fabrica\u00e7\u00e3o deste produto.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><i>\u00a0 \u00a0 <\/i>Mas sim, podemos produzir transg\u00eanicos resistentes a pragas. O que nos leva a outra quest\u00e3o problem\u00e1tica. As pragas podem se adaptar e, ap\u00f3s um tempo, esse alimento n\u00e3o ser\u00e1 mais resistente e dever\u00e1 ser novamente modificado. Entramos, nesse caso, em um ciclo de para cada praga, uma modifica\u00e7\u00e3o feita. Substitu\u00edmos o inseticida por modifica\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas. Seria esse mesmo o caminho? E um detalhe: obviamente quem venderia o novo produto seriam empresas como a j\u00e1 mencionada, criando um mercado de produ\u00e7\u00e3o de OGM.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><i>\u00a0 \u00a0 <\/i>Para Leonardo Melgarejo, engenheiro-agr\u00f4nomo que representou o Minist\u00e9rio de Desenvolvimento Agr\u00e1rio na CNTBio (Comiss\u00e3o T\u00e9cnica Nacional de Biosseguran\u00e7a) entre 2008 a 2014, em entrevista \u00e0 Revista Fapesp em 2021, a n\u00e3o redu\u00e7\u00e3o de pesticidas pode gerar danos futuros, por isso \u00e9 necess\u00e1rio monitoramento constante. Ele explica como isso pode afetar o meio ambiente no futuro ao usar o exemplo do uso de plantas com genes modificados para combater lagartas: morrem os insetos, seus inimigos naturais e, com o tempo, esse invertebrado pode adquirir resist\u00eancia \u00e0quele tipo de OGM e recorrer a outro ambiente, assim tornando-se necess\u00e1rio o uso de outro tipo de inseticida.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify\"><b>Por fim<\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><i>\u00a0 \u00a0 <\/i>A transgenia feita artificialmente poderia ser usada, como dito anteriormente, para diferentes finalidades, incluindo a redu\u00e7\u00e3o no custo dos alimentos, tornar poss\u00edvel a planta\u00e7\u00e3o de determinadas esp\u00e9cies em regi\u00f5es pouco f\u00e9rteis, dentre outras. No entanto, um conjunto de interesses n\u00e3o t\u00e3o nobres acaba por roubar a cena. Ainda, mais uma s\u00e9rie de estudos a longo prazo s\u00e3o necess\u00e1rios para a tomada de decis\u00e3o sobre um assunto t\u00e3o delicado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><i>\u00a0 \u00a0 <\/i>Ent\u00e3o, podemos perguntar: quem \u00e9 o respons\u00e1vel por decidir como usar essas novas tecnologias? Esse respons\u00e1vel, o t\u00e3o falado agroneg\u00f3cio, foi muito citado nos nossos \u00faltimos materiais e, para saber mais sobre outras consequ\u00eancias que ele traz, recomendamos a leitura dos nossos materiais \u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Agro \u00e9 pop<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">\u201d, \u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Cad\u00ea a \u00e1gua que tava aqui?<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">\u201d e \u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Mortal Kombat &#8211; Agrot\u00f3xicos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">\u201d. No fim, todos esses temas acabam se interligando e mostrando como tem tanto poder por tr\u00e1s da agricultura.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><i>\u00a0 \u00a0 <\/i>Por fim, vale destacar ainda que existem quest\u00f5es sociais e ambientais relacionadas ao uso de transg\u00eanicos. Buscaremos explorar esses aspectos em nosso v\u00eddeo e no podcast sobre o tema. Fica o convite!<\/span><\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify\"><b>Refer\u00eancias:<\/b><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">[1]\u00a0 Embrapa. Sobre o tema: Transgenia: quebrando barreiras em prol da agropecu\u00e1ria brasileira. Dispon\u00edvel em:\u00a0 &lt;<\/span><a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/tema-transgenicos\/sobre-o-tema\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.embrapa.br\/tema-transgenicos\/sobre-o-tema<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">&gt;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">[2] KYNDT, T. et al. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">The genome of cultivated sweet potato contains <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Agrobacterium<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> T-DNAs with expressed genes: An example of a naturally transgenic food crop. PNAS. 2015. Dispon\u00edvel em:<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> &lt;<\/span><a href=\"https:\/\/www.pnas.org\/doi\/10.1073\/pnas.1419685112#sec-1\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.pnas.org\/doi\/10.1073\/pnas.1419685112#sec-1<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">&gt;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">[3] BRAND\u00c3O, G. Brasil \u00e9 2\u00ba maior produtor mundial de alimentos geneticamente modificados. Ag\u00eancia Senado. 2017. Dispon\u00edvel em: &lt;<\/span><a href=\"https:\/\/www12.senado.leg.br\/noticias\/especiais\/especial-cidadania\/projeto-reacende-debate-sobre-alimentos-transgenicos\/brasil-e-2o-maior-produtor-mundial-de-alimentos-geneticamente-modificados\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www12.senado.leg.br\/noticias\/especiais\/especial-cidadania\/projeto-reacende-debate-sobre-alimentos-transgenicos\/brasil-e-2o-maior-produtor-mundial-de-alimentos-geneticamente-modificados<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">&gt;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">[4] FRIDMAN, P. Transg\u00eanicos na lupa. FAPESP. 2021. Dispon\u00edvel em: &lt;<\/span><a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/transgenicos-na-lupa\/\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/transgenicos-na-lupa\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">&gt;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">[5] ALMEIDA, V. E. S. de et al. Uso de sementes geneticamente modificadas e agrot\u00f3xicos no Brasil: cultivando perigos. Ci\u00eancia &amp; Sa\u00fade Coletiva [online]. 2017, v. 22, n. 10. Dispon\u00edvel em: &lt;<\/span><a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1590\/1413-812320172210.17112017\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/doi.org\/10.1590\/1413-812320172210.17112017<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">&gt;<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 \u00a0 Nos \u00faltimos anos, muito tem-se discutido a respeito dos alimentos transg\u00eanicos. Mas, afinal de contas, o que s\u00e3o eles? Eles fazem mal para a sa\u00fade? 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Podem modificar algo nos seres humanos? \u00c9 sobre isso que trataremos no texto deste m\u00eas.<\/span><\/i><\/p><p style=\"text-align: right;\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">Leticia Sayuri, Cyntia Almeida<\/span><\/i><\/p><h1 style=\"text-align: justify;\"><b>Transg\u00eanico ou Organismo Geneticamente Modificado (OGM)?<\/b><\/h1><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Antes de mais nada, vamos definir o que s\u00e3o os alimentos transg\u00eanicos: s\u00e3o alimentos que tiveram modifica\u00e7\u00f5es em seu DNA, sendo incorporado a ele genes de outro(s) organismo(s). Apesar de muitas vezes o termo transg\u00eanico ser tratado como sin\u00f4nimo de Organismo Geneticamente Modificado (OGM), isso nem sempre \u00e9 v\u00e1lido.<\/span><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Como dito, transg\u00eanico recebe genes de outro organismo. No entanto, como define a Lei de Biosseguran\u00e7a 11.105\/05, existem outros tipos de OGM que s\u00e3o produzidos em laborat\u00f3rio pela modifica\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica mas que n\u00e3o necessariamente incorporam o material de outra esp\u00e9cie. Ou seja, todo transg\u00eanico \u00e9 um OGM mas nem todo OGM \u00e9 um transg\u00eanico.\u00a0<\/span><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Essa t\u00e9cnica pode, a princ\u00edpio, parecer algo muito artificial. No entanto, ela j\u00e1 ocorre na natureza sem a interfer\u00eancia humana. Um exemplo disso \u00e9 um estudo feito no qual cientistas encontraram DNA de bact\u00e9rias em uma esp\u00e9cie de batata doce [2]. Ou seja, a pr\u00f3pria natureza gera muta\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas que podem (ou n\u00e3o) favorecer a adapta\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie ao meio.<\/span><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Agora, por que isso \u00e9 interessante para o homem?<\/span><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">T\u00e9cnicas como essas podem melhorar a produtividade das planta\u00e7\u00f5es. Pode-se adicionar genes resistentes a parasitas em uma planta\u00e7\u00e3o de soja, por exemplo, para diminuir a perda da safra. O bom uso da transgenia, portanto, poderia propiciar uma colheita mais proveitosa, o que tenderia a diminuir o pre\u00e7o dos produtos que chegam at\u00e9 o consumidor.<\/span><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Um bom exemplo \u00e9 o primeiro produto aliment\u00edcio modificado geneticamente, um tomate desenvolvido na Calif\u00f3rnia h\u00e1 quase 30 anos. O objetivo era fazer com que o fruto fosse mais resistente, garantindo que a fruta chegasse conservada ao destino final.\u00a0<\/span><\/p><h2 style=\"text-align: justify;\"><b>Tendo feitas as apresenta\u00e7\u00f5es<\/b><\/h2><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Quando fazemos uma r\u00e1pida pesquisa sobre transg\u00eanicos ou OGM, com certeza vamos encontrar diferentes questionamentos. Um que \u00e9 bastante recorrente \u00e9: \"Mas, afinal de contas, os transg\u00eanicos podem causar problemas \u00e0 sa\u00fade humana?\"<\/span><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Sabemos que a troca de genes entre esp\u00e9cies ocorre naturalmente, como forma delas se adaptarem \u00e0s diferentes condi\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o, poder\u00edamos pensar que o processo de modifica\u00e7\u00e3o feito em laborat\u00f3rio, como se assemelha ao que ocorre na natureza, n\u00e3o ir\u00e1 gerar nenhum preju\u00edzo \u00e0 sa\u00fade humana, certo? N\u00c3O! As modifica\u00e7\u00f5es feitas em laborat\u00f3rio n\u00e3o s\u00e3o, necessariamente, aquelas que ocorreriam naturalmente. Ainda, a depender de qual tipo de gene incorporado, as intera\u00e7\u00f5es com o corpo humano podem ser distintas.<\/span><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Portanto, \u00e9 preciso que, para cada modifica\u00e7\u00e3o no c\u00f3digo gen\u00e9tico, um conjunto de estudos que acompanhe os impactos dessas modifica\u00e7\u00f5es seja realizado. E mais: tais estudos n\u00e3o podem ser em um curto prazo, pois muitas vezes as modifica\u00e7\u00f5es levam a doen\u00e7as que se desenvolvem lentamente e pela exposi\u00e7\u00e3o prolongada a uma determinada subst\u00e2ncia, como o c\u00e2ncer.<\/span><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar disso, o Brasil \u00e9 o segundo maior produtor de alimentos transg\u00eanicos, tendo, em 2019, aproximadamente 53 milh\u00f5es de hectares com plantas transg\u00eanicas, o que representa 95% da \u00e1rea plantada de soja, 88% de milho e 85% da planta\u00e7\u00e3o de algod\u00e3o. O maior fornecedor de tais produtos s\u00e3o os Estados Unidos, que, no mesmo ano, apresentavam 71.5 milh\u00f5es de hectares. No total, apenas 29 pa\u00edses fazem esse tipo de plantio, sendo que 71 na\u00e7\u00f5es consomem produtos transg\u00eanicos.\u00a0<\/span><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Mas infelizmente, apesar do pa\u00eds produzir um alto n\u00famero de plantas transg\u00eanicas, os \u00edndices de pesquisa na \u00e1rea s\u00e3o muito baixos e isso ocorre, muitas vezes, por influ\u00eancia de empresas que s\u00e3o produtoras desses alimentos.<\/span><\/p><h3 style=\"text-align: justify;\"><b>Problemas e interesses<\/b><\/h3><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Era de se esperar que, com tantas modifica\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas nas plantas, o uso de agrot\u00f3xicos pudesse ser dispensado, certo? J\u00e1 que, uma vez que possam ser modificados genes das plantas, elas podem ser mais resistentes a pragas.<\/span><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o \u00e9 bem assim. Segundo a Embrapa, alguns produtos at\u00e9 apresentam resist\u00eancia a determinadas pestes, por\u00e9m s\u00e3o extremamente espec\u00edficos, o que n\u00e3o garante que a planta\u00e7\u00e3o fique completamente livre do uso defensivo agr\u00edcola.\u00a0<\/span><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Em 2017, um grupo de pesquisadores brasileiros mostrou que, no per\u00edodo de 2000 at\u00e9 2012, no qual os OGM come\u00e7aram a ser mais usados, o uso de agrot\u00f3xicos n\u00e3o apenas aumentou, como dobrou. Isso porque as plantas de interesse n\u00e3o haviam sido modificadas para serem resistentes a pragas, mas sim, aos herbicidas. Ou seja, desconsiderar os agrot\u00f3xicos n\u00e3o foi considerada uma op\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Em alguns casos, a explica\u00e7\u00e3o \u00e9 o fato de que a empresa que fabrica o OGM \u00e9 tamb\u00e9m aquela que fabrica o agrot\u00f3xico. Curioso, n\u00e3o? Por exemplo, a empresa Monsanto vende soja transg\u00eanica resistente ao glifosato (agrot\u00f3xico) que ela mesma produz. No Brasil, ela \u00e9 a \u00fanica empresa respons\u00e1vel pela fabrica\u00e7\u00e3o deste produto.<\/span><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Mas sim, podemos produzir transg\u00eanicos resistentes a pragas. O que nos leva a outra quest\u00e3o problem\u00e1tica. As pragas podem se adaptar e, ap\u00f3s um tempo, esse alimento n\u00e3o ser\u00e1 mais resistente e dever\u00e1 ser novamente modificado. Entramos, nesse caso, em um ciclo de para cada praga, uma modifica\u00e7\u00e3o feita. Substitu\u00edmos o inseticida por modifica\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas. Seria esse mesmo o caminho? E um detalhe: obviamente quem venderia o novo produto seriam empresas como a j\u00e1 mencionada, criando um mercado de produ\u00e7\u00e3o de OGM.<\/span><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Para Leonardo Melgarejo, engenheiro-agr\u00f4nomo que representou o Minist\u00e9rio de Desenvolvimento Agr\u00e1rio na CNTBio (Comiss\u00e3o T\u00e9cnica Nacional de Biosseguran\u00e7a) entre 2008 a 2014, em entrevista \u00e0 Revista Fapesp em 2021, a n\u00e3o redu\u00e7\u00e3o de pesticidas pode gerar danos futuros, por isso \u00e9 necess\u00e1rio monitoramento constante. Ele explica como isso pode afetar o meio ambiente no futuro ao usar o exemplo do uso de plantas com genes modificados para combater lagartas: morrem os insetos, seus inimigos naturais e, com o tempo, esse invertebrado pode adquirir resist\u00eancia \u00e0quele tipo de OGM e recorrer a outro ambiente, assim tornando-se necess\u00e1rio o uso de outro tipo de inseticida.\u00a0\u00a0<\/span><\/p><h3 style=\"text-align: justify;\"><b>Por fim<\/b><\/h3><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">A transgenia feita artificialmente poderia ser usada, como dito anteriormente, para diferentes finalidades, incluindo a redu\u00e7\u00e3o no custo dos alimentos, tornar poss\u00edvel a planta\u00e7\u00e3o de determinadas esp\u00e9cies em regi\u00f5es pouco f\u00e9rteis, dentre outras. No entanto, um conjunto de interesses n\u00e3o t\u00e3o nobres acaba por roubar a cena. Ainda, mais uma s\u00e9rie de estudos a longo prazo s\u00e3o necess\u00e1rios para a tomada de decis\u00e3o sobre um assunto t\u00e3o delicado.<\/span><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Ent\u00e3o, podemos perguntar: quem \u00e9 o respons\u00e1vel por decidir como usar essas novas tecnologias? Esse respons\u00e1vel, o t\u00e3o falado agroneg\u00f3cio, foi muito citado nos nossos \u00faltimos materiais e, para saber mais sobre outras consequ\u00eancias que ele traz, recomendamos a leitura dos nossos materiais \u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Agro \u00e9 pop<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d, \u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Cad\u00ea a \u00e1gua que tava aqui?<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d e \u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Mortal Kombat - Agrot\u00f3xicos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d. No fim, todos esses temas acabam se interligando e mostrando como tem tanto poder por tr\u00e1s da agricultura.<\/span><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Por fim, vale destacar ainda que existem quest\u00f5es sociais e ambientais relacionadas ao uso de transg\u00eanicos. Buscaremos explorar esses aspectos em nosso v\u00eddeo e no podcast sobre o tema. Fica o convite!<\/span><\/p><h4 style=\"text-align: justify;\"><b>Refer\u00eancias:<\/b><\/h4><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">[1]\u00a0 Embrapa. Sobre o tema: Transgenia: quebrando barreiras em prol da agropecu\u00e1ria brasileira. Dispon\u00edvel em:\u00a0 &lt;<\/span><a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/tema-transgenicos\/sobre-o-tema\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/www.embrapa.br\/tema-transgenicos\/sobre-o-tema<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">&gt;<\/span><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">[2] KYNDT, T. et al. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">The genome of cultivated sweet potato contains <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Agrobacterium<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> T-DNAs with expressed genes: An example of a naturally transgenic food crop. PNAS. 2015. Dispon\u00edvel em:<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> &lt;<\/span><a href=\"https:\/\/www.pnas.org\/doi\/10.1073\/pnas.1419685112#sec-1\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/www.pnas.org\/doi\/10.1073\/pnas.1419685112#sec-1<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">&gt;<\/span><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">[3] BRAND\u00c3O, G. Brasil \u00e9 2\u00ba maior produtor mundial de alimentos geneticamente modificados. Ag\u00eancia Senado. 2017. Dispon\u00edvel em: &lt;<\/span><a href=\"https:\/\/www12.senado.leg.br\/noticias\/especiais\/especial-cidadania\/projeto-reacende-debate-sobre-alimentos-transgenicos\/brasil-e-2o-maior-produtor-mundial-de-alimentos-geneticamente-modificados\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/www12.senado.leg.br\/noticias\/especiais\/especial-cidadania\/projeto-reacende-debate-sobre-alimentos-transgenicos\/brasil-e-2o-maior-produtor-mundial-de-alimentos-geneticamente-modificados<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">&gt;<\/span><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">[4] FRIDMAN, P. Transg\u00eanicos na lupa. FAPESP. 2021. Dispon\u00edvel em: &lt;<\/span><a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/transgenicos-na-lupa\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/transgenicos-na-lupa\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">&gt;<\/span><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">[5] ALMEIDA, V. E. S. de et al. Uso de sementes geneticamente modificadas e agrot\u00f3xicos no Brasil: cultivando perigos. Ci\u00eancia &amp; Sa\u00fade Coletiva [online]. 2017, v. 22, n. 10. Dispon\u00edvel em: &lt;<\/span><a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1590\/1413-812320172210.17112017\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/doi.org\/10.1590\/1413-812320172210.17112017<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">&gt;<\/span><\/p>","_et_gb_content_width":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-1553","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-https-www-blogs-unicamp-br-salav-textos"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.9 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Transg\u00eanicos: de gene e de louco todo mundo tem um pouco - Sala V<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/salav\/2022\/05\/31\/transgenicos-de-gene-e-de-louco-todo-mundo-tem-um-pouco\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Transg\u00eanicos: de gene e de louco todo mundo tem um pouco - Sala V\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"\u00a0 \u00a0 Nos \u00faltimos anos, muito tem-se discutido a respeito dos alimentos transg\u00eanicos. 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