Por: Leonardo Dias Nunes
É na indiferença acerca do resultado da roleta-russa que se apreende a crise social contemporânea. Esta foi a realidade construída pelo escritor João Paulo Moreto em seu livro O extermínio das violetas. Composto por cinco histórias nas quais encontramos indiferença em relação ao futuro, busca por prazer, azar socialmente condicionado, dúvidas existenciais, culpa e amor fraterno. O leitor não encontrará apenas tramas macabras nesta coletânea, mas, vejam bem, os finais felizes também possuem as cicatrizes profundas criadas pela conjuntura das primeiras décadas do século XXI; dela, não há como escapar. As linhas do livro apresentam o cotidiano de personagens com diferentes vocabulários, moradias, ocupações e expectativas. Não pensem que quanto melhor a mobília da sala do personagem, melhores seriam suas perspectivas de futuro. Não, não foi esse universo que João construiu, mostrando também um repertório psicanalítico. João demonstrou saber navegar pelos universos de diferentes classes sociais. Ele não é um espião inglês do século XIX, mas possui a habilidade de conhecer vários mundos, sendo assim, teceu histórias com enredos inteligentes, vocabulário variado, cheias de cor, perfume e suspense. João escreve a literatura que apreende os tempos de exceção do início do século XXI e suas reduzidas expectativas em relação ao futuro. Um momento em que, para muitos, não se sabe como será o dia de amanhã.
MORETO, João Paulo. O extermínio das violetas. Campinas: Editora Latinoamericana, 2019.
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