{"id":1575,"date":"2024-08-31T13:35:46","date_gmt":"2024-08-31T16:35:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/?p=1575"},"modified":"2024-09-01T16:40:57","modified_gmt":"2024-09-01T19:40:57","slug":"a-retomada-da-hegemonia-do-dolar-e-o-reajuste-industrial-das-empresas-norte-americanas-parte-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/2024\/08\/31\/a-retomada-da-hegemonia-do-dolar-e-o-reajuste-industrial-das-empresas-norte-americanas-parte-3\/","title":{"rendered":"A retomada da hegemonia do d\u00f3lar e o reajuste industrial das empresas norte-americanas (parte 3)"},"content":{"rendered":"<h2><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n<p>Dando continuidade \u00e0 discuss\u00e3o anterior sobre a retomada da hegemonia do d\u00f3lar no \u00e2mbito da economia internacional, buscaremos mostrar uma das vantagens obtidas com o movimento perpetrado pelo banco central norte-americano (<em>Fed<\/em>), que elevou as taxas juros da d\u00edvida p\u00fablica a partir de 1979, promovendo uma fuga para o d\u00f3lar e confirmando novamente a moeda como meio monet\u00e1rio central nas transa\u00e7\u00f5es financeiras e comerciais internacionais. A vantagem a que nos referimos \u00e9 o rearranjo da produ\u00e7\u00e3o industrial norte-americana. Neste texto, portanto, ainda n\u00e3o nos aprofundaremos em outros desdobramentos financeiros decorrentes da a\u00e7\u00e3o sobre a taxa de juros estadunidense, mas buscaremos mostrar consequ\u00eancias relevantes para o desenvolvimento da grande ind\u00fastria norte-americana ap\u00f3s este evento. Faremos, dessa maneira, um breve panorama do p\u00f3s-guerra, da crise subsequente e ent\u00e3o discutiremos as mudan\u00e7as em quest\u00e3o.<\/p>\n<h2><strong>O desafio \u00e0 grande ind\u00fastria norte-americana<\/strong><\/h2>\n<p>Logo ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), em termos industriais, os Estados Unidos foram a \u00fanica na\u00e7\u00e3o industrialmente desenvolvida que restou intacta em seu territ\u00f3rio ap\u00f3s o conflito. Essa ind\u00fastria havia inclusive, em fun\u00e7\u00e3o do esfor\u00e7o de guerra, renovado tecnologias em termos de bens e servi\u00e7os, produtividade e processo de fabrica\u00e7\u00e3o. O sistema financeiro, por sua vez, despois da Crise de 1929<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, havia sido regulado e passou, em grande medida, a desempenhar um papel mais subalterno de apoio ao financiamento da expans\u00e3o industrial. Como j\u00e1 levantado em texto anterior<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>, com o estabelecimento do d\u00f3lar-ouro como moeda internacional em 1944<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>, empresas norte-americanas &#8211; que faturavam em d\u00f3lares &#8211; n\u00e3o necessitavam de ac\u00famulo pr\u00e9vio de moeda estrangeira para penetrar nos mercados europeu e asi\u00e1tico naquele que seria o bloco capitalista reconstru\u00eddo. A moeda em que faturavam j\u00e1 era a moeda internacional. A reconstru\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses capitalistas no p\u00f3s-guerra contou, por sua vez, com um suporte econ\u00f4mico e financeiro substancial por parte do governo norte-americano<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>, permitindo a recupera\u00e7\u00e3o das empresas locais (europeias e japonesas), dada a pol\u00edtica de apoio \u00e0 restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo em contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses do bloco comunista. Este \u00e9 o chamado per\u00edodo da Guerra Fria, mas tamb\u00e9m o dos anos dourados<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>, em fun\u00e7\u00e3o da prosperidade alcan\u00e7ada com o crescimento econ\u00f4mico dos Estados Unidos e dos pa\u00edses que vinham se recuperando da destrui\u00e7\u00e3o causada pela Segunda Guerra.<\/p>\n<p>No in\u00edcio dos anos 1970, depois de duas d\u00e9cadas de avan\u00e7o econ\u00f4mico, as empresas europeias e japonesa haviam se recuperado e vinham ampliando a concorr\u00eancia pelos mercados de bens e servi\u00e7os industrializados. Passaram, assim, a competir com empresas norte-americanas, ofertando diversos produtos e servi\u00e7os de tecnologia mais avan\u00e7ada e custo relativamente mais baixo<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>. Nestes pa\u00edses, a reconstru\u00e7\u00e3o do p\u00f3s-guerra foi realizada em bases tecnologicamente mais avan\u00e7adas que as anteriores ao conflito. Os anos 1970, portanto, foram um per\u00edodo desafiador para o poder industrial americano. A consequ\u00eancia mais vis\u00edvel nos EUA era um crescente d\u00e9ficit comercial e, em m\u00e9dia, uma redu\u00e7\u00e3o nas taxas de lucro das empresas industriais norte-americanas.<\/p>\n<h2><strong>O que a quest\u00e3o da retomada do poder financeiro tem a ver com a quest\u00e3o industrial?<\/strong><\/h2>\n<p>Como buscamos apresentar anteriormente<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>, na d\u00e9cada de 1970, tamb\u00e9m existiu um questionamento por parte dos pa\u00edses centrais<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a> em rela\u00e7\u00e3o ao uso do d\u00f3lar (uma moeda emitida por um s\u00f3 Estado) como moeda internacional para a grande maioria das transa\u00e7\u00f5es comerciais e financeiras internacionais. Ao reafirmar a centralidade do d\u00f3lar dentro do sistema financeiro, e para o com\u00e9rcio internacional, com uma forte e deliberada alta de juros a partir de 1979, o governo dos Estados Unidos n\u00e3o s\u00f3 tornou o d\u00f3lar muito procurado, dada sua valoriza\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, mas tamb\u00e9m, no per\u00edodo que se seguiu, tornou pap\u00e9is financeiros comercializados no mercado norte-americano muito mais atraentes j\u00e1 que denominados e remunerados naquela moeda. H\u00e1, como consequ\u00eancia, um afluxo crescente de capitais para dentro do mercado financeiro norte-americano que dali por diante passaria a financiar a renova\u00e7\u00e3o produtiva e tecnol\u00f3gica industrial estadunidense.<\/p>\n<p>Num movimento em que se somaram o exerc\u00edcio do poder sobre a disponibilidade de moeda internacional (o juros sugaram d\u00f3lares para a economia americana) e a press\u00e3o pela liberaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica global<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\"><\/a>, o governo dos EUA gestou a renova\u00e7\u00e3o industrial norte-americana. Depois da alta de juros, num momento imediatamente posterior, o governo dos Estados Unidos passaram a exercer fortes press\u00f5es pol\u00edticas pela desregula\u00e7\u00e3o e abertura financeira e pela abertura comercial<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a> que permitiriam que as empresas transnacionais norte-americanas mudassem sua estrat\u00e9gia produtiva. Com base na nova fonte de financiamento, puderam estabelecer uma estrat\u00e9gia de relocaliza\u00e7\u00e3o das plantas produtivas para regi\u00f5es perif\u00e9ricas (no sentido de explorar sal\u00e1rios e recursos a pre\u00e7os mais baixos), de terceiriza\u00e7\u00e3o de etapas de menor valor agregado e de renova\u00e7\u00e3o das tecnologias de seus bens, servi\u00e7os e processos produtivos.<\/p>\n<p>Em grande medida, a liberaliza\u00e7\u00e3o comercial associada a liberaliza\u00e7\u00e3o e desregula\u00e7\u00e3o financeira, que seriam fortemente apoiadas pelo governo norte-americano a partir dos anos 1980, permitiu que as empresas daquele pa\u00eds investissem seu capital em praticamente qualquer regi\u00e3o do mundo, explorando uma m\u00e3o de obra infinitamente mais barata e contanto com o retorno de lucros e capitais sem impedimentos legais. A liberaliza\u00e7\u00e3o comercial, al\u00e9m de favorecer a venda dos bens finais que passaram a ser produzidos na periferia, facilitava o acesso de mat\u00e9rias primas que poderiam vir de qualquer regi\u00e3o do mundo, permitindo a constru\u00e7\u00e3o de estabelecimentos fabris de grande dimens\u00e3o, proporcionando ganhos crescentes de escala<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a>. O resultado destas iniciativas foi a melhoria e o barateamento dos bens produzidos nestas novas regi\u00f5es. No \u00e2mbito tecnol\u00f3gico, os centros de pesquisa e desenvolvimento permaneceram em solo nacional (nos pa\u00edses centrais)<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a>, refor\u00e7ados pelo afluxo de capitais que crescia com o dep\u00f3sito dos novos super\u00e1vits origin\u00e1rios das novas regi\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o industrial.<\/p>\n<p>As empresas americanas, com o apoio do Estado e vinculadas aos recursos de um agigantado setor financeiro privado<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a>, puderam assim retomar a lideran\u00e7a em v\u00e1rios setores industriais, criando ao mesmo tempo novos produtos e mercados como na \u00e1rea de tecnologia da informa\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a>. Tal processo foi percebido e acompanhado pelos concorrentes europeus e asi\u00e1ticos. Verifica-se, portanto, nos pa\u00edses centrais, refor\u00e7o na participa\u00e7\u00e3o de mercado e amplia\u00e7\u00e3o da acumula\u00e7\u00e3o de capital no setor financeiro e produtivo, conformando novos conglomerados produtivos-financeiros ao mesmo tempo em que h\u00e1 um processo cont\u00ednuo de desindustrializa\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3prios pa\u00edses desenvolvidos.<\/p>\n<h2><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/h2>\n<p>Em suma, as transforma\u00e7\u00f5es por que passou a ind\u00fastria norte-americana respondiam, por um lado, ao desafio em termos de custo e de tecnologia imposto pelas empresas europeias e japonesas recuperadas do p\u00f3s Segunda Guerra Mundial e, por outro, \u00e0s possibilidades propiciadas pelo exerc\u00edcio de poder do governo americano sobre o d\u00f3lar e sobre o com\u00e9rcio mundial que, ao mesmo tempo, refor\u00e7ou as empresas norte-americanas financeiramente, permitiu acesso a mat\u00e9rias primas mais baratas e abriu mercados para sua expans\u00e3o. Esse processo culmina com uma nova fase de acumula\u00e7\u00e3o de capital dada, em grande medida, pela grande empresa norte-americana agora intimamente vinculada e comandada pelo setor financeiro no que se refere a sua expans\u00e3o produtivo industrial a n\u00edvel global.<\/p>\n<h2><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/h2>\n<p>BELLUZZO, Luiz Gonzaga de Mello. O capital e suas metamorfoses. S\u00e3o Paulo, SP: Editora UNESP, 2013.<\/p>\n<p>BELLUZZO, Luiz Gonzaga de Mello. Pref\u00e1cio. In: A FINAN\u00c7A mundializada: ra\u00edzes sociais e pol\u00edticas, configura\u00e7\u00e3o, consequ\u00eancias. Organiza\u00e7\u00e3o de Fran\u00e7ois Chesnais. S\u00e3o Paulo, SP: Boitempo, c2005.<\/p>\n<p>BELLUZZO, L. G. &amp; COUTINHO, L. (1979), &#8220;O desenvolvimento do capitalismo avan\u00e7ado e a reorganiza\u00e7\u00e3o da Economia mundial no p\u00f3s-guerra&#8221;. Estudos CEBRAP, n\u00ba 23, SP.<\/p>\n<p>BRAGA, Jos\u00e9 Carlos de Souza. Financeiriza\u00e7\u00e3o global: O padr\u00e3o sist\u00eamico de riqueza do capitalismo contempor\u00e2neo. In: PODER e dinheiro: uma economia pol\u00edtica da globaliza\u00e7\u00e3o. Coautoria de Maria da Concei\u00e7\u00e3o de Almeida Tavares, Jose Lu\u00eds Fiori. 2. ed. Petr\u00f3polis: Vozes, c1997.<\/p>\n<p>COUTINHO, Luciano Galv\u00e3o; DAVIS, Tom E. The internationalization of oligopoly capital. Cornell: Cornell Univ., 1975.<\/p>\n<p>COUTINHO, Luciano; BELLUZZO, Luiz Gonzaga. Financeiriza\u00e7\u00e3o da riqueza, infla\u00e7\u00e3o de ativos e decis\u00f5es de gasto em economias abertas. Economia e Sociedade, v. 7, n. 2, p. 11, 1998.<\/p>\n<p>DAVIS, Gerald F.; KIM, Suntae. Financialization of the Economy. Annual Review of Sociology, v. 41, p. 203-221, 2015.<\/p>\n<p>EPSTEIN, Gerald A. (Ed.). Financialization and the world economy. Edward Elgar Publishing, 2005.<\/p>\n<p>GILPIN, Robert. O desafio do capitalismo global: a economia mundial no s\u00e9culo XXI. [S.l.]: Rio de Janeiro: Record, 2004.<\/p>\n<p>GILPIN, Robert. U.S. power and the multinational corporation: the political economy of foreign direct, investment. New York, NY: Basic, c1975.<\/p>\n<p>GUTTMANN, Robert. Uma introdu\u00e7\u00e3o ao capitalismo dirigido pelas finan\u00e7as. Novos estudos-CEBRAP, n. 82, p. 11-33, 2008.<\/p>\n<p>HOBSBAWM, E. J. Era dos extremos: o breve s\u00e9culo XX : 1914-1991. S\u00e3o Paulo, SP: Companhia das Letras, 1995.<\/p>\n<p>KORTEN, David C. When corporations rule the world. 2nd ed. San Francisco, CA; Bloomfield, Conn.: Berrett-Koehler: Kumarian, 2001.<\/p>\n<p>KRIPPNER, Greta R. Capitalizing on crisis: the political origins of the rise of finance. Cambridge, MA: Harvard University Press, 2011.<\/p>\n<p>PANITCH, Leo; GINDIN, Sam. The making of global capitalism. London &#8211; New York: Verso Books, 2012.<\/p>\n<p>POULANTZAS, Nicos Ar. As classes sociais no capitalismo de hoje. Rio de Janeiro, RJ: Zahar, 1975.<\/p>\n<p>SLACK, Nigel; CHAMBERS, Stuart; JOHNSTON, Robert. Administra\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o. 2. ed. S\u00e3o Paulo, SP: Atlas, 2002.<\/p>\n<p>YOUNG, Victor Augusto Ferraz. O Governo de Ronald Reagan (1981-1989) e a Consolida\u00e7\u00e3o da Nova Ordem Econ\u00f4mica Internacional. 2018.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Em 1933, por meio do Glass-Steagall Act, o governo norte-americano estabeleceu forte regula\u00e7\u00e3o sobre o setor financeiro daquele pa\u00eds.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Ver texto: <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/2024\/02\/19\/de-onde-vem-a-hegemonia-do-dolar-parte-1\/\">De onde vem a hegemonia do d\u00f3lar? (parte 1)<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Ver acordos de Bretton Woods de 1944.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> O Plano Marshall, a partir de 1948, \u00e9 o mais conhecido dos programas de ajuda norte-americana para os pa\u00edses afetados pela guerra.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Ver Hobsbawn (1995).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Nos Estados Unidos, a massa de estruturas produtivas constitu\u00eddas durante a guerra ainda passava pelo devido processo de deprecia\u00e7\u00e3o antes que fosse renovada.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Ver texto: <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/2024\/05\/31\/crise-do-dolar-e-retomada-da-hegemonia-financeira-americana-parte-2\/\">Crise do d\u00f3lar e retomada da hegemonia financeira americana (parte 2)<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Aqui consideramos os pa\u00edses do G7 (Alemanha, Canad\u00e1, Estados Unidos, Fran\u00e7a, Gr\u00e3-Bretanha, It\u00e1lia e Jap\u00e3o)<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> A partir do governo de Ronald Reagan (1981-1989), os Estados Unidos passam a pressionar, mediante o uso da alta de juros, os governos de pa\u00edses centrais e perif\u00e9ricos para que aderissem ao receitu\u00e1rio econ\u00f4mico liberalizante, que inclui a desregula\u00e7\u00e3o financeira, a livre circula\u00e7\u00e3o de capitais e o livre fluxo de bens e servi\u00e7os. Trata-se da chamada agenda neoliberal. Ver Young (2018).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> Ganhos crescentes de escala: referem-se a uma situa\u00e7\u00e3o em que, \u00e0 medida que uma empresa ou organiza\u00e7\u00e3o aumenta a sua estrutura produtiva, o custo m\u00e9dio por unidade produzida tende a diminuir. H\u00e1, em princ\u00edpio, numa \u00fanica e grande unidade concentradora de recursos uma melhor utiliza\u00e7\u00e3o destes, proporcionando uma redu\u00e7\u00e3o significativa nos custos de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> Nos pa\u00edses centrais, h\u00e1, portanto, eleva\u00e7\u00e3o no n\u00edvel de emprego em setores de m\u00e3o de obra altamente especializada, enquanto maior n\u00edvel de desemprego nas vagas de manufatura.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> Em fun\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o limitado que temos para um maior aprofundamento, podemos dizer que, a partir deste per\u00edodo, em fun\u00e7\u00e3o de um maior controle sobre os recursos financeiros por parte do setor financeiro, as empresas passam a se desenvolver mediante uma l\u00f3gica de ganhos mais financeira do que produtiva, ou seja, a taxas de lucro pr\u00e9-definidas e prazos mais curtos para a realiza\u00e7\u00e3o desses ganhos. O que muitas vezes desconsidera limita\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e temporais de realiza\u00e7\u00e3o produtiva. As empresas passam tamb\u00e9m operar e obter ganhos diretamente no mercado financeiro, fundindo-se e\/ou tornando-se predominantemente empresas financeiras.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> Em termos tecnol\u00f3gicos, este setor levou \u00e0 assim chamada Terceira Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, ou seja, ao aparecimento das novas tecnologias na \u00e1rea de informa\u00e7\u00e3o, tratamento de dados e telecomunica\u00e7\u00f5es que permitiram elevados aumentos na produtividade da economia mundial.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Introdu\u00e7\u00e3o Dando continuidade \u00e0 discuss\u00e3o anterior sobre a retomada da hegemonia do d\u00f3lar no \u00e2mbito da economia internacional, buscaremos mostrar uma das vantagens obtidas com <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/2024\/08\/31\/a-retomada-da-hegemonia-do-dolar-e-o-reajuste-industrial-das-empresas-norte-americanas-parte-3\/\" title=\"A retomada da hegemonia do d\u00f3lar e o reajuste industrial das empresas norte-americanas (parte 3)\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":390,"featured_media":1578,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[196],"tags":[570,566,10,421,568,567,96,232,569,427],"class_list":["post-1575","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","tag-3a-revolucao-industrial","tag-desindustrializacao","tag-economia","tag-economia-internacional","tag-empresas-transnacionais","tag-fed","tag-industria","tag-neoliberalismo","tag-poder-americano","tag-ronald-reagan"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-content\/uploads\/sites\/183\/2024\/08\/Reagan_siderurgica.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1575","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/390"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1575"}],"version-history":[{"count":17,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1575\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1598,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1575\/revisions\/1598"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1578"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1575"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1575"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1575"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}