{"id":175,"date":"2020-08-26T19:00:13","date_gmt":"2020-08-26T22:00:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/?p=175"},"modified":"2021-02-02T18:44:44","modified_gmt":"2021-02-02T21:44:44","slug":"impactos-da-pandemia-de-covid-19-sobre-a-economia-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/2020\/08\/26\/impactos-da-pandemia-de-covid-19-sobre-a-economia-brasileira\/","title":{"rendered":"Impactos da Pandemia de Covid-19 sobre a Economia Brasileira"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Por: Paulo Ricardo S. Oliveira*<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A chamada \u201csegunda onda\u201d da pandemia de Sars-Cov-2, isto \u00e9, a crise econ\u00f4mica do p\u00f3s-pandemia, tem sido objeto de discuss\u00e3o entre os especialistas. As necessidades de isolamento social impostas pela pandemia certamente tem impactos sobre a economia, e \u00e9 sabido que os efeitos delet\u00e9rios na economia podem perdurar para al\u00e9m da dissolu\u00e7\u00e3o da crise sanit\u00e1ria. Mas em qual propor\u00e7\u00e3o a pandemia deve afetar a economia brasileira? Nesta nota, busca-se lan\u00e7ar luz sobre essa quest\u00e3o com bases na avalia\u00e7\u00e3o dos dados da atividade econ\u00f4mica no primeiro trimestre e nas proje\u00e7\u00f5es para a retra\u00e7\u00e3o do PIB brasileiro no ano de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes de analisar os dados, \u00e9 importante reconhecer que a crise da pandemia n\u00e3o cessa a retomada do crescimento da economia brasileira. A crise da pandemia chega ao Brasil num per\u00edodo de estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, que pode ser visto como um desdobramento da crise financeira global e da crise pol\u00edtica brasileira, com efeitos mais dram\u00e1ticos a partir de 2014. Em 2015, por exemplo, o PIB brasileiro encolheu -3,15%. Em 2016, houve nova retra\u00e7\u00e3o de -2,90%. Desde ent\u00e3o, temos observado taxas de crescimento inferiores a 1,5%, n\u00edvel considerado baixo para as economias emergentes. Por fim, no ano passado, a economia brasileira cresceu apenas 1,08%, e \u00e9 neste contexto de estagna\u00e7\u00e3o que a crise da pandemia nos atinge.<a href=\"#_ftn1\">[1]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><strong>Impactos da pandemia no 1\u00ba Trimestre\/ 2020<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com os dados oficiais, o PIB brasileiro recuou -1,5% no primeiro trimestre de 2020, em rela\u00e7\u00e3o ao \u00faltimo trimestre de 2019. Sob a \u00f3tica da oferta, o PIB industrial recuou -1,4%, servi\u00e7os -1,6%, enquanto a produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria apresentou crescimento de 0,6%.&nbsp; Do lado da demanda, a pandemia afetou significativamente o consumo das fam\u00edlias, que caiu -2,0% no 1\u00b0 Trimestre\/2020 \u2013 maior queda desde 2001. Na contram\u00e3o, a forma\u00e7\u00e3o bruta de capital, isto \u00e9, a compra das empresas de bens de capital como m\u00e1quinas e equipamentos, cresceu 3,1%, sobretudo pela baixa base de compara\u00e7\u00e3o do 4\u00ba Trimestre\/2019. Por fim, os gastos do governo cresceram apenas 0,2%, mesmo diante da gravidade da pandemia<a href=\"#_ftn2\">[2]<\/a>. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os \u00edndices de atividade, divulgados para os meses entre janeiro e junho\/2020, revelam que, apesar de indicadores positivos na compara\u00e7\u00e3o m\u00eas a m\u00eas desde maio\/2020, ind\u00fastria, com\u00e9rcio e servi\u00e7os acumulam quedas significativas na compara\u00e7\u00e3o entre o 1\u00b0 Trimestre\/2020 e o 1\u00b0 Trimestre\/2019, como mostra a <strong>Tabela 1<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Tabela 1.<\/strong> \u00cdndices de atividade econ\u00f4mica na ind\u00fastria, servi\u00e7os e com\u00e9rcio \u2013 Junho\/2020<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table alignleft\"><table><tbody><tr><td>&nbsp;<\/td><td>Ind\u00fastria<\/td><td>Com\u00e9rcio<\/td><td>Servi\u00e7os<\/td><\/tr><tr><td>Taxa de varia\u00e7\u00e3o mensal (ref. Maio\/20)<\/td><td>8,9%<\/td><td>12,6%<\/td><td>5,0%<\/td><\/tr><tr><td>Taxa de varia\u00e7\u00e3o mensal (ref. Junho\/19)<\/td><td>-9,0%<\/td><td>-0,9%<\/td><td>-12,1%<\/td><\/tr><tr><td>Taxa de varia\u00e7\u00e3o semestral (ref. 1S\/19)<\/td><td>-10,9%<\/td><td>-7,4%<\/td><td>-8,3%<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><figcaption>Notas: Com\u00e9rcio \u2013 \u00edndice de volume de vendas no com\u00e9rcio varejista ampliado | Servi\u00e7os \u2013 \u00edndice de volume de servi\u00e7os | Ind\u00fastria \u2013 \u00edndice de produ\u00e7\u00e3o f\u00edsica industrial.<br>Fonte: Elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria com bases nas Pesquisa Mensal de Com\u00e9rcio, Pesquisa Mensal de Servi\u00e7o e Pesquisa Industrial Mensal do IBGE.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De forma contra intuitiva, nota-se que a ind\u00fastria foi o setor mais afetado na compara\u00e7\u00e3o trimestral, acumulando queda de -10,9% no 1\u00b0 Trimestre\/2020. Da mesma forma, a despeito das taxas positivas para compara\u00e7\u00e3o m\u00eas a m\u00eas, o com\u00e9rcio encolheu -7,4% e os servi\u00e7os -8,3% no 1\u00b0 Trimestre\/2020. A <strong>Tabela 2<\/strong> mostra a queda por categoria econ\u00f4mica industrial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Tabela 2<\/strong>. Varia\u00e7\u00e3o da Produ\u00e7\u00e3o F\u00edsica Industrial por Categoria Econ\u00f4mica<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td><\/td><td>Var. 1T\/2020 1T\/2019<\/td><td>Var. Mensal Jun\/2020 Jun\/2019<\/td><td>Var. Mensal Jun\/2020 Maio\/2020<\/td><\/tr><tr><td>Bens de capital<\/td><td>-21,2<\/td><td>-22,2<\/td><td>13,1<\/td><\/tr><tr><td>Bens intermedi\u00e1rios<\/td><td>-6,6<\/td><td>-5,9<\/td><td>4,9<\/td><\/tr><tr><td>Bens de consumo<\/td><td>-16,2<\/td><td>-11,6<\/td><td>15,9<\/td><\/tr><tr><td>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Bens de consumo dur\u00e1veis<\/td><td>-36,8<\/td><td>-35,1<\/td><td>82,2<\/td><\/tr><tr><td>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Bens de consumo semidur\u00e1veis e n\u00e3o dur\u00e1veis<\/td><td>-10,3<\/td><td>-5,6<\/td><td>6,4<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><figcaption>Fonte: Produ\u00e7\u00e3o Industrial Mensal \u2013 Produ\u00e7\u00e3o F\u00edsica\/ IBGE.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nota-se, que o fechamento do semestre, refor\u00e7a a persist\u00eancia dos indicadores negativos e revertem os indicadores positivos verificados nas contas nacionais no 1\u00b0 Trimestre\/2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em rela\u00e7\u00e3o ao emprego, os dados mais recentes apontam que a taxa de desocupa\u00e7\u00e3o vem crescendo desde maio\/2020, quando estava em 10,5%, e atingiu o ponto m\u00e1ximo do per\u00edodo no final de julho\/2020, quando chegou a 13,7%. Tamb\u00e9m na \u00faltima semana de julho, o pa\u00eds tinha 5,8 milh\u00f5es de pessoas afastadas do trabalho devido ao distanciamento social, 8,3 milh\u00f5es de pessoas em trabalho remoto, 18,7 milh\u00f5es de pessoas trabalhando menos que o habitual e 29,5 milh\u00f5es de pessoas com rendimentos menor do que o habitual. Mais preocupante, estima-se que, neste momento, 18,5 milh\u00f5es de pessoas n\u00e3o procuram emprego por conta da pandemia ou por falta de trabalho na sua localidade e 43,0% dos domic\u00edlios nacionais recebem aux\u00edlio emergencial. Para se ter uma ideia da dimens\u00e3o da amplitude do aux\u00edlio emergencial, o bolsa fam\u00edlia, um dos maiores programas de transfer\u00eancia de renda da hist\u00f3ria recente brasileira, beneficiou 13,5% dos domic\u00edlios brasileiros, em 2019 <a href=\"#_ftn3\">[3]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por fim, \u00e9 poss\u00edvel verificar que os impactos no setor externo da economia brasileira t\u00eam sido consider\u00e1veis. As exporta\u00e7\u00f5es ca\u00edram -7,7% e as importa\u00e7\u00f5es -5,21% no 1\u00ba Semestre\/2020. Apesar das quedas relativamente baixas, o impacto qualitativo da crise sobre a pauta de exporta\u00e7\u00e3o merece destaque. Como esperado, dada a elasticidade renda das exporta\u00e7\u00f5es e importa\u00e7\u00f5es<a href=\"#_ftn4\">[4]<\/a>, isto \u00e9, como a demanda internacional de cada bem responde a movimentos na renda internacional, a queda foi maior para produtos mais complexos e menor para produtos menos complexos. Produtos mais complexos s\u00e3o produzidos em pa\u00edses mais avan\u00e7ados tecnologicamente, demandam mais conhecimentos para serem manufaturados e possuem maior valor agregado. A <strong>Tabela 3<\/strong> mostra a varia\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es e importa\u00e7\u00f5es por categoria de complexidade para economia brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Tabela 3<\/strong>. Varia\u00e7\u00e3o das Exporta\u00e7\u00f5es por Categoria de Complexidade \u2013 1\u00b0 Trimestre\/2020<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td>Grau de Complexidade<\/td><td>Exporta\u00e7\u00f5es (bilh\u00f5es USD)<\/td><td>% do total exportado<\/td><td>Var. % 2019\/2020<\/td><\/tr><tr><td>Baixa<\/td><td>28,34<\/td><td>27,9%<\/td><td>-6,5%<\/td><\/tr><tr><td>M\u00e9dia-baixa&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/td><td>45,6<\/td><td>45,0%<\/td><td>7,9%<\/td><\/tr><tr><td>M\u00e9dia-alta<\/td><td>22,6<\/td><td>22,3%<\/td><td>-25,5%<\/td><\/tr><tr><td>Alta<\/td><td>46,3<\/td><td>4,5%<\/td><td>-30,6%<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><figcaption>&nbsp;Fonte: Elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria com base nos dados do Minist\u00e9rio da Economia e do Observat\u00f3rio de Complexidade Econ\u00f4mica.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nota-se que as quedas mais acentuadas nas exporta\u00e7\u00f5es se deram nas categorias de produtos mais complexos, isto \u00e9, a pandemia alterou a qualidade da pauta exportadora nacional. A revers\u00e3o deste impacto qualitativo vai depender da recupera\u00e7\u00e3o das economias parceiras e do grau de protecionismo que pode ampliar-se no p\u00f3s-pandemia. A queda nas importa\u00e7\u00f5es, no entanto, foi mais equilibrada dentre as principais categorias de complexidade, como mostra a <strong>Tabela 4.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Tabela 4<\/strong>. Varia\u00e7\u00e3o nas Importa\u00e7\u00f5es por Categoria de Complexidade \u2013 1\u00ba Trimestre\/2020<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td>Grau de Complexidade<\/td><td>Importa\u00e7\u00f5es (bilh\u00f5es USD)<\/td><td>% do Total Importado<\/td><td>Var. % 19\/20<\/td><\/tr><tr><td>Baixa<\/td><td>3,8<\/td><td>4,8%<\/td><td>-24,0%<\/td><\/tr><tr><td>M\u00e9dia-baixa&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/td><td>21,5<\/td><td>27,1%<\/td><td>-5,6%<\/td><\/tr><tr><td>M\u00e9dia-alta<\/td><td>36,3<\/td><td>45,7%<\/td><td>-2,4%<\/td><\/tr><tr><td>Alta<\/td><td>17,6<\/td><td>22,2%<\/td><td>-5,0%<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><figcaption>&nbsp;Fonte: Elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria com base nos dados do Minist\u00e9rio da Economia e do Observat\u00f3rio de Complexidade &nbsp;&nbsp;Econ\u00f4mica.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><strong>Proje\u00e7\u00f5es de Impactos da pandemia em \/2020<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Infelizmente, as principais proje\u00e7\u00f5es para economia brasileira no 2\u00ba semestre de 2020 refor\u00e7am a continuidade das quedas verificadas at\u00e9 o momento. A proje\u00e7\u00e3o mais recente do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) prev\u00ea que a economia brasileira deve encolher -9,1%, em 2020<a href=\"#_ftn5\">[5]<\/a>. A mesma institui\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m prev\u00ea que a economia global sofrer\u00e1 retra\u00e7\u00e3o de -4,9% neste ano.&nbsp; As proje\u00e7\u00f5es do Banco Central do Brasil (BCB), no entanto, s\u00e3o mais otimistas, prevendo uma retra\u00e7\u00e3o anual de -6,4%, ao mesmo tempo que reconhece que o n\u00edvel de incerteza continua elevado para os pr\u00f3ximos trimestres<a href=\"#_ftn6\">[6]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma das proje\u00e7\u00f5es mais robustas sobre os impactos econ\u00f4micos da pandemia, que utiliza dados da matriz-insumo produto brasileira, foi feito pelo Grupo de Ind\u00fastria e Competitividade do Instituto de Economia da UFRJ<a href=\"#_ftn7\">[7]<\/a>. O estudo prev\u00ea tr\u00eas cen\u00e1rios para o comportamento do PIB e os componentes da demanda final, em 2020, como mostra a <strong>Tabela 5<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Tabela 5<\/strong>. Proje\u00e7\u00f5es de retra\u00e7\u00e3o do PIB brasileiro \u2013 2020<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td>Cen\u00e1rios<\/td><td>Var. PIB<\/td><td>Consumo das Fam\u00edlias<\/td><td>Forma\u00e7\u00e3o Bruta de Capital<\/td><td>Gasto do Governo<\/td><td>Exporta\u00e7\u00f5es<\/td><\/tr><tr><td>Otimista<\/td><td>-3,1%<\/td><td>-1,5%<\/td><td>-10,0%<\/td><td>2,5%<\/td><td>-6,6%<\/td><\/tr><tr><td>Refer\u00eancia<\/td><td>-6,4%<\/td><td>-3,8%<\/td><td>-20,0%<\/td><td>2,5%<\/td><td>-15,7%<\/td><\/tr><tr><td>Pessimista<\/td><td>-11,0%<\/td><td>-8,3%<\/td><td>-30,0%<\/td><td>2,5%<\/td><td>-20,4%<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><figcaption>Fonte: GIC UFRJ<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em s\u00edntese, as diferentes fontes convergem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s previs\u00f5es para economia brasileira em 2020. Mesmo as estimativas do governo j\u00e1 se aproximam do cen\u00e1rio de refer\u00eancia, e a estimativa do Fundo Monet\u00e1rio Internacional do cen\u00e1rio mais pessimista estimado pelos pesquisadores do IE\/UFRJ. Neste cen\u00e1rio, at\u00e9 o final de 2020, espera-se que as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras caiam -20,4%, a forma\u00e7\u00e3o bruta de capital fixo -30% e o consumo das familiais -8,3%.&nbsp; O aumento de 2,5% nos gastos do governo, foram estimados a partir da previs\u00e3o dos gastos adicionais com a sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><strong>&nbsp;Considera\u00e7\u00f5es Finais<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em suma, os n\u00fameros e proje\u00e7\u00f5es do ano corrente indicam que os impactos da crise sobre a economia brasileira ser\u00e3o consider\u00e1veis, piores do que os verificados em virtude dos desdobramentos da crise financeira e pol\u00edtica de 2014. Certamente, os impactos n\u00e3o afetar\u00e3o apenas a economia nacional, mas tamb\u00e9m as demais economias globais. As economias que n\u00e3o lograram o r\u00e1pido controle da epidemia e continuam alimentando altos n\u00edveis de incerteza sobre a capacidade de controle da crise sanit\u00e1ria tendem a sofrer mais intensamente os impactos da \u201csegunda-onda\u201d. \u00c9 preciso ter em mente que essa crise, al\u00e9m do maior impacto sobre PIB brasileiro, tem car\u00e1ter bastante distinto da crise financeira global de 2008<a href=\"#_ftn8\">[8]<\/a>. Por afetar diretamente a capacidade produtiva, a crise da pandemia faz com que as pol\u00edticas monet\u00e1rias sejam relativamente ineficazes na retomada da atividade. \u00c9 por isso que <em>policymakers <\/em>do mundo inteiro t\u00eam cada vez mais destacado a import\u00e2ncia da pol\u00edtica fiscal expansionista (gasto do governo) para a retomada econ\u00f4mica no p\u00f3s-pandemia. As autoridades econ\u00f4micas nacionais, no entanto, tendem a perceber a pandemia e seus impactos como um fen\u00f4meno tempor\u00e1rio, e descartar a possibilidade da amplia\u00e7\u00e3o dos investimentos p\u00fablicos. Essa percep\u00e7\u00e3o incorreta da gravidade da crise pode comprometer a recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e prolongar o cen\u00e1rio de estagna\u00e7\u00e3o da economia brasileira.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Do ponto de vista do choque externo e da pol\u00edtica comercial e industrial no p\u00f3s-crise, \u00e9 prov\u00e1vel que os efeitos da queda na renda global e pol\u00edticas mais protecionistas de com\u00e9rcio afetem as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras de forma significativa. \u00c9 v\u00e1lido lembrar que, apesar da predomin\u00e2ncia do consumo interno sobre o produto nacional, a ind\u00fastria brasileira \u00e9 altamente dependente da importa\u00e7\u00e3o de insumos industriais e pode ser afetada pela quebra de algumas cadeias de fornecimento que ser\u00e3o afetadas por poss\u00edveis guinadas protecionistas. Por outro lado, esse recuo na liberaliza\u00e7\u00e3o comercial pode gerar algum espa\u00e7o para implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas industriais e comerciais mais alinhadas com os objetivos de desenvolvimento da ind\u00fastria nacional. De todo modo, qualquer movimento neste sentido parece improv\u00e1vel diante da atual vis\u00e3o liberalizante das autoridades econ\u00f4micas nacionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">* Paulo Ricardo S. Oliveira \u00e9 Doutor em Desenvolvimento Econ\u00f4mico (IE-UNICAMP), Professor da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de Campinas (PUC-Campinas) e Economista do Observat\u00f3rio PUC-Campinas.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a> Dados do IBGE, Sistema de Contas Nacionais Anuais. Produto Interno Bruto (PIB) a pre\u00e7os b\u00e1sicos, varia\u00e7\u00e3o real anual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref2\">[2]<\/a> Dados do IBGE, Sistema de Contas Nacionais Trimestrais. Dados dessazonalizados, dispon\u00edveis em <a href=\"https:\/\/sidra.ibge.gov.br\/tabela\/5932#\/n1\/all\/v\/6564\/p\/201901,201902,201903,201904,202001\/c11255\/all\/d\/v6564%201\/l\/v,p,t+c11255\/resultado\">https:\/\/sidra.ibge.gov.br\/tabela\/5932#\/n1\/all\/v\/6564\/p\/201901,201902,201903,201904,202001\/c11255\/all\/d\/v6564%201\/l\/v,p,t+c11255\/resultado<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref3\">[3]<\/a> Dados da PNAD-COVID\/IBGE, dispon\u00edveis em &nbsp;<a href=\"https:\/\/covid19.ibge.gov.br\/pnad-covid\/\">https:\/\/covid19.ibge.gov.br\/pnad-covid\/<\/a> .<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref4\">[4]<\/a> Informalmente, elasticidade renda das importa\u00e7\u00f5es e exporta\u00e7\u00f5es refere-se a mudan\u00e7a percentual no volume destes dois fluxos ap\u00f3s uma varia\u00e7\u00e3o na renda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref5\">[5]<\/a> Dados do <em>World Economic Outlook<\/em>, Junho\/2020 do FMI, dispon\u00edveis em <a href=\"https:\/\/www.imf.org\/en\/Publications\/WEO\/Issues\/2020\/06\/24\/WEOUpdateJune2020\">https:\/\/www.imf.org\/en\/Publications\/WEO\/Issues\/2020\/06\/24\/WEOUpdateJune2020<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref6\">[6]<\/a> Dado do Relat\u00f3rio de Infla\u00e7\u00e3o do Banco Central, Junho\/2020 dispon\u00edvel em <a href=\"https:\/\/www.bcb.gov.br\/content\/ri\/relatorioinflacao\/202006\/ri202006p.pdf\">https:\/\/www.bcb.gov.br\/content\/ri\/relatorioinflacao\/202006\/ri202006p.pdf<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref7\">[7]<\/a> Dados dispon\u00edveis em &nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ie.ufrj.br\/images\/IE\/grupos\/GIC\/GIC_IE_NT_ImpactosMacroSetoriaisdaC19noBrasilvfinal22-05-2020.pdf\">https:\/\/www.ie.ufrj.br\/images\/IE\/grupos\/GIC\/GIC_IE_NT_ImpactosMacroSetoriaisdaC19noBrasilvfinal22-05-2020.pdf<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref8\">[8]<\/a> Ver an\u00e1lise da Nota do Centro de Estudos de Conjuntura e Pol\u00edtica Econ\u00f4mica, dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/www3.eco.unicamp.br\/images\/arquivos\/nota_cecon_coronacrise_natureza_impactos_e_medidas_de_enfrentamento.pdf\">http:\/\/www3.eco.unicamp.br\/images\/arquivos\/nota_cecon_coronacrise_natureza_impactos_e_medidas_de_enfrentamento.pdf<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Por: Paulo Ricardo S. Oliveira* A chamada \u201csegunda onda\u201d da pandemia de Sars-Cov-2, isto \u00e9, a crise econ\u00f4mica do p\u00f3s-pandemia, tem sido objeto de discuss\u00e3o <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/2020\/08\/26\/impactos-da-pandemia-de-covid-19-sobre-a-economia-brasileira\/\" title=\"Impactos da Pandemia de Covid-19 sobre a Economia Brasileira\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":390,"featured_media":163,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[196],"tags":[87,95,65,56,59,88,62,99,10,91,92,101,93,94,100,98,96,57,58,90,102,86,97],"class_list":["post-175","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","tag-2a-onda","tag-atividade-economica","tag-coronavirus","tag-covid-19","tag-covid-19-e-economia","tag-crise-economica-da-pandemia","tag-crise-sanitaria","tag-desemprego","tag-economia","tag-economia-brasileira","tag-economia-brasileira-em-2020","tag-exportacoes","tag-fmi","tag-impactos-da-pandemia","tag-importacoes","tag-indicadores-economicos","tag-industria","tag-pandemia","tag-pandemia-e-economia","tag-pib-brasileiro","tag-politicas-industriais","tag-segunda-onda","tag-servicos"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-content\/uploads\/sites\/183\/2020\/08\/covid-19-2nd-wave-GerdAltmann_Pixabay.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/175","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/390"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=175"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/175\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":291,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/175\/revisions\/291"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/163"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=175"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=175"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=175"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}