{"id":27,"date":"2019-02-25T16:54:29","date_gmt":"2019-02-25T19:54:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/?p=27"},"modified":"2021-02-02T18:41:45","modified_gmt":"2021-02-02T21:41:45","slug":"o-que-podemos-dizer-sobre-economia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/2019\/02\/25\/o-que-podemos-dizer-sobre-economia\/","title":{"rendered":"O que podemos dizer sobre Economia"},"content":{"rendered":"<p>Quando nos declaramos economistas a algu\u00e9m, duas rea\u00e7\u00f5es s\u00e3o bastante comuns. A primeira \u00e9 associar esta profiss\u00e3o \u00e0 gest\u00e3o do dinheiro ou de outras riquezas; a segunda \u00e9 nos relacionar a complexos c\u00e1lculos matem\u00e1ticos e estat\u00edsticos. Quando se inicia um curso de economia, percebe-se que n\u00e3o se trata s\u00f3 disso. Entre os acad\u00eamicos, h\u00e1 muitos daqueles que consideram que o verdadeiro objetivo do economista \u00e9 o de tratar do problema da escassez de recursos, ou seja, estes n\u00e3o existiriam em quantidades suficientes para atender \u00e0s necessidades e desejos humanos. A economia seria, portanto, uma ci\u00eancia que trataria de um \u00fanico problema: como alocar os recursos de forma eficiente de maneira a gerar a maior riqueza poss\u00edvel. O que se considera como solu\u00e7\u00e3o para este problema seria a realiza\u00e7\u00e3o de trocas de diferentes bens e servi\u00e7os entre os indiv\u00edduos (ou organiza\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos) e a produ\u00e7\u00e3o daqueles mediante a divis\u00e3o de trabalho \u2013 cada um faria uma parte das tarefas produtivas ou se especializaria naquilo que faz melhor. Felizmente, esta ci\u00eancia n\u00e3o se resume a isso.<\/p>\n<p>Como a Economia pertence ao campo das ci\u00eancias sociais, os estudos econ\u00f4micos tamb\u00e9m incluem a investiga\u00e7\u00e3o sobre como a sociedade se organiza, e pode se organizar, para assegurar uma subsist\u00eancia humana digna. A Hist\u00f3ria e a Antropologia nos mostram, por exemplo, que as sociedades se ajustaram de variadas formas no sentido de produzir o que era fundamental para sua sobreviv\u00eancia e tudo aquilo a mais que consideravam necess\u00e1rio. O grande problema da economia seria, portanto, o de entender como as rela\u00e7\u00f5es sociais se imbricam em uma organiza\u00e7\u00e3o produtiva que gera, ao mesmo tempo, riqueza e efeitos delet\u00e9rios aos seres humanos. Dessa maneira, isto n\u00e3o pressup\u00f5e que os recursos sejam sempre escassos, mas que pode haver, ao mesmo tempo, abund\u00e2ncia e escassez. Temos hoje uma forma de organiza\u00e7\u00e3o social da produ\u00e7\u00e3o na qual h\u00e1 a utiliza\u00e7\u00e3o de muitos recursos e gera-se muita riqueza, mas n\u00e3o se supera a mis\u00e9ria, a pobreza e a destrui\u00e7\u00e3o progressiva do meio ambiente. Neste sentido, o estudo da economia n\u00e3o pode preocupar-se t\u00e3o s\u00f3 com a gera\u00e7\u00e3o de riquezas, mas tamb\u00e9m deve buscar entender\u00a0 sua distribui\u00e7\u00e3o e o preju\u00edzo que sua produ\u00e7\u00e3o pode causar ao planeta.<\/p>\n<p>Disto, podemos afirmar que o estudo da economia acaba penetrando em diversos aspectos da vida humana, influenciando quase todo tipo de decis\u00e3o que venha a se referir aos elementos materiais da vida humana. Assim, a esfera pol\u00edtica (o poder de decidir) seja talvez a que mais se vincula \u00e0 economia. No mundo contempor\u00e2neo, dentro de um sistema de produ\u00e7\u00e3o altamente complexo e interligado globalmente, como \u00e9 o atual sistema capitalista, o estudo e o debate acerca das rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e pol\u00edticas adquire grande relev\u00e2ncia, j\u00e1 que o que acontece nesse plano conjunto tem impacto sobre a vida de praticamente todas as pessoas.<\/p>\n<p>Neste blog, portanto, n\u00e3o discutiremos economia fechados na ideia de escassez. Tamb\u00e9m evitaremos abordar o assunto a partir de uma vis\u00e3o de curto prazo vinculada a indicadores econ\u00f4micos do dia-a-dia. N\u00e3o consideramos que este tipo de an\u00e1lise seja desnecess\u00e1rio ou err\u00f4neo. Apenas entendemos que j\u00e1 h\u00e1 uma ampla cobertura na grande m\u00eddia sobre as expectativas para cada m\u00eas com respeito a investimentos pessoais, oscila\u00e7\u00f5es no pre\u00e7o do d\u00f3lar ou mudan\u00e7as nas taxas de infla\u00e7\u00e3o. Buscaremos, de outra forma, tratar de aspectos relacionados a quest\u00f5es pol\u00edtico-econ\u00f4micas que se referem de uma maneira mais ampla ao nosso modo de vida atual e \u00e0 maneira como poder\u00edamos vislumbrar o futuro. Desta maneira, e em coer\u00eancia com a concep\u00e7\u00e3o de economia aqui adotada, poderemos tratar de quest\u00f5es mais delimitadas como, por exemplo, sistemas de sa\u00fade p\u00fablica e privada, previd\u00eancia social, energia, produ\u00e7\u00e3o industrial e de servi\u00e7os, meio ambiente, gest\u00e3o do espa\u00e7o urbano sem perder de vista que estas est\u00e3o inseridas em temas mais abrangentes como, por exemplo, desenvolvimento capitalista, estado de bem-estar social, crises sist\u00eamicas, ideologias, com\u00e9rcio e finan\u00e7as internacionais.<\/p>\n<p>Portanto, a partir de um referencial econ\u00f4mico acess\u00edvel e embasamento hist\u00f3rico consistente, como tem sido a tradi\u00e7\u00e3o da Unicamp, ambicionamos divulgar a ci\u00eancia econ\u00f4mica de uma forma acess\u00edvel para que aqueles que se interessam por tais discuss\u00f5es possam ter mais uma fonte de informa\u00e7\u00f5es para a explica\u00e7\u00e3o de fatos da vida contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p><strong>Victor Augusto Ferraz Young<\/strong>, economista, pesquisador do Centro de Estudos de Rela\u00e7\u00f5es Econ\u00f4micas Internacionais (CERI) do Instituto de Economia da UNICAMP, Mestre e Doutor em Desenvolvimento Econ\u00f4mico nesta mesma Universidade, \u00e9 tamb\u00e9m professor do curso de Especializa\u00e7\u00e3o em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais na disciplina de Competitividade Internacional.<\/p>\n<p><strong>Ulisses Rubio Urbano da Silva<\/strong>, Graduado em Ci\u00eancias Econ\u00f4micas pela UNESP. Mestre e Doutor em Desenvolvimento Econ\u00f4mico pelo Instituto de Economia da UNICAMP, enfatizando estudos em Hist\u00f3ria Econ\u00f4mica. Pesquisas em Pensamento Econ\u00f4mico Brasileiro. Atualmente leciona Economia e disciplinas da \u00e1rea de gest\u00e3o no IFSP campus S\u00e3o Jo\u00e3o da Boa Vista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Quando nos declaramos economistas a algu\u00e9m, duas rea\u00e7\u00f5es s\u00e3o bastante comuns. 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