{"id":676,"date":"2021-07-19T00:23:31","date_gmt":"2021-07-19T03:23:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/?p=676"},"modified":"2021-07-21T19:41:51","modified_gmt":"2021-07-21T22:41:51","slug":"as-ideias-fundamentais-de-keynes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/2021\/07\/19\/as-ideias-fundamentais-de-keynes\/","title":{"rendered":"As ideias fundamentais de Keynes"},"content":{"rendered":"\n<p>Por V\u00edtor Lopes de Souza Alves.<\/p>\n<p>Em 1937, no ano seguinte \u00e0 publica\u00e7\u00e3o da sua <em>Teoria geral do emprego, do juro e da moeda<\/em>, Keynes publicou um texto curto intitulado <em>A teoria geral do emprego<\/em>. Neste, o economista ingl\u00eas respondeu brevemente \u00e0s resenhas feitas \u00e0 sua grande obra por Taussig, Leontief, Robertson e Viner, concordando com alguns apontamentos e rebatendo outros. Para al\u00e9m disso, no entanto, este texto \u00e9 de especial import\u00e2ncia pois nele, tendo em vista evitar interpreta\u00e7\u00f5es equivocadas do seu pensamento, Keynes tratou de apresentar didaticamente as ideias fundamentais mais simples subjacentes \u00e0 sua teoria econ\u00f4mica, afirmando interessar-se mais por elas do que pela forma de express\u00e3o e terminologia adotadas na <em>Teoria geral<\/em>.<\/p>\n<p><strong>Incerteza e conven\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Conforme Keynes, a teoria econ\u00f4mica cl\u00e1ssica, que abrange autores como Ricardo, Marshall, Edgeworth, Pigou, etc., faz as seguintes suposi\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<ol>\n<li>a quantidade dos fatores de produ\u00e7\u00e3o em uso \u00e9 dada ao n\u00edvel do pleno emprego, e o problema econ\u00f4mico resume-se a determinar a maneira como os fatores s\u00e3o empregados e as suas recompensas relativas;<\/li>\n<li>os fatos e as expectativas s\u00e3o dados de forma defin\u00edvel e calcul\u00e1vel, os riscos podem ser submetidos a c\u00e1lculos atuariais exatos, o c\u00e1lculo de probabilidade reduz a incerteza \u00e0 mesma posi\u00e7\u00e3o calcul\u00e1vel da certeza (c\u00e1lculo de Bentham), o que n\u00e3o exclui a mudan\u00e7a e a decep\u00e7\u00e3o de expectativas.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Para Keynes, ao contr\u00e1rio, o conhecimento do futuro \u00e9 vago, oscilante e incerto; a atividade de car\u00e1ter econ\u00f4mico \u00e9 afetada pela preocupa\u00e7\u00e3o com as consequ\u00eancias remotas (n\u00e3o diretas e imediatas) dos atos, sobre as quais apenas se podem ter vagas ideias; e a a\u00e7\u00e3o e a tomada de decis\u00f5es econ\u00f4micas s\u00e3o feitas em condi\u00e7\u00e3o de incerteza, em que n\u00e3o existem bases cient\u00edficas para c\u00e1lculos probabil\u00edsticos.<\/p>\n<p>A teoria cl\u00e1ssica apenas funcionaria bem se os bens econ\u00f4micos fossem necessariamente consumidos num curto intervalo de tempo depois de produzidos. Por\u00e9m, no mundo real, o objetivo geral da acumula\u00e7\u00e3o de riqueza \u00e9 o de provocar resultados em datas comparativamente e, \u00e0s vezes, indefinidamente distantes.<\/p>\n<p>Na teoria keynesiana, a incerteza diz respeito \u00e0 impossibilidade de fazer c\u00e1lculos probabil\u00edsticos sobre o futuro, diferindo do risco probabilisticamente calcul\u00e1vel. Por exemplo:<\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"283\">\n<p style=\"text-align: center\"><strong>Incerteza<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"283\">\n<p style=\"text-align: center\"><strong>Risco<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"283\">\n<p>\u2666\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Perspectiva de uma guerra europeia;<\/p>\n<p>\u2666\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Pre\u00e7o do cobre e taxa de juros daqui a vinte anos;<\/p>\n<p>\u2666\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Obsolesc\u00eancia de uma nova inven\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>\u2666\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Sistema social de 1970.<\/p>\n<\/td>\n<td width=\"283\">\n<p>\u2666\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Jogo da roleta;<\/p>\n<p>\u2666\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Possibilidade de ganhar na loteria;<\/p>\n<p>\u2666\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Esperan\u00e7a de vida;<\/p>\n<p>\u2666\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Condi\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas.<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>De acordo com Keynes, em circunst\u00e2ncias de incerteza, os homens adotam um comportamento baseado em conven\u00e7\u00f5es, seguindo as tr\u00eas t\u00e9cnicas abaixo:<\/p>\n<ol>\n<li>sup\u00f5e-se que o presente constitui um guia prestimoso para o futuro, ignorando-se a perspectiva de mudan\u00e7as futuras;<\/li>\n<li>sup\u00f5e-se que o estado de opini\u00e3o vigente, expresso nos pre\u00e7os e no car\u00e1ter da produ\u00e7\u00e3o existente, baseia-se num sum\u00e1rio correto das perspectivas futuras;<\/li>\n<li>cada indiv\u00edduo conforma-se \u00e0 opini\u00e3o do resto do mundo (opini\u00e3o convencional) e ao comportamento da maioria ou da m\u00e9dia.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Uma teoria pr\u00e1tica do futuro baseada nesses fundamentos fr\u00e1geis est\u00e1 sujeita a mudan\u00e7as repentinas e violentas. A calma, imobilidade, certeza e seguran\u00e7a podem ser repentinamente rompidas por novos temores ou esperan\u00e7as, vagos, irracionais e sem fundamentos, que imp\u00f5em uma nova base convencional de avalia\u00e7\u00e3o \u00e0 conduta humana.<\/p>\n<p>A teoria cl\u00e1ssica faz abstra\u00e7\u00e3o da incerteza sobre o futuro e, por isso, n\u00e3o corresponde \u00e0 realidade pr\u00e1tica e est\u00e1 repleta de fal\u00e1cias. \u201c<em>Eu acuso a teoria econ\u00f4mica cl\u00e1ssica de ser uma dessas t\u00e9cnicas belas e polidas, que tentam lidar com o presente, abstraindo o fato de que sabemos muito pouco a respeito do futuro.<\/em>\u201d (Keynes, 1937, p. 172).<\/p>\n<p><strong>Moeda, prefer\u00eancia pela liquidez e taxa de juros<\/strong><\/p>\n<p>Segundo Keynes, o dinheiro serve para duas finalidades e possui duas fun\u00e7\u00f5es principais: numer\u00e1rio e reserva de valor. Enquanto numer\u00e1rio, ele \u00e9 um facilitador das trocas, n\u00e3o precisa existir como objeto substantivo e \u00e9 desprovido de real significado ou influ\u00eancia, sendo neutro. Enquanto reserva de valor, \u00e9 visto de maneira diferente pelos cl\u00e1ssicos e por Keynes.<\/p>\n<p>Para os cl\u00e1ssicos, o dinheiro, ao contr\u00e1rio de todas as outras formas de reserva de valor, \u00e9 est\u00e9ril, pois n\u00e3o rende juros ou lucros. Assim, o desejo de usar o dinheiro como reserva de valor s\u00f3 pode existir num \u201c<em>hosp\u00edcio para loucos<\/em>\u201d (Keynes, 1937, p. 173).<\/p>\n<p>J\u00e1 para Keynes, o dinheiro \u00e9 desejado como reserva de valor, por motivos razo\u00e1veis ou instintivos\/convencionais, e o desejo de mant\u00ea-lo nessa condi\u00e7\u00e3o &#8211; a prefer\u00eancia pela liquidez ou a propens\u00e3o a entesourar (Md) &#8211; constitui um bar\u00f4metro do grau de desconfian\u00e7a dos c\u00e1lculos e conven\u00e7\u00f5es quanto ao futuro. \u201c<em>A posse de dinheiro real tranquiliza nossa inquieta\u00e7\u00e3o; e o pr\u00eamio que exigimos para nos separarmos dele \u00e9 a medida do grau de nossa inquieta\u00e7\u00e3o.<\/em>\u201d (Keynes, 1937, p. 173). Em outras palavras, o dinheiro pode ser entendido como um ref\u00fagio contra a incerteza. Esquematicamente:<\/p>\n<p>enfraquecimento das conven\u00e7\u00f5es \u21d2 \u2191 desconfian\u00e7a e incerteza \u21d2 \u2191 prefer\u00eancia pela liquidez (Md)<\/p>\n<p>Na medida em que a teoria cl\u00e1ssica chegou a observar o fen\u00f4meno da prefer\u00eancia pela liquidez, descreveu-o mal, pois o associou \u00e0 quantidade de dinheiro entesourada. Essa teoria est\u00e1 errada, pois a quantidade de entesouramento s\u00f3 pode se alterar se forem alteradas a quantidade total de dinheiro (Ms) ou o montante da renda monet\u00e1ria corrente (Y). A equa\u00e7\u00e3o seguinte, que relaciona a quantidade de moeda existente aos seus dois usos alternativos, deve ser sempre respeitada:<\/p>\n<p>quantidade de moeda (Ms) = circula\u00e7\u00e3o ativa (para transa\u00e7\u00f5es correntes, f (Y)) + saldos inativos (para entesouramento)<\/p>\n<p>Para Keynes, as flutua\u00e7\u00f5es no grau de confian\u00e7a e, consequentemente, na propens\u00e3o a entesourar afetam n\u00e3o o volume realmente entesourado, mas a taxa de juros (r), isto \u00e9, o pr\u00eamio que deve ser oferecido para induzir as pessoas a n\u00e3o entesourar, mantendo a sua riqueza sob alguma forma diversa do dinheiro entesourado. Tal \u00e9 a teoria keynesiana da taxa de juros: esta corresponde \u00e0 medida do pr\u00eamio de liquidez. \u201c<em>A taxa de juros \u00e9 o fator que ajusta na margem a procura de dinheiro para entesouramento \u00e0 oferta de numer\u00e1rio para o mesmo fim.<\/em>\u201d (Keynes, 1937, p. 174).<\/p>\n<p>Cl\u00e1ssicos: \u2191 prefer\u00eancia pela liquidez \u21d2 \u2191 quantidade de dinheiro entesourado \u21d2 \u2193 velocidade de circula\u00e7\u00e3o do dinheiro \u21d2 \u2193 n\u00edvel de pre\u00e7os<\/p>\n<p>Keynes: \u2191 prefer\u00eancia pela liquidez (Md) \u21d2 \u2191 taxa de juros (r) \u21d2 \u2193 n\u00edvel de pre\u00e7os<\/p>\n<p><strong>Aloca\u00e7\u00e3o da riqueza<\/strong><\/p>\n<p>Keynes afirma que o possuidor de riqueza pode conserv\u00e1-la de tr\u00eas maneiras diferentes: dinheiro entesourado, t\u00edtulos de empr\u00e9stimos e ativos de capital. Em equil\u00edbrio, essas alternativas devem apresentar uma vantagem id\u00eantica ao investidor marginal, como resultado das mudan\u00e7as nos pre\u00e7os dos ativos de capital em rela\u00e7\u00e3o aos pre\u00e7os dos t\u00edtulos de empr\u00e9stimos monet\u00e1rios.<\/p>\n<p>A taxa de juros (r) \u00e9 determinada pela quantidade de moeda (Ms) e pela prefer\u00eancia pela liquidez (Md). Os pre\u00e7os dos ativos de capital (Pd, pre\u00e7os de demanda) s\u00e3o determinados pela taxa de juros (r) e pelas opini\u00f5es quanto \u00e0 sua rentabilidade futura (EMgK, efici\u00eancia marginal do capital). Tanto r como EMgK est\u00e3o sujeitas a flutua\u00e7\u00f5es profundas em raz\u00e3o da fragilidade da base do conhecimento, da incerteza e das mudan\u00e7as nas conven\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>r = f (Ms, Md)<\/p>\n<p>Pd = f (r, EMgK)<\/p>\n<p><strong>Determina\u00e7\u00e3o do investimento<\/strong><\/p>\n<p>Geralmente, os ativos de capital podem ser novamente produzidos. A escala em que s\u00e3o produzidos depende da rela\u00e7\u00e3o entre os seus custos de produ\u00e7\u00e3o (Po, pre\u00e7os de oferta) e os pre\u00e7os que se espera que eles possam alcan\u00e7ar no mercado (Pd, pre\u00e7os de demanda). O volume de investimento corrente (I) corresponde ao valor do produto dos ativos de capital rec\u00e9m-produzidos. Se r e EMgK levarem a um aumento de Pd, I aumenta; e se r e EMgK levarem a uma redu\u00e7\u00e3o de Pd, I reduz.<\/p>\n<p>O volume de investimento assim determinado flutua muito ao longo do tempo, pois depende de dois conjuntos de opini\u00f5es sobre o futuro, nenhum dos quais se apoia num fundamento adequado ou seguro: sobre a prefer\u00eancia pela liquidez (Md) e sobre a rentabilidade futura dos ativos de capital (EMgK). Via de regra, as flutua\u00e7\u00f5es nesses dois fatores n\u00e3o se compensam, mas se refor\u00e7am mutuamente, por exemplo:<\/p>\n<p>\u2191 incerteza \u21d2 \u2191 prefer\u00eancia pela liquidez (Md) \u21d2 \u2191 r \u21d2 \u2193 Pd \u21d2 \u2193 I<\/p>\n<p>\u2191 incerteza \u21d2 \u2193 perspectivas de rendimentos futuros (EMgK) \u21d2 \u2193 Pd \u21d2 \u2193 I<\/p>\n<p>O \u00fanico elemento de autocorre\u00e7\u00e3o no sistema surge numa etapa muito posterior e num grau incerto, operando assim:<\/p>\n<p>\u2193 I \u21d2 \u2193 Y \u21d2 \u2193 circula\u00e7\u00e3o ativa \u21d2 \u2191 saldos inativos \u21d2 \u2193 r \u21d2 \u2191 Pd \u21d2 \u2191 I<\/p>\n<p>Portanto, a escala do investimento \u00e9 suscet\u00edvel a flutua\u00e7\u00f5es por raz\u00f5es distintas daquelas apontadas pela teoria cl\u00e1ssica, quais sejam, a propens\u00e3o do indiv\u00edduo a poupar e as condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas de capacidade t\u00e9cnica para apoiar a produ\u00e7\u00e3o. Se o conhecimento do futuro fosse calcul\u00e1vel e n\u00e3o sujeito a mudan\u00e7as s\u00fabitas, seria justific\u00e1vel supor que a curva de prefer\u00eancia pela liquidez fosse est\u00e1vel e inel\u00e1stica. Nesse caso, uma pequena queda de Y levaria a uma grande queda de r, suficiente para elevar ao m\u00e1ximo a produ\u00e7\u00e3o e o emprego, sendo razo\u00e1vel supor o pleno emprego normal de todos os recursos dispon\u00edveis. Apenas assim estariam satisfeitas as condi\u00e7\u00f5es requeridas pela teoria cl\u00e1ssica.<\/p>\n<p><strong>Teoria da demanda efetiva<\/strong><\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio da teoria cl\u00e1ssica, Keynes considera que \u00e9 necess\u00e1rio formular uma teoria da demanda e da oferta da produ\u00e7\u00e3o como um todo: \u201c<em>a teoria da procura efetiva \u2013 ou seja, a procura para a produ\u00e7\u00e3o como um todo \u2013 tem sido inteiramente negligenciada por mais de cem anos.<\/em>\u201d (Keynes, 1937, p. 176). Keynes procura responder \u00e0 seguinte pergunta, que a teoria cl\u00e1ssica n\u00e3o se colocou: uma flutua\u00e7\u00e3o do investimento tem alguma influ\u00eancia na demanda agregada (D) e, consequentemente, na escala da produ\u00e7\u00e3o (Y) e do emprego (N)?<\/p>\n<p>A demanda efetiva \u00e9 composta por dois itens: a despesa de investimento (I) e a despesa de consumo (C). O montante da despesa de consumo depende principalmente do n\u00edvel da renda (Y). A propens\u00e3o das pessoas a consumir (c) \u00e9 influenciada por v\u00e1rios fatores: distribui\u00e7\u00e3o da renda, atitude diante do futuro, taxa de juros, etc. No entanto, \u201c<em>a lei psicol\u00f3gica predominante parece ser que, quando aumenta a renda agregada, a despesa do consumo tamb\u00e9m aumentar\u00e1, mas em menor grau.<\/em>\u201d (Keynes, 1937, p. 176). Um aumento da renda \u00e9 dividido, em alguma propor\u00e7\u00e3o, entre a despesa de consumo e a poupan\u00e7a (S), sendo extremamente improv\u00e1vel que tenha como efeito uma redu\u00e7\u00e3o do consumo ou da poupan\u00e7a.<\/p>\n<p>As rendas s\u00e3o geradas pelos empres\u00e1rios que produzem para investimento ou para consumo. A quantidade consumida depende da renda assim gerada e da propens\u00e3o a consumir. Portanto, a quantidade de bens de consumo que compensa aos empres\u00e1rios produzir, isto \u00e9, que \u00e9 lucrativa, depende da quantidade de bens de investimento que eles produzirem. Embora a propens\u00e3o a consumir n\u00e3o seja constante e outros fatores tamb\u00e9m sejam relevantes, existe sempre uma f\u00f3rmula que vincula a produ\u00e7\u00e3o de bens de consumo que vale a pena produzir com a produ\u00e7\u00e3o de bens de investimento. Assim, conclui-se que, dada a propens\u00e3o a consumir, o n\u00edvel da produ\u00e7\u00e3o e do emprego como um todo depende do montante do investimento.<\/p>\n<p>C = c . Y<\/p>\n<p>Y, N = f (I)<\/p>\n<p>De um modo mais geral, Y e N dependem das seguintes vari\u00e1veis: a prefer\u00eancia pela liquidez (Md), a quantidade de moeda (Ms), as expectativas sobre a rentabilidade futura dos ativos de capital (EMgK), a propens\u00e3o a consumir (c) e o n\u00edvel dos sal\u00e1rios nominais. Esquematicamente:<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-677 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-content\/uploads\/sites\/183\/2021\/07\/Demanda-efetiva-300x97.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"97\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-content\/uploads\/sites\/183\/2021\/07\/Demanda-efetiva-300x97.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-content\/uploads\/sites\/183\/2021\/07\/Demanda-efetiva.png 405w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Todavia, entre todos esses fatores, Md e EMgK, que atuam na determina\u00e7\u00e3o do investimento, s\u00e3o os menos confi\u00e1veis, pois s\u00e3o influenciados pelas vis\u00f5es do futuro, sobre o qual se sabe t\u00e3o pouco. Assim sendo, pode-se dizer que a produ\u00e7\u00e3o e o emprego s\u00e3o determinados pelo investimento. &#8220;<em>A teoria pode ser resumida pela afirma\u00e7\u00e3o de que, dada a psicologia do p\u00fablico, o n\u00edvel da produ\u00e7\u00e3o e do emprego como um todo depende do montante do investimento.<\/em>&#8221; (Keynes, 1937, p. 178).<\/p>\n<p style=\"text-align: center\">***<\/p>\n<p>Keynes afirma que as suas sugest\u00f5es de pol\u00edtica econ\u00f4mica, que t\u00eam por objetivo o pleno emprego, n\u00e3o pretendem ser definitivas, est\u00e3o sujeitas a pressupostos particulares e ligadas a condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas da \u00e9poca. J\u00e1 a sua teoria do emprego tem um car\u00e1ter geral e pretende ser definitiva, pois explica por que o emprego \u00e9 o que \u00e9 em qualquer circunst\u00e2ncia. \u201c<em>Portanto, o que ofere\u00e7o \u00e9 uma teoria das causas pelas quais a produ\u00e7\u00e3o e o emprego s\u00e3o t\u00e3o sujeitos a flutua\u00e7\u00f5es.<\/em>\u201d (Keynes, 1937, p. 178).<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p>Por fim, Keynes resume em dois pontos os principais fundamentos de sua diverg\u00eancia com a teoria cl\u00e1ssica:<\/p>\n<ol>\n<li>diferente concep\u00e7\u00e3o do futuro, diferente teoria da taxa de juros, n\u00e3o suposi\u00e7\u00e3o do pleno emprego;<\/li>\n<li>rejei\u00e7\u00e3o da lei de Say, teoria da demanda efetiva.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>Refer\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>KEYNES, J. M. A teoria geral do emprego. In: SZMRECS\u00c1NYI, T. (Org.). <em>John Maynard Keynes: economia<\/em>. 2. ed. S\u00e3o Paulo: \u00c1tica, 1984 [1937].<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> A <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/2020\/12\/01\/a-teoria-geral-de-keynes-uma-apresentacao-didatica\/\">teoria econ\u00f4mica<\/a> de Keynes e as suas <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/2021\/02\/01\/as-propostas-de-reforma-social-de-keynes\/\">proposi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas<\/a> foram apresentadas em publica\u00e7\u00f5es anteriores neste blog.<\/p>\n\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><\/div>","protected":false},"author":623,"featured_media":678,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[196],"tags":[314,166,10,170,164,169],"class_list":["post-676","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","tag-convencoes","tag-demanda-efetiva","tag-economia","tag-incerteza","tag-keynes","tag-preferencia-pela-liquidez"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-content\/uploads\/sites\/183\/2021\/07\/Brooklyn-Daily-Eagle-24-10-1929.png","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/676","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/623"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=676"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/676\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":688,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/676\/revisions\/688"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/678"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=676"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=676"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/sobreeconomia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=676"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}